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JB Vilhena
Consultor
Sênior do MVC,
Coordenador dos programas de Gestão Comercial da FGV
COCA-COLA X SONHO DE VALSA
O que é
mais fácil: vender Coca-cola ou bombom Sonho de Valsa? Eis
aí uma pergunta difícil de responder, pois ambas são marcas
líderes de mercado. E o que é mais difícil: vender Fanta Uva
ou chocolate Crunch? Essa resposta é fácil, pois vender
qualquer um dos dois “é osso puro”.
É claro
que qualquer vendedor sempre preferirá oferecer marcas
líderes para seus clientes. São mais fáceis de vender,
exigindo menor pressão e tornando a venda menos desgastante.
Por outro lado as empresas têm todo o interesse em vender
suas demais marcas, que normalmente oferecem maiores margens
de contribuição, pois demandam menos investimentos de
marketing. Face a esses interesses contraditórios fica a
pergunta: Como fazer para que o vendedor se empenhe na mesma
intensidade para vender tanto a marca líder quanto as
demais?
Uma
resposta é pagar de forma diferenciada pela venda de uma e
de outra. Podemos, por exemplo, estabelecer percentuais
diferentes de comissionamento para cada uma. Também podemos
gerar incentivos extras para aumentar a venda das marcas
menos desejadas. Oferecer a famosa “dúzia de quinze” (o
cliente recebe 15 unidades do produto mas paga apenas por
12), garantir a recompra do que não for vendido, ajudar a
gerenciar os estoques evitando perdas por vencimento do
prazo de validade e vendas consignadas de determinados itens
menos procurados são apenas alguns exemplos sobre como
estimular o cliente a comprar mais de um determinado
produto.
Mas e se
o problema não for a existência de diversas versões de uma
mesma categoria de produtos, mas sim a existência de
categorias diversas de produtos com preços e posicionamento
diferentes? Imaginem um distribuidor de bebidas alcoólicas
que comercializa desde o mais fino champagne francês até a
boa e velha aguardente de cana. Será que ele pode utilizar a
mesma equipe para vender os dois produtos? Será que o varejo
que comercializa champagne sofisticado compra segundo a
mesma lógica do botequim de esquina, que faz da “branquinha”
a isca para venda dos mais variados tira-gostos?
Pessoalmente eu acho muito arriscado colocar um mesmo
profissional para vender produtos “de A a Z”. Se somos cada
vez mais dependentes de boas estratégias de segmentação de
mercado e posicionamento de produtos, me parece, no mínimo,
temeroso pensar que uma única pessoa pode ser dotada de
tamanha versatilidade que lhe permita adequar-se a qualquer
tipo de cliente.
Em artigo
que escrevi há alguns anos atrás mencionei a chamada Venda
Adaptativa. Nessa modalidade de abordagem um dos maiores
desafios da venda é adequar sua oferta à necessidade/desejo
do comprador. Costumeiramente usa-se o modelo FAB (features,
advantages, benefits) para tentar verificar qual a real
necessidade de compra daquele com quem estamos negociando.
O que
muitos se esquecem é que a personalidade da pessoa que
compra pode afetar profundamente seu comportamento.
Personalidade pode ser entendida como o conjunto de
características, atitudes e hábitos que distinguem o
indivíduo. Embora determinar a personalidade do outro seja
trabalho de especialista – normalmente profissionais da área
de saúde, como psicólogos e psiquiatras – o vendedor
competente pode buscar nesse campo de conhecimento alguns
insights interessantes para aumentar a adaptabilidade de
sua oferta.
Pessoalmente eu acredito que seja esse
o caminho para verificar a adequação do vendedor as
características do cliente. Se você quiser conhecer melhor
os princípios da venda adaptativa, me mande um e-mail que
terei o maior prazer em enviar para você o artigo que
escrevi (mariateresa@institutomvc.com.br).
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