Insight MVC 29

Março / Abril 2001

Instituto MVC

Editorial

Palestras do mês

Expediente

Editorial 

Quando o "Toque de Gente" toma o lugar da "voz da máquina", a personalização/segmentação se transforma no grande instrumento de fidelização

 

Engenharia Comercial - João Baptista Vilhena

Decisões e Escolhas: Uma Questão Essencial - J.A.Wanderley

A Lógica da Logística nos Novos Tempos - José Luiz Meinberg

Você Está Motivado para o seu Trabalho? - Marco Aurélio Ferreira Vianna

Coaching e Mentoring: Igualando as Diferenças - Sérgio W. Hillesheim

Estresse para o Trabalho: Existe Saída? - Hilda Alevato

Mulheres à Beira de um Novo Milênio - Leila Rockert

Planejamento Estratégico - Para quê? - Sérgio Duarte Velasco

Ser Líder na Emancipação - Eunice Mendes e Adriana Canova

"3 Minutos de Silêncio" Por uma Empresa Melhor!! - Denize Dutra

 

 

Números anteriores Disponíveis na Coletânea Insight MVC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Engenharia Comercial

 João Baptista Vilhena

Diretor do Instituto MVC

Um dos erros mais comuns cometidos por muitos profissionais competentes é confundir marketing com vendas. Embora a área de vendas faça parte do escopo de marketing, não o engloba por completo. Grosso modo, podemos dizer que marketing objetiva, a partir de atividades de planejamento e tomada de decisão em relação a todos os aspectos do marketing mix – produto, preço, comunicação e distribuição –, gerar, no cliente, propensão ao consumo. As vendas, por sua vez, objetivam efetivar o consumo através de atividades operacionais. Obviamente que um bom trabalho de marketing alavanca o esforço da área de vendas.

Contudo, o mais importante é perceber que vender, hoje, já não é mais tão fácil como no passado. A concorrência aumentou e tornou-se mais acirrada; o cliente tornou-se mais sofisticado e possuidor de importantes informações para a decisão de compra; os produtos estão cada vez mais parecidos e encontrar novos diferenciais está ainda mais difícil. Tudo isso afeta sobremaneira as atividades de marketing e de vendas.

Nos dias atuais, para se vender é preciso construir a venda, é preciso que as duas áreas executem um trabalho de engenharia comercial. Algumas questões devem ser evidenciadas neste processo, em especial para o marketing business-to-business:

a) A empresa fornecedora precisa conhecer o tipo de negócio do cliente melhor do que o próprio cliente. É preciso conhecer a fundo o ambiente mercadológico no qual está inserida a empresa-cliente:

  • quem são seus concorrentes

  • como eles se posicionam no mercado

  • quais são suas ofertas

Mas também precisa conhecer o ambiente tecnológico:

  • quais as características tecnológicas do produto ou serviço

  • qual a trajetória tecnológica do setor

  • quem domina a tecnologia de ponta naquele setor

  • quais descontinuidades tecnológicas ocorreram e quais podem vir a ocorrer

Somente assim a empresa fornecedora estará apta a adequar sua oferta e a antecipar as necessidades e desejos de seus clientes, oferecendo soluções customizadas ou até personalizadas, conquistando a sua confiança;

b) A empresa fornecedora precisa conhecer também o contexto organizacional do cliente. É preciso considerar que a compra se dá:

  • dentro deste contexto organizacional

  • influenciada por um orçamento ou verba

  • influenciada por lucro

  • considerando os objetivos organizacionais e

  • envolvendo muitas pessoas inter-relacionadas

Além disso, o comprador deve executar uma série de atividades:

  • identificar a necessidade da compra

  • estabelecer as especificações da compra

  • identificar as alternativas de compra

  • avaliar essas alternativas e, enfim, escolher o fornecedor

Assim, a empresa fornecedora precisa conhecer quem exerce cada papel de compra:

  • quem inicia o processo de compra

  • quem influencia

  • quem decide

  • quem compra

  • quem usa e, principalmente, como essas pessoas se inter-relacionam.

Finalmente, deverá analisar a finalidade da compra (se é um insumo para a produção, se é uma mercadoria para revenda ou se é para consumo) e a natureza dessa demanda (se é cíclica ou sazonal). Só assim ela estará apta a construir sua venda, a transmitir as mensagens adequadas para contatar as pessoas certas, visando à criação de relacionamentos de longo prazo com os clientes e mantendo a confiança conquistada.

O século XXI não deixará espaços para empresas que insistam em vender de forma antiquada, empurrando produtos sem conhecer o ambiente mercadológico e tecnológico de seus clientes, muito menos o contexto organizacional. Tornar-se-á fundamental o processo de construção da venda, de engenharia comercial.

OBS.: Material retirado do programa de Vendas Consultivas do MVC.

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A Lógica da Logística nos novos tempos!

José Luiz Meinberg

Consultor do Instituto MVC

 

 

Muito tem sido falado sobre a TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, o computador e suas diversas formas de interligação, dentro das empresas, entre empresas, entre pessoas e entre empresas e pessoas.

Esta maravilha dos novos tempos é o principal impulsionador das mudanças que estão ocorrendo em velocidade espantosa neste início de século. Está provocando mudanças no modo de produzir, na organização do trabalho, na forma de administrar, nos formatos de relacionamentos com o mercado, com as pessoas, na forma de vender, na forma de distribuir e na forma de controlar as atividades.

