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  Questionando "Coisas"

 Pare o Mundo que eu Quero Descer

Saudosismos à parte, a verdade é que tem hora que me sinto tão fora de sintonia com algumas coisas que tenho vontade de sair do mundo. Quem sabe me entocando na querida Oliveira – cidade onde moro, lá nas Minas Gerais – e dedicando o tempo a falar de roça, especular sobre as chuvas ou ainda compartilhar estórias de pescador, que sempre são muito divertidas e... Mentirosas.


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QUESTIONANDO "COISAS"

 

 

 

 

 

 

 

 

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J B Vilhena

Presidente do Instituto MVC,

Coordenador dos MBAs da FGV,

Autor do Manual das Universidades Corporativas

 

 

Pare o mundo que eu quero descer

 

 

Acho que realmente estou ficando velho, pois hoje uma música do Silvio Brito que fez algum sucesso há muitos anos atrás não me saiu da cabeça. Ela é que dá título a esse breve desabafo.

 

Saudosismos à parte, a verdade é que tem hora que me sinto tão fora de sintonia com algumas coisas que tenho vontade de sair do mundo, quem sabe me entocando na querida Oliveira – cidade onde moro, lá nas Minas Gerais – e dedicando o tempo a falar de roça, especular sobre as chuvas ou ainda compartilhar estórias de pescador, que sempre são muito divertidas e... mentirosas.

 

Talvez seja o contraste que vivencio entre a tranquilidade do interior e o frenesi das grandes cidades que esteja me colocando assim meio melancólico. Poucos dias atrás me peguei tendo um pensamento engraçado: se meu pai, que morreu faz 25 anos, ressuscitasse hoje, em menos de 15 minutos pediria para morrer novamente. Por que? Porque ele não conseguiria entender o mundo que vivemos.

 

No dia de hoje eu:

 

a) Reclamei para o garçon do hotel em que estou hospedado, alertando-o que o ar condicionado que está colocado no teto pingava o tempo todo. Ele perguntou, incontinente, se eu preferiria ganhar alguns pingos na cabeça ou suar durante a refeição;

 

b)    Recebi um e-mail muito mal educado de um jovem colaborador de uma empresa para qual presto serviço. Arrogantemente ele me perguntava “se eu sabia o que estava fazendo ao tomar uma determinada decisão”. Isso sem procurar saber o que me levara a decidir daquela forma ou quais são as minhas responsabilidades na empresa. E olha que eu trabalho para eles há exatos e ininterruptos 12 anos;

 

c)    Recebi 2 e-mails me alertando sobre um pseudoatraso na entrega de uma tarefa. Meu prazo regulamentar na verdade só vence daqui a duas semanas;

 

d)    Ouvi que o presidente da França mais uma vez resolveu implicar com a obrigação que algumas mulheres muçulmanas acatam de usar a burca;

 

e)    Soube que dos mais de 220 mortos no vôo 447, apenas 52 corpos foram resgatados;

 

f)    Descobri o quanto ganha o mordomo da Roseana Sarney;

 

g)    Recebi o veredicto de mais um cliente, que optou por fazer um treinamento de grande importância estratégica com uma pessoa totalmente desconhecida dele e do mundo, porque o “preço dele era mais baixo 500 reais”.

 

Não ouvi sequer uma notícia positiva, do tipo diminui a velocidade de propagação da gripe suína, o dólar caiu ou mais um corrupto foi para a cadeia.

 

Quando estou lá em Oliveira todo o dia tenho algum motivo para rir, pois pescadores e suas engraçadas estórias não faltam na cidade. Além do mais, posso conversar com a minha namorada, lembrando novamente do Silvio Brito e cantando:

Tá tudo errado, tá tudo errado

Só quero ter você do lado

Prá mandar o resto pros diabos

Tá tudo errado, tá tudo errado

Tá tudo errado.

Outros textos poderão ser encontrados no site www.institutomvc.com.br

 

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