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JOSÉ LUIZ MEINBERG
Diretor do Instituto MVC,
Professor dos MBAs Executivos da FGV,
Autor do Manual para Negociações Duradouras (título provisório)
"QUEM NÃO SE COMUNICA SE TRUMBICA"
A expressão que dá título a esse artigo, cunhada pelo saudoso
Chacrinha, mostra muito bem a importância da área promocional
das empresas, independente de seu tamanho e faturamento.
Num mercado altamente competitivo quanto o que temos hoje em
dia, composto de diversas empresas (grande número de
concorrentes), produtos com qualidade muito similar (não
representam, isoladamente , um diferencial competitivo), acesso
facilitado a esses produtos (diversificação de canais de vendas
e distribuição), clientes e consumidores maduros (sabem o que
podem esperar e exigir de seus fornecedores, informação
disponível para avaliação e tomada de decisão de compra) e a
ausência de comunicação da empresa poderá representar a
decretação de sua saída do mercado. Portanto o Marketing
Promocional, bem feito, direcionado, conseqüente, poderá dar às
empresas de qualquer porte a necessária participação no processo
de decisão das compras de seus clientes, pois atua mais próximo
desse momento que todas as outras ferramentas do mix de
comunicação.
O Marketing Promocional é definido pelas atividades do marketing
aplicadas a produtos, serviços ou marcas, visando por meio da
interação junto a seu público-alvo, alcançar os objetivos
estratégicos de construção de vendas, marcas e fidelização.
O fundamento do Marketing Promocional é a interação entre duas
partes promovendo, nesse momento, o incremento de vendas, imagem
de produto ou posicionamento institucional. É uma ferramenta
tática, apesar de seu necessário pensamento estratégico de
elaboração e implementação.
O Marketing Promocional sendo uma ferramenta do Mix de
Comunicação das empresas e abrange atividades relativas à
distribuição de prêmios, concursos, sorteios, ações de ofertas,
descontos, liquidações, brindes, demonstração ou degustação de
produtos. Inclui também prêmios de incentivos, concursos de
vendas, eventos de qualquer natureza, organização e participação
de feiras, exposição, convenção, seminários, reuniões,
encontros, festivais, gincanas, programas de cuponagem, material
de merchandising e sua aplicação no ponto-de-venda, ações de
endomarketing, entre outras.
Para entender o crescimento significativo dessa área é
necessário compreender que boa parte das ações de comunicação
das empresas realizadas através da área de propaganda, por
exemplo, visam construir primeiro a imagem e depois promover
vendas. Estas têm um tempo de resposta maior do que ações
diretas do Marketing Promocional.
Num mercado dinâmico esperam-se respostas rápidas de vendas. As
ações de propaganda atingem o mercado como um todo, mas não tem
a rapidez desejada num mundo mais competitivo como o que
vivemos.
O problema é que a maioria das empresas (fabricantes) depende de
intermediários para chegar ao seu publico alvo (em especial o
varejo). Esses intermediários, por sua vez, sabem que a maior
parte das decisões de compra de seus clientes ocorre apenas no
momento da compra desses clientes (consumidores), em função do
grande número de opções para aquela compra. Em decorrência dessa
colocação esses intermediários têm “uma certa liberdade” em
escolher o que colocar na prateleira. Pressionam fornecedores
como uma conseqüência natural dessa “certa liberdade”.
Exigem de seus fornecedores investimentos localizados (em seus
negócios, com eficácia para o próprio negócio), em contraposição
a investimentos diluídos em mercado amplo como é o caso da
comunicação e da propaganda. Em decorrência dessa “imposição" e
da necessária busca de resultados de curto prazo, as ações
realizadas hoje em dia tendem a ser mais promocionais
(privilegiando o marketing promocional) do que institucionais da
marca ou mesmo do produto (área de competência da propaganda).
Se de um lado a resposta em vendas, através do Marketing
Promocional, é rápida, razão de seu constante e crescente uso,
por outro lado devemos ter o necessário cuidado para que essas
ações não estejam atreladas a impulsionadores de vendas que não
pertencem exclusivamente à empresa. Por exemplo:
É possível colocar um desconto de preço num determinado produto
imaginando que só isso vai ajudar a vender mais. O problema é
que além de reduzir a margem de contribuição do produto, essa
estratégia é altamente vulnerável à ação da concorrência que
poderá rapidamente oferecer um preço ainda menor. Com essa
reação da concorrência a estratégia deixará de ter efeito, além
de prejudicar a imagem em função do baixo preço.
Uma justificativa para um possível desconto de preço seriam as
liquidações de fim de estação. É um notório período promocional
reconhecido por suas razões praticas de “liquidar” estoques. Não
é negativo. Nesse caso deve, como toda ação do marketing
promocional, ser temporária para gerar o movimento necessário e
não afetar a imagem. Recomenda-se ainda atrelar a toda ação de
desconto um "certo esforço" do consumidor de tal forma que ele
"pague" por esse desconto no preço (Por exemplo: juntar e
trocar, para ter direito ao desconto). Se for gratuito (apenas o
desconto de preço) vai afetar diretamente a imagem da marca.
Empresas que desejam resultados de curto prazo, especialmente
aquelas que dispõem de poucos recursos para investir juntos aos
seus clientes e, conseqüentemente, gerar mais vendas, as ações
do Marketing Promocional, aliadas a um trabalho focado de
vendas, poderão dar às empresas o necessário "empurrão" de
aumento de vendas.
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