É um mundo diferente. O conhecimento e a imaginação agora são mais importantes do que o capital físico. Os produtos e serviços estão se tornando apenas artigos em oferta, as negociações transformam-se em "intercâmbios" e o mercado, de um modo geral, tem assumido um formato com a agilidade do mercado financeiro.

Neste novo tempo a capacidade de adaptação é fundamental em face da grande permeabilidade que as empresas estão construindo no relacionamento dos negócios entre fornecedores, distribuidores e funcionários. E, ainda, a necessária adaptação das pessoas, em função da diversificada possibilidade de criação de relacionamentos, através da rede criada em torno do mundo.

São três as vertentes que alavancam esta situação:

  • Tudo aquilo que envolve os negócios e as organizações em geral está cada vez mais ocorrendo em tempo real. Decisões podem ser tomadas no momento em que a oportunidade ou o problema ocorre. A barreira do tempo tem sido quebrada constantemente nas diversas formas de negócio.
  • Tudo aquilo que envolve contato é possível ser realizado eletronicamente. Pessoas, empresas, governo, não importa, todos vão criando formas de "conversa eletrônica".
  • Não existe produto ou serviço isoladamente. Existem produtos com uma parte de serviços e serviços com uma parte de produtos. Toda proposta tem uma parte tangível e outra intangível. Entre os dois, produtos e serviços, de uma maneira definitiva, o que mais cresce é a parte intangível da proposta, ou seja, o serviço.

Kotler em seu livro Como Criar, Conquistar e Dominar Mercados indica algumas preocupantes constatações influenciadas diretamente pela forma de atendimento do mercado pelas empresas. De uma maneira geral, os formatos estão muito próximos uns dos outros. Os produtos e serviços pouca diferença apresentam. E os custos de atendimento destes mercados, o que é grave, têm subido de uma forma constante.

Neste início de século vamos encontrar clientes cada vez mais sensíveis a preço de um lado e, de outro, cada vez mais exigentes e sofisticados. Procuram uma conveniência maior, têm alta expectativa de atendimento e têm menos tempo para executar o que necessitam. Não encontram mais nas marcas a principal razão para a decisão de compra, podendo aceitar até as marcas genéricas ou as marcas próprias de varejo, causando uma queda nos índices de fidelidade. Atendimento para eles vem em primeiro lugar.

O custo de atender estes clientes tem sido cada vez maior, a disputa pelo "pedido" do cliente é inflacionada por muito atendimento gratuito, as políticas de preços são rapidamente copiadas pelo mercado e as ações de comunicação são de curto prazo, principalmente aquelas de promoção de vendas que pouco ou quase nada contribuem para formação de imagem da empresa (produto). Propaganda, que seria o caminho ideal para isto, perde sua efetividade pela grande e diversificada quantidade de meios disponíveis para o consumidor, tornando esta atividade "cara" e de menor efetividade.

E ainda as equipes de vendas que, de um lado, diminuem de tamanho e de outro aumentam seus custos em face do competitivo mercado que têm pela frente, impulsionado pelo uso cada vez maior dos suportes eletrônicos, básicos para sua sobrevivência.

Isto implica dizer que as empresas estão enfrentando enormes desafios ao tentar buscar um melhor posicionamento no mercado. E cada setor está enfrentando seu próprio desafio: margens menores, maiores custos de promoções, maior poder do varejo e menor, cada vez menor, espaço de prateleira para tentar ainda absorver as compras por impulso fruto de um melhor trabalho de merchandising.

As empresas que não estão tendo sucesso neste mercado com certeza continuam praticando atitudes erradas ao tentar conquistar o cliente em vez de atender o cliente, "forçar" a venda de seu produto em vez de tentar entender quais são as reais necessidades de seus clientes, fazer de cada venda uma única transação em vez de colocar a venda como parte de uma série de atendimentos, construindo relacionamentos duradouros, praticar preço com base nos custos e não naquilo que o consumidor deseja pagar.

Mas nem tudo é tão ruim assim. Empresas que estão obtendo sucesso têm um caminho voltado para seus clientes, conhecendo suas necessidades, seus sistemas econômicos, projetando produtos em conjunto, praticando ofertas mais flexíveis e aperfeiçoando, no seu dia-a-dia, cada vez mais as tecnologias de ligação, o uso de vídeo-conferência, páginas na Internet, internalizando a Intranet e, para muitos casos, franqueando a comunicação direta com seus clientes através da Extranet.

Para estas empresas os Canais de Distribuição são verdadeiros parceiros e não adversários, praticam muito mais a integração do sistema como um todo no lugar da egoísta interface, estão prontos para dar atendimento 24 horas por dia, tudo isto em busca de oferecerem efetivamente um valor superior a seus clientes. Para estas empresas os intermediários fazem parte de seu planejamento estratégico.

E é olhando tudo isto que vem a importância do estudo da Logística. É o estudo da movimentação de bens e serviços do ponto de produção, seja ele qual for, ao ponto de consumo, não importa se numa indústria ou no consumidor final. É o estudo dos fluxos distributivos e a determinação das responsabilidades por sua execução.

É o estudo de como agregar valor de utilidade de tempo e lugar aos produtos e na direção do consumidor a quem tudo deve ser direcionado e referenciado.

É a forma de praticar o pensamento estratégico de colocar o produto (serviço) efetivamente disponível para o cliente consumidor de toda a Cadeia de Suprimentos, ganhando posicionamento destacado neste mercado cada vez mais igual e  competitivo.

