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FRANCISCO
BITTENCOURT
Consultor Sênior do Instituto MVC,
Professor dos MBAs Executivos da FGV
PÓS-GRADUAÇÃO:
AINDA VALE A PENA?
Pós-Graduação: Uma Questão de
Escolhas
É fundamental que os
participantes dos programas de especialização percebam que sua
presença vai levá-los a um divisor de águas. Ao concluir seu
curso, e receber seu certificado, o participante muda sua
condição profissional. Deixa de ser um generalista para assumir
a posição de especialista em uma determinada área de atuação.
E suas atitudes? E os
comportamentos decorrentes? E a forma de ver e se expressar, ou
melhor, de expor os temas que lhe dizem respeito? Mudarão
também?
Escolhendo sua Pós-Graduação
A atividade de docência tem-me
levado a conhecer os mais diferentes perfis de profissionais,
que buscam a especialização, em diversos segmentos do
aprendizado. Marketing, Gestão Empresarial, Finanças, Recursos
Humanos, Legislação Tributária, Direito, Tecnologia da
Informação, E-Management, Projetos, Agronegócio, enfim, um vasto
campo de aprendizado e desenvolvimento, gerando impactos nos
resultados individuais e organizacionais.
Essa experiência tem feito com
que um grupo grande de profissionais, professores como eu,
acabem se deparando com perfis extremamente diferenciados de
expectativas e de atitudes, diante dessa experiência que, mais
do que uma atividade de aperfeiçoamento, carrega em seu bojo uma
carga significativa de reeducação.
A importância da escolha do curso de pós-graduação, portanto é
fundamental. As expectativas serão frustradas somente quando não
há uma escolha consciente do programa ser cumprido. A busca de
informações sobre o curso, experiências vividas por quem já
participou. A pesquisa sobre o desempenho da entidade
patrocinadora, o currículo dos professores, enfim toda uma série
de dados que podem influir no resultado.
A escolha consciente, o desempenho consistente, o desafio
pessoal de deixar uma marca transformam o estudo no
descobrimento de um novo horizonte. Um novo paradigma a ser
conseguido.
Pontos Marcantes
E é nesse ponto que as diferenças
se tornam marcantes e geram um nível de preocupação e cuidados,
impossíveis de serem relegados a um segundo plano por nós,
professores.
O ponto importante é a qualidade
da atitude dos alunos, diante da atividade a qual se propuseram
dedicar boa parte de seu tempo, de sua vida pessoal e
profissional, com um custo econômico financeiro e individual
elevado, com sacrifícios e algumas renúncias relevantes, durante
sua realização.
É fundamental que os
participantes dos programas de especialização percebam que sua
presença vai levá-los a um divisor de águas. Ao concluir seu
curso, e receber seu certificado o participante muda sua
condição profissional. Deixa de ser um generalista para assumir
a posição de especialista em uma determinada área de atuação.
E suas atitudes? E os
comportamentos decorrentes? E a forma de ver e se expressar, ou
melhor, de expor os temas que lhe dizem respeito? Mudarão
também?
O foco na qualidade de atitudes,
a percepção do impacto das coisas ditas e das ações individuais
sobre o contexto produtivo no qual estão envolvidos, na verdade
deve provocar no novo especialista uma revisão de sua
importância, em face da “liturgia” que essa nova realidade traz.
Mudanças
É necessário entender que esta
mudança implicará uma forma diferenciada na abordagem das
atividades, tarefas e resultados a serem obtidos no curso.
A superficialidade não cabe em um contexto de especialização.
A busca de novos dados, de identificação de variáveis não
explícitas, de caminhos alternativos para consecução de
resultados clama por consistência.
Aceitar a superficialidade das
abordagens, não aprofundar as reflexões, não rever as próprias
atitudes, em relação ao impacto das mesmas sobre os resultados,
mostra uma incompatibilidade com a visão de um especialista, ou
seja, alguém que aprofundou seus conhecimentos e se propõe a
consolidar seu perfil profissional.
A multiplicidade de dados que um
profissional contemporâneo dispõe exige que haja uma
transformação desses dados em informação (por um processo
seletivo e perceptivo, acurado e compatível com a realidade do
contexto produtivo no qual está inserido). Complementarmente
deve agregar conhecimento e, neste momento, há condições de
utilizá-las (as informações), como recurso na obtenção de
resultados.
O que se percebe, nas salas de
aula (não a totalidade, não se pretende generalizar, mas um
significativo o volume), é um fenômeno marcante, é a preocupação
de levar a tarefa a cabo, no menor tempo possível, sem
compromisso com a consistência e a fundamentação requerida, que
se propõe ser reconhecida como especialista.
Em alguns grupos percebe-se um
espírito voltado para a pesquisa, a seriedade da análise, a
discussão negociada, com conceitos internalizados e conscientes,
em outros a superficialidade nos leva, os professores, a uma
preocupação como fato de que alguns desses profissionais atuarão
sob a égide das instituições que os credenciaram, titulando-os
de forma definitiva.
Comprometimento dos Resultados
Alguns fenômenos são percebidos,
e, sem dúvida, poderão vir a comprometer os resultados, todas as
vezes que os futuros especialistas forem acionados, em seus
contextos produtivos:
- Falta de questionamento ou de comentários sobre
assuntos abordados, principalmente quando for percebida alguma
falta de consistência por parte de quem transmite os assuntos;
- Desconhecimento parcial ou completo com relação
ao material bibliográfico;
-
Ausência de percepção da aplicabilidade do que
lhes é transmitido;
- Desinteresse na participação (qualidade e intensidade) nas
atividades didáticas: vivências, jogos, exercícios, debates;
- Qualidade dos textos elaborados (em alguns casos meras
reproduções de textos de autores, conhecidos ou não, o que não
impede o professor de identificá-los); por vezes, ingenuamente,
as reproduções, literais, referem-se a autores incluídos na
bibliografia, e a identificação é imediata, principalmente
quando são textos “clonados” pela internet);
Em contrapartida há desempenhos
memoráveis, onde é percebida a importância do aprendizado, a
qualidade do aperfeiçoamento, a intensidade da contribuição
efetivada.
Conclusão
A proatividade é quase uma
exigência, uma obrigação daqueles que estão envolvidos em
processos produtivos. Ao se propor levar qualidade ao que faz
permite que um participante de processos de aprendizado,
aperfeiçoamento ou de reeducação, contaminar positivamente, o
ambiente em que atua, influenciando de forma saudável seus
companheiros de curso.
Os beneficiários desta postura? O
indivíduo, a instituição que o patrocina, e a comunidade em que
atua e direta ou indiretamente, depende ou é influenciada por
ele.
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