|
Voltar
Eunice Mendes e Lena Almeida
Consultoras Seniores do Instituto MVC,
Autoras do livro FALAR BEM É FÁCIL e do
Programa e-learning Técnicas de Apresentação
OS DALITS NOSSOS DE CADA DIA
QUER CONHECER UM HOMEM? DÊ-LHE PODER!
(Anônimo)
A palavra indiana
dalit significa quebrado, esmagado, oprimido. Para os
indianos pertencentes às castas, os dalits representam a
poeira nos pés de Deus. São os párias, os proscritos, cuja vida
é regida por um sistema de apartheid. Até o esbarrar em suas
sombras pode poluir o corpo e a alma dos homens de casta. Os
dalits não podem orar nos templos, e nas escolas não lhes é
dado o direito de entrar em sala de aula; se entram, só podem se
sentar nas últimas fileiras. A voz deles quase nunca é ouvida.
Por isso os dalits são quase sempre analfabetos e a taxa
de mortalidade infantil entre eles chega a 10%. São os últimos
no ranking social e sequer são considerados como parte do
sistema.
Esta realidade mostrada na novela Caminho das Índias, da TV
Globo é um claro exemplo de discriminação. Talvez nos
espante o tratamento dado aos
dalits, mas nos esquecemos de olhar os dalits do
nosso cotidiano. Esquecemos
que, muitas vezes, também somos
acometidos de uma cegueira preconceituosa causada pela nossa
prepotência.
O psicólogo Fernando B. Costa é autor de uma tese de mestrado
muito reveladora sobre a “Invisibilidade Social”. Ele
vestiu um uniforme de gari e por oito anos varreu um campus
universitário, para observar o tratamento dispensado aos
profissionais que exerciam trabalho braçal mal remunerado
naquele local. Essas pessoas pareciam invisíveis, eram os
nossos dalits,
aqueles que varriam as
ruas, recolhiam os tocos de cigarro, as fezes dos cachorros,
enfim, faziam o trabalho considerado sujo e não apropriado para
quem tem acesso à informação, faz faculdade, conquista um
emprego e tem chance de ascender na escala social. Os
invisíveis jamais recebiam um bom-dia, um sorriso, um olhar,
uma conversa amistosa…
O autor da tese concluiu que, naquele ambiente, as funções
sociais eram mais valorizadas do que os indivíduos.
Quem
tratamos como dalits no nosso dia a dia?
Comece a
prestar atenção nas ruas e perceba a reação de algumas pessoas
se um mendigo se aproxima ou se uma criança pede um lanche. A
maioria finge que não vê, muda de calçada, alguns até soltam
palavras de ódio contra quem ousa lhes dirigir a palavra.
Nas empresas acontece o
mesmo. Vamos repensar como estão as nossas relações
interpessoais? Como exercemos o poder? Como pedimos aos boys
para fazer suas tarefas? Cobramos sem ensinar? Como tratamos a
moça do café, a que limpa os banheiros, o funcionário novato que
não conhece as regras da empresa?
Nós não
transformamos em dalits somente os que exercem as funções
mais humildes, mas também nossos pares. Quem escolhemos para ser
nosso saco de pancadas, a quem estendemos o dedo acusador
só por crueldade?
Ninguém é
permanentemente generoso. Nós também somos sádicos e perversos,
bichos raivosos prontos para atacar, principalmente quem não
pode, por mero instinto de sobrevivência, se defender…
PARA REFLETIR:
Será que é possível
fazer uma autoanálise consciente para ter mais respeito,
empatia, compaixão?
Não se engane: cada um
de nós também é um dalit para alguém, quando:
a)
Um novo profissional exerce o mesmo cargo que o seu e entra na
empresa ganhando o dobro do seu salário;
b)
O Diretor não o convida para o fim de semana na casa de praia, mas
convida todo o resto do seu grupo;
c)
Aquele trainee trata você com arrogância e nem quer saber o
que você pode lhe ensinar;
d)
Na reunião, o cliente só olha para os outros sócios e não presta
atenção no que você diz;
e)
Você se sente um estranho no ninho em um determinado ambiente;
f)
Em uma roda social, você percebe que alguém faz uma ironia ou
ignora a sua presença;
g)
Você é discriminado pela sua cor, posição social ou postura
política.
Ninguém quer
ser invisível nem quer ser ignorado. A indiferença é para muitos
uma espécie de morte moral.
A
sobrevivência saudável também precisa de atenção, elogios,
reconhecimento e respeito.
Outros textos poderão ser encontrados no
site:
www.institutomvc.com.br/Biblioteca
Envie seu Comentário
Voltar
|