Edição Nº 187 - 8 a 22 de Abril de 2009 | Edições anteriores, clique aqui!

 

 Não queremos Vender nada, só nossa Garantia

 SLIDES: Comprometimento e Fases da Venda

 

 Idéias para Otimizar a Contratação de Treinamento

 

 Organização do TRABALHO e Gestão do TEMPO

 

 Pensamento Estratégico e Processo Decisório

 

 Comunicação via Slides - 3 Versões

 

 Reuniões Eficazes: Foco em Resultados

 

 Quatro Palestras, Quatro Idéias para seu Evento

 

 Comunicação Escrita e a Nova Ortografia
 

  Reflexão

 Executivo Não é Sacerdote

A realidade é que o livro “O MONGE E O EXECUTIVO”, classificado na Revista Veja na categoria de autoajuda e esoterismo, ocupa por vários anos a relação dos mais vendidos. Impressiona-me a quantidade de pessoas com quem convivo nos eventos que coordeno sobre “Gestão de Pessoas e Liderança”, que mencionam os conceitos transmitidos pelo seu autor James Hunter. Sinto-me extremamente constrangido e consternado com as ilações e interpretações que a grande maioria dos leitores faz dos ensinamentos transmitidos nas 139 páginas deste livro.

 
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 João Alfredo Biscaia

  Vídeo Palestra

  Livro: Manual das Universidades Corporativas

   

 

 

Um Presente para os leitores

O MVC está disponibilizando um capítulo de nossa mais recente publicação em parceria com a ABTD, Manual das Universidades Corporativas.

O livro teve seu lançamento no CBTD 2008, com a presença dos autores, JB Vilhena e Luís Roberto Mello.

 

Clique  e veja o capítulo 6 - Decisões Táticas

 

 

 Expediente

  Publisher: Costacurta Junqueira; J.B. Vilhena Web Designer: Leandro Santana; Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa Ramos, Aaron Anderson e Consultores do Instituto MVC.

 

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EXECUTIVO OU SACERDOTE?

 

 

 

 

 

 

 

 

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João Alfredo Biscaia

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

 EXECUTIVO NÃO É SACERDOTE

 

 

FATO E DADO DA REALIDADE:

 

O fato da realidade é que o livro “O MONGE E O EXECUTIVO”, classificado na Revista Veja na categoria de autoajuda e esoterismo, ocupa por vários anos a relação dos mais vendidos.

Impressiona-me a quantidade de pessoas com quem convivo nos eventos que coordeno sobre “Gestão de Pessoas e Liderança”, que mencionam os conceitos transmitidos pelo seu autor James Hunter.

O dado da realidade comprova que realmente além de continuar relacionado entre os mais vendidos, as lições têm trazido grandes repercussões e impactos nos profissionais das empresas brasileiras.

No entanto, sinto-me extremamente constrangido e consternado com as ilações e interpretações que a grande maioria dos leitores faz dos ensinamentos transmitidos nas 139 páginas deste livro.

Já ouvi, ninguém me contou, afirmações que induzem nivelar as responsabilidades do verdadeiro líder (executivo) com as de um sacerdote, monge, bispo, pastor ou assemelhado.

 

OBSERVAÇÕES SOBRE REALIDADE:

 

Prestando muito cuidado, atenção e zelo com a minha linguagem corporal,   com o conteúdo e o tom de minhas palavras, para não desrespeitar ou ofender os princípios privilegiados pelos treinandos, não devo e não posso  me furtar o direito e a liberdade de fazer algumas observações sobre a realidade objetiva e concreta do meu dia-a-dia como profissional que trabalha para as mais diferentes organizações.

  • As diferenças entre executivo e sacerdote não existem apenas no plano conceitual/teórico, mas notadamente nas concepções, princípios, pressupostos, valores e motivações.

  • Um dos compromissos prioritários das instituições religiosas e seus líderes são com a vida depois da morte.

  • Quero deixar bem explícito que esta afirmação não significa que inexistam ações filantrópicas, solidárias e voluntárias por parte dos sacerdotes que são sem a menor dúvida extremamente importante enquanto as pessoas estão vivas. 

  • Os principais compromissos das empresas e de seus executivos são com resultados positivos (lucro) enquanto vivos e, simultaneamente, com o desenvolvimento do talento das pessoas que lideram, criando um ambiente de trabalho descontraído, alegre e produtivo.

  • Os objetivos sacerdotais são o de pregar e catequizar as “verdades inquestionáveis”, contidas na Torá (Livro sagrado da Lei, tábua eterna do Sinai, pergaminho imenso e venerável) no Corão ou na Bíblia.

  • Os verdadeiros líderes têm dúvidas suficientes para questionar, desafiar, colocar em cheque e testar novas idéias e posições (Warren Bennis).  

  • O tempo para o sacerdote é elástico, pois suas missões não têm, necessariamente, prazo nem custo para serem cumpridas.

  • O tempo para o executivo é inelástico, é de reposição impossível, pois suas missões têm sempre prazos e custos envolvidos.

  • Os recursos obtidos pelos sacerdotes e assemelhados são arrecadados de seus devotos, praticantes e crentes.

