insight MVC 24


Abril / Maio de 2000

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EDITORIAL

Conversando com meu amigo e consultor LUÍS ERNESTO MEIRELES, falávamos sobre mudança. Ele, psicólogo, lembrou que, no final do século passado, o "senso comum" fazia com que as pessoas acreditassem que as mudanças se dariam após o acontecimento de um dado evento traumático, de forte significado psíquico. Essa crença também ganhava força junto aos estudiosos do comportamento humano. Já nessa época, FREUD, contrariando essa crença, dizia que os "acontecimentos traumáticos" funcionavam apenas como meros catalisadores, como "a gota que faltava" para que o processo de mudança fosse desencadeado. Um acontecimento isolado, por mais significativo que fosse, não teria, segundo FREUD, o poder de, sozinho, provocar mudanças significativas nas vidas das pessoas, fazendo-as rever prioridades, relações etc. O que, de fato, provoca mudanças que não sejam apenas "cosméticas", superficiais, é uma cadeia de acontecimentos interligados e que guardam, entre si, algum tipo de lógica ou coerência.

A pergunta que fica é: Será preciso sofrimento para mudar?

Acredito que não, necessariamente. Mas é inegável que quanto mais tempo retardamos o processo de mudança, maior é a possibilidade de sofrermos. Em outras palavras, quanto mais tememos "sofrer" por ter que tomar a decisão de mudar, mais sofremos de verdade por não termos mudado ainda.

Costumo dizer que um grande indicador da necessidade de mudar é quando deixamos de sentir paixão pelo que fazemos. Quando a paixão acaba, a rotina inunda nosso dia-a-dia e nos traz o perigoso conforto da acomodação e previsibilidade.

Aqueles que estão no "negócio" de Gestão de Pessoas, mais do que outros, precisam "adubar" sua paixão para que ela mantenha sempre seu crescimento. Além disso, ao projetarem ações que têm como objetivo provocar mudanças nas pessoas dentro das organizações (programas de treinamento, seminários, coaching etc.), devem levar em conta que é necessária uma série de eventos significativos que precedam a qualquer intervenção de maior impacto.

Nas expedições de aventura e nos lançamentos de foguete, há um conceito relacionado às condições meteorológicas chamado de "janela de oportunidade". É quando estão reunidas, em um só tempo, as condições ideais para se "dar a partida". Se essa janela é perdida, terá que se esperar todo um novo ciclo (que, às vezes, pode demorar mais de um ano) para que surja uma nova "janela de oportunidade.

Vamos pensar se andamos apaixonados ou acomodados. Se estamos fazendo coisas apenas dentro da nossa "zona de conforto". Se for assim, é hora de dar uma avaliada nos últimos acontecimentos (especialmente os pouco agradáveis) e ver se eles guardam alguma correlação entre si. Nesse caso, é hora de aproveitar a "janela" que se abre a nossa frente e empreender um forte processo de transformação. Aí, sim, um acontecimento de impacto fará o efeito de provocar as mudanças desejadas.

COSTACURTA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O CAMPEÃO DE HORAS EXTRAS 

Fernando Henrique da Silveira Neto

CONSULTOR DO INSTITUTO MVC

 

 

São nove e meia da noite e estou dobrando à direita na Paulista, saindo da Pamplona. Acabei de jantar e vou pegar a sessão de cinema das dez logo adiante. Enquanto percorro a avenida, lembro-me de Tom Jobim, que, parafraseando Fernando Sabino, dizia que a melhor visão que se podia ter de Nova Iorque era de maca! Sem ter uma maca à mão naquele momento, olho para cima para melhor apreciar os belos edifícios da Paulicéia e vejo muitos escritórios acesos, gente circulando com papéis na mão, salas com reuniões em andamento e a mesma cena se repetindo a cada novo prédio. Estou indo para o cinema, mas parece que já estou assistindo ao curta-metragem que antecede o filme principal. Um curta meio chato e repetitivo.

Comecei então a especular sobre que título dar ao curta ao vivo a que eu estava assistindo naquele instante. Que tal O campeão de horas extras, ou Vai trabalhar vagabundo II, ou 14 horas diárias de emoção, ou ainda Será que meu chefe já foi embora? Finalmente cheguei no cinema para assistir ao Buena Vista, bem mais interessante do que aquele curta que passa todas as noites na Paulista. Até gostei de brincar com o assunto, mas ele é bem mais sério do que isso. Em seu recente livro O Futuro do Trabalho – Fadiga e ócio na sociedade pós-industrial, Domenico De Masi lembra que, antigamente, quanto mais rica, menos a pessoa trabalhava. Podia se dedicar a si, à família e aos amigos. Hoje, quanto mais rico, mais o homem trabalha. E não tem tempo para si próprio, para a família e muito menos para os amigos.

