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LUIZ AUGUSTO COSTACURTA
JUNQUEIRA
CEO do Instituto MVC,
Diretor do IBCO, autor de 11 livros
CRISE: ESSE
FILME EU JÁ VI!
Crise é igual a oportunidade!
É na crise que se conhece um executivo!
Importante é identificar e punir os culpados!
Não se assuste caro leitor. Não vamos voltar ao lugar
comum.
Nossa idéia aqui é a de apresentar um pouco do que
aprendemos com as crises que já aconteceram no passado e suas
implicações para a área de T&D. Crises têm uma dimensão
irracional que provoca a “saída dos eixos” nas pessoas ansiosas,
pessimistas, avessas ao risco etc. Por outro lado a reatividade
costuma ser o lugar comum de nosso comportamento diante dessas
crises. Quem se antecipa a um problema certamente possui mais
munição para resolver o que vier daí para frente. Não esquecer
de que não existem crises sem fim; chega um momento em que tudo
volta ao azul.
Em primeiro lugar, vamos pensar nas causas da crise, depois
em suas conseqüências. Identificando essas causas, as soluções
ficam mais claras, rápidas e duradouras. Alternativas de solução
aplicadas sobre os efeitos da crise podem mascarar o problema,
tal como tomar comprimidos para curar um câncer.Vale mencionar
que aceitar que temos algo errado já é o primeiro passo para
uma solução
Crises são momentos em que a geração de confiança é algo
fundamental para não contaminar as relações. Cumprir prazos,
dizer o que pensa e sente, aceitar as diferenças individuais e
compartilhar as informações torna-se algo crítico. Sem confiança
o trabalho em equipe, as soluções de consenso, a troca de
informações ficam inviáveis.
Lembrar-se de que na crise tudo passa a ser mais
negociável, a “pechincha” mais aceitável, a “cara de pau” é
aceita sem mais delongas. Quer melhor momento do que esse para
conseguir maiores concessões de seus fornecedores?
Também as margens de negociação se tornam mais longas,
nossa perspectiva temporal muda; do “para ontem” passamos “para
o anteontem”. Quem é mais rápido no gatilho vence o duelo. Quem
sabe esperar compra melhor.
É um caso típico em que o poder mudou de lado.
Se você tem o hábito de ser o profeta da catástrofe, tome
cuidado! Assim fazendo você entra, de novo, na vala comum.
Procure ver e divulgar aspectos, informações positivas. Todos
vão de lembrar mais de você. Um comportamento contrário afasta
as pessoas de suas relações. Uma postura consultiva, de
solucionador de problemas, se torna mais eficaz.
A tendência maior de todos é de pensar e agir mais a curto
prazo na busca de resultados tangíveis (mais quantitativos do
que qualitativos). Chamamos tal comportamento de “síndrome do
papel higiênico”; compramos um artigo inferior, para termos /
divulgarmos reduções de custos. Isso cheira a desespero. Aqui
vale, mais do que nunca, o princípio de Pareto: 20% de nossas
ações são responsáveis por 80% de nossos resultados.
Seu tempo está sobrando? Pense em fazer aquilo que deixava
de lado quando não tinha tempo. Volte a pensar um pouco em sua
família, dedique mais tempo para o benchmarking, aumente seu
networking, fique mais “visível” para sua empresa e para o
mercado.
Considerar que todos seus fornecedores devem estar com
problemas de caixa; antecipe suas contratações para o final do
ano e 2009. Outra razão para isso é considerar que seu orçamento
de 2008 certamente será maior do que aquele para 2009.
O treinamento por massa crítica pode ser uma alternativa a
considerar quando se fala em redução de custos. Essa metodologia
permite treinar até 300 pessoas, simultaneamente, com as
características participativas de um grupo de 20 pessoas. A
economia estimada é da ordem de 30%. O Diretor Financeiro vai
adorar.
Um número menor de fornecedores poderá ser uma estratégia
para incentivá-los a conhecer melhor suas necessidades e cobrar
menos pelos serviços. De certa forma podemos ter um efeito
Google ao contrário. Opções em demasia podem prejudicar uma
análise daqueles fornecedores que oferecem maior qualidade.
Outro reforço dessa colocação é que em momentos de crise todos
procuram obter a máxima garantia em tudo o que compram.
Uma forma de passar aos colaboradores o interesse da
empresa em sua retenção é manter um fluxo constante de
treinamento, mesmo que em atividades mais curtas, de menor
custo, inclusive coordenadas por consultores internos.
Em seus eventos pense sempre no envolvimento dos
componentes da cadeia de valor de sua empresa. Soluções
sistêmicas costumam ter um resultado potencializado. Alem de
passar uma imagem de parceria e compartilhamento, não seria de
todo ruim o treinamento receber um elogio de um cliente ou
fornecedor.
A tensão no ambiente profissional e familiar deve aumentar;
comportamentos voltados para “apaziguamento” diante de conflitos
são mais indicados e farão o diferencial. Em momentos de tensão
que as pessoas revelam seu Eu escondido. É um excelente momento
para identificar aqueles em quem se pode investir no futuro.
Um conselho para você, profissional de T&D. Mais que nunca,
em momentos de crise, procure contratar programas e serviços
cujos resultados possam ser quantificáveis e funcionem como
geradores de caixa para sua empresa.
Veja, abaixo, alguns dos indicadores que podem ser
considerados:
-
Grau de motivação dos líderes
-
Grau de satisfação dos clientes
-
Índice de mobilidade vertical (promoções internas)
-
Market-share
-
Rentabilidade
-
Saída de talentos
-
Turnover
-
Custo-hora de treinamento x média do mercado
-
Índice comparativo de treinamento per capita
-
Projetos gerados x Projetos implantados
Para terminar, vamos retomar o que dissemos no início. As
crises têm fim, trazem sempre lições que podem nos ajudar a
equacionar problemas antes insolúveis, forçam as pessoas a sair
de sua zona de conforto e podem servir para mostrar (ou não) que
a função treinamento pode ser mais centro de lucros do que de
custos.
Não se iluda, “o negócio” de T&D não é desenvolver pessoas
(isso é processo), mas sim “produzir $$$” para sua organização,
o resto é conversa. De conversa seu Presidente e seus diretores
estão cheios.
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