  • O dinheiro das Empresas é captado através dos acionistas que precisam ter retorno, pois se trata de uma responsabilidade social, que é a única maneira de promover o desenvolvimento da sociedade, gerando novos empregos na busca incessante de diminuir a miséria gerando riqueza e bem estar social ao mesmo tempo.

  • Permito-me reafirmar o seguinte: CONSIDERO O LUCRO UMA RESPONSABILIDADE SOCIAL.

  • Os lucros são o que o oxigênio, a água e o sangue representam para corpo; eles não são o sentido da vida, mas sem eles não há vida. (vide,“Feitas para Durar”, de James C. Collins e Jerry I. Porras, página 90)

  •  Para as principais religiões o “sofrimento” é purificador. Exemplo: “Chorai e gemei neste vale de lágrimas, porque o vosso reino será dos céus”, não é o que pregam?

  • Hoje as empresas estão investindo muito dinheiro com pesquisas de clima organizacional para garantir a criação de uma cultura em que seus colaboradores não “sofram” com comportamentos inadequados e autoritários de seus lideres. (por favor, leiam a norma SA8000 que trata da Qualidade das Relações no Ambiente de Trabalho – Responsabilidade Social).

  • Os executivos estão cada vez mais buscando a diversidade de opiniões, valorizando as diferenças e não as semelhanças.

  • Os sacerdotes convivem com o silêncio e fortalecem a obediência de seus seguidores.

  • A única resposta que os verdadeiros líderes devem se negar a receber de seus colaboradores é o silêncio, não a divergência. (Warren Bennis).

  • Em razão do exposto, considero que realmente as responsabilidades de um verdadeiro líder gestor de pessoas parecem ser incompatíveis e contraditórias com a de um sacerdote.

  

OBEDIÊNCIA, NÃO,

DISCIPLINA SEMPRE.

 

Obediente, segundo Aurélio, significa: submisso, vassalo, dócil e humilde. Dócil e humilde, quando apresentados como sinônimos de submisso e vassalo, adquirem significados diferentes. É extremamente agradável e gratificante conviver com pessoas dóceis e humildes, ao contrário de agressivas e arrogantes. Submissão e obediência significam aceitar, passivamente, verdades inquestionáveis. 

Confesso ter enorme dificuldade em aceitar repartir o mundo entre as pessoas com base em princípios que exigem obediência. A visão maniqueísta do mundo não deve existir na realidade das organizações de sucesso. A “tirania do ou”, (viva a “genialidade do e”), conforme consta nas páginas 74, 75 e 76 do livro “FEITAS PARA DURAR”, de James Collins e Jerry Porras. Elas comprovam cientificamente esta minha afirmação.

Se você, como executivo e líder de pessoas, estiver em busca apenas da obediência, recomendo que mude de profissão, pois ainda há tempo suficiente para se tornar um sacerdote.

Há uma enorme diferença entre pessoas “obedientes” e “disciplinadas”. Defendo e admiro, ardorosamente, os disciplinados e desobedientes/questionadores, jamais os indisciplinados e obedientes/ vassalos.

Os simplesmente obedientes merecem minha indiferença, que é um sentimento difícil de brotar no meu coração, mas não posso negar o que sinto.

Indivíduos que sempre cumprem ordens sem saber por que as estão cumprindo são absolutamente dependentes não merecendo, no meu entender, estar na folha de pagamento da empresa onde trabalha. Nem mesmo o líder deles. Somente nos momentos de crise, que nunca na história da humanidade foram eternas e permanentes, posso admitir a “obediência consciente”, lúcida, em benefício do bem comum.

Quem é excessivamente obediente, sempre faz tudo sem saber o que está fazendo. São verdadeiros “paus mandados”, na maioria das vezes adoradas e idolatrados pelos seus “chefetes”, não líderes, pois não lhe estimulam o pensamento divergente na busca de sufocar qualquer situação de conflito, que, no meu entendimento, é algo inerente na vida de qualquer ser vivo e em crescimento.

        

UM ESCLARECIMENTO.

 

Em nenhum instante passou ou passa na minha cabeça, a idéia de identificar qual é o melhor, executivo ou sacerdote.

O meu único propósito genuíno sempre foi, e ainda é, o de alertar os executivos que referenciam o livro “O Monge e o Executivo” a não confundirem a vocação sacerdotal daquela que as empresas de sucesso exigem e querem de seus profissionais, de qualquer nível hierárquico.

 

UMA REFLEXÃO FINAL.

 

Danuza Leão, em seu artigo na Folha de S.Paulo de 15 de março de 2009, afirma que “não se incomodaria nem um pouco se fosse excomungada”

Pegando carona nesta frase eu também afirmo o seguinte: “não me incomodaria nem um pouco se fosse exonerado de uma organização que privilegia o pensamento único e abomina divergências de opiniões e sentimentos”.

A propósito, solicitaria demissão antes que isto viesse acontecer, mesmo com toda crise porque estamos passando. Prefiro a liberdade à opressão, é uma questão de escolha.

 

Fale com o Biscaia: biscaia@institutomvc.com.br

 

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