Por quê? Por que tanta gente trabalhando depois do expediente, lamentando-se que não consegue jantar fora, nem conversar com seus filhos, nem ir ao cinema de vez em quando? Por que há pais trabalhando até dez da noite, enquanto seus filhos estão desempregados?

São as exigências do mundo globalizado e de competição acirrada, dizem uns. É a busca de maior produtividade depois da reengenharia, que mandou metade do pessoal embora, dizem outros. É devido ao período de grandes mudanças pelo qual a empresa está passando no momento (argh…).

Pois eu digo que não é nada disso. Ao serem analisados com mais sensatez e sinceridade os reais motivos que levam as pessoas a ficar no trabalho depois do horário, não é difícil descobrir vários deles. Eis alguns:

  1. Ausência de outros interesses na vida. Quantas vezes já fiquei surpreso numa conversa com a falta de interesse ou conhecimento de certas pessoas por outra coisa que não fosse seu trabalho. Teatro, cinema, viagens, livros, música, amigos, nada disso fazia parte do repertório delas. Aliás, minto: futebol alguns conheciam bem. Já basquete, vôlei, tênis, natação, atletismo…. Pessoas assim não precisam nem querem chegar em casa cedo. Para fazer o quê? Para ligar o computador e continuar trabalhando? O pior é que muitas delas medem os outros por si próprias e, se são gerentes e diretores, seguram seu pessoal até mais tarde, pois assim pelo menos vão ter companhia no escritório. E que tal disfarçar isso usando seu poder e convocando uma reunião de revisão de metas para as oito da noite?
  2. Valorizar o fato de estar trabalhando em vez de resultados obtidos. Em muitas empresas, é comum se ouvir um já vai? quando se sai no horário. Por que ninguém diz que bom para você, já terminou seu trabalho. O fato é que muitos até são eficazes, mas, por medo de sair no horário, ficam além do expediente para não serem vistos como não cooperativos ou não engajados no esforço de toda a equipe. Resultado: a saída se dá na hora em que o mais ineficaz da equipe termina seu trabalho ou está tão cansado que já não diz coisa com coisa e resolve ir embora. Assim, estão mantidas as aparências, ninguém destoa no time e a equipe parece coesa.
  3. Falta de respeito pelo outro. Em frente à escola de seu filho há uma fila dupla de carros despejando crianças (é bom lembrar que elas estão num período de aprendizado), você reclama e não vê outra solução senão inaugurar a fila tripla para largar seu pimpolho. No metrô, os assentos destinados a gestantes e idosos estão cheios de rapazes e moças de cabeça baixa (ou fingindo cochilar), esperando para ver se aquela velhinha que entrou agora senta num lugar cedido por alguém que não eles. No supermercado, você aperta todos os pães com a mão que acabou de pegar garrafas de refrigerante para verificar os que estão mais frescos. Na fila do banco, torce para não chegar mais nenhuma pessoa de idade e ser logo atendida (e quando você for uma delas?) Por que então abrir exceções e respeitar o tempo dos outros?
  4. Desestruturação ou desorganização dos processos e métodos pessoais de trabalho. Gosto de visitar o local de trabalho dos outros: sua mesa, sua tela de computador, seus arquivos e pastas. Quantos poderiam gastar metade ou 1/3 do tempo que gastam hoje se ao menos fossem mais organizados e disciplinados com essas coisas? A carteira de habilitação está vencida. Estão sempre no cheque especial, pois as contas estão em débito automático e o saldo vive negativo por falta de verificação periódica. E é claro que no trabalho o ritmo é o mesmo: virada hoje e amanhã para entregar aquele trabalho que ficou esquecido desde a semana passada e que está sendo agora cobrado com urgência pelo cliente (como é que eu fui esquecer logo disso, meu Deus?) Para quem gosta de adrenalina….
  5. Crença nos valores da sociedade industrial em plena era pós-industrial. É bom lembrar novamente De Masi dizendo que com a revolução industrial, veio a migração para as cidades em busca de emprego, pois as indústrias eram rudimentares e absorviam muita mão-de-obra. E, para produzirem mais, os operários enfrentavam jornadas estressantes de 14 a 15 horas diárias. Mas na primeira metade do século XX o advento de técnicas científicas de gestão e de produtividade fez aumentar o volume produzido, diversificou a oferta e melhorou a qualidade dos produtos. E, na segunda metade daquele século, a eletrônica e a informática se incumbiram de ampliar tudo isso de forma mais limpa, mais rápida, mais barata e miniaturizada, e principalmente com muito menos gente trabalhando. Mas tem gente que ainda acha que trabalho e resultados devem representar também suor e muita carga horária.
