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JB Vilhena
Presidente do MVC, Autor do Manual
das Universidades Corporativas, Coordenador dos MBAs Executivos
da FGV
VOCÊ CONHECE O POLICHINELO?
A expressão designa
aquilo que todos já sabem, o que deixou de ser segredo, que já é
de conhecimento público apesar de alardeado como novidade.
Polichinelo era personagem característico da
commedia dell’arte, nome do bufão polichinelo, personagem
ridículo, sem traquejo, ingênuo”
Todo mundo já ouviu a expressão “segredo de Polichinelo”.
Lembrei-me dela quando um de nossos leitores me mandou um e-mail
dizendo:
“Muitas empresas fazem reuniões para elaborar a estratégia ou
metas reunindo apenas o Presidente e a Diretoria. E só depois
colocam o vendedor para executar a estratégia, sem explicar o
porquê, o como...
Elas não chamam os vendedores para participar, ainda que sejam
os vendedores que conhecem a região, os clientes, suas
necessidades e desejos e não os Presidentes, que na maioria das
vezes, ficam dentro de uma sala opinando e desenvolvendo a parte
estratégica.
Onde o processo está falho? Por que?”
Pouca gente se lembra que estratégia é sinônimo de opções. Em
outras palavras, formular uma estratégia é fazer escolhas. Já
planejar é sinônimo de antecipar. Assim, planejamento
estratégico é um exercício de antecipação de escolhas que
conduzirão as empresas na direção de sua visão, na justa medida
em que cumprem a sua missão.
Em função dessa conceituação podemos nos perguntar se adianta
alguma coisa a empresa fazer suas opções sem consultar a quem
vai operacionalizá-las. Eu acho que não. Mas é preciso ser capaz
de diferenciar uma postura participativa de uma postura
democrática. A primeira traduz uma preocupação da empresa em
ouvir aqueles que têm alguma contribuição a dar sobre um
determinado assunto. A segunda significa que a opinião de todos
tem o mesmo peso, o mesmo valor. Além do mais, democracia
implica em decisões pela maioria e alternância de poder. Algo
muito interessante no terreno da política, mas absolutamente
improdutivo no campo da administração de empresas.
Assim sendo, gostaria de dizer ao nosso interessado leitor que
nos parece absolutamente correto que a diretoria se reúna para
decidir sobre o futuro da organização. Mas antes da reunião
deveria ouvir as bases (não apenas os vendedores, mas também
outras áreas críticas da empresa) para se inteirar de seus
pontos fracos e fortes, bem como para poder conhecer melhor as
oportunidades e ameaças do mercado.
Além de ouvir o “pessoal da casa”, os dirigentes das
organizações também deveriam ouvir outros especialistas do seu
setor, tais como economistas e cenaristas. Deveriam, também,
procurar se assegurar que existe alguém capaz de conduzir o
processo de planejamento com competência técnica suficiente para
propor instrumentos analíticos eficazes e, ao mesmo tempo,
estimular o raciocínio criativo perante situações desafiadoras.
Por último, é fundamental que os dirigentes sejam capazes de se
reunir com o pessoal de nível tático e operacional para discutir
as melhores formas de atingir os objetivos definidos no
planejamento estratégico. Mas sair por aí dizendo a todo mundo o
que a empresa pretende fazer no futuro é transformar a
estratégia em um segredo de Polichinelo.
Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o assunto, me envie
um e-mail e eu terei prazer em te mandar um texto de Peter
Schwartz - Presidente da maior entidade de profissionais de
projeção de futuro, a Global Business Network (www.gbn.com)
– que fala sobre a arte de construir cenários.
Outros textos poderão ser encontrados no
site
www.institutomvc.com.br
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