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EUNICE MENDES
Consultora Sênior do
Instituto MVC,
Autora do livro “Falar
bem é Fácil”, e do e-Learning Apresentações Eficazes
INVEJAR PODE SER BOM
Cena: Outro dia, em uma
reunião de mulheres em minha casa, uma amiga fez uma pergunta
que me pareceu ao mesmo tempo instigante e perigosa: o que
invejamos umas nas outras? A pergunta causou constrangimento.
Olhares baixos, risos, dissimulação, desconforto... Mas eis que
chega a frase salvadora: uma das mulheres começa a dizer o que
invejava em algumas de nós ali presentes. Esse início corajoso
fez com que, aos poucos, o clima se desanuviasse e cada uma
passasse a revelar as qualidades das demais que gostaria de
ter... Falou-se da beleza de uma, da facilidade que outra tinha
para escrever ou para criar, ganhar dinheiro, do carisma e das
habilidades sociais de outra, da simpatia e a atração que a
outra causava nos homens... E foi tudo tão natural que uma das
mulheres reclamou, zangada: “E eu? Ninguém vai falar nada de
mim? O que vocês invejam em mim? Não há nada em mim para ser
invejado?” Estávamos ali, as sete mulheres, nos expondo e de
alguma maneira deixando que nossas zonas de sombra fossem
escancaradas. Foi um momento terapêutico e de muita
cumplicidade. Desabafar era uma maneira legítima de encarar o
monstro de olhos verdes da Inveja.
PRECONCEITO
E você,
algum dia já se frustrou
por um colega de trabalho conseguir a posição que tanto
almejava? Já se questionou por que seu amigo, com menos
instrução, conseguiu consolidar um patrimônio financeiro e
você, com tanta experiência e estudo, não tem sequer casa
própria? Já se surpreendeu imaginando-se vender parte da sua
inteligência para conquistar mais beleza física e magnetismo
pessoal? Já se sentiu enciumado em uma festa só porque sua
mulher brilhou mais que você, mostrando-se comunicativa e
cativante?
Se já sentiu
algo parecido, não se desespere! A Inveja é um dos sentimentos
mais comuns aos seres humanos. Seja bem-vindo ao mundo dos
normais!
Mas por que
a Inveja costuma ser tão constrangedora? O preconceito contra a
inveja é milenar! Nossa cultura familiar e religiosa estabelece
como crença e valor que a Inveja é um sentimento que deve ser
negado por ser uma Sombra, uma anomalia social. Na tradição
judaica, a inveja é pior que a morte, pois se permitirmos que se
instale em nós, será como veneno correndo em nossas veias!
Experimente
em um bate-papo informal dizer que sente inveja do Diretor da
sua empresa. Você corre o risco de ser alvo de fofocas e ficar
isolado do grupo por ser considerado um elemento perigoso
à organização. Essa pressão psicológica causa um sentimento de
culpa, por invejar o poder do outro. É como se fosse uma
ameaça dolorosa à nossa auto-estima e às qualidades inerentes a
um homem de bem.
Nenhum
sentimento, por si só, é bom ou ruim; tudo depende da maneira de
vivê-lo. Há uma diferença entre a Inveja autodestrutiva e
a Inveja produtiva. A primeira é a arma dos
incompetentes, está ligada ao prazer pelo insucesso do outro;
é um sentimento que provoca conflitos internos e corrosivos,
cuja única ocupação é maldizer o sucesso do outro, que se torna
refém da nossa raiva, do nosso ódio. O segundo tipo é a inveja
bem gerenciada, que consegue nos tirar do comodismo e nos
impulsionar para uma competição mais saudável e a enfrentar
desafios.
A INVEJA
DESTRUTIVA
-
Achar que só o outro tem qualidades a serem
admiradas;
-
Ser um espectador passivo do sucesso alheio e refém da
própria inveja;
-
Canalizar a energia para destruir quem possui aquilo que
ambicionamos;
-
Perder tempo, deixando de viver plenamente e bloqueando os
próprios talentos;
-
Encher a mente com o lixo que nos fragiliza;
-
Ter desejos e nada fazer para realizá-los;
-
Destruir os próprios sonhos por impedir que eles se
realizem.
A Inveja improdutiva e perniciosa gera ressentimentos e um profundo
pessimismo existencial, consequências do complexo de
inferioridade e da auto-imagem negativa.
A INVEJA CONSTRUTIVA
-
Afastar nossos véus internos
-
Servir de espelho para a auto-análise sem correr o risco de
se enganar em relação a si mesmo;
-
Não sofrer pelo sucesso do outro;
-
Ser um elemento propulsor da mudança;
-
Estimular o crescimento pessoal através do autoconhecimento;
-
Equilibrar as relações interpessoais;
-
Criar movimentos de empatia;
-
Nos aproximar de quem admiramos;
-
Incitar à luta para conseguir aquilo que se quer.
SUGESTÕES
É possível
reescrever o roteiro final do filme imaginário “A Inveja e
suas Sombras” com um final mais criativo e enriquecedor.
Para transformar a Inveja em um fator positivo:
-
Faça uma auto-análise e procure avaliar seus sentimentos sem
preconceitos;
-
Olhe para si mesmo com compaixão e aceite que você não está
imune ao vírus da inveja, que é inerente ao ser humano;
-
Procure ajuda terapêutica;
-
Reconheça a inveja como um fator de crescimento quando ela
ajuda a realizar os desejos;
-
Analise racionalmente: o objeto da minha inveja pode ser
conquistado? O que devo aprender? Que habilidades preciso
desenvolver? Que atitudes devo ter para viabilizar meus
objetivos?
-
Não use a Inveja como desculpa para a inércia;
-
Não reprima a inveja, mas procure entendê-la e usá-la como
trampolim para a criatividade;
-
Não sofra com o sucesso alheio. Use melhor seu tempo e sua
energia. Defina estratégias para atingir seus objetivos;
-
Não tenha vergonha de perguntar às pessoas que admira o
segredo do sucesso delas;
-
Reconheça as suas habilidades que devem ser exploradas e
valorizadas;
-
Direcione seus talentos e suas habilidades em benefício
próprio;
-
Tenha coragem de admitir e corrigir suas falhas;
-
Avalie constantemente os resultados alcançados.
Ninguém
precisa ser um eterno voyeur rancoroso do sucesso alheio,
nem se colocar na posição de vítima abandonada pela sorte. A
Inveja pode ser um caminho para o autoconhecimento quando ela
aumenta o nosso comprometimento com a auto-realização e um
estilo de vida mais produtivo.
“INVEJAR NÃO É PECADO; PECADO É ENTRAR EM UM DESTRUTIVO JOGO DE
PODER EM QUE NÃO HÁ VENCEDORES!”
Sugestões de livros:
Outros textos poderão ser encontrados no
site
www.institutomvc.com.br
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