  6. Medo de admitir que sua carga horária vai diminuir. Antes da revolução industrial, operários e escravos trabalhavam poucas horas por dia, camponeses trabalhavam apenas durante o plantio e colheita, ficando inativos pelo resto do ano. Diversas festas pagãs e depois cristãs preenchiam o resto do tempo. E tudo indica que, passada a fase industrial, retornamos a tempos parecidos com aqueles. A automação está acabando de tirar do homem o trabalho de fazer com as próprias mãos, e a informatização já está adiantada em seu trabalho de nos tirar parte também do pensar e decidir. O que nos restará senão criar ou usufruir? Muitos ainda não se deram conta disso e não sabem ainda o que fazer numa sociedade de lazer, com pouquíssimas horas de trabalho.
  7. Pavor do desemprego. É verdade, muitos se sujeitam calados a toda e qualquer imposição no trabalho desde que não sejam demitidos. Acho difícil argumentar contra tal atitude, pois o instinto de preservação fala mais forte nesses momentos. E muitas empresas fazem esse jogo sujo com seu pessoal (não gostou, tem gente na fila de espera pronta para sentar no seu lugar). Mas conheço gente competente, que tem mais de um emprego garantido no mesmo dia em que pedir demissão de tais lugares, e se sujeita a isso porque não acredita em seus próprios talento e capacidade.
  8. Certeza de que existem pessoas indispensáveis. Se eu não fizer, sei que ninguém conseguirá fazer, pois essa carga de trabalho só mesmo eu agüento. Quem mais faria isso? Se quiserem me substituir, vão ter que arranjar três para fazer o que faço, e eles não são loucos de me mandar embora agora (nem nunca!). Convencido de seus próprios argumentos, trabalha 14 horas por dias, muitas vezes aos sábados. Enquanto isso, seus chefes estão fazendo as contas: fulano custa tal e rende tanto, sem esquecer que gasta mais energia, mais material, mais equipamento, o risco é alto porque apenas um está fazendo o trabalho (e se ele adoecer?), a segurança precisa ter mais gente até mais tarde etc. etc. etc. E decidem que é melhor minimizar riscos, contratar gente nova, mais barata e que faça aquele trabalho dentro do horário do expediente. E dispensar o funcionário indispensável.
  9. Aplicar o velho truque de esticar o trabalho. A idéia central é aumentar e valorizar o tempo de cada atividade, de modo que as horas do dia se esgotem e falte tempo para terminar as tarefas. Pronto, estão justificadas as horas extras. Pensam que isso é novidade. Engano. Nos idos de 1957, C. Northcote Parkinson escreveu o clássico A Lei de Parkinson, traduzido para o português pelo grande humorista Silveira Sampaio, e a primeira frase do Capítulo I diz que o trabalho aumenta a fim de preencher o tempo disponível para sua conclusão. Querem coisa mais atual quase 50 anos depois? Não sou dono da verdade e queria ser contestado, mas minha experiência de 20 anos trabalhando em muitas empresas com programas de Organização Pessoal e Tempo diz que apenas 1 em cada 5 profissionais precisa de 8 horas diárias efetivas de trabalho, e 1 em cada 20 realmente precisa fazer horas extras em períodos críticos, mas não necessariamente todos os dias.
  10. A segurança no trabalho e a insegurança em casa. Coisa de polícia, assaltantes na rua e problemas da cidade grande? Nada disso. No trabalho eu sou gerente, diretor, executivo ou sei lá o quê, o fato é que mando e todos obedecem, tenho um poder que não é contestado e que exerço ao meu bel-prazer. Já em casa, meus filhos são adolescentes e sabem mais informática do que eu, lêem mais do que eu, navegam muito mais do que eu e estão a par de novidades que desconheço em absoluto. E eu preciso dialogar muito mais e convencê-los em vez de dar ordens. Minha mulher é preparada, e a opção de não trabalhar para criar os filhos precisa ser reconhecida e premiada (se é que eu sou um cara justo). Ou minha mulher trabalha e tenho também tarefas em casa que devo fazer e prestar contas. Meus pontos de vista são às vezes questionados, recebo conselhos de como me vestir e me portar, críticas de como tratei meu pessoal no escritório e de como conduzi os negócios. Ah, no trabalho é mais seguro!...

