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Lena Almeida
e
Eunice Mendes
Consultoras Sênior do Instituto
MVC
Autoras do Livro Falar Bem é
Fácil!
A Voz que Resolve
Ao retornar uma ligação para um
cliente, me deparei com uma voz clara, sorridente, pronta para
resolver o problema em questão. Explica o que devo encaminhar,
diz que pode ser por fax; pergunto se dá para escanear e, em
pouco tempo, o que parecia ser de difícil solução, está
resolvido. Brinquei: você é uma voz que descomplica, que
resolve. Meu interlocutor agradeceu, e passei o dia me lembrando
de vozes que resolviam e outras que complicavam nossa vida. Nem
quero falar em telemarketing, que tantos dissabores ainda nos
causam.
O que é uma voz que resolve? É a
voz daquele profissional que facilita todo o processo com ética
e empatia. Que está presente no que faz. Sinto pena daqueles
atendimentos ao cliente que estipulam prazos exíguos para que o
profissional resolva qualquer caso que se apresente. É
simplesmente impossível tratar pessoas diferentes, com
necessidades diferentes, da mesma maneira. Quem tenta fazer isso
pode se transformar em uma voz que, de modo geral, nada resolve.
O meu professor de constelações
sistêmicas, Décio Fábio de Oliveira Jr., ao falar sobre
remuneração de vendedores, disse que uma das piores maneiras de
premiar um vendedor é através de um sistema de metas, pois sua
tendência será visar à venda a qualquer custo. Dificilmente ele
se interessará pelas reais necessidades do cliente. Esse
vendedor só ouve a voz do próprio ego, da ambição e do poder, e
desrespeita o fator humano. É preciso pensar em novas formas de
remuneração que levem em conta o cuidado e o interesse genuíno
em solucionar as necessidades e superar as expectativas do
cliente.
A voz que impõe limites é também
uma voz que resolve. Há um ditado que diz: “o rio só corre
porque tem suas margens”. A voz verdadeira é aquela que explica
os nossos direitos e deveres, e nos coloca no devido lugar de
maneira assertiva e justa.
Conheço uma profissional cujo primeiro trabalho,
ainda adolescente, foi ao lado do pai no comércio de gêneros
alimentícios. Ela era responsável pela contabilidade da empresa,
pelas contas bancárias e as cobranças. Ela aprendera com o pai a
disciplina e o rigor nas contas e na ética. Quando se casou,
continuou trabalhando, desta vez em atividades domésticas e
artesanais. Teve filhos e dedicou-se muito a eles. Depois de
dezessete anos, separou-se. No ano seguinte foi eleita síndica
do condomínio em que residia. O prédio era muito antigo e mal
conservado: aspecto sombrio e decadente, inseguro, elevadores
precários, garagens com rachaduras, funcionários sem controle e
uma péssima relação entre os condôminos. Os moradores
assustavam-se com os gastos descontrolados, o valor alto de
condomínio, as dívidas com impostos, mas ninguém queria assumir
a responsabilidade de gerenciar o caos. Reclamações, sim,
mudanças, jamais!
Sem nenhuma experiência, a nova
síndica pediu ajuda ao subsíndico, ambos procuraram treinamentos
que os habilitassem a uma gestão de qualidade, e decidiram criar
um conselho que atuasse de forma efetiva e profissional. Em dois
anos, o prédio mudou radicalmente, graças a ações tais como:
-
As assembléias passaram a ser
organizadas e bem conduzidas. Os moradores eram ouvidos e se
comprometiam a ajudar.
-
Criou-se um novo regulamento
para o funcionamento do prédio e prioridades para a
resolução de problemas.
-
A síndica, habituada a
gerenciar bem sua casa, usou mão-de-ferro no controle de
gastos e na transparência das questões financeiras (os
condôminos podem checar a qualquer instante, pelo
computador, as contas do condomínio); procurou ser justa na
administração de conflitos; estabeleceu limites firmes e
necessários à segurança de todos; é ética na sua relação com
os prestadores de serviços; afasta explicitamente qualquer
tentativa de manipulação ou suborno; sabe delegar, graças à
atribuição bem definida de cargos e funções, e à coerência
com que exerce suas ações; e trabalha muito bem em equipe. O
prédio passou por várias reformas e os apartamentos
valorizaram significativamente. Hoje, é cobrado um valor
justo de condomínio, o condomínio quitou suas dívidas com a
Prefeitura e as obras de melhoria seguem um planejamento e
um cronograma rigorosos, onde não tem vez o rateio para
cobrir as despesas regulares. Na sua gestão, a confiança dos
condôminos naquela pessoa interessada pelo bem comum só fez
aumentar. E o prédio tornou-se uma referência no bairro de
liderança honesta e participativa.
A voz que resolve não teme dizer
que não sabe como resolver uma questão. Conhece os
próprios limites de atuação e dá liberdade para que novas
soluções sejam encontradas ou convida ao diálogo em busca de
possíveis saídas. A voz que resolve cumpre os prazos
estabelecidos, e se ocorrem imprevistos, antecipa-se em
comunicá-los, sempre em respeito ao outro. A voz que resolve
ensina, coopera, ajuda, está sempre disponível.
O que fazer para ter mais
profissionais com vozes que resolvam? Ou de líderes com vozes
que apresentem caminhos viáveis, que expliquem, cooperem? Como
ter profissionais de atendimento bem treinados que sejam a voz
da empresa?
A voz que resolve vai buscar além
dos saberes de sua área, das habilidades requeridas, das
atitudes de presença facilitadora, acolhedora, interessada...
Precisa, acima de tudo, saber ouvir.
Outros textos poderão ser encontrados no
site:
www.institutomvc.com.br/Biblioteca
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