|
|
Voltar
L. A.
Costacurta Junqueira
CEO do
Instituto MVC
Diretor do
IBCO – Instituto Brasileiro dos Consultores e Organizações
Autor de
11 Livros
O EFEITO GOOGLE EM T&D
Benefício ou Desgraça
Nos últimos anos o Google se
tornou a mais importante ferramenta para identificação de
consultores e de empresas voltadas para a educação corporativa.
Pela facilidade de utilização, essa “nova” alternativa vem
provocando várias alterações no mercado de compra e venda de
serviços de T&D.
Para melhor compreensão do
texto, vamos apresentar algumas mudanças que afetam os
compradores (clientes de treinamento) e os vendedores(empresas
de consultoria). Isto feito, analisaremos as conseqüências para
ambas as partes.
MUDANÇAS
PARA OS CLIENTES
-
Cada vez mais rápida a
busca de informações; o cliente identifica milhares de
prestadores de serviços.
-
Diante dessa facilidade o
cliente solicita uma proposta apenas para conhecer o
serviço/programa, sem que haja uma demanda imediata.
-
Algumas vezes o cliente
só quer saber o custo, “apenas” para colocar no orçamento
-
Há uma tendência em
solicitar cerca de 10 a 12 propostas, utilizando critérios
de escolha nem sempre racionais (isso supondo que todas
consultorias irão remeter propostas). Imagine, leitor, que
tipo de consultoria vai remeter uma proposta? Seria aquela
que está mais disponível?
-
As decisões tendem a ser
mais focadas no custo, e não na qualidade e customização do
serviço solicitado; isso em decorrência da falta de tempo
para analisar, com detalhes, cada uma das muitas propostas
recebidas.
-
Dificuldade de promover
um encontro com o cliente interno. Imagine esse cliente
atendendo a 10 ou mais consultorias diferentes! Como isso
não parece possível, as propostas recebidas tendem a ser
genéricas.
-
O próprio briefing
passado às consultorias, em conseqüência disso, passa a ser
algo que representa apenas o ponto de vista da área de T&D,
que é levado a adivinhar o que o cliente interno “precisa”.
MUDANÇAS
PARA OS CONSULTORES/FORNECEDORES:
-
Aumento exponencial da
demanda por propostas. Nossas pesquisas mostram que, em
2007, para cada três propostas enviadas, uma se transformava
em contrato; em 2008, essa relação mudou de sete para um.
-
As consultorias se viram
diante da necessidade de definir prioridades quanto às
demandas a serem atendidas. Alguns dos critérios utilizados
são potencial do cliente, cliente atual ou passado, tamanho
da empresa solicitante, grau de compromisso de quem
solicita, demanda originária de um cliente indicado por
terceiros etc.;
-
Os briefings
passaram a ser solicitados por escrito e não apenas
verbalmente (buscando-se um mínimo de comprometimento)
-
Quando do recebimento de
uma solicitação de proposta, perguntar aos clientes o número
de concorrentes; utilizando o critério de enrolar” o
demandante quando esse número for superior a três. Enrolar
aqui significa, por exemplo, dizer que todos consultores
estão ocupados, que essa não é sua área de expertise etc.
-
Necessidade de elaborar
propostas muito focadas no evento principal, deixando de
incluir um antes”( customização e definição de metas) e um
“depois” (quantificação e qualificação de resultados). Essa
uma economia nefasta pois reforça a visão da área de T&D
como centro de custos.
-
Vale lembrar que o maior
relacionamento com os clientes é a grande “arma” para que as
consultorias enfrentem o efeito Google; visitas, benefícios,
vantagens adicionais se constituem em alternativas para a
fidelização desses clientes.
CONSEQÜÊNCIAS E CONCLUSÕES
A utilização do Google como
principal fonte de informações sobre fornecedores de
treinamento, bem como temas correlacionados, implica em algumas
conseqüências:
-
Na maior parte das vezes
os dados obtidos são informativos e não avaliativos /
analíticos.
-
Privilegia-se a
quantidade de informações em detrimento da sua qualidade.
-
Acaba criando uma dose de
‘preguiça mental” entre ambas as partes, desestimulando uma
maior profundidade na análise da demanda existente.
-
Utilizar apenas do Google,
implica em desprezar outras fontes de informação sobre
fornecedores de treinamento, tais como a ABTD (www.abtd.com.br),
WEC (www.wec.com.br),
ABRH (www.abrhnacional.com.br),
GRUPOS INFORMAIS DE RH (http://www.canalrh.com.br/gr_informais/default.asp);
-
Algumas empresas de T&D
têm mais visibilidade no Google, não pela sua competência,
experiência, etc., mas sim porque se utilizam de links
patrocinados, têm mais tecnologia para utilização das
palavras-chave adequadas e na otimização dos mecanismos de
inserção.
-
Alta possibilidade, face
à rapidez do processo de seleção e do fornecimento do
briefing, que apenas RH se envolva no processo de
escolha, desprezando quem realmente originou a demanda (o
cliente interno). Isso sem falar no enorme risco que RH
passa a correr.
Finalmente, podemos concluir
que, utilizado isoladamente, o Google empobrece o processo de
seleção de fornecedores, bem como leva as consultorias a
elaborar propostas qualitativamente inferiores.
Ambas as partes saem
perdendo!!!!
A essa altura o leitor poderá
concluir: “Que texto pessimista, aponta os aspectos negativos,
pouco ou nada mencionando sobre os aspectos positivos”.
Entendemos que mudanças
ocorrem mais rapidamente quando, em vez de indicar soluções
genéricas, procuramos induzir as partes a aceitar que existe um
problema, bem como sua extensão e respectivas conseqüências.
É mais fácil utilizar a
teoria ou o conhecimento quando sentimos que isso pode nos
ajudar a resolver um problema que já aceitamos possuir.
Voltar
|
|