Você leu tudo até agora e conhece muita gente que se enquadra em cada um dos pontos acima, mas, graças ao bom Deus, você mesmo não se enquadra em nenhum deles. Que bom. Nas palavras do grande economista John Maynard Keynes, você está pronto para se encontrar com seu verdadeiro e constante problema, que é como empregar o tempo livre que a ciência e o conjunto de interesses terão ganho para que você viva bem, agradavelmente e com sabedoria. Keynes escreveu isso em 1930 para seus netos, como uma visão e antecipação do futuro. Só que esse tempo vislumbrado por ele é agora.

Mas, se você se enquadra em um ou mais pontos citados acima e ainda não está preparado para esquecer as horas extras, vamos lá, não desanime. Sempre é hora de pensar e mudar. Boa sorte.

 

OBS.: Material retirado do Seminário Planejamento, Organização do Trabalho e Gestão do Tempo como Diferencial Competitivo.

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AINDA ESTÁ EM TEMPO

Eraldo Meireles

Consultor do  INSTITUTO MVC

Uma de minhas netas surpreendeu-me mais uma vez há alguns dias. Aliás, os netos espantam-nos todos os dias neste mundo informatizado que eles dominam muito melhor do que qualquer um que já tenha passado dos 50 anos.

E a surpresa veio sob a forma de mais uma daquelas perguntinhas embaraçosas tão bem catalogadas por Pedro Bloch em seu delicioso livro Criança diz cada uma ... .

- Vô, o que é corrupção? Perguntou-me a Marcella na inocência de seus 8 anos.

Enquanto eu tentava exemplificar com uma historinha infantil, ela logo acrescentou outras perguntas sobre "banda podre" , tráfico, impunidade e outras palavras tão em uso nos noticiários de nossos meios de comunicação.

Ora, se até nossas crianças estão sendo afetadas por estas palavras e seus significados, alguma coisa muito séria – imagino – está acontecendo em nossa sociedade já tão assustada e impotente diante da violência banalizada, ainda mais crescente que campeia pelas ruas de nossas cidades e invade nossas casas.

As perguntas de minha neta que me levaram a estas reflexões fizeram-me pensar também na hipocrisia social, nas mentiras, na desfaçatez e na cara-de-pau com que tantos tentam justificar crimes, assaltos, seqüestros, roubos, desvios de dinheiro público, agressões e bandidagem de todo tipo, como se quem os pratica fosse vítima da sociedade e não autor de delito merecedor das penas mais severas.

Em nossos programas de negociação e de vendas, um dos assuntos sempre recorrente e enfatizado é a ética que deve nortear o comportamento, as atitudes e as ações dos negociadores, compradores e vendedores. E, inevitavelmente, surge a questão: como proceder diante de negociadores, compradores ou vendedores que fazem propostas fora de padrões éticos, que oferecem ou solicitam propinas, subornos ou "algum por fora"? .

Em algumas situações estas propostas chegam ao nível de uma aparente naturalidade, como se a desonestidade, o mau caráter, a indignidade pudessem ser considerados como algo normal nas relações entre as pessoas, como alguma coisa institucionalizada ou que fizesse parte da cultura, dos valores ou dos padrões de comportamento de um povo.

É certo que a quebra de alguns valores morais em significativas camadas sociais, que se constituem em formadoras de opinião, por sua importância política e econômica, tem contribuído para esta situação. Não são raros os exemplos de corruptos bem-sucedidos, sempre protegidos por poderosos ou amparados por uma legislação benevolente e confusa que sempre permite que chicanas jurídicas protelem decisões, impeçam o cumprimento de outras e acabem por fazer com que tudo caia no esquecimento ou até que um novo escândalo ocupe as atenções da mídia e da população.

Por outro lado, não pode ser esquecido o pai que tenta subornar o guarda de trânsito ou que permite que seus filhos fiquem com brinquedos que não lhes pertencem, ou ainda os "espertos" que burlam as leis, trafegam pelos acostamentos, excedem os limites de velocidade, "furam" as filas, usam de postos, cargos, mandatos e patentes para levar vantagem, desrespeitar as leis, fazê-las ou usá-las em benefício próprio.

Ora, todas estas coisas têm contribuído para a deterioração daqueles valores a que nos referimos e, com certeza, estão criando uma ética moderna (como se isto fosse possível !!!) e fazendo com que nossas crianças, se não forem bem encaminhadas, acabem por optar por elas também. Será que ainda dá tempo ou já não há mais jeito?

 

OBS.: Material retirado dos Programas de Vendas e Negociação do INSTITUTO MVC.

