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JOSÉ LUIZ MEINBERG
Diretor Comercial e Consultor Sênior
Instituto MVC,
Professor dos MBAs Executivos da FGV
CRIAR OU
COMUNICAR VALOR?
Faça rapidamente um questionamento sobre a função de uma
força de vendas! Talvez você responda com uma das frases abaixo:
-
Ela serve
para assegurar que o cliente tenha a informação certa, na
hora certa, sobre as vantagens de seu produto (serviço),
influenciando a sua decisão de compra.
-
Ou então
que ela existe para mostrar aos clientes algo que valha a
pena ser oferecido e que atenda às necessidades deles.
-
Ela
convence o cliente a comprar seus produtos, e não de um
concorrente ao mostrar que seus produtos apresentam
vantagens superiores.
-
Ela
comunica aos clientes o valor de suas ofertas!
Qualquer que seja o caminho de sua definição ele estará
muito próximo da comunicação de valor. No que eu, em parte,
concordo.
-
Tenho defendido que vender é muito
mais do que comunicar valor (recomendo ler artigo O Pedido é
Apenas uma Função de Vendas -
http://www.institutomvc.com.br/insight65.htm#mat4). Comunicar valor está dentro da Comunicação de Marketing
defendido pelo Kotler
junto com propaganda, promoções de vendas, eventos e
experiências, RP e Marketing Direto.
Acontece que enquanto vendas vem acreditando fielmente
nessa definição (comunicar valor) a empresa como um todo vai
indo por um caminho mais amplo. Os processos de qualidade, por
exemplo, têm como reflexo a relação com o cliente e não na
comunicação de valor. E quem executa essas tarefas na empresa?
Não é vendas, com certeza. Processos de melhoria contínua,
reengenharia de processos de negócios, Kaizen e equipes de
trabalho orientadas podem ser listadas como alguns exemplos cujo
resultado é uma clara direção do cliente: tornar-se mais
competitiva (no mercado) buscando ser mais eficiente na relação
com seu mercado-alvo e obtendo redução de custo na relação tanto
interna quanto externa. Conclusão: outras funções da empresa
(que não vendas) se tornaram por si, criadoras de valor para o
cliente.
Afinal,
comunicar valor ou criar valor para esse cliente?
Num mundo repleto de opções de comunicação (destaque para a
Internet e suas conseqüências) dizer que o fornecimento de
informações pela força de vendas agrega valor parece uma
alegação cada vez mais inconsistente. Existem (hoje) tantas
formas de acessar informações sobre qualquer assunto que coloca
a presença do vendedor (custo alto na relação) cada vez menos
aceitável.
Criar e agregar valor para o cliente deveria um dos
objetivos naturais para uma força de vendas. Deveria, mas não é!
E por que
tanta resistência? Será que é pelo fato de ser constantemente
“cobrada” pelo fechamento do mês? É pela repetição daquela
história de que toda política de vendas de uma empresa vale até
o dia 20 de cada mês. No dia 20, como geralmente as vendas
estão atrasadas (faturamento x previsão) a direção da empresa
(principalmente a comercial) “esquece” essas políticas e dá o já
esperado sinal verde para buscar os números: descontos sobre a
tabela são autorizados, prazos de pagamentos são esticados,
bonificações são concedidas, etc. Tudo isso para “fechar o mês”!
Se de fato é isso que ocorre, o valor que a força de vendas
tem trabalhado nesses tempos tem como objetivo muito mais a
empresa do que o cliente. Por isso comunica valor. Comunica
aquele valor que provoca o fechamento imediato do pedido.
Num mundo competitivo, com produtos muito próximos em suas
propostas e resultados para o cliente e com a facilidade de
acesso à informação, parece ser uma estratégia muito fraca
considerar só a comunicação de valor como foco de uma equipe de
vendas. Mesmo nas condições acima descritas. É pouco para
estabelecer a real necessidade dessa forma de abordar o mercado.
É pouco para justificar seus custos! E é pouco para um cliente
abrir espaço em sua agenda (já tão ocupada) para receber um
vendedor para repetir “tudo” o que já sabe!
Agora, por outro lado, é certo que a sobrevivência da
empresa como um todo depende da sua capacidade em criar valor,
direto e tangível, para o cliente. É a forma de ser competitiva,
de ter o seu lugar garantido no mercado. Afinal, atender
necessidades dos clientes tem sido a frase mais repetida nas
reuniões de vendas ou mesmo de marketing (talvez do
board).
E é claro que essa criação de valor deverá vir de todas as áreas
da empresa. Principalmente aquelas diretamente ligadas ao
cliente. Como vendas, por exemplo!
