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Francisco Bittencourt
Consultor Sênior do Instituto MVC,
Professor dos MBAs da FGV
PARA ONDE SOPRAM OS VENTOS E OS
RADARES...
Em cenários turbulentos, onde os
movimentos sísmicos cada vez mais assustam a sociedade, e de vez
em quanto ocorrem simultaneamente (recentemente o Chile foi
assolado por terremotos, erupção de vulcões, tsunamis, ao mesmo
tempo...), exige-se das lideranças uma capacidade, cada vez mais
evidente, de manter seus radares acionados, e atualizados em
relação à tecnologia e à sensibilidade.
A Visão dos Liderados
Peter Senge, em sua obra A Quinta
Disciplina
cobra da liderança o cuidado no entendimento das mensagens que
vem das respostas de suas equipes, ao serem submetidas às
condições, cada vez mais adversas e sucessivas, com pequenos
intervalos de tempo em seus ciclos.
Na visão de Peter Senge, são
cinco as respostas dadas pelos liderados, quando frente aos
desafios de suas lideranças: engajamento, participação,
obediência (esta com desdobramentos), desobediência e apatia.
Segundo Peter Senge o engajamento
reflete comprometimento. O comprometimento, para que se
consolide deve estar associado à espontaneidade.
Não há comprometimento se a
decisão for marcada pela livre manifestação de vontade de quem
tomou a decisão.
O engajado, ou comprometido sabe
o que deve ser feito, conhece os caminhos, e fará o que for
necessário para atingir os objetivos.
Se necessário tomará a iniciativa
de consultar a liderança, no sentido de fazer eventuais
correções de rota.
Ao incentivar o engajamento, a
liderança sabe da necessidade de que cada um dos seus
componentes (de sua equipe) conheça efetivamente os objetivos, e
as responsabilidades individuais (de cada um).
Os aspectos positivos de equipes
engajadas é que sabem a hora de chegar, de fazer, do que fazer,
de quanto mudar, de quando parar, e o que é importante, quando
sair de cena.
A autonomia, a delegação e a
liberdade de ação, com cobrança de resultados, é o maior trunfo
(instrumento) da liderança.
Eventuais aspectos negativos tem
a ver com a necessidade individual de independência da equipe,
que pode comprometer de forma efetiva a unidade da equipe. Mas
para estes aspectos, existem os líderes...
A participação tem a ver com o
envolvimento. O participativo tem características muito
semelhantes ao engajado, mas apresenta uma sutil e importante
diferença: só faz o que lhe convém, aquilo que enxerga como
vantajoso para si e para seu sistema.
O participativo se envolve, na
hora em que julga conveniente, da forma que considera adequado
para si e para seu contexto; consulta a liderança quando
considera que sua ajuda vai agregar valor a seus planos; o
participativo vai embora quando considera que seu papel já foi
cumprido.
Os aspectos negativos estão
relacionados com a possibilidade de que os interesses do
participativo possam colidir com a liderança ou mesmo com os
interesses da equipe.
O obediente genuíno faz tudo de
uma forma semelhante ao engajado... menos por um pequeno
detalhe... não tem iniciativa.
Aceita a liderança, se considera
um privilegiado em ter um líder tão eficaz. É bem mandado, faz o
que deve ser feito, desde que orientado ou dirigido para tal.
Não mostra iniciativa em relação
às suas ações, precisa ser comandado ou até guiado, para chegar
ao resultado.
Aspecto positivo pode-se contar
com ele, na medida em que se coloca à disposição da liderança.
Aspecto negativo se tem uma
dificuldade para executar determinada tarefa, não tenha coragem
suficiente para assumir sua fragilidade, ou fraqueza.
O obediente relutante age de
forma similar ao obediente genuíno... a não ser por um pequeno
detalhe.
Considera não ser conveniente
desobedecer ao líder, mesmo que não concorde integralmente com
ele.
Não aceita todas as ponderações
da liderança, mas sabe que não fica bem “ficar mal na fita”,
contrapondo-se à liderança.
Está a um passo de se tornar
rebelde, ou desobediente. Por isso fica na “moita”.
O obediente formal ou hostil, um
perfil com uma pequena diferença do obediente relutante... não
aceita a liderança, mas teme ser marginalizado por ela.
Por isso age exatamente como
manda o protocolo, mas sem o mesmo sentimento. O medo comanda
suas ações, e este é seu principal ponto negativo, pois pode
comprometer todo o mecanismo de ação da equipe.
O desobediente, o rebelde, não
aceita a liderança, não gosta do que faz, e sempre que possível,
se coloca contra os mecanismos e modelos de ação da liderança.
Em relação a ele a liderança deve
agir de forma incisiva. Sua ação (do desobediente) pode servir
de alerta para que a liderança reveja determinados padrões (este
é o aspecto positivo), mas, em contrapartida, sua atuação (do
desobediente) pode provocar cisões na equipe.
Há determinadas situações que o
rebelde discorda da ação da liderança, mas não é capaz de
formular uma opção para consecução dos resultados.
O apático, por sua vez, não sabe
o que quer, não sabe para onde vai, e, na pior das hipóteses
sequer sabe onde se encontra.
Sua ação é marcada pela
desorientação, decorrente de questões pessoais, ideológicas,
patológicas ou mesmo de conveniência.