Neste ambiente, três são as questões importantes que afetam diretamente o sucesso do marketing. E são três as questões que estão diretamente ligadas ao Estudo da Logística e da Distribuição:

  • Na ordem, Necessidades e Desejos do Cliente vêm antes do que Produto ou Serviço.
  • Um produto só é um produto quando seu usuário tem a possibilidade de usufruir sua proposta. Enquanto "caminha" pela Cadeia de Suprimentos ainda não é um produto, não tem qualquer valor. Produtos e Serviços só têm valor quando estiverem sendo utilizados pelo cliente.
  • A Era do Marketing de Massa já era. Rentabilidade, de um modo geral, é mais importante do que volume. Após anos de Reengenharias, Downsizing etc., as empresas não têm para onde recorrer a fim de buscar custos mais competitivos. É através da aliança dos membros da Cadeia de Suprimentos que isto será possível.

O desafio então é o entendimento de como obter vantagem competitiva dentro do estudo da movimentação da mercadoria na direção do consumidor final - o estudo, portanto, da Logística. As empresas que descobrirem esta forma serão vencedoras.

Os Gestores de Marketing pouca ou quase nenhuma atenção davam a tão importante e relevante assunto. Poucas, mas muito poucas vezes, programas surgidos na Área de Marketing privilegiavam ações partidas do sério estudo estratégico da Logística.

E aqueles poucos programas levados adiante visavam sempre a resultados de curto prazo. Provavelmente calcados muito mais numa ação promocional de vendas de curto prazo do que distribuir estrategicamente ou então "manter, proteger" um produto no mercado. E aí as ações mais utilizadas são os "comuns" concursos de vendas, previstos para "ajudar" a vender muito mais que distribuir. Muito pouco frente à grave importância do assunto distribuir.

Daí surge a necessidade de entender que ao lado das ações que preparam a oferta, o "P" de Produto e o "P"de Preço, e das ações que promovem a demanda, o "P" de "Promotion" (que significa Comunicação de uma forma ampla) existe a importante estratégica de ações que atendem esta demanda provocada que é o importante estudo do "P" de Place, o "P" de Praça ou Distribuição, completando os 4 "Ps" do Marketing Mix.

Pode ser maravilhoso realmente o que a Tecnologia da Informação está trazendo para a Gestão Mercadológica das Empresas. Ela facilita principalmente o contato e os processos que dizem respeito à promoção, negociação e obtenção do pedido do cliente, parte importante das Atividades Logísticas e dos Fluxos Distributivos. Mas um fato não pode deixar de ser observado e que faz aumentar em muito a importância deste estudo. Enquanto a tecnologia da Informação provoca maior rapidez na obtenção do pedido do cliente, ela não provoca o mesmo ritmo no processo da entrega, criando aí problemas para as empresas. Afinal, até hoje não foi desenvolvida a tecnologia de Teletransporte. Se existisse, este processo eletrônico estaria completo.

Ainda, por muito tempo, a mercadoria deverá caminhar fisicamente através dos meios de transporte. A antecipação da demanda, o estoque, continuará existindo. E o armazenamento físico da mercadoria continuará sendo necessário para atender as crescentes e diferenciadas necessidades dos clientes no tempo e lugar desejados por ele. Um desafio para os gestores destes novos tempos. Um desafio estratégico para o Planejador de Marketing deste novo século.

OBS.: Material retirado dos Seminários de Logística e Planejamento do Instituto MVC.

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Palestras do Mês

João Baptista Vilhena

ENGENHARIA COMERCIAL: UMA ABORDAGEM VOLTADA PARA RESULTADOS

Justificativa:

Enquanto vigoraram os paradigmas da Sociedade Industrial, vender foi uma tarefa relativamente fácil. Se pararmos para refletir, não teremos dificuldade de entender o porquê.

Da Revolução Industrial até o final da década de 80 a maioria dos mercados viveu uma situação de demanda superior à oferta. Logo, para que as empresas ganhassem dinheiro, bastaria garantir que sempre haveria mais pessoas interessadas em comprar do que mercadorias para vender (lembremo-nos, por exemplo, de que nesta década o volume médio de carros vendidos no mercado brasileiro caiu cerca de 20% e o preço médio dos veículos subiu cerca de 25%).

Aqui, no Brasil, essa situação era agravada pela inflação desenfreada, que impedia que as pessoas tivessem noção exata do quanto estavam pagando pelos produtos e serviços que consumiam. O que importava realmente era gastar o dinheiro o mais rápido possível, pois seu valor diminuía cerca de 2% ao dia.

Com a advento da Sociedade do Conhecimento as empresas começaram a perceber que seria preciso reinventar suas operações. As primeiras mudanças foram sentidas em uma área extremamente sensível: a de recursos humanos. Milhares de pessoas foram demitidas em nome de uma maior racionalidade operacional e administrativa. Mas as mudanças não pararam aí. A produção modernizou-se, novas tecnologias foram desenvolvidas e parques industriais inteiros foram trocados. Nosso setor têxtil é um exemplo contundente. Na área de marketing houve a incorporação de um setor tradicionalmente ligado à produção: a logística. Na área financeira surgiram operações sofisticadas de captação de recursos e determinação de investimentos – até mesmo uma nova bolsa de valores, a Nasdaq, foi criada.

Mas o que aconteceu na área comercial das organizações?

Os mais apressados dirão que também aconteceram algumas mudanças na forma de vender. Afinal, o e-commerce é uma novidade recente, o CRM – customer relationship management – vem sendo adotado por muitas empresas, os vendedores vão para a rua levando um laptop debaixo do braço e estão acessíveis durante todo o tempo através de seus celulares. Embora estes fatos sejam verdadeiros, há uma questão que não pode ser esquecida: a área comercial está aprendendo a usar novas ferramentas, mas isso não significa que tenha havido um sincero e verdadeiro esforço de repensar o seu papel perante a própria empresa e a sociedade.