Muito bem, mas como criar valor se temos de um lado
empresas fornecedoras precisando de resultados imediatos e, do
outro, empresas compradoras que possuem boa parte do
conhecimento necessário para comprar o que é necessário?
Foco nas
características de compras desses clientes.
Em primeiro lugar você precisa entender o que cada um de
seus clientes está buscando.
Clientes de
Valor de Produto
Se o seu cliente estiver buscando uma transação rápida crie
valor abreviando processos, tempo e custo. Esqueça essa história
de construir relacionamento primeiro e depois vender. Ele não
esta preocupado com isso. Vamos dizer que o valor para esse
cliente esta no entorno da aquisição do produto.
Para os clientes de Valor de Produto,
como a própria denominação indica o que importa é o produto, seu
preço, seu custo. Não dão importância aos possíveis serviços que
podem estar entorno dessa venda. Para eles a presença de um
vendedor chega a ser desnecessário, pois pouco adiciona de valor
à transação. Em geral vêm produtos como uma commodity.
Estes compradores conhecem e entendem dos produtos, sabem como
utilizar e tirar melhor proveito, conhecem os outros
fornecedores e acham fácil substituir os atuais. Têm foco muito
bem definido em custo e por isso buscam sempre ter um preço
menor e conveniente. É difícil negociar com eles porque querem
preço, preço e preço.
Intrínseco ao Produto
Clientes de
Valor de Benefício
Se o seu cliente, por outro lado,
estiver buscando ampliar conhecimento, reservando tempo para
discutir as conseqüências com o uso do produto, crie valor
investindo tempo para conhecer necessidades, tempo discutir
aplicações, criticar forma de uso, processos, pessoas
envolvidas. Crie valor no produto ampliado.
Crie valor pelo resultado do processo que seu produto faz parte.
Esse é um cliente cujo foco é o benefício alcançado por aquela
relação. Vamos classificar esse cliente como o de Valor do
Benefício.
Para clientes de Valor do Benefício,
como a própria denominação indica estão focados no que ganham
com aquela transação. Saem do foco exclusivo do produto e
colocam este produto dentro de uma situação. Ai sim, produto e
situação formam um conjunto de valor, o benefício.
Então o valor esta
na forma como é usado o produto e não só pelos seus atributos.
Não têm, no entanto, uma visão apenas imediatista porque para
eles ganhar poderá acontecer no tempo. Os clientes de Valor do
Benefício esperam insights de uso e opções de aplicações.
São flexíveis a novas idéias. Reservam parte de seu tempo e
esforços para trabalhar junto com vendedores estando dispostos
até em pagar certo “ágio” no preço por isso. Costuma ter baixo
conhecimento do produto e dos assuntos no ambiente onde este
produto poderá ser aplicado. Sabem, no entanto que existem
poucas alternativas no mercado. Rejeitam vendedores “forçadores
de barra”, pois para eles a tática da “empurrometria”, ou seja,
a venda por razões superficiais, aplicada por alguns vendedores,
não é bem vista. Para esse tipo de cliente a força de venda é
claramente capaz de criar valor real num negócio.
Clientes de
Valor Estratégico
Agora, é possível
que você encontre pela frente um cliente cuja visão não é o que
você tem ou o que ele necessita. Mas sim o que você e ele podem
fazer para juntos terem algo! Crie valor pela sua capacidade de
indicar o melhor caminho, entre todos os caminhos para chegar ao
desejado objetivo. Você deverá sair de uma posição operacional
visto nos clientes de Valor de Produto e de Benefício
(comunicar, fechar pedido, entregar, verificar resultado, etc.).
Deverá caminhar para uma atitude estratégica, antes que uma
posição estratégica. O que espera é discutir relacionamento
estratégico. O que ele esta buscando. Vamos classificar esse
cliente como sendo de cliente de Valor Estratégico.
Para clientes de
Valor Estratégico o produto em si é totalmente secundário na
composição de valor. Sua visão é de futuro e não de presente.
Estão interessados na construção de caminhos para chegar ao
objetivo. Caso seja necessário estão preparados para fazer
mudanças radicais para concretizar a melhor opção entre todas as
possíveis opções para chegar ao desejado (necessário) resultado.
Por isso estão sempre interessados nas competências centrais dos
fornecedores e não só no que produzem. Nessas situações, quando
se relacionam fica difícil dizer quem é comprador e quem é
vendedor dada a grande simbiose que permitem ocorrer entre as
partes. Para esses clientes o processo é o foco. Nesse sentido a
força de vendas, como líder desse processo, trazendo junto
outras áreas da empresa, assim como sua própria participação,
cria valor na relação e interação.