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SEU CORPO É UM DIFERENCIAL COMPETITIVO?

Eunice Mendes

Consultora do INSTITUTO MVC

 

Você já pensou no seu corpo como um grande diferencial competitivo nas apresentações em público?

Ele poderá ser ou não, dependendo de como você encara a sua missão de se apresentar perante uma platéia.

Longe das ferramentas high-tech, independentemente das estratégias comerciais mais bem elaboradas, a linguagem corporal é algo que pode e deve ser otimizado nas relações interpessoais mediante treino constante das habilidades verbais e não-verbais

Podemos potencializar a capacidade de expressão física e a forma como nos apresentamos. Esse diferencial depende, única e exclusivamente, da nossa compreensão quanto à importância de cada gesto que permeia a interação humana.

O corpo é um mapa fidedigno de nossa história pessoal.

Nele está inscrito tudo aquilo que vivemos, todas as emoções...

Não reconhecer o que os movimentos corporais revelam é não reconhecer a memória do nosso passado e a cara do nosso presente.

O corpo é um espelho altamente revelador do inconsciente. Ele mostra flashes da personalidade, expõe crenças, valores, preconceitos, forças e fragilidades do caráter. Não nos deixa mentir e escancara os segredos mais íntimos... Não adianta, mesmo que não queiramos, nosso corpo fala e, às vezes, grita! Ele trai o que a palavra insiste muitas vezes em esconder, ele tira os véus e desnuda quem realmente somos...!

As mensagens que emitimos por meio do nosso corpo constroem aquilo que temos de mais verdadeiro e substancial. A linguagem corporal, quando bem utilizada, ajuda a dizer o indizível, a dar forma a um sentimento e a concretizar as imagens das emoções mais verdadeiras.

Como apresentadores, exercitando o nosso ofício de transmitir idéias com naturalidade, envolvemos, além da palavra, o jogo fisionômico, a postura cênica, a flexibilidade dos músculos, o domínio das expressões faciais, dos movimentos de braços, pernas e quadris.

A platéia lê pela nossa linguagem corporal o nosso humor, nosso medo, nossa atitude defensiva ou receptiva. Sabe-se que 55% de nossas comunicações são viabilizadas pela expressão do nosso corpo. A fala do corpo pinta a forma das palavras.

Os sinais involuntários do corpo, assim como os sinais externos (constituição física, forma de andar, jeito de se vestir, penteado) são pistas que revelam ao público quem você é, como pensa e vê o mundo.

Daí a importância da lapidação verbal e não-verbal para que o sentimento, a ação, a palavra e os movimentos corporais atendam à necessidade primordial da inteireza e congruência da mensagem, num todo afinado e integrador, resultando numa comunicação sem barreiras.

Sempre que você se apresentar em público, mesmo em ocasiões informais, os gestos devem ser claros e expressivos, porque isso ajudará a reforçar, a complementar e a compreender melhor as idéias. Mas, fique atento, pois o excesso deles não substituirá a falta de conhecimento sobre o assunto e comprometerá a apresentação.

Quando se trabalha bem a postura corporal e sabe-se em que momento gesticular ou quando usar a expressão facial da forma mais natural, pode-se então proporcionar imagens marcantes e exatas sobre as informações que se comunica. Dessa forma, a tradução das idéias fica mais fácil, deixando a apresentação mais rica e multidimensional. O segredo para isso são os gestos ordenados, rítmicos, seguros e harmoniosos.

Vejamos algumas técnicas facilitadoras:

  • Procure conhecer o impacto que a sua linguagem corporal provoca nas platéias. Isso ajuda no processo de autoconhecimento e permite identificar o que nos aproxima ou nos afasta das pessoas.
  • Quando estamos nos comunicando, precisamos sentir nosso corpo muito firme no chão. Imagine um fio que sai da terra, passa pelas pernas, pela cabeça e alcança o teto. É um fio flexível, mas firme, que sustenta muito bem a estrutura corporal e evita que ela desmonte, conferindo maior domínio físico e permitindo uma dança mais equilibrada dos gestos. Os pés e pernas devem ficar paralelos sem estarem enrijecidos. Para isso dê uma ligeira "quebradinha" nos joelhos.
  • Evite a postura subserviente: os ombros caídos, o olhar baixo, as costas curvadas e uma expressão de desamparo não contribuem para uma comunicação efetiva. Em contrapartida, um nariz empinado, olhos ameaçadores, queixo erguido e ar de superioridade costumam criar um distanciamento da platéia e uma certa animosidade.
  • Estabeleça a interação visual. O ser humano gosta de ser olhado, valorizado e aceito. Olhe para as pessoas e não por cima de suas cabeças. Os olhos existem também para promover o diálogo silencioso do contato visual.
  • Quando se sentir tenso, olhe para a pessoa que lhe parecer receptiva, guarde essa imagem dentro de você como uma âncora positiva e prossiga com sua palestra. Caso haja um olhar hostil por parte de um espectador, evite-o durante algum tempo, até você ficar mais seguro. A rigidez muscular interfere na harmonia dos gestos.
  • A segurança e simpatia com que olhamos nossa platéia são alavancas importantes para o envolvimento e a busca da sintonia com a platéia. Olhe com simplicidade para seus ouvintes. Deixe-os perceber que você está querendo realmente promover a integração.
  • Cuide das expressões faciais. Elas são o termômetro das emoções do comunicador. Por meio delas depreendem-se a afetividade, a segurança, a autoridade sobre o assunto, o entusiasmo e a crença na mensagem que está sendo transmitida. O jogo fisionômico expressivo desperta o interesse da platéia, envolvendo-a numa sintonia fina que valoriza a força da apresentação.
  • Se o assunto permitir, exiba o seu melhor sorriso, aquele que reflete o seu lado mais bonito. O sorriso espontâneo e natural é um convite ao público: "a porta está aberta, seja bem-vindo". Os espectadores tendem a sentir-se mais à vontade diante de pessoas com sorriso franco, receptivo.
  • Procure seguir os elementos regularizadores da gesticulação eficaz:
    • espaços pequenos pedem gestos menores;
    • espaços abertos, grandes, pedem gestos amplos;
    • o gesto precisa vir acompanhado de uma intenção de estar sintonizado com a palavra.
  • Não utilize gestos exagerados e estereotipados.
  • Deixe que as mãos acompanhem naturalmente a sua fala. Se não souber o que fazer com elas, deixe-as ao longo do corpo. Aos poucos elas encontrarão espaço para expressar-se.
  • Fique atento para que seus movimentos estejam alicerçados numa idéia que os fortaleça e ganhe significado na transmissão da mensagem.
  • Sintonize os movimentos corporais com a palavra, buscando o equilíbrio.

Não basta que o corpo se expresse: é preciso que ele se comunique! Para isso é necessário fazer uma análise objetiva da força e da coerência da nossa comunicação não-verbal. O corpo é um instrumento que, se bem afinado, promove maior harmonia e maior consistência da mensagem.

Se quisermos conquistar a autenticidade da linguagem corporal, é preciso que haja uma intenção bem formulada e adequada da mensagem. Se isso não estiver bem definido, a gestualidade resultará em movimentos vazios, em falta de credibilidade, causando perturbação nos espectadores. O ideal é que a comunicação não-verbal ilumine a apresentação e não se torne uma sombra que diminua o poder e a dimensão positiva das idéias veiculadas.

É necessário trabalhar pelo gesto vital! Os movimentos podem propiciar beleza, plasticidade, consistência e força simbólica à mensagem: gesto e palavra devem estar ajustados à excelência do processo comunicativo.

Enfim, observe se a sua postura está casando com a sua personalidade, treine e aprimore-se, seja mais autêntico em suas comunicações formais e informais, encante os seus ouvintes e... Sucesso!

OBS.: Material retirado dos Programas de Comunicação com Foco em Resultados e Técnicas de Apresentação em Vendas.

 

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SOCORRO, MEU MARIDO ESTÁ DESEMPREGADO!

Leila Navarro

Consultora do INSTITUTO MVC

Em plena saúde profissional, com um ótimo salário, elogiada pela competência e criatividade, procurada até por empresas no exterior, Marta enfrentava um dilema: seu marido estava desempregado. Sentir-se culpada? Recusar propostas interessantes e se solidarizar a ele?

Pode parecer estranho, mas é o que acontece com muitas pessoas. O boicote emocional é tão comum, porque o mundo mudou de tal forma, que profissionais bem qualificados costumam aceitar trabalhos inferiores à sua capacidade por medo de morrer na praia, esquecido pelo mercado. Se sua mulher ou marido estão em posição privilegiada, esse profissional vai arrasar com sua auto-estima, levando em grande parte a auto-estima do companheiro. Esse acabará achando que também não merece, porque precisa estar à altura, ficando muito aquém de suas reais possibilidades.

Marta, aos poucos, tornou-se apática e desmotivada, porque acreditava que, assim, Roberto se sentiria melhor. Pele seca, cabelos fracos, alergias pelo corpo. Esse foi o saldo por acompanhar o marido nas agruras profissionais.