Em outras palavras: ao traçar um paralelo entre as mudanças que aconteceram em praticamente todas as atividades das organizações e o que vem ocorrendo na área comercial, verificamos que esta é a única que atualizou apenas as ferramentas, mas continua agindo como se o consumidor ainda estivesse disposto a comprar qualquer coisa por qualquer preço.

A proposta da palestra ENGENHARIA COMERCIAL: UMA ABORDAGEM VOLTADA PARA RESULTADOS é apresentar aos participantes uma forma contemporânea de abordar três dimensões de competência que afetam a performance comercial – a organizacional, a departamental e a individual.

O que se espera é que, ao participar desta discussão, os profissionais da área comercial despertem para erros de postura e atitude que vêm cometendo e possam, a partir daí, gerar mais e melhores resultados.

Conteúdo

  • O conceito de Engenharia Comercial

  • O porquê de nomes novos não significarem novas posturas

  • Aprendamos com Sartre: se o inferno são os outros, nós somos o inferno dos outros

  • Como identificar competências organizacionais que permitam melhorar minhas vendas

  • Como identificar competências departamentais que permitam melhorar minhas vendas

  • Como identificar competências individuais que permitam melhorar minhas vendas

  • Se reúno tantas competências, por que preciso me esforçar mais?

  • Como sair do imobilismo e colocar em prática o que descobri nesta palestra

  • Plano de ação

Duração: 75 minutos de exposição e 45 para debates.

 

João Baptista Vilhena

MORTE E VIDA MERCADOLÓGICA: 

QUAL A PARTE DA SUA EMPRESA NESTE LATIFÚNDIO?

Justificativa:

Ao conversarmos com muitos gestores de marketing, temos a impressão de estar ouvindo uma versão modificada do clássico Morte e Vida Severina.

Como sabemos, em seu livro, João Cabral de Mello Neto conta a difícil "arribação" do Severino Lavrador, que só encontra miséria e desgraça pelo caminho. Ao final, em um belíssimo diálogo com seu José Mestre Carpina, nosso protagonista descobre que a beleza da vida reside em saber conviver com as dificuldades e delas extrair valiosas lições.

Na palestra MORTE E VIDA MERCADOLÓGICA: QUAL A PARTE DA SUA EMPRESA NESTE LATIFÚNDIO? levamos os participantes a refletir sobre as mudanças que vêm ocorrendo no cenário empresarial e os inspiramos a verificar que os resultados que suas organizações têm obtido são reflexo da forma como vêm encarando esse novo mercado.

Utilizando como "pano de fundo" a trilha sonora especialmente criada por Chico Buarque para a encenação da trajetória de Severino Lavrador, discutimos as principais ênfases do marketing desde o advento da Sociedade Industrial até o momento. Com isso reforçamos a idéia de que, mais do que nunca, é preciso saber aprender com os próprios erros, em vez de ficar o tempo todo tentando encontrar fora dos muros da organização os responsáveis pelas nossas dificuldades.

Conteúdo

  • O que é a Morte e Vida Severina
  • O que é a Morte e Vida Mercadológica
  • Por que a única coisa necessária é despertar para a nova realidade?
  • Um breve histórico da evolução do pensamento mercadológico
  • O que fazer com as lições aprendidas: o paradoxo da experiência
  • Por que vender para dentro das organizações é mais difícil do que vender para o mercado?
  • Como usar o marketing para melhorar minha performance e com isso alavancar a performance da minha organização
  • Como sair do imobilismo e colocar em prática o que descobri nesta palestra
  • Por que todos são responsáveis pelo marketing?

Duração: 75 minutos de exposição e 45 para debates.

INFORMAÇÕES

São Paulo

TEL.: 11  3171-1645 / 285-2438

FAX  : 11  289-2799

E-mail - lacostacurta@terra.com.br

Rio de Janeiro

TEL: 21  518-2321 / 518-2403

FAX21  518-2321 / 518-2403

E-mail - mvcmt@uninet.com.br

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Coaching e Mentoring: Igualando as diferenças

Sérgio W. Hillesheim

Consultor do Instituto MVC

 

O alinhamento das ações e processos de recursos humanos com a estratégia da organização se constitui cada vez mais num dos mais importantes desafios para os profissionais daquela área.

Capaz de fazer a diferença entre mera execução e efetiva contribuição, esta expectativa, ou exigência, do mundo dos negócios não tem sido atendida por muitos profissionais de Recursos Humanos. Observa-se, porém, acelerado esforço de recuperação por parte de muitos, os mais experientes buscando rapidamente readaptar-se e os mais jovens agregando conhecimentos a sua formação básica.

Novas abordagens têm surgido nos últimos tempos para facilitar este alinhamento, em substituição aos instrumentos, processos, práticas e estruturas tradicionais. Entre estas podem ser listadas:

  • Estrutura e remuneração baseadas em competências
  • Avaliação 360°
  • Utilização mais freqüente de assessment para identificação de potencial e planejamento de sucessão e carreiras
  • Value based management
  • O crescimento acelerado da remuneração variável e o quase congelamento das estruturas de salário-base
  • O assessment para definição de treinamento, proporcionando a obtenção mais rápida de resultados (Top Performance Training)
  • Coaching e Mentoring

Este novo viés tem como objetivo focar as atividades-meio nas atividades-fim, acrescentando maior eficiência a cada processo e operando de forma coordenada.