Os aspectos positivos se
assemelham aos aspectos relativos ao desobediente, lembrando à
liderança a necessidade de rever suas metodologias e aplicações
conceituais.
Como aspectos negativos a sua
marginalização, capaz de provocar cisões na equipe, quer por
desarmonia, quer por manifestações emocionais em relação à sua
desestrutura pessoal (que requerem do líder uma ação proativa,
trazendo-o para a equipe, impedindo seu isolamento).
Constância, coerência,
confiabilidade e integridade
Em contrapartida, exige-se dos líderes uma atenção especial (o
radar acionado), para que a liderança atenda à visão manifestada
pelo mestre Drucker:
A única definição de líder é
alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadoras.
Outras são profetas. Os dois papéis são importantes e muito
necessários. Mas, sem seguidores, não podem existir líderes. Um
líder eficaz não é alguém amado e admirado. É alguém cujos
seguidores fazem as coisas certas. Popularidade não é liderança.
Resultados, sim. Liderança não quer dizer posição, privilégios,
títulos ou dinheiro.
O exercício da liderança contém quatro ingredientes, que lhe dão
tempero e fundamentam sua efetivaçço, em cenários cada vez mais
turbulentos:
-
Constância
-
Não criar surpresas para o grupo, ser
coerente e manter-se no curso planejado; a ação da
liderança deve ser pautada pela manutenção de um perfil
de comportamento que permita, à sua equipe, agir de
forma equilibrada em relação ao seu modo de agir.
-
Os aspectos positivos, sem dúvida são os
geradores de harmonia na equipe, a possibilidade de
solucionar problemas sem que os conflitos excedam as
soluções; os aspectos negativos tem a ver com a
substituição da constância pela falta de ação proativa,
o líder, como não oferece nem se permite opções tende
sempre a utilizar a mesma metodologia para enfrentar
suas situações.
-
Coerência
-
Fazer o que diz; não há diferença entre
as teorias abraçadas e os atos praticados; a forma de
agir coerentemente permite ao líder oferecer à equipe o
amadurecimento de suas ideias e posições.
-
Na medida em que o discurso está aliado à
prática percebe-se, de forma evidente que o conjunto de
ações permite utilizar experiências anteriores e,
associando ao aprendizado, estabelecer uma nova forma de
agir, sem comprometer o conjunto.
-
Os aspectos negativos estão associados à
incapacidade da liderança de estabelecer uma revisão de
padrões, se a situação assim o exigir ou merecer uma
reflexão dos métodos de trabalho.
-
Confiabilidade
-
Presença em situações-chave, apoio a
colaboradores no momento em que isso realmente importa;
a capacidade da liderança atender aos interesses da
equipe, quando perceber ser isso necessário.
-
A possibilidade da liderança se mostrar
presente, não só fisicamente, mas também e
principalmente com o suporte ideológico e metodológico,
que permitirá à equipe agir com autonomia (definida, de
forma consensada, previamente).
-
Os aspectos negativos poderão ser
percebidos se a liderança, inadvertidamente não levar em
consideração a necessidade de negociar com a equipe
eventuais alterações de rota, para superar problemas ou
dificuldades, operacionais, ou de relacionamento.
-
Integridade
-
Cumprimento de seus compromissos e
promessas.
-
O líder deve mostrar-se por inteiro,
entendendo as razões e a subcultura de seu grupo, e com
isso revelar-se conhecedor de suas expectativas e
necessidades.
-
A manutenção de segredos, apresentando
somente o que for conveniente para ele, líder, será
percebida como um fator negativo, desagregador da união
da equipe, e por consequência, com impactos negativos na
sua produtividade e eficácia.
CONCLUSÃO
Pode-se afirmar que a qualidade da rede de relacionamentos do
líder e a sua credibilidade
são a locomotiva que vai puxar a equipe e levá-la ao resultado
esperado. Se o líder estiver atento a estes dois componentes,
sem dúvida o conjunto de fenômenos gerado pelo seu estilo e
modelo de liderança permitirão a consecução de metas e
objetivos.
Segundo Meg Wheatley,
para desenvolver uma compreensão total
de um problema complexo e para saber o que fazer para
resolve-lo, há cinco atividades a serem realizadas em sequência:
-
Esfriar, aquietar:
curiosidade e paciência;
-
Enriquecer por meio da
oposição produtiva: respeito e pensamento claro;
-
Magnetizar recursos:
generosidade e paciência;
-
Destruição cirúrgica:
disciplina e discernimento;
-
Ação inteligente: empenho,
trabalho em equipe e aprendizado.
Ainda segundo a autora é importante que, na medida em que nos
proponhamos usar a liderança como um instrumento de obtenção de
resultados eficazes que sejamos capazes de
escolher processos que despertem nossa
curiosidade, nossa humildade, nossa generosidade e nossa
sabedoria. Como benefício final, aprendemos, mais uma vez, que é
sábio trabalhar em conjunto.
Esta pode ser uma reflexão
significativa para os tempos turbulentos de agora e sempre.
DRUCKER, Peter.
Desafios gerenciais para o século XXI.
São Paulo: Thomson
Learning, 2001.
Outros textos poderão ser encontrados no
site:
www.institutomvc.com.br/Biblioteca
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