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REINALDO DAVID RIZK
Sócio fundador da Toque de Areia
SETE
PECADOS CAPITAIS NA REALIZAÇÃO DO TEATRO TREINAMENTO
O teatro
como linguagem de treinamento já acontece há quase duas décadas,
mas foi nos últimos 14 anos que as primeiras apresentações
abertas ao público empresarial aconteceram em São Paulo.
Apresentações estas de peças que ousavam abordar temas do
cotidiano do mundo corporativo de forma organizada, planejada e
estruturada, com a finalidade de agregar conteúdo de forma
lúdica aos treinamentos, bem como introduzir uma nova mídia que
pudesse atender aos princípios da andragogia.
Acompanhei
e acompanho toda a evolução do teatro treinamento em mais de
2000 eventos realizados para empresas de médio e grande porte e
com muita alegria constato a aceitação deste recurso bem como
sua validade para transmissão de conhecimento, principalmente no
difícil campo da sensibilização e conscientização.
E, como
toda atividade nova, ela é factível de algumas ansiedades,
atropelos, confusões, que levam a dúvidas para a contratação e o
pior, levam a dúvidas se realmente o método é válido e em que
situações isso acontece.
Vamos ver
alguns erros e inadequações que devem ser evitados quando da
contratação do Teatro treinamento
1. Vou
começar pela IRA. Este sentimento normalmente acontece
para o contratante quando ele compra gato por lebre. Sabe
aquela história de “médico e louco todo mundo tem um pouco?”.
Assim também acontece com o Teatro. Verifique bem não apenas a
capacidade artística, mas o conteúdo que está embutido na peça.
É comum ter muito ôba ôba, muita diversão e quando perguntam a
uma parte do público como foi a peça teatral no treinamento vão
dizer que “ ah, legal, dei muita risada”, mas na hora de
avaliar mesmo, aí vem muita IRA, ou melhor, muita RAIVA mesmo!
Cheque bem
a experiência da equipe e o conteúdo do texto e não apenas
algumas citações do conteúdo numa peça cheia de besteirol. Hora
de rir é hora de rir, hora de treinar é hora de treinar, mas,
claro, por que não colocar um humor inteligente?
2. Noto
muitas vezes, nas contratações, que a VAIDADE toma conta
do contexto. Sabem a imagem do gigante versus o anãozinho? Pois
é! Nunca ou quase nunca uma empresa de teatro treinamento será
maior que a contratante; daí advir o famoso engano de estamos
contratando o “ teatrinho” (urgh! dói até para escrever). Neste
tipo de relação pode ocorrer uma lacuna, um vazio e aí alguma
coisa fatalmente dará errado. E de quem é a culpa?
3. E aí,
chega a GULA. É o contratante fominha, que tem vontade de
comer tudo pela frente. De querer levar vantagem a qualquer
custo e assim engolir o fornecedor, tirando-lhe as tripas, não
somente no valor, mas nas condições de trabalho também. Cuidado,
quem tudo quer, tudo perde. O teatro normalmente movimenta
algumas pessoas, alguns recursos, tempo de preparação e
interação com o cliente.
4. Falando
em cuidado, muitas vezes ocorre de se contratar, mas não se
preparar para uma tarefa adicional”. O teatro treinamento
normalmente dá mais trabalho para acertar detalhes do que uma
palestra. Há cliente que chegam ao extremo de não contratar
porque dá muito trabalho. Cuidado com a PREGUIÇA. Faça o
que é necessário e terá o resultado que merece. Com calma e
persistência os detalhes logísticos de uma apresentação serão
resolvidos e a gratificação certamente virá.
5. Noto
que em muitos eventos a preocupação maior é o glamour e o
agradar ao escalão maior da empresa. É a LUXÚRIA no lugar do
conteúdo, não numa substituição literal, mas no foco central.
Nestas situações, o Teatro é apenas uma pequena peça deste
imenso jogo, onde o foco é partir para a próxima atividade e
muitas vezes deixando de explorar o conteúdo da peça e suas
ricas metáforas para uma amarração de conteúdo posterior.
6. Do lado
oposto à Luxúria, temos a AVAREZA. O Teatro tratado como
teatrinho em leilões agressivos onde o perigo é ninguém ganhar
com ele. Como medir a qualidade do trabalho teatral apenas pelo
preço? O sucesso de uma apresentação teatral é a somatória de
vários itens, como espaço adequado, condições de gerar Black out
nele, acústica, palco, camarim ou acesso a troca de roupas,
iluminação, sonorização, qualidade dos atores, da história, do
conteúdo, dos figurinos, e, claro, do entendimento correto da
necessidade do cliente para oferecer o produto adequado e etc.
cabe ao cliente se envolver no processo para depois não dizer
que o Teatro não funciona com o recurso de treinamento!!
7.
INVEJA. Puxa vida, não sei o que dizer da inveja, mas se
você tem algo a acrescentar ou a comentar sobre esta matéria
ficarei feliz de saber. Aí eu ficarei com inveja...
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