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Francisco R. Bittencourt
Consultor Sênior do Instituto MVC,
Professor dos MBAs de Gestão da FGV.
JOB ROTATION
Conheça mais sobre Job Rotation na
entrevista com o consultor Francisco Bittencourt.
REVISTA MELHOR
- Por que o “Job Rotation” é uma ferramenta de Educação
Corporativa?
Bittencourt -
Uma das cinco disciplinas desenvolvidas por Peter Sente é a
Visão Sistêmica.
A Visão Sistêmica permite a verificação da realidade vivenciada
por um determinado subsistema (no caso um cargo da empresa) e a
forma como ele se insere em todo o sistema.
A Visão Sistêmica mostra não só a importância absoluta, mas
também principalmente a importância relativa do cargo em relação
ao contexto organizacional, os impactos que a ação de seus
ocupantes provoca e a conseqüência sobre os resultados
institucionais.
Diante desta reflexão, percebe-se que o Job Rotation,
que leva os profissionais a internalizarem diferentes visões da
organização, pela mobilização em relação à estrutura de cargos.
Ao definir novas posições para seus colaboradores, a organização
entende que, em novas funções, seus ocupantes passam a ter uma
visão mais clara do funcionamento do sistema organizacional.
Esta forma mobilizadora gera um mecanismo de educação
corporativo, na medida em que dá aos profissionais diferentes
percepções dos fenômenos que afetam a realidade organizacional.
Os indivíduos observam a empresa de formas diferentes. Aprendem
com a absorção das responsabilidades e das tarefas dos
diferentes cargos, e, com isso geram significativas melhorias
nas suas contribuições profissionais.
REVISTA MELHOR -
O que é, realmente, o Job Rotation?
Bittencourt -
Trata-se de um processo pelo qual a organização provoca uma
mobilização em suas equipes internas, no sentido de compartilhar
as responsabilidades e o conhecimento das tarefas existentes em
sua estrutura de cargos.
O Job Rotation não deixa de ser uma forma de
treinamento, pelo qual o aprendizado se dá quando da absorção,
pelo ocupante, da verdadeira dimensão do cargo para o qual foi
designado.
O Job Rotation não deve ser considerado uma
simples transferência de função, pois sua finalidade é permitir
ao ocupante incorporar uma visão mais abrangente (sistêmica), e,
com isso permitir um aprimoramento no desempenho de sua função
original.
REVISTA MELHOR -
Quais os cuidados que o RH deve ter ao implantar o Job
Rotation na empresa?
Bittencourt -
Considerando que o job rotation não deve ser
considerado um simples procedimento de transferência, mas sim um
modelo treinamento-aprendizado, os cuidados da área de recursos
humanos devem contemplar:
-
O sistema deve ser construído no sentido de dar lógica às
mobilizações;
-
Os cargos que virem a ser incluídos na mobilização devem ter
uma relação de interdependência, para que permitam uma visão
abrangente da organização;
-
Os profissionais a serem mobilizados deverão ser previamente
avaliados, no sentido de que se verifique sua aptidão e
preparo para assumir novas funções;
-
Se for verificado por RH que o profissional a ser submetido
à mobilização carece de informações ou capacidade para as
novas funções, deve ser submetido, previamente, a um
processo de absorção de conhecimentos, para que não haja uma
perda de energia;
-
As áreas envolvidas no processo de mobilização (Job
Rotation) devem ser alvo de uma preparação para que
seja dado um suporte e sustentação ao profissional designado
para um novo cargo;
-
Todo o sistema de mobilização deve levar em consideração
que, em se tratando de um programa de treinamento e
aprendizado interno, não deve ocorrer solução de
continuidade nos processos e busca de resultado do setor
alvo da modificação.
REVISTA MELHOR -
Quais as dificuldades e possíveis resistências dos colaboradores
em rodar as funções?
Bittencourt -
Todo processo de mudança gera insegurança; as pessoas podem
mostrar certa resistência, quando não vislumbram, na mudança,
algum benefício.
Esta insegurança pode ser combatida com informação. Se houver
informação, o desconhecimento desaparece a e rotação
(mobilização) se torna mais efetiva.
Uma outra dificuldade tem a ver com o despreparo e a má
qualidade do controle do acompanhamento do desempenho dos
profissionais mobilizados em relação aos seus novos cargos.
Recursos Humanos deve criar a figura do gestor, para que, de
forma direta e permanente, ele acompanhe, em tempo real,
a evolução do desempenho do ocupante mobilizado e sua
conseqüente atuação no novo cargo.
As deficiências de procedimento, comportamento, ou resultados
verificados na implantação do job rotation devem
ser imediatamente relatadas e corrigidas, sob pena de
comprometer todo o programa originalmente formulado.
REVISTA MELHOR -
Em que circunstâncias ele é indicado?
Bittencourt -
Podem ser consideradas condições ideais:
a)
A empresa precisa dar uma renovada em seus quadros,
provocando uma rotatividade compulsória;
b)
O aparecimento de novas lideranças (oriundos de programas
de estágio, trainees, recém contratados), que exigem uma visão
sistêmica em prazos mais curtos;
c)
Na eventualidade de um plano de expansão, preparar novos
quadros para assumir funções nas novas áreas de expansão;
d)
Melhorar os graus de motivação interna, provocando uma
espécie de renovação do sangue interna, fazendo
com que as pessoas mobilizadas se livrem de uma possível
letargia.
e)
A superação de uma crise, criada por uma significativa
debandada da mão de obra qualificada.
Um case resumido.
Há alguns anos uma das grandes multinacionais do segmento
metalúrgico iniciou suas atividades no distrito industrial de
Manaus.
Havia dificuldade muito grande de levar mão de obra qualificada;
não só a distância era o grande obstáculo, mas as condições de
vida em Manaus, para profissionais originários do rio e São
Paulo era uma barreira quase intransponível.
A solução encontrada foi iniciar, na unidade de Manaus, um
programa monitorado por recursos humanos, onde os diversos
cargos de supervisão e gerencia foram exercidos de forma
rotativa, permitindo a criação de uma força de trabalho
qualificada e multidisciplinar.
O resultado permitiu a estruturação definitiva da unidade
industrial de Manaus.
O subproduto gerado com esse programa foi a criação de uma
equipe com profissionais qualificados não só para suas funções
de origem, mas todo o contexto sistêmico do qual faziam parte.
Vale observar que, sem a atuação proativa da unidade de recursos
humanos, aliada à participação efetiva dos núcleos de poder
superior da unidade (diretoria e alta gerencia) o programa não
teria sido bem sucedido.
Outros textos poderão ser encontrados no
site:
www.institutomvc.com.br/Biblioteca
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