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Francisco
Bittencourt
Consultor
Sênior do Instituto MVC,
Professor
da FGV, Especialista em Gestão de Pequenas e Médias Empresas
LIDERANÇA
AERÓBICA: CUIDANDO DE RAPOSAS FELPUDAS,
COBRAS
CRIADAS, BAGRES ENSABOADOS E MACACOS VELHOS
O entendimento do papel
de um líder como componente de sua própria equipe nos remete
à visão de Kanter, ao
indicar as habilidades e sensibilidades essenciais, para que
líderes se transformem no que ela denominou “atletas
empresariais”:
-
Aprender a trabalhar sem apoiar-se na hierarquia;
-
Saber
como “competir” visando aumentar e não podar a
cooperação;
-
Operar
com padrões éticos elevados;
-
Ter
uma certa dose de humildade;
-
Desenvolver o foco nos processos;
-
Ser
multifacetado e habilidoso;
-
Obter
satisfação por meio de resultados.
O profissional conclui seu
curso superior, consolida a sua formação com um curso de
pós-graduação e sai à procura de um emprego, ou como ocorre
em boa parte dos casos, “um trabalho”.
Depois de muito batalhar,
entregando seu currículo pessoalmente ou enviando pela
Internet para o site das empresas, eis que surge uma
proposta.
Uma posição de supervisão ou
gerencia em empresa na qual, em face da escassez de mão de
obra qualificada, oferece-se a posição de liderança a
profissionais que, embora qualificados na formação, não têm
experiência.
E, de repente, se vê o
cidadão frente à frente com um trabalho complexo,
coordenando o trabalho de outros profissionais, alguns com
experiência e uma longa jornada já realizada na empresa.
Já nos primeiros momentos
encontra-se com os personagens mencionados no título:
-
RAPOSAS
FELPUDAS:
movimentam-se de forma cuidadosa, sem fazer barulho,
sedutoras, seu pelo lustroso impede que fiquem retidas
diante de obstáculos, passam incólumes por qualquer
situação e se caracterizam por uma aparência cuidadosa,
que supera quaisquer dificuldades pessoais, provocadas
pela ineficiência ou desconhecimento de sua área de
atuação.
-
COBRAS
CRIADAS:
sabem
de tudo, conhecem tudo, já passaram por todo o tipo de
experiência, conhecem todos os meandros, labirintos e
esconderijos da organização, nada acontece sem que sejam
informados (algumas vezes previamente).
-
BAGRES
ENSABOADOS:
escorregadios, nada “cola” neles, estão sempre se
safando de dificuldades, ou pequenas “armadilhas”
colocadas em seu caminho; estão sempre nos lugares onde
se espera que estejam, dificilmente são pegos no
contrapé.
-
MACACOS
VELHOS:
dominam
todos os truques capazes de surpreender a “platéia”, têm
uma resposta para qualquer questão feita a eles, seu
passado é rico em experiências, nada os assusta, pois já
terão passado por inúmeras situações, são ladinos e
muito perspicazes em “pular barreiras”.
A partir do conhecimento do
perfil destas “peças”, o novo líder se vê na necessidade de
encontrar instrumentos e recursos de trabalho que permitam
“customizar” seu modelo de gestão e liderança, frente a esta
diversidade de personagens.
Os detentores destes perfis,
em princípio, não são profissionais incompetentes, pelo
contrário, apresentam um histórico de eficiência.
O que é significativo, no
entanto é a sua forma de agir no dia-a-dia, resistindo, de
forma não frontal ao aparecimento de uma nova liderança.
A BUSCA DE CAMINHOS
O novo líder, ao se colocar
no lugar adequado, de coordenar os trabalhos de sua equipe,
cuidando de definir claramente suas responsabilidades (suas
obrigações e as obrigações da equipe) estará em condições de
definir um método de trabalho para superar as nuanças
provocadas pelos perfis de seus comandados.
