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 Meu Amor pelos Livros

Meu pai dizia que quem gosta de ler nunca está solitário. Dizia que os livros aquecem a alma, dão mais sabor à vida e nos permitem conhecer o mundo, mesmo vivendo em uma cidadezinha afastada. Ele dizia que os livros nos transformam, nos tornam mais atentos aos movimentos da vida, e deixam tudo mais colorido. Hoje, se nos treinamentos alguém pergunta: “O que se deve fazer para aprender a se comunicar melhor?”, eu respondo: “Leia, leia, leia… Aprofunde-se e se aproprie das palavras.

 

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 Eunice Mendes

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O Vendedor Fofoqueiro

Existem dois tipos de fofoca: A fofoca inventada e a fofoca real. A fofoca inventada é fruto da imaginação das pessoas, boataria sem fundamento, com intuito de prejudicar alguém ou beneficiar a si mesmo. Em entrevista a Revista Venda Mais, Alexandre Freire fala sobre a fofoca nas equipes de Vendas e como esse tipo de comportamento pode prejudicar as empresas.

 

 

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Alexandre Freire


 

 

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CONHECIMENTO PRECOCE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Eunice Mendes

Consultor Senior do Instituto MVC,

Autoras do livro FALAR BEM É FÁCIL e do Programa e-learning Técnicas de Apresentação

 

 

Meu amor pelos livros

 

 

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
"Trouxeste a chave?"
(Carlos Drummond de Andrade)

 

 

Meu amor pelos livros e pelas palavras começou quando eu era criança. Meu pai lia histórias para mim, fazendo as vozes dos bichos e dos personagens, e eu adorava, era tudo muito divertido. Ele praticamente me alfabetizou, interpretando as histórias que eu pedia para repetir mil vezes. Se ele mudasse uma vírgula, eu dizia que não era assim,  queria ouvir a história certa… Eu me acostumei a vê-lo sentado na cadeira de balanço lendo uma revista mensal chamada Seleções, onde havia uma coluna chamada “Meu tipo inesquecível”. Ele a lia para mim e pedia que eu explicasse o que tinha entendido. Talvez aí eu tenha começado a dramatizar o que ouvia. Talvez essa experiência tenha despertado em mim o gosto pela leitura, pela conversa e pelo teatro. Talvez tenha escolhido aí a profissão que exerceria na vida adulta.

 

Meu pai dizia que quem gosta de ler nunca está solitário. Dizia que os livros aquecem a alma, dão mais sabor à vida, e nos permitem conhecer o mundo, mesmo vivendo em uma cidadezinha afastada. Ele dizia que os livros nos transformam, nos tornam mais atentos aos movimentos da vida e deixam tudo mais colorido.

 

E tudo ficou mais colorido mesmo, quando um dia um caminhão de mudança parou na minha rua. Uma nova família veio se instalar na casa mais bonita do bairro. A casa tinha varanda, jardim, porta de vidro e era enorme… Do caminhão saíram o pai, a mãe e a filha, uma menina bem pequena.

 

De repente, algo despertou mais ainda a minha curiosidade. Os homens do caminhão descarregaram uma montanha de livros azuis, pretos, brancos… Eu nunca tinha visto tantos livros juntos. Podia sentir o cheiro deles entrando no meu corpo. Foi uma emoção muito grande ver tanto conhecimento ali amontoado.

 

Minha família se aproximou dos novos vizinhos, e a dona da casa praticamente me adotou. Eu ia à casa deles ajudar a filha nas lições de casa, mas o que eu queria mesmo era ter a oportunidade de chegar perto dos meus objetos de desejo, os livros, que me esperavam como amantes ansiosos…

 

Um dia, me armei de coragem e pedi: “Dona Cidinha, a senhora me emprestaria um livro para ler?” Ela concordou, e meio trêmula eu escolhi um livro de capa azul sobre fadas, príncipes e bruxas horríveis. Estabeleceu-se aí um ritual: todos os dias eu entrava na casa, me sentava a um canto da sala e ficava lendo durante horas… Se me convidassem para almoçar, era ainda melhor. Eu adorava comer bacalhoada, que minha mãe nunca fazia, e beber refrigerante em dia de semana… Mas havia uma regra: eu não podia levar os livros para casa. Por isso a despedida era ruim, já me deixava ansiosa, pensando nas aventuras que eu havia deixado pela metade…

 

Após mais ou menos seis meses, dona Cidinha disse: “Você cuida bem dos livros. Não faz orelhas, não molha o dedo com saliva para virar a página... Por ser tão cuidadosa e responsável, pode levar um livro por vez para ler na sua casa.