Direções para
cada caso
Vamos utilizar
como base do encaminhamento do assunto as fases da compra do
cliente como caminho para definir o que fazer. Primeiro, de
forma genérica, independe do tipo de cliente vamos dar algumas
dicas do que fazer. Depois para cada tipo de cliente, vamos
indicar, entre cada uma das etapas da compra, onde você deve
focar suas ações.
Extrínseco ao Produto
Vamos lá? Primeiro vamos
descrever e indicar o que fazer de uma forma genérica. São cinco
as etapas da compra do cliente:
|
A |
Reconhecendo as
necessidades |
Ele tem um problema ou uma
oportunidade a ser trabalhada.
Nessa fase, e de um modo
geral você deve ajudar o cliente a reconhecer e definir
os problemas/oportunidades e as necessidades de um modo
novo ou diferente. |
|
B |
Avaliando as opções |
Ele, a partir nas
necessidades e oportunidades levantadas tem opções para
resolver. Umas melhores do que outras.
Apresente soluções e
abordagens superiores. Aquelas que eles não consideram
ou então não tenham entendido. |
|
C |
Definindo a
solução do problema
|
É a hora de começar a
definição do encaminhamento da solução necessária.
Se quiser fazer negócio
com esse cliente é a hora de ajudar o cliente a superar
e remover os possíveis obstáculos à compra. |
|
D |
Comprando |
É a parte burocrática do
processo. É decidir e processar.
Você deve tornar esta fase
“indolor” para o cliente. Conveniente (tempo, custo,
processo) e sem preocupações. |
|
E |
Usando |
É hora de experimentar na
prática as promessas feitas até então.
Procure mostrar ao seu
cliente como instalar, usar e tirar maior proveito do
produto. Não o deixe sozinho nessa etapa. Ele espera sua
atenção, a mesma que ele reservou para você até aqui. |
Agora que você já sabe quais são
as etapas da compra do cliente e o que fazer de forma genérica
para passar bem por cada uma delas vamos adicionar os tipos de
clientes, onde focar seus esforços e colocar uma indicação do
que fazer.
|
Etapa da Compra |
Como agregar valor |
|
Clientes Valor de Produto |
Clientes Valor do Benefício |
Clientes Valor de Estratégico |
|
A |
Reconhecendo as necessidades |
O
Cliente já definiu completamente suas necessidades e
problemas
Pouca ou nenhuma oportunidade de criar valor de venda. |
O
vendedor poderá criar o máximo de valor no começo do
processo ajudando os clientes a definir necessidades
soluções. |
Estabelecendo a estratégia, criando a agenda.
Fornecedor poderá influenciar o desenvolvimento de uma
agenda estratégica para um resultado comum! |
|
B |
Avaliando as opções |
O
Cliente já tem um entendimento das soluções
alternativas.
Pouca ou nenhuma oportunidade de criar valor de venda. |
O
vendedor poderá conceber soluções customizadas e ajudar
os clientes a fazer escolhas informadas. |
Identificando lacunas de execução.
Fornecedor poderá oferecer insights relativos a lacunas
e oportunidades |
|
C |
Definindo a solução do problema
|
O
Cliente tem poucas dúvidas ou preocupações.
Pouca ou nenhuma oportunidade de criar valor de venda. |
O
vendedor consultivo poderá prestar consultoria para
clientes e ajudá-los a resolver suas preocupações. |
Explorando viabilidade do relacionamento.
Fornecedor poderá oferecer recursos para explorar os
benefícios e custos de um relacionamento de alto
impacto. |
|
D |
Comprando |
O
vendedor poderá ajudar a tornar a compra indolor,
conveniente e sem problemas.
É
aqui a única oportunidade de criar valor. |
O
vendedor deverá ajudar a tornar a compra como parte
natural de um processo crescente de valor (sempre
indolor, conveniente e sem problemas). |
Criando visão de conjunto.
Fornecedor poderá atuar como igual, estabelecendo
sistemas de metas, indicadores orientação para o
relacionamento. |
|
E |
Usando |
O
cliente geralmente já sabe como utilizar o produto /
serviço.
Pouca ou nenhuma oportunidade de criar valor de venda. |
O
vendedor poderá aconselhar e apresentar soluções
relativas a problemas de implementação |
Iniciando o relacionamento empreendedor.
Fornecedor poderá investir recursos para assegurar
sucessos o mas cedo possível. |
Lembre-se que não é tão simples esse conceito. Mas é o
melhor encaminhamento para as vendas nesse momento. Vendedor que
só comunica valor esta com seus dias contados. Vendedor que é
vendedor deve Criar Valor na interface com o cliente. O porque e
algumas “dicas” vão aqui nesse artigo. Agora você precisa se
preparar. Vamos em frente ?
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