Por que muitos executivos não conseguem ganhar o dinheiro de que gostariam? Pode perceber que 100% deles, pensam como Marta: "Tenho que me equipar a meu cunhado, a meu irmão e à minha família." Se alguém lhe perguntar quanto você aceita ganhar, a resposta imediata será uma quantia bem inferior a que ele julga justa, mas, por vergonha ou falta de autoconfiança, não aceita a soma com a qual estaria satisfeito.

Ao contrário do que muita gente pensa, o fato de que postos de trabalho são artigos escassos não significa que você tem que aceitar qualquer oferta, pois isso não vai trazer felicidade para ninguém, nem a você e nem à equipe da qual faz parte. Certa vez, uma pessoa que conheci pediu demissão e foi muito criticada por um amigo, a quem respondeu: - Posso estar pulando no escuro, mas não estou desprotegida. Tenho meu pára-quedas! São as minhas competências e minha vontade de mudar. Isso vale mais do que um emprego garantido.

Se você não está utilizando todo seu potencial e não enfrenta um desafio que seja, desista já e parta para a conquista de seu sonho. Invista em você, empreste suas habilidades à organização, onde seu potencial poderá ser "espremido".

Temos que entender que o ser humano tem de ser S.A (você é o produto, a marca, o capital e o serviço). Vence quem tem atributos e estilo de vida compatíveis com a empresa em que trabalha.

Ao conversar com o Roberto, marido de minha amiga Marta, observei o quanto profissionais excelentes sentem-se acuados em procurar suas verdadeiras vontades. As oportunidades estão aí. No entanto, é fácil perceber a cegueira de quem só pensa: quero trabalhar. Não, isso está errado. Você tem que desejar de verdade, estabelecer um objetivo.

"Quero trabalhar na empresa X, porque, se ela não existisse, gostaria de criá-la e aplicar todo meu conhecimento", essa é a sentença correta.

Quando sabemos o que queremos, criamos um magnetismo, em que tudo começa a acontecer. E não é sorte, é foco. São essas quatro letras que farão você aceitar o fato de que pode ganhar mais do que seus familiares e amigos. Ajudarão a desenvolver as competências necessárias para remar em águas turbulentas.

Por onde começar? Estabeleça um planejamento estratégico de como você vai se administrar no mercado de trabalho, como poderá ser um produto desejado. Portanto, saiba quem é você hoje, o que quer. Dessa forma saberá o que realmente vai oferecer e o que procurar no mercado.

Para quem ainda acredita que querer é poder, um aviso: Vá à luta! Temos que aprender a lidar com o mundo agitado, a enfrentar situações inesperadas e saber como subir no cavalo novamente. Deixar de lado queixas e lamentações, parar de sentirmos pena de nossa própria personalidade, acabar com as desculpas. Atitudes como essas nos farão felizes e competentes.

Acredito que uma das maiores causas de estresse, fadiga e medo é a indecisão.

Percebo nas pessoas que conheço - e que considero bem resolvidas - calma, compreensão, disponibilidade atenciosa dentro do limite, pois seguem o seu caminho determinadamente. Por saber muito bem qual a sua missão, competências e habilidades, não tomam para si a tarefa que é de cada um: descobrir o talento de ser feliz.

A busca do verdadeiro sentido da vida é um compromisso pessoal, intransferível, que vai nortear a possibilidade de descobrirmos o caminho da nossa felicidade pessoal e da humanidade. Quanto mais me comprometo comigo mesmo, mais me comprometo com os outros.

OBS.: Material retirado das palestras da autora no INSTITUTO MVC, Talento pra Ser Feliz, Um Novo Milênio, Uma Nova Empresa, Um Novo Ser Humano.

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EMOÇÃO – A LINGUAGEM DA DIVERSIDADE !

Denize Dutra

Consultora do INSTITUTO MVC

Os efeitos da globalização da economia, apesar de muito questionados em aspectos de vantagens x desvantagens, acabam por irradiar-se diretamente em nossas vidas de uma forma ou de outra. Na minha vida em particular, o fato de o mundo ter se tornado uma "aldeia global" proporcionou-me um imensurável crescimento profissional e pessoal. Desde meados de 98, trabalhei com mais freqüência no eixo Rio de Janeiro – Lisboa e Cabo Verde do que para as capitais brasileiras…Estas experiências me levaram a refletir que, muito além de sabermos lidar com as diversidades culturais, precisamos é saber lidar com as diversidades pessoais. E, neste caso, só existe uma linguagem que é verdadeiramente universal – a linguagem das emoções humanas.