 

Beijei o rosto de dona Cidinha, peguei o livro e saí correndo para dar a notícia a meu pai. Eu chorava de alegria. Não queria os livros para mim; só queria lê-los, e saber histórias que eu desconhecia. Queria aprender mais, saber que o mundo ia além da cidade em que eu vivia. Pela primeira vez eu me senti adulta. Há um conto da Clarice Lispector, Felicidade Clandestina, que fala sobre essa emoção de correr com o livro nas mãos e poder ficar com ele inteirinho. Eu tinha a sensação de ter conquistado a confiança daquela família, que não imaginava o bem que me fazia ao emprestar-me os livros. E ao dar-me a oportunidade de ler os Tesouros da Juventude, aquelas pessoas ajudavam a abrir a minha vida para o mundo!

 

Mais tarde, tive a sorte de ter uma querida professora na escola secundária, a Ely, que me apresentou os clássicos da literatura: José de Alencar, Machado de Assis, Jorge Amado, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa. Ela me ensinou a dialogar, a perscrutar o mundo, e despertar para o novo. Ensinou-me que a literatura abre portas e que os movimentos literários estão ligados diretamente aos anseios de um povo. Ela me ensinou que as palavras têm cor, têm cheiro e têm sabor, e que a cada segundo precisamos delas.  A palavra qualifica, explica, define, questiona, impulsiona, fere, difama, destrói, elogia, condena, abençoa, valoriza. Através da palavra e da leitura aprendemos a nos conhecer e a conhecer o outro, um espelho que nos dá a possibilidade de uma vida mais rica, multidimensional. Ely ensinou-me também que somos o que lemos, o que compartilhamos em atos de generosidade, num processo que não tem fim.

 

Serei grata para sempre a essas pessoas que me mostraram um mundo com muitas esquinas, mas em cada uma delas escondida a possibilidade de um aprendizado!

 

Hoje, se nos treinamentos alguém pergunta: “O que se deve fazer para aprender a se comunicar melhor?”, Eu respondo: “Leia, leia, leia… Aprofunde-se e se aproprie das palavras. Se você ainda não gosta de ler, mas gostou de um filme, compre o livro que inspirou o filme, vá às livrarias com sala de leitura, passe umas horas lá dentro, peça ajuda ao vendedor, pegue nos livros, leia as orelhas dos livros, visite sebos. Não se impressione com o cheiro de bolor, é cheiro de história! Dê livros de presente, estimule a leitura na sua casa. Essas atitudes mudam para melhor a sua vida e a vida de quem você ama!

 

Leia! Há um mundo novo esperando por você!

 

 

Outros textos poderão ser encontrados no site: www.institutomvc.com.br/Biblioteca

 

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Américo Marques Ferreira

Consultor Sênior do Instituto MVC,

Autor do Livro "A Arte de Gerenciar Serviços" Lançamento

 

 

Em entrevista a Revista VendaMais, Alexandre Freire fala sobre a fofoca nas equipes de Vendas e como esse tipo de comportamento pode prejudicar as empresas.

 

 

VendaMais - O que é fofoca?


Alexandre Freire - Existem dois tipos de fofoca: A fofoca inventada e a fofoca real. A fofoca inventada é fruto da imaginação das pessoas, boataria sem fundamento, com intuito de prejudicar alguém ou beneficiar a si mesmo.  A fofoca real é baseada em dados verídicos, onde a informação é transmitida de um para outro, sendo do interesse de todos, não apenas de uma pessoa ou grupo de pessoas.  Uma coisa é fofoca, outra coisa é conversa de cafezinho. No final, a fofoca sempre deixará alguém machucado.


VendaMais - Por que as pessoas fazem fofoca?


Alexandre Freire - As fofocas, dificilmente, têm propósito construtivo, educativo ou mesmo, corretivo. Quem fofoca, geralmente modifica e enfeita antes de transmitir, com o propósito de tornar a fofoca um salvo-conduto, assegurarando vantagens e lucros pessoais, mesmo que não sejam duradouros. Inveja, revanchismo, ódio, insegurança e marketing pessoal estão entre os motivos mais comuns.

 

VendaMais - Quando as pessoas fofocam?


Alexandre Freire - Algumas fofocam sempre.  É uma filosofia de vida, uma atividade como outra qualquer em suas vidas.  Outras só fofocam quando há interesse pontual, quando podem tirar vantagem da situação ou acontecimento.


VendaMais - Qual é o preço de uma fofoca?


Alexandre Freire - Dependendo da quantidade e velocidade em que as fofocas trafegam em uma empresa, o clima organizacional pode piorar aceleradamente, gerando descrédito das lideranças, fuga de talentos e descontentamento generalizado dos colaboradores. Para o funcionário, se a fofoca for direcionada a alguém em específico, ele pode sofrer humilhação ou até demissão, dependendo do caso.


VendaMais - Existe um lado bom da fofoca? Qual?  Como acontece a fofoca?