Algumas atitudes farão a
diferença:
-
Sempre
que houver um assunto de interesse e de importância para
o trabalho da equipe, compete ao líder dar início,
deflagrar o processo de discussão, para o encontro de
soluções;
-
Compete ao líder, ao responder às questões formuladas
por membros de sua equipe, emitir suas opiniões e
transmitir as informações de forma fundamentada, com
base em argumentos sólidos e de fontes confiáveis,
compatíveis como nível de questionamento feito pela
equipe;
-
Agir
no sentido de estabelecer o senso de direção (objetivos
e metas a serem cumpridos), orientar (mostrar o caminho
a ser percorrido, para consecução dos objetivos) e
apoiar (dar suporte à equipe, no uso de recursos e
ferramentas para atingir os objetivos e metas);
-
Se
houver dúvidas por parte da equipe em relação às tarefas
ou aos objetivos e metas, se for percebido manifesto
desinteresse em executar as obrigações ou ainda, nas
situações de impasse, que provoquem a inércia dos
membros da equipe, agir no sentido de superar a
paralisação, quer seja esclarecendo, quer seja
identificação de fatores motivacionais, quer seja
administrando os conflitos provocadores do impasse;
-
Definir ações de incentivo para a equipe, identificando
erros e propondo o estudo do processo, para determinar
as causas destes erros, e transformando-os em base para
futuros acertos; nos casos de acerto por parte da
equipe, reforçar, com reconhecimento o esforço e a
qualidade do desempenho que levaram ao sucesso (acerto);
-
Entender as manifestações de sentimentos dos membros da
equipe, procurando conhecer as razões destas
manifestações, superando-as com reforço, neutralizando
com ações corretivas o que for negativo para a equipe, e
otimizando os comportamentos positivos, para que sirvam
de exemplo para os demais componentes.
-
Demonstrar capacidade de manter os canais de
comunicação, entre a liderança e a equipe
permanentemente abertos, no sentido de impedir, senão
evitar “barreiras” na comunicação, que comprometam o
diálogo interno.
Com relação às raposas
felpudas, cobras criadas, bagres ensaboados e macacos
velhos, manter um comportamento fortemente atento,
usando a máxima dos velhos negociadores:
-
Ter
jogo de cintura, com flexibilidade bastante para não
permitir que a pressão efetuada por quaisquer destes
“modelos” o façam “sair do sério”;
-
Adotar
“sangue de barata”, que não esquenta sob pressão, de
forma a não se deixar levar por propositais atitudes que
têm como finalidade, tirar o equilíbrio da liderança;
Em outras palavras, o novo
líder deve se conscientizar de que:
-
O
líder é ele;
-
As
responsabilidades pelos resultados serão cobradas dele;
-
Sua
função é definir as responsabilidades da equipe,
estabelecer as metas individuais e coletivas e cobrar os
resultados;
-
Sua
obrigação é avaliar seus subordinados, não importa a
consistência do pelo (felpudo), a melifluosidade do
comportamento (cobras), o escapismo (bagres ensaboados)
ou mesmo a matreirice (dos macacos velhos);
-
Deixar
claro para a equipe que comportamentos positivos,
geradores de resultados serão reforçados;
-
Deixar
claro também para a equipe que comportamentos
discutíveis, geradores de maus resultados ou de
problemas serão identificados e seus autores ou
responsáveis enquadrados nas regras de cobrança efetiva,
institucional e pessoalmente.
No caso destes comportamentos
“especiais”, que são o foco deste texto há que se
considerar:
-
Haverá
reconhecimento onde houver esforço, desempenho,
dedicação e consecução dos resultados;
-
Haverá
cobrança, onde houver quebra de continuidade;
Para consolidar sua posição,
o novo líder estabelecerá alguns procedimentos, no sentido
de atribuir autoridade, sem abrir mão de sua
responsabilidade:
-
Estabelecer para a equipe um conjunto de desafios, acima
das metas originalmente estipuladas (institucionalmente,
ou setorialmente);
-
Solicitar a cada um de seus subordinados que descreva
com detalhes o conjunto de tarefas pelas quais é
responsável (para atribuir autoridade, é essencial que o
“dono da função” entenda, de forma completa a amplitude
de sua área de atuação.
-
Desenvolver periodicamente, reuniões de trabalho com a
equipe, com agenda, lista de presença e ata com registro
dos fatos ocorridos; estas reuniões, a serem
incorporadas à rotina da equipe podem ser semanais,
quinzenais, mensais, desde que com um calendário
permanente;
-
Definir, para estas reuniões, como atividade adicional,
a leitura e discussão de um texto, cujo conteúdo não
tenha nada a ver com o trabalho, mas que possa despertar
interesse; este tipo de atividade contribui para o
desenvolvimento do diálogo interno na equipe, bem como
“treina” as pessoas para processos de decisão coletiva
(espírito negocial);
-
E, por
fim:
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