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AMÉRICO MARQUES FERREIRA
Consultor Sênior do
Instituto MVC,
autor dos programas e-learning Mudança e Team Building
TODOS NÓS JUNTOS SOMOS MELHORES DO QUE
O MELHOR DE NÓS, ISOLADAMENTE.
A nossa sociedade atual é tão especializada que leva as pessoas
a se relacionarem em situações de interdependência. É impensável
que alguém, nos dias de hoje, pudesse ser auto-suficiente para
satisfazer todas as suas necessidades, como já ocorreu no
passado.
Se de um lado, tal cenário aponta para uma perspectiva de
complementaridade, em contrapartida, trás o efeito colateral
indesejável da competição predatória.
A fim de “encontrar e
manter um lugar ao sol” já não basta ser bom naquilo que se faz,
impondo-se o desafio de superar seus concorrentes, uma vez que
as oportunidades de promoção se afunilam
tendo em vista que os níveis hierárquicos estão
dispostos em formato piramidal na maioria das organizações.
Tal limitação para que as pessoas possam ser bem sucedidas é
ilustrada por um
interessante estudo de Charles Handy. Na opinião dele, o mercado
de trabalho é comparado a um trevo de quatro folhas, conforme o
slide abaixo:

Este modelo
preconiza que, no século XXI, apenas uma parcela
da população economicamente ativa poderá aspirar a um contrato
de trabalho com todos os direitos e benefícios assegurados. Os
demais terão de encontrar alternativas de vínculos
empregatícios através da prestação de serviços terceirizados,
trabalho interino, temporário, sem falar nas atividades
informais com suas diversas modalidades.
Cada segmento tem um perfil com características, riscos e
desafios próprios, como se pode observar nos slides a seguir:




Eis então um dos grandes problemas enfrentados pelos que exercem
liderança: saber lidar com a diversidade de talentos, com
diferentes graus de contratos, buscando uma conjugação de
esforços de forma sinérgica, de modo que a resultante do
trabalho em equipe seja maior que a mera somatória das partes.
Para agravar esta situação, algumas organizações implantaram
processos de avaliação de desempenho submetida à chamada curva
forçada, classificando a totalidade de seus colaboradores em
três categorias: 10% excelentes, 70% bons e 20% insuficientes.
Nessas empresas, se um funcionário figurar na categoria
“insuficiente” por dois anos consecutivos é passível de
demissão.
Imagino que essa “regra do jogo” tem a vantagem de tirar as
pessoas da zona de conforto, estimulando-as a um processo de
superação de si mesmos e de uns para com os outros.
Para os líderes avaliadores, porém, pressupõe a necessidade de
comparar o desempenho entre os diversos integrantes de sua
equipe.
Tal exigência envolve alguns riscos, a saber:
-
SUBJETIVIDADE:
por mais imparcial que um líder pretenda ser, todos têm suas
preferências e idiossincrasias.
-
MEDO DE
CONCORRÊNCIA:
um líder inseguro poderá cometer a injustiça de avaliar mal
justamente quem poderia lhe fazer sombra, classificando
melhor àqueles que lhe são leais e subservientes.
-
ESTEREOTIPAR PESSOAS:
ao rotular alguém como sendo pertencente a esta ou aquela
categoria. Vale lembrar o alerta de Geraldo Vandré em sua
música Disparada cujo refrão dizia: “gado a gente tange,
ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente” alertando
para que seres humanos não fossem submetidos a
classificações estigmatizantes como os gados que levam a
marca de seus donos.
-
COMPARAR
PESSOAS, AO INVÉS DE COMPARAR TRABALHOS:
como todas
as pessoas são indivíduos únicos, no tempo e no espaço, este
fator se torna fonte de muitos equívocos. Ruy Barbosa tem um
pensamento que expressa magistralmente esta questão: “Não há
nada mais injusto do que tratar igualmente os desiguais”
EFEITO HALO:
julgar as pessoas por algum aspecto relevante que tenham
produzido durante um determinado período de avaliação, tendendo
a projetar aquele conceito sobre tudo o mais que ela tenha
realizado, não necessariamente, com a mesma qualidade.
Que padrão, então, as
organizações poderiam adotar para obter o melhor desempenho,
tanto dos indivíduos quanto de suas equipes de trabalho?
Em minha opinião, há uma
excelente metáfora numa “Banda de Jazz” que poderia servir de
modelo:
-
Seus
integrantes sabem alternar-se em momentos de solo e de
retaguarda, de modo que todos possam brilhar e obter
reconhecimento por sua contribuição individual e coletiva.
-
Importa
mais o desempenho conjunto do que o virtuosismo isolado de
qualquer um de seus membros;
-
Atuam de
forma lúdica e cooperativa tornando o trabalho prazeroso
além de produtivo;
-
Todos
procuram contribuir com o que têm de melhor, pois sabem que
os resultados do esforço conjunto trarão benefícios
compartilhados;
-
Cada
músico é policompetente, dominando mais de um instrumento,
de forma a poder suprir eventuais ausências, ao mesmo tempo
em que proporciona uma relação de empatia com os demais;
-
A partir
de uma linha melódica atuam buscando a harmonia jazzística,
com liberdade para fazer constantes improvisações;
CONCLUSÕES
-
Na
metáfora acima, percebe-se que a liderança é mais um
PROCESSO do que uma POSIÇÃO HIERÁRQUICA a ser ocupada por
alguém;
-
Neste
sentido, todos os integrantes de uma equipe poderão exercer
liderança desde que sua expertise o credencie, em algum
momento, a contribuir para o atingimento dos objetivos
grupais;
-
Para
tanto, é imprescindível que haja flexibilidade da parte de
todos, principalmente de quem exerce a posição formal de
líder, criando uma atmosfera participativa que democratize
as oportunidades de progresso;
-
Estimula o
pensamento sistêmico permitindo que todos vejam a floresta e
não apenas a sua árvore;
-
Propõe um
modelo de trabalho com ênfase no desempenho cooperativo ao
invés do estímulo à competitividade individual.
-
Implanta
um sistema de avaliação de desempenho com ênfase em níveis
complementares de contribuição para os resultados: a) da
Organização como um todo; b) da Unidade de Negócio; c) da
Equipe de Trabalho; d) de cada pessoa, com base em metas
quantificadas e previamente negociadas;
-
Substitui
o paradigma de que “informação é poder” pelo princípio de
que
-
“o conhecimento cresce quando
compartilhado”.
-
Institui uma filosofia de
vasos comunicantes de modo a tornar a inteligência coletiva
e o lastro comum de experiências patrimônio de todos.
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