Como afluentes alimentando o rio e tornando-o grandioso, mantendo cada um sua própria identidade, porém sem competir com o caudal principal.

Trabalho em equipe, aprendizado permanente, flexibilidade na estruturação dos cargos e funções, engajamento e comprometimento de todos, liderança, agilidade são algumas características que podem ser identificadas em ambientes onde meio e fim encontram-se integrados e alinhados.

Alinhamento dos Recursos Humanos com a Estratégia do Negócio

Com todas essas variáveis se fazendo presentes no ambiente organizacional, as empresas estão derivando para a adoção de alternativas mais produtivas – de pronta resposta e eficazes – para a formação (treinamento e desenvolvimento) de seus colaboradores e para estimular o autodesenvolvimento.

É aí que entram o treinamento por resultados - Top Performance Training – e a prática cada vez mais difundida de coaching e mentoring.

Os dicionários de inglês definem coach como sendo um "professor, especialmente aquele que dá aulas particulares para preparar estudantes para um concurso público; pessoa que treina atletas para competições".

Na nossa terminologia de futebol, o coach é um técnico que ensina jogadas e estratégias, ensaia, acompanha a prática e avalia os resultados.

Este processo de treinamento oferece uma perspectiva mais ampla de oportunidades de aprendizado, uma abordagem mais bem direcionada e um foco mais bem definido, com benefícios para o indivíduo e a organização.

Significa, ainda, levar em conta a individualidade, priorizar a oportunidade de uma experiência de aprendizado e não necessariamente hierarquia, centrar a ação no dia-a-dia, gerando, em conseqüência, resultados quase imediatos, privilegiar o curto prazo, ir ao encontro dos interesses e expectativas individuais, apoiar profissionais na necessária readaptação, criar uma relação de discrição, de exclusividade, reduzir resistências com maior flexibilidade e gradação da profundidade.

mentor é definido pelo dicionário Oxford como sendo "um conselheiro sábio e confiável de uma pessoa inexperiente". Em nosso vernáculo poderia ser traduzido como um mentor, e mentoring como monitoria, ou seja, a pessoa que orienta, aconselha e aponta direções.

Mentoring geralmente envolve aspectos de carreira e apoio psicológico - ainda que sob a forma de atenção e amizade -, seu horizonte é de longo prazo, privilegia o desenvolvimento e o progresso graduais e não guarda relação direta alguma com hierarquia.

O mentoring tende a ser mais eficaz quando o relacionamento evolui ao longo do tempo de maneira informal e quando o estilo de comunicação entre o mentor e seu protegido converge em objetividade e clareza.

Charles Handy, em seu livro The Hungry Spirit, diz que "a sociedade deveria tentar oferecer a cada jovem um mentor de fora do sistema educacional, alguém que tivesse grande interesse no desenvolvimento e progresso daquela pessoa na vida. Os jovens conhecem poucos adultos além de seus pais e professores, figuras freqüentemente autoritárias que eles provavelmente rejeitarão durante a adolescência. É difícil para eles terem uma visão realística da vida, além de seu grupo diário ou dos modelos que adotam nos esportes ou na música, na realidade, os outros únicos adultos a respeito dos quais eles sabem alguma coisa. O primeiro passo para respeitar a si mesmo é muitas vezes ter granjeado o respeito de alguém que você respeita".

OBS.: Nos programas do Instituto MVC Coaching tem recebido abordagens individualizadas e grupais. Em Mentoring predominam as abordagens individuais.

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Você está motivado no seu trabalho? (1)

 Marco Aurélio Ferreira Vianna

Presidente do Instituto  MVC

 

 

1 – Que sentimento e/ou atitude você tem sobre a aposentadoria?

  1. Desde que começou a trabalhar, você conta os dias que faltam para a GRANDE DATA
  2. Está louco para que chegue este DIA DE LIBERTAÇÃO
  3. Tem projetos alternativos para sua vida pessoal e profissional
  4. Você acha que no dia que sair da empresa morre antes de dormir

2 – Você está jantando com sua família e começa a falar sobre seu chefe:

  1. Imediatamente pede um remédio para o estômago
  2. Esta cena jamais ocorreria, pois assuntos profissionais não entram em casa
  3. Combinam convidá-lo para um próximo jantar
  4. Você guarda um pedaço da torta de chocolate para levar para ele no dia seguinte

3 – Você ganha 5 milhões na mega-sena:

  1. Imediatamente redige uma carta para sua empresa "dizendo o que nunca teve coragem para dizer"
  2. Fica feliz com sua independência
  3. Começa a pensar em uma nova relação de trabalho com sua própria empresa (parceria)
  4. Compra os 5 milhões de reais em ações da sua organização

4 – Ao dormir Domingo à noite e lembrar que o dia seguinte é Segunda-Feira:

  1. Você começa a tremer e toma um Lexotan
  2. Passa por você uma certa sensação esquisita
  3. Você mentaliza que se inicia mais uma semana de criação e desenvolvimento
  4. Você dá graças a Deus e sonha com os anjos

5 – Quando seu chefe o chama para trabalhar no final de semana para terminar um projeto:

  1. Você toma um litro de uísque para "esquecer a desgraça"
  2. Você vai com uma pesada sensação de que está caminhando para a forca
  3. Você pensa que é um sacrifício eventual que vale para o desenvolvimento da empresa
  4. Você propõe que a equipe se mude para um hotel para trabalhar 24 horas por dia

6 – Quando você está trabalhando com sua equipe:

