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EUNICE MENDES
Consultora Sênior
do Instituto MVC,
Autora do livro
Falar Bem é Fácil
APRESENTAÇÕES:
MEDO DE TER MEDO
Há muitos anos, um
mestre segurou minhas mãos e me disse que o medo nos faz ver
fantasmas onde não existem. Entrar em um quarto escuro pode ser
aterrorizante: basta “enxergar” dentro dele uma figura
ameaçadora, que nada mais é que um casaco pendurado no espaldar
de uma cadeira. Mas só sabemos disso se acendermos a luz e
reconhecermos a realidade como ela é.
Tenho observado ao
longo de anos de trabalho que, para enfrentar os nossos medos,
basta acender dentro de si a luz que foi apagada em algum
momento da vida por mãos invisíveis e criou ambientes sombrios
no nosso inconsciente, como certas palavras ouvidas no meio
familiar, no círculo social ou nos ambientes de trabalho que
diminuem e minam a nossa auto-estima, e dão forma às figuras que
bloqueiam a nossa criatividade e o nosso sucesso.
Enquanto isso, um
mundo altamente competitivo nos empurra para desafios que vão
desde a busca de trabalho à conquista do par amoroso, com um
discurso tirânico de perfeição e assertividade. Mais de duas
décadas treinando pessoas na área da comunicação me permitem
dizer que o monstro do quarto escuro engole todo tipo de
pessoas, que por desconhecerem a própria luz deixam de dar
valiosas contribuições aos grupos a que pertencem ou mesmo se
tornar profissionais competentes e dedicados.
Percebo também que
antes de desenvolver a habilidade de falar em público, essas
pessoas precisam ser conduzidas para dentro de si mesmas para
descobrir suas potencialidades, seus dons e talentos atrofiados
pelo medo e suas variantes. Auto-imagem negativa, excesso de
autocrítica, mensagens de menos valia, insucessos na vida
pessoal e profissional, falta de treino ou de conhecimento sobre
o assunto são algumas das inúmeras caras do medo que se
transformam em armadilhas perversas para uma carreira
promissora. Sem saber como lidar com essa cadeia de forças
paralisantes, o indivíduo abre as portas para a frustração, a
desmotivação e a autosabotagem. Assim está montado o círculo
vicioso que o impede de ser mais!
Ser mais não é ser
perfeito, não é ter as melhores histórias ou ser o mais belo do
quarteirão. É, antes, empenhar-se para descobrir que voz é essa
que insiste em dizer que o seu lugar é nos bastidores e não sob
os holofotes; que a timidez é incurável; que a platéia vai rir
de você; que fala boa é a do âncora do telejornal; que
inteligente é o Bill Gates... E você não passa de uma caricatura
mal-feita. De onde vem essa voz? Ela é sua ou foi alguém que
escreveu esse texto e você assinou embaixo?
O que tenho
observado ao longo das extensas horas de treinamento é que o
medo não é exatamente do microfone, da câmera ou do Power Point.
Com alguns exercícios e certas dinâmicas de grupo até o mais
tímido se aventura a assumir um lugar no centro; o mais nervoso
aprende a respirar e a controlar sua instabilidade; o mais
debochado (que assim disfarça a sua insegurança) passa a ouvir e
a colaborar; o tremor das mãos e a secura da boca são vencidos
por gestos de confiança e discursos mais claros. Maravilhados,
todos descobrem que onde antes se movimentavam às cegas, a luz
começa a revelar novas trilhas e pequenas clareiras para
repousar do cansaço que o medo gerou.
Mas sabemos que o
fantasma não é coisa que se espante com exorcismos, dentes de
alho ou um dia de integração na empresa. Ele tem uma incrível
capacidade de dar meia-volta... e nos aprisionar outra vez. O
chefe de cara amarrada, a nova namorada, a mudança de cargo, o
bebê que não estava nos planos, a perda de um ente querido, um
casamento que não vai bem, tudo pode ser uma porta aberta para
deixar entrar o vampiro de dentes afiados. E o pescoço mais
próximo, claro, é sempre o seu, caso os valores positivos que
começaram a ser construídos ainda não estejam fortalecidos.
Se não há magia
nem milagre que nos façam amanhecer belos, charmosos e falantes,
só nos resta trabalhar para alcançar a excelência pessoal. E é
muito trabalho! Primeiro tire o lixo emocional amontoado nos
espaços sombrios que sufoca e contamina. Feita a faxina, que
sempre requer a ajuda de um terapeuta, um coach ou outro
profissional que conduza o processo de autoconhecimento, surge o
que há de melhor.
Prepare-se:
focar os conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para
a excelência na comunicação e nas relações interpessoais.
Organização e planejamento promovem autocontrole e
autoconfiança.
Crie um plano de ação:
estabelecer as metas e as etapas de trabalho, sistematizar
idéias e estratégias pessoais.
Fortaleça a auto-estima:
todos são merecedores de respeito e crédito do meio em que
atuam. A maneira de ver a si mesmo e um trabalho constante de
valorização dos pontos fortes contribuem para o equilíbrio.
Resgate imagens mentais positivas:
atitudes mentais positivas atraem ouvidos receptivos. Antes de
uma exposição sintonize-se com fatos agradáveis e sentimentos
prazerosos.
Responsabilize-se pelo sucesso:
o
medo não permite que se assuma a responsabilidade pelo próprio
sucesso. A maturidade psicológica e emocional ajuda a avançar
nos processos de liderança e na construção de uma carreira.
Permita-se errar:
treinar, acertar e errar é o tripé que sustenta as habilidades.
É por tentativa, erro e correção que se alcança mais qualidade e
segurança nas relações com o mundo.
E aquele quarto
escuro com pequenas clareiras se transforma em um salão
iluminado, amplo o bastante para treinar os passos que o levarão
a transpor as fronteiras de si mesmo e ampliar os seus
horizontes.
Fale
com a Eunice Mendes:
eunice@institutomvc.com.br
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