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Lena Almeida
Consultora Sênior do Instituto MVC,
Autora do livro FALAR BEM É FÁCIL
“Trabalhar é fácil, mas ser feliz
dá um trabalho...”
“Quem não vive para servir não
serve para viver”.
Esse é o dito popular preferido
de minha família e o outro é:
“Trabalhar demais não mata
ninguém”.
Diante desses ditos, muitos
valores me foram sendo registrados desde cedo; trabalhar,
servir, tornou-se a grande missão e, como agradar à mamãe e ao
papai era a premissa. Todos os 12 irmãos desde cedo arranjaram
algo para fazer e o fazíamos com maestria e digo mais, não nos
permitíamos nem adoecer, pois trabalhar demais não mata
ninguém...
Os anos foram passando e nos
destacamos no mundo do trabalho. Para nós, os irmãos, nosso Deus
era o trabalho. E como adorávamos trabalhar e trabalhar demais,
nenhum da família tinha histórico de férias maravilhosas. Uma
vez ou outra um se aventura a cinco dias de folga, mas vai
arrastando uma tonelada de culpa e a própria família faz alguns
comentários do tipo: “...como é que ela (ele) tem coragem de
deixar o negócio na mão de fulano?...” ou ...”tá entregando ouro
ao bandido!...”, e por aí vai.
De tanto que se trabalha, mais se
trabalha. E como o treino faz o mestre, fomos nos tornando
“mestres em trabalhar”...e achamos bom... e está certo assim...
Lembra-se da cigarra e da formiga?... e os três porquinhos?
Essas fábulas são quase uma prece nas nossas vidas...
E viva a mamãe que é a mais
trabalhadora de todos; e é mesmo... sempre trabalhando até hoje
quando poderia se ocupar de não trabalhar.
Ô mãe! ...
Quando puxo o assunto com os meus
irmãos, cuja condição já é mais que confortável, eles dizem:
- Você sabe que o melhor lugar do
mundo para mim é no meu trabalho?
- Viajar pra quê? Não sinto a
mínima vontade.
Outro fala:
- Se eu deixar meu negócio quem
cuidará? Tá doida?
Fico observando a correria de
cada um e a minha também ... Há uma urgência e uma pressa de
fazer mais, de ser rápido de fazer melhor... São muitas coisas
para um só dia. O presente vai ficando pequeno, curto, quase
suspenso. O futuro é grande, tudo em nome dele. Precisamos
garantir o futuro. É quase como se estivéssemos presos, pois
pensamos que ser feliz é para depois, descansar é para depois,
gozar a vida... é para depois.
E assim a vida vai acontecendo,
se você dá conta de fazer três coisas, pode dar conta de fazer
dez, vai encaixando, vai dando um jeito... e “as melancias se
ajeitam no balanço da carroça...” outro ditado bom para quando
as coisas estão complicadas.
Depois de uma conversa com um dos
meus irmãos, que sofreu um assalto, com risco de perder a vida,
mas de quem, felizmente, só levaram dinheiro... as perguntas
começaram a vir:
-
Pra que tanta luta?
-
Pra quê tanto esforço?
-
Quase a vida foi embora...
-
Será que é sempre necessário
um acontecimento violento para repensar a vida? A morte de
uma pessoa querida, aposentadoria, doença, perdas de um modo
geral?
-
Será que dá para viver de um
jeito diferente, sem esperar, necessariamente, os limites?
-
Como fazer isso? Alguém aí
tem idéia?
-
Será que é viajar?
-
Será que é dançar?
-
Será que é cantar, conversar,
rezar, relaxar, ficar na rede... ai! meu Deus, isso é
impossível... só aprendi a correr e a me movimentar... se
parar, eu morro.
Fiquei pensando na frase: ”- se
eu parar, eu morro...”
Parar significa se rever... Olhar
para nossa vida dói e dói muito... é melhor correr e trabalhar
para não sentir dor. Ai! meu Deus, como é fácil produzir...
Corre e arruma alguma coisa para eu fazer... Socorro!!! Ai que
delícia é trabalhar!
É preciso aprender, além disso, a
ser gratuitamente feliz, talvez da mesma forma como aprendemos a
só trabalhar.
Para quem só vive para trabalhar,
fazer algo por puro prazer e felicidade, dá uma culpa danada.
Ser apenas feliz, por mais
incrível que pareça, nos força a ousar, a sair da zona de
conforto, nos desafia a buscar uma conexão com a alegria, a
leveza, o bem estar...
Já ser infeliz, no entanto,
parece atrair a simpatia das pessoas para nos ajudar, nos
tornamos vítimas, não precisamos agir porque a responsabilidade
passa a ser do Outro, não minha.
Trabalhar demais é fácil, eu já
comprovei isso.
Agora quero me dar ao trabalho de
buscar um equilíbrio entre trabalhar, ser mestre no que faço, e
me aprofundar na maestria da alegria, da felicidade e do não
fazer nada.
Sei, entretanto, que atualmente
ser feliz, para muita gente, seria apenas ter um trabalho.
Por hora, chega de conversa...
E vamos ao trabalho de buscar
essa tal felicidade.
Outros textos poderão ser encontrados no
site:
www.institutomvc.com.br/Biblioteca
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