Alexandre Freire - Não existe  o lado bom da fofoca.  Se fofoca fosse coisa boa, não seria chamada de fofoca...  A fofoca acontece de várias formas:  Por email, por bilhetes, pelo chat, pelo MSN e Skype, em conversas informais no almoço ou no cafezinho.  A fofoca tem formas sutis de serem repassadas.  Um olhar diferente e a entonação da voz dizem muito mais sobre o tema da fofoca do que as próprias palavras.  Por exemplo:

 

Fofoca estilo sem querer. "Olha, eu não queria dizer, mas isso está me incomodando muito!".


Fofoca estilo sinceridade.  "Olha, vou lhe contar uma coisa sobre o fulano, mas porque sou amigo dele. O meu intuito é apenas ajudar."

 

Fofoca estilo afirmação. "Será que o novo gerente é homossexual?"

 

A fofoca estilo baixaria. "O Marcos estava com a Lúcia no restaurante, mas não conta nada para o chefe senão, já viu né?"

 

Fofoca estilo tiro de misericórdia. "Vou contar uma coisa da Hana que é para prejudicá-la mesmo, pois ela merece!"

 

Fofoca estilo tapete. "Olha, não quero puxar o tapete de ninguém, mas..."

Ou seja, a forma como você fala é 90% da fofoca!!!


VendaMais - Perde-se algo com a fofoca nas equipes de venda? O que?


Alexandre Freire - Perde-se credibilidade acima de tudo.  Se a fofoca chegar aos ouvidos do cliente, o vendedor pode se ver em uma situação delicada, exposto ao ridículo.  Em um caso recente, um profissional de vendas fez chegar as mãos de um cliente algumas fotos (manipuladas) de um vendedor de uma empresa concorrente que estava no páreo para fechar um grande negocio.  A foto insinuava que o individuo era um travesti...  A situação gerou um mal estar enorme entre as partes envolvidas, e para desfazer o constrangimento, até a esposa do vendedor que aparece nas fotos teve que intervir em seu favor.


VendaMais - Que tipos de problemas a fofoca pode gerar nas equipes de venda?


Alexandre Freire - A palavra é: Desconfiança.  O clima pode deteriorar, ao ponto que nos momentos de interação entre os membros da equipe de venda, as palavras sejam medidas, o contato visual seja evitado e as discussões sejam carregadas de sentimentos negativos e em alguns casos, irreparáveis ao longo do tempo. Sei de um caso que um profissional teve que sair da empresa, pois a fofoca o colocou em uma situação extremamente desconfortável perante a equipe.  A saída foi pedir demissão, ou seja, ficou insustentável.


VendaMais - Como o vendedor deve lidar com a fofoca?


Alexandre Freire - O vendedor descobre que estão falando dele através de olhares das pessoas, as entrelinhas dos e-mails e conversas ou reuniões...  Muitas vezes alguém informa você diretamente sobre quem, quando e sobre o que estão falando de você.  Esta pessoa pode ser o chefe ou seu colega de trabalho.  Pode ficar tranqüilo.  É fácil de descobrir.  Porém, siga uma regra básica diante da fofoca: Mesmo que você seja o centro da fofoca, fique sempre antenado, em se envolver.

 

VendaMais - Como o líder pode desfazer os problemas causados pela fofoca?


Alexandre Freire - Buscar apoio na rede daqueles que te conhecem e estão, de maneira sincera, ao seu lado.  A maior arma contra a fofoca é a credibilidade.  A fofoca vai perdendo seu fôlego e veneno ao longo de demonstrações de apoio de pessoas que tem credibilidade e independência aos fatos.

VendaMais - Quais os tipos mais comuns de fofoca entre os vendedores?


Alexandre Freire - São aquelas fofocas relacionadas às metas, promoções e relacionamentos.

 

Exemplo:

  • Fulano vai ser demitido se não cumprir a meta de venda este mês

  • Cicrano vai a gerente desta vez, mesmo sendo o crápula que é...

  • A fulana está de rolo com o gerente nacional, por isso ainda se segura no emprego.

 

VendaMais - O surgimento das comunidades de relacionamento (como o Orkut) estimulou o crescimento da fofoca dentro das empresas? Como?


Alexandre Freire - Ajudou, mas não é a única razão. Adicione a lista o MSN, Skype, email, mensagens via celular, etc... Em meu livro INEVITÁVEL MUNDO NOVO, O Fim da Privacidade, falo sobre como ficou mais barato invadir do que proteger a privacidade. A fofoca hoje é muitas vezes resultado desta invasão, onde a tecnologia facilita a busca e a disseminação de informações verídicas e mentirosas. Expor a vida das pessoas em público, seja via Orkut ou email, tornou-se uma ação simples e muitas vezes destrutiva. A credibilidade que na maioria das vezes demora anos para ser construída, é literalmente destruída numa questão de segundos, na mesma velocidade da internet.


VendaMais - Qual é a relação entre ética e fofoca?


Alexandre Freire - A partir do momento que a fofoca entra em cena, a ética sai pela primeira porta disponível. Ambas não se falam, não se dão, não se relacionam. Enfim, elas não têm nada em comum.

 

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