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Denise Dutra
Realização Pessoal
A sociedade atual define, muitas vezes, realização pessoal como
um bom emprego, dinheiro e sucesso. Na realidade, o que a pessoa
precisa para realizar-se?
A realização pessoal refere-se à
satisfação de um conjunto de necessidades de ordem fisiológica,
social e, principalmente, psicológica. Extrapola a questão
profissional, pois diz respeito à realização dos sonhos,
objetivos e projetos do indivíduo. Tudo aquilo que aproxima o
sujeito de sua missão pessoal como: a percepção de seu próprio
desenvolvimento e de sua singularidade, o ato de criar, as
conquistas, enfim, tudo que fortaleça a auto-estima do indivíduo
contribui para a sua realização pessoal. Na verdade, esta é uma
questão extremamente complexa e que tem relação com o próprio
sentido da existência humana, porque, além dos aspectos
singulares a cada sujeito, existe uma forte influência do
contexto social e de seus valores: o que é ser feliz para uns,
pode ser totalmente diferente para outros!
Qual a relação do homem e da mulher atuais com o fracasso?
Minha opinião é que sempre foi difícil
para a humanidade lidar com o fracasso, face aos sentimentos de
frustração, de vergonha, de menos valia, de perda, enfim,
sentimentos negativos gerados pela percepção do fracasso. O que
mudou ao longo do tempo, foi a percepção do que seja ‘fracasso’,
tendo em vista os valores da sociedade ao longo do tempo. Creio
que, antes da emancipação feminina e de sua entrada no mercado
de trabalho, a percepção, por homens e mulheres, do sentido de
fracasso, fosse ser muito diferente. Hoje em dia, dado ao papel
e ao espaço que a mulher assumiu na sociedade, as diferenças na
percepção do que seja fracasso devem ser menos acentuadas, e a
forma de as mulheres lidarem com o fracasso também mudou muito,
face ao novo padrão de comportamento que lhe foi imposto por
seus novos papéis. Nós, mulheres, tivemos e, ainda temos, de ser
muito fortes para conquistar e manter o espaço social a que
temos direito e isto, provavelmente, tenha contribuído para
nosso fortalecimento emocional. Se é que já fomos, já deixamos
de ser, há muito tempo, o “sexo frágil”!
Por que as pessoas são formadas, muitas vezes, para serem
verdadeiros super-heróis?
Neste mundo altamente competitivo, as
culturas ocidentais estimularam um padrão de que, quem não for o
melhor, não vai conseguir sucesso! Por outro lado, as demandas
cada vez maiores deste cenário de turbulências exigem múltiplas
competências. Antes bastava ser um super-herói; hoje em dia, a
expectativa das empresas, é que seu executivo tenha todos os
atributos da família dos “Incríveis” (desenho animado):
agilidade, flexibilidade, força, transparência, e além de
outras.
Qual a importância de estabelecer quais realmente são sonhos
próprios e quais são projeções que temos dos nossos pais, dos
amigos ou de pessoas queridas?
A realização pessoal depende da realização
de nossos próprios sonhos. Mas, certamente nossos sonhos, são,
mais ou menos, influenciados pelos sonhos de nossos pais e de
outras pessoas que tenham significado afetivo muito forte em
nossas vidas. O sujeito precisa buscar aquilo que faça
verdadeiro sentido para a sua própria vida, ainda que saibamos
que, para coexistir, é necessário que ocorram alguns ajustes em
nossos projetos, porque sempre vamos depender, em alguma medida,
de terceiros.
Quando a preocupação com a imagem ultrapassa os limites?
Somos seres sociais e, como somos
interdependentes, sempre implicará que tenhamos alguma
preocupação com a imagem que os outros têm de nós. Isto é o que
possibilita o nosso processo de socialização. No entanto, quando
esta preocupação com a imagem torna-se mais importante do que
aquilo que verdadeiramente somos, ocorre uma inversão de
valores, onde a aparência tem mais peso do que a essência!
Como mudar as escolha depois de uma vida inteira apenas fazendo
o que se esperava que se fizesse e perseguir os próprios sonhos?
Mudar não é tarefa fácil! Mas, depende
essencialmente da própria pessoa, do seu desejo, do seu
propósito, dos seus objetivos. Ninguém muda ninguém! É preciso
querer! Toda a mudança depende da consciência de seus
benefícios. Se o indivíduo não estiver feliz e realizado, ele
poderá ir em busca de seus próprios sonhos ou acomodar-se. Esta
atitude dependerá de um conjunto de atributos e condições.
Pessoas que têm um alto nível de motivação, alto coeficiente de
adversidade (resiliência) e que sejam flexíveis tendem a lidar
melhor com as mudanças. O importante é ter em mente aonde se
quer chegar e estabelecer um plano de ação, começando sempre do
mais simples para o mais complexo. Muitas vezes, as pessoas
acreditam que a mudança tem de ser radical, e isto cria
barreiras para as próprias mudanças. As pequenas mudanças, no
cotidiano, levam às grandes mudanças. Tudo depende da
persistência em relação aos objetivos estabelecidos. O
importante é não perder o foco!
Outros textos poderão ser encontrados no
site:
www.institutomvc.com.br/Biblioteca
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