Muito mais do que Língua Mãe e de alguns hábitos transmitidos pela Cultura Colonizadora, temos em comum o fato de sermos gente que deseja, sonha, faz projetos, tem receios, certezas ou incertezas, se arrisca ou resiste ao novo… enfim, com todos os paradoxos dos sentimentos e do psiquismo humano, expressos no riso, nas lágrimas emocionadas….

Diferenças na Língua, devido a influências de outras culturas, descaracterização de alguns hábitos, motivos para piadas, provocações, brincadeiras…. Vale notar na música… samba, fado ou morna ???

Posturas mais informais nos brasileiros e cabo-verdianos, geralmente mais formais (e cautelosas) entre os portugueses e moçambicanos, mas essencialmente as mesmas reações diante do lúdico, do novo, o mesmo comportamento em relação ao processo grupal. No início os "ares" um tanto desconfiados ou no mínimo curiosos, exprimindo: "Onde vamos chegar com isto ? " "Será que convém me expor ?"… Um certo sentimento de " estar sendo ridículo" por estar brincando como crianças, … incertezas e receios em ser aceito pelo grupo…

Promovidas as oportunidade de "quebrar o gelo", de aproximar as pessoas em face das descobertas de afinidades, de integrar o grupo num mesmo objetivo, de pactuar regras, podemos perceber um salto qualitativo, uma sinergia, um clima totalmente favorável de aprendizagem, em que já nem se percebem as diferenças no falar português, " brasileiro" ou crioulo (dialeto de Cabo-Verde).

Saímos da fase de inclusão, seguem-se as atividades e começam as associações entre o que se passa na sala de formação (como chamam os portugueses e cabo-verdianos) e os problemas reais do trabalho. As discussões ficam mais inflamadas, as diferenças nas análises das causas, dos efeitos e das buscas de soluções. Instala-se um aparente caos.

É difícil a arte do consenso. Uns acham que "...se cedo pareço mais fraco que os outros ou Maria vai com as outras...", outros "...se mantenho a minha posição, demonstro ser rígido, não saber trabalhar em equipe…" Enfim, ou chega-se a um consenso, ou como ocorreu numa experiência recente, decidiu-se que não há uma solução comum a todo grupo e apresentam-se duas propostas aparentemente antagônicas… Como diria meu amigo Biscaia, supera-se a " tirania do OU" e vence o "paradoxo do E" .

Restabelece-se a "ordem", harmoniza-se, reforçam-se os aspectos positivos durante as avaliações, para que o encerramento seja um espaço para um turbilhão de sentimentos agradáveis pelo convívio e enriquecimento, em que a motivação mistura-se com sentimentos de perda "pelo desfazer do grupo de formação" (incorporei mesmo esta palavra ao meu vocabulário) e de incertezas sobre o futuro da "semente". Foi lançada, mas só no dia-a-dia, vou saber se germinou. Concordo com Peter Senge, quando disse que os líderes devem ser jardineiros. Penso que é bem este o seu papel, não deixar que a semente morra, cultivá-la, dando condições para que a terra seja fértil (a empresa), para que as ações de formação e de desenvolvimento resultem em frutos para a organização. Aliás, é este o objetivo final de tais ações, traduzidas numa relação custo-benefício….

Diferenças … sim, noto-as em algumas situações, mas ressaltam-se as semelhanças. Brasileiros, portugueses, cabo-verdianos, moçambicanos(posso incluir alguns alemães) ou provavelmente qualquer cidadão do mundo (não sei quanto aos orientais ? ) , normalmente: fragilizam-se diante do confronto com suas limitações; fortalecem-se diante dos desafios; constrangem-se ou envaidecem-se diante do elogio e do reconhecimento de seus pontos fortes; frustram-se quando não conseguem atingir um objetivo ou corresponder às expectativas de seu grupo; orgulham-se das conquistas; justificam-se quando erram ou recebem feedback "negativo"….

Em cada novo grupo, um desafio vencido…ser "formador", instrutor, facilitador (conforme os modernos conceitos da andragogia) não é profissão. Para mim, é uma missão que muitas vezes, mesmo trabalhando 12 horas por dia (quando estou no exterior, faço duas turmas de 6 horas ) para aproveitar melhor o tempo, me sinto renovada e energizada a cada novo dia, pois percebo que contribuir para a autodescoberta e autodesenvolvimento do outro, é uma das experiências humanas mais edificantes e, como diz meu amigo Marco Aurélio Vianna, " é agregar valor ao universo e à humanidade".

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