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Denize Dutra
Consultora Sênior do MVC
Professora dos MBAs Executivos da FGV
“AS SETE LEIS ESPIRITUAIS DO SUCESSO”
De forma muito simplista, o propósito maior de todo Ser
Humano é ser feliz. Influenciados pelo contexto e valores da
sociedade ocidental, inevitavelmente, acabamos relacionando
a idéia de felicidade, ao sucesso.
Há quase 10 anos atrás, li o livro
“As 7 Leis Espirituais do Sucesso”,
escrito por DEEPAK CHOPRA. Naquela época, pouco se falava da
espiritualidade no mundo corporativo. Recentemente, assisti
ao DVD sobre o livro e foi interessante perceber como
aquelas idéias perderam o cunho de ser apenas uma busca
pessoal, e parecem, hoje, ser tão essenciais à sobrevivência
neste ambiente competitivo e, na maioria das vezes, árido
das organizações contemporâneas. Na realidade, são as leis
da VIDA! Este artigo é uma reflexão sobre a relação das
idéias dessa obra com a gestão das pessoas.
A primeira lei trata “da potencialidade pura”, que acontece
quando descobrimos a nossa essência e reconhecemos as nossas
infinitas possibilidades e o poder delas decorrente. Este
poder magnetiza, atrai, cria vínculos. Esta lei depende do
autoconhecimento,
que
hoje é tão valorizado no mundo corporativo,
na medida em que nele se baseia o desenvolvimento pessoal,
ou seja, o desenvolvimento de outras competências.
Meditação, silêncio, atitudes contemplativas são algumas das
formas de trilhar esse caminho.
A gestão de pessoas tem focado bastante sua atenção para
estes aspectos, por meio de ações de desenvolvimento pessoal
e, em especial, das lideranças, como importante fator de
reconhecimento destas possibilidades.
A segunda é a lei “da doação”. O universo opera através de
trocas de energia. ”O fluxo da vida nada mais é do que a
interação harmoniosa de todos os elementos e de todas as
forças que estruturam a existência.” Tanto nos
relacionamentos interpessoais, como na gestão do
conhecimento, cada vez mais, a troca é valorizada, pois a
única forma de perpetuar, enriquecer, encontrar soluções é
compartilhar, colaborar, doar aquilo que temos de melhor.
A terceira, a lei “do carma”, expressa no dito
popular “você colhe aquilo que você semeia.” A melhor
maneira de entender e utilizar a lei do carma é estar
conscientemente alerta para as escolhas que fazemos a todo
momento. Na verdade, é assumir a autoria da própria
história, e isto impacta no como as pessoas se posicionam
frente às constantes adversidades que a vida, dentro e fora
das corporações, nos apresenta. Pessoas que não percebem e
nem assumem suas escolhas passam a vida se vitimizando, como
se, não tivessem escolhas!
A quarta a lei “do mínimo esforço”. Precisamos aprender e
agir como a natureza: ela funciona sem esforço, sem
ansiedade. A natureza simplesmente acontece. Nós gastamos
muita energia desnecessária porque contrariamos a nossa
própria natureza, a começar quando fazemos algo de que não
gostamos, ou um trabalho que não tenha significado para a
realização de nossa missão pessoal.
A quinta lei “da intenção e do desejo” fundamenta-se no fato
de que a energia e a informação existem em toda parte da
natureza. De acordo com esta visão quântica do universo, “a
mudança consciente acontece através de duas qualidades
inerentes à consciência: a atenção e a intenção. A atenção
energiza e a intenção transforma. Quando você concentra sua
atenção em alguma coisa, ela fica mais forte em sua vida”. A
intenção é o poder que move o desejo e organiza a sua
realização.
Há muito tempo, organizações têm focado sua atenção nos
aspectos motivacionais dos indivíduos, pautados pela
ciência. Essa lei trata desta questão sob uma nova ótica.
Muitas ferramentas usadas nos processos de coaching
são baseadas nessa lei. Quando sugerimos que as pessoas
desenvolvam suas metas, um plano de ação para atingirem seus
objetivos, estamos usando a lei da intenção e do desejo.
A sexta lei espiritual do sucesso é a lei “do
distanciamento”, segundo a qual, para se conseguir qualquer
coisa na natureza é preciso desapegar-se dos resultados.
Esta é a lei mais complicada de entender e de praticar, pois
desapegar-se não significa abandonar a intenção e o desejo.
Significa evitar a rigidez mental sobre como as coisas devem
ser. Não forçar soluções de problemas, criando novos
problemas. É ter a disponibilidade para aceitar a incerteza
inerente à existência humana. Isto permite que enxerguemos
possibilidades diferentes, de quando nos apegamos a
determinado padrão de resposta, solução, expectativa.
A sétima, a lei do “darma” (palavra sânscrita que
significa o propósito da vida): “Todos temos um dom singular
ou um talento único para dar aos outros”. O mundo
corporativo sabe disto e seu grande diferencial competitivo
está na capacidade de identificar, atrair, reter e
desenvolver esses talentos, nesta era do capital humano.
Felizmente, esta visão que antes se restringia àquilo que o
ser humano pode colocar a serviço dos interesses e
resultados organizacionais. Hoje, já não se trata do talento
só intelectual, mas ele é entendido numa perspectiva mais
holística, em que aspectos emocionais e espirituais são
valorizados, pois impactam na realização pessoal, e isto,
afeta os resultados, na maioria dos casos, medidos pelo
lucro.
Esta lei está relacionada ao significado do trabalho, porque
se o trabalho não estiver alinhado com o propósito maior da
existência, ele não será uma fonte de realização pessoal. Na
medida em que, na maior parte de nossa existência,
trabalhamos, esta é uma questão decisiva na concepção do que
seja sucesso.
Neste ponto, o principal aspecto é a pessoa perceber que
este talento só faz sentido se estiver a serviço da
humanidade. Quando você combina a capacidade de expressar
seu talento único com os benefícios da humanidade, está
fazendo pleno uso da lei do “darma”.
Pela influencia de nossa cultura ocidental, buscamos sempre
no caminho das ciências, as respostas e soluções para as
importantes questões do mundo moderno, inclusive para os
negócios. Com a aproximação da cultura oriental, da
filosofia, dos estudos focados na espiritualidade, começamos
a perceber que esta fantástica teia do conhecimento, sob um
olhar multidisciplinar e multidimensional, contribui para
que os indivíduos alcancem o autodomínio e entendam que são
“seres espirituais passando por experiências humanas” e não
ao contrário, seres humanos vivendo experiências
espirituais.
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