  1. Você percebe que ficam todos encostados na parede com medo da "ação do próximo"
  2. Você percebe que seus companheiros de trabalho se sentem com a obrigação de se entenderem bem
  3. Você se sente em um time cujos membros são unidos pelo respeito e até pela admiração mútua
  4. Você considera esta turma muito mais importante que sua família

7 – Semana que vem, o feriado cai na Quinta-Feira e a empresa vai "emendar":

  1. Você acha que o Presidente da República deveria assinar uma lei que tornasse feriado toda Quinta ou Terça
  2. Desde o início do ano você já tem planos de viagem para esta data
  3. Você gosta, mas se preocupa com os impactos negativos nos resultados do seu trabalho e no desempenho da empresa
  4. Você se rebela contra a "emenda", vai trabalhar na Quinta, na Sexta e, para dar o exemplo, também no Sábado até às 9 horas da noite

8 – Fora da empresa e do horário de trabalho:

  1. Você deleta a empresa da sua mente e não admite confundir as coisas
  2. Esporadicamente você faz algum comentário sobre "o local do sacrifício"
  3. Sem exageros você busca conexões entre o mundo, o ambiente externo e o lugar onde você se desenvolve como ser humano e profissional
  4. Quem está fora da empresa é seu corpo, pois seu cérebro pertence 24 horas à organização

9 – Ao se imaginar daqui a dez anos na mesma empresa:

  1. Você chega a pensar em suicídio
  2. Você começa a chorar
  3. Você planeja como será o seu desenvolvimento pessoal dentro da organização neste período
  4. Você não tem dúvida de que esta é a única opção que você admite para sua vida

10 – Qual a sua relação com o trabalho:

  1. Um castigo de Deus
  2. Uma relação burocrático-jurídica, em que você troca dez horas do seu dia por um cheque no final do mês.
  3. Uma oportunidade para você cumprir sua missão terrena, agregando valor ao universo e recebendo uma justa remuneração material em troca
  4. A única coisa importante na sua vida

11 – No almoço de trabalho ou no elevador da empresa você se junta a mais quatro ou cinco colegas:

  1. Tem sempre um advogado junto, ajudando a "tchurma" a entrar na Justiça para receber direitos trabalhistas do passado
  2. O papo se concentra no próximo aumento salarial
  3. Idéias são trocadas para melhorar a integração pessoal, o ambiente humano e o desempenho da empresa
  4. Discutem-se o corte de custos e a próxima demissão de pessoal

12 – Você recebe um convite para sair da empresa. Em que situação você recusa ou aceita a nova oportunidade?

  1. Sai agora até por menos vinte por cento do salário que ganha hoje
  2. Pelo mesmo salário você aceita
  3. Depende de vários fatores, incluindo o ambiente humano da nova organização, a perspectiva de desenvolvimento oferecida e, claro, uma justa remuneração
  4. Você quer dinheiro, dinheiro, dinheiro.

Some:

1 ponto para cada resposta (a)

2 pontos para cada resposta (b)

3 pontos para cada resposta (c)

4 pontos para cada resposta (d)

Resultados:

Entre 12 e 17 pontos:

Deve estar difícil viver. Uma boa solução é realmente jogar na mega-sena e em todas as loterias ou então torcer para aquela velha tia rica morrer e deixá-lo como único herdeiro. Apesar de tudo, tente rever sua relação com o trabalho e as crenças que construíram esta raiva tão grande que você tem do trabalho.

Entre 18 e 27 pontos:

Você caminha todo o dia para o sacrifício, mas em alguns momentos há uma luz no fim do túnel onde a motivação começa a aparecer. Uma boa solução talvez seja a troca da empresa. Não deixe, também, de rever suas crenças em relação ao trabalho.

Entre 28 e 39 pontos:

Parabéns! Você é um exemplo de motivação e apresenta um excelente equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Você entende que o trabalho (especificamente na sua empresa) é um importante instrumento de desenvolvimento e evolução. Tente mostrar aos outros suas crenças em relação a ele.

Entre 40 e 45 pontos:

Mais do que motivado, você é dependente do trabalho. Workaholic é seu estado de espírito. Você deve estar com sua família de centro de custo e se comunicando por e-mail com seus filhos. Tente voltar à faixa dos 36 pontos.

Mais de 45 pontos:

Você não é um ser humano. Você é um robô. A vida para você é um fluxo de caixa e as palavras humanas escrevem da seguinte forma: @mor; $entimento, Feli$$idade.

(1) Íntegra do teste publicado resumidamente na revista VEJA, edição 111, de 07 de fevereiro de 2001.

OBS.: Material utilizado por Marco Aurélio Ferreira Vianna nas palestras motivacionais do Instituto do MVC.

 

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Estresse, a doença da moda: Existe saída?

 Hilda Alevato

Consultora do Instituto MVC

 

Todo mundo fala em estresse...

Todo mundo tem estresse...

Mas, e daí?

Nestes dias de tanta competição e correria, num cenário de grande e confuso realinhamento no mundo do trabalho, é difícil achar alguém que nunca tenha vivido uma situação de estresse...

Quantas vezes você já parou para pensar nisso e acabou chegando à conclusão de que é inevitável... diante de tudo que se passa à sua volta como não estar estressado?

Muitos estudiosos até já mostraram que uma certa dose de tensão faz até bem ao organismo: desafia, provoca, oxigena, enfim, ajuda a manter ativos os sinais vitais.

Entretanto, há um tipo de estresse que não pode ser confundido com aquele que acompanha um trabalho de ritmo intenso ou uma fase de maior demanda profissional.

Estou falando das conseqüências de uma gerência mal conduzida, das crises de relacionamento no ambiente de trabalho, nas deficiências administrativas, ou seja, estou falando de um tipo de doença provocada por fatores absolutamente evitáveis e, se bem diagnosticados, corrigíveis!

O que é preciso diferenciar, então, é a tensão provocada pelas características do trabalho em si daquelas originadas na deficiência das relações, no desconhecimento de como se dá o jogo de convivência diário.

Costumo dizer, baseada em minha pesquisa de vários anos, que uma das mais importantes razões para encontrarmos setores onde um grande número de pessoas está desmotivado, deprimido, estressado, é uma chefia com dificuldades em administrar pessoas.

Em muitas empresas que tenho acompanhado percebo que os profissionais são levados aos cargos de gerência por sua competência técnica na área de atuação ou por alguma relação pessoal com esferas decisórias. É muito raro encontrar a determinação de que para ser chefe é preciso muito mais que isso! É preciso entender de gente!

Este conhecimento é extremamente sério, capaz de produzir o que eu chamo de "prejuízo invisível", corroendo a produtividade dia a dia...

É um custo muito difícil de calcular, apesar de serem muito visíveis as conseqüências na organização.

Imagine quanto se perde com as medidas e iniciativas previamente desacreditadas, com a falta de respostas criativas para os problemas comuns, com a necessidade de sobrecarregar a estrutura organizacional com controles sobre os funcionários, com as reuniões para discutir e rediscutir os mesmos assuntos...

Isso, é claro, para não falar dos prejuízos à saúde de qualquer profissional, até mesmo do próprio chefe! Muitos não confessam, mas – para dar um exemplo importante – nossos consultórios vivem cheios de jovens executivos com vários problemas, incluindo os sexuais!

Tenho ouvido algumas pessoas dizerem que depressão, estresse etc. são doenças de caráter subjetivo. Melhor dizendo, para elas, estas doenças dependem de cada pessoa, de suas reações, de sua vida privada. Sua relação com o trabalho dependeria da decisão de cada um se motivar, em se animar e vestir mais a camisa da empresa.

Muita gente ainda pensa que saúde psíquica e mental é problema de menor importância. "Ah, isso é só psicológico..." dizem, como se nós fôssemos divididos em caixinhas isoladas, como um arquivo.

Não! Quando não estamos bem, psicologicamente, o corpo inteiro sofre as conseqüências: nosso sistema glandular é absolutamente integrado e as emoções participam de todo nosso funcionamento orgânico.

Ainda assim, é possível pensar que alguém não esteja bem por problemas particulares, claro!

Mas convido você a refletir comigo: se num escritório a maioria das pessoas reclama de sua situação, tem problemas de sono, problemas sexuais, parece desanimada, já chega cansada de manhã, enfim, não apresenta disposição para enfrentar os desafios, há algo de errado neste ambiente e não nestas pessoas!

Portanto, já é hora de entender que podemos evitar muito de nosso sofrimento e das seqüelas para nossa saúde! Não bastam lindos "programas de relaxamento" para os funcionários, ainda que isso também ajude.

É possível aprender sobre como lidar com gente!

OBS.: Material retirado dos Seminários e Palestras sobre Planejamento e Organização do Trabalho do Instituto MVC.

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Cultura Organizacional: Café ou Leite?

 Francisco Bittencourt

Consultor do Instituto MVC

 

INTRODUÇÃO

Um cenário: uma mesa pregada ao chão, um copo colado à mesa, cheio de café; como substituir o café por leite, sem virar a mesa e o copo (missão impossível, por estarem fixos em suas bases), sem usar canudos, sifão ou qualquer outro método de aspiração.

A maneira mais direta de resolver este desafio seria, com um recipiente cheio de leite, derramá-lo sobre o copo, de forma a que o leite vá, progressivamente, expulsando o café (derramando-o sobre a mesa) e ocupando seu lugar no copo; a mudança se concretiza quando o copo estiver cheio de leite.

E. P. Oliveira, pela transcrição

 

VARIÁVEIS INTERVENIENTES NO CENÁRIO

Ao mesmo tempo em que o recipiente com leite vai sendo despejado sobre o copo com café, outro ou outros recipientes com café vão sendo também despejados sobre o copo, concorrendo com o movimento do leite.

Mudar o matiz ou o perfil da cultura organizacional é um exercício que demanda uma definição clara de objetivos, um planejamento estruturado, a certeza de encontrar resistências e a necessidade, quando não o comprometimento, de superar ou neutralizar essas resistências.

A resistência a mudanças se faz de formas diversas, com os resistentes tentando encontrar meios de fazer prevalecer uma condição, de cujos benefícios não estão dispostos a abrir mão.

A superação dessas resistências é um exercício de competência e criatividade, pois leva à procura e ao desenvolvimento de recursos e instrumentos de persuasão, de convencimento e de cooptação desse grupo de resistentes.

O que um agente de mudanças não pode prescindir é da definição clara dos objetivos da mudança (o que deve ser feito), a finalidade (para que se está propondo a mudança). Sem esses "detalhes" torna-se um obstáculo entender as razões pelas quais se  deve aderir à mudança. Lembremo-nos de que os resistentes não têm grande necessidade de conhecer os objetivos e finalidades da mudança; eles não admitem mudar e essa já é uma condição necessária e suficiente para a defesa de sua posição.

O planejamento da mudança é a etapa que envolve um significativo volume de componentes, pois atua com a previsão (evolução da mudança); ações preventivas de correção (alterações do rumo ou do escopo da mudança), definição de recursos (financeiros, materiais, humanos, tecnológicos), a elaboração de estratégias e das táticas que viabilizarão a sua operacionalização.

Não perder de vista os resistentes:

  1. conhecendo seu estado de espírito;
  2. identificando sua articulação;
  3. elevando os recursos de que dispõe para resistir;
  4. pontos vulneráveis, no processo de mudança, que podem tornar-se alvo dos resistentes;
  5. componentes do efetivo interno mais suscetíveis a abordagem da resistência.

A qualidade da comunicação no processo de mudança, por princípio, deve ser pautada em uma linguagem típica de estimulação:

  • os objetivos da mudança contemplando ações de reconhecimento, pelos agentes de transformação, a cada etapa ou meta alcançada pelos que aderiram ao processo;
  • os resultados da mudança clarificando, de forma incontestável, as oportunidades de crescimento, desenvolvimento e consolidação dos que dela participarem;
  • os benefícios da mudança devem ser compartilhados com aqueles que estão envolvidos com ela; ninguém se propõe a mudar para piorar sua condição; este aspecto, portanto, deve estar bem nítido para os envolvidos com uma nova ordem de coisas.

Os fundamentos da comunicação eficaz em processos de mudança não param por aí:

  • questionamentos e não julgamentos na relação entre os agentes de mudança e os demais envolvidos; o questionamento, sem rotulações ou julgamentos, não ameaça e se reduz, quando não elimina a resistência a mudança; se é possível mostrar uma outra forma de fazer algo, por que avaliar (bom, ruim, ótimo, péssimo), o que gera uma retração e provavelmente uma reação contrária aos rumos propostos?
  • orientar os processos e etapas de mudança, reservando a direção desses processos somente nos casos em que há indiscutível e incontestável incapacidade de dar prosseguimento às ações; a orientação permite a sensação de que há alguém por perto, que intervirá somente se perceber se há interrupção dos movimentos; a orientação e não a direção pura e simples leva à percepção de liberdade que os processos de mudança em geral oferecem.
  • A espontaneidade nas relações e a inexistência de estratégias não clarificadas desarmam o espírito dos envolvidos com as mudanças, na medida em que, não havendo ameaças, os caminhos podem parecer mais livres.
  • A capacidade dos agentes de transformação de perceberem os sinais emitidos pelos membros das equipes internas, transmitindo a sensação de entenderem as dificuldades de cada um, e de observarem seus sentimentos no mesmo nível e intensidade, ou seja, os agentes são capazes de vibrar e sofrer da mesma forma como vibram e sofrem os membros de suas equipes.
  • A possibilidade de se alterarem os rumos da mudança, com padrões de flexibilidade, sempre que houver inconveniências no roteiro ou na rotina, por decisão dos agentes, por negociação entre os agentes e membros da equipe, ou ainda por recomendação da equipe, gera um clima não ameaçador e, portanto, de baixa resistência a mudança.

 

Segundo Peter Senge, há um conjunto de atitudes possíveis, existentes ou detectáveis em processos de mudança:

  1. ENGAJADO: quer mudar, fará mudanças, cria mecanismos necessários à consolidação do processo
  2. PARTICIPANTE: fará tudo o que for necessário dentro do que está previsto
  3. OBEDIENTE GENUÍNO: enxerga os objetivos da mudança, faz o que lhe compete, segue as regras à risca
  4. OBEDIENTE FORMAL: enxerga os objetivos da mudança, limita-se a seguir as regras, embora não concorde com elas
  5. OBEDIENTE RELUTANTE: não enxerga os benefícios da mudança, não se arrisca a contestar, sente-se obrigado a seguir as regras, não esconde a falta de interesse
  6. APÁTICO: não é contra nem a favor da mudança, não demonstra interesse na mudança, não transmite energia
  7. DESOBEDIENTE: reage à mudança, não segue regras

Agentes de transformação, comprometidos com os resultados de processos de mudança, para melhor obterem envolvimento e comprometimento para isso, formam o que John Kotter chamou de coalizões poderosas, grupos internos caracterizados por:

  • co-responsabilidades definidas;
  • compartilhamento de informações;
  • negociação para obtenção de resultados;
  • postura assertiva e não agressiva.

A formação destas coalizões permite aos agentes ter uma visão abrangente e capaz de gerar ações produtivas, incluindo o combate às resistências internas.

Essas ações serão decididas e transformadas em realidade através das coalizões poderosas, alcançando objetivos e quebrando resistências.

CONCLUSÃO

Voltando à figuração que abre este texto, ao formarem coalizões poderosas para empreender processos de mudança, os agentes de transformação estarão, na verdade, multiplicando os recipientes de leite ...

A ação muda o mundo... a visão sem ação é um sonho... a ação sem visão é um passatempo.

 

BIBLIOGRAFIA

  • BENNIS, Warren. A invenção de uma vida. SP: Editora Campus, 1996
  • BERLO, Daniel K. O processo da comunicação. SP: Nobre, 1993
  • KOTTER, John. Liderar mudanças. SP: Makron Books, 1997
  • SENGE, Peter. A quinta disciplina. SP: Best Seller, 1990

OBS.: Material retirado do Programa Executivo Século XXI do Instituto MVC

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Mulheres à beira de um novo mundo

Leila Rockert

Consultora do Instituto MVC

 

 

Quando se fala nas dificuldades que um homem enfrenta ao mudar de país para assumir algum posto em outra unidade da empresa, geralmente são abordadas as questões relativas à adaptação deste executivo e de como ele vai se enquadrar neste novo mundo de negócios.

Poucas vezes se questiona como sua família, principalmente a esposa, vai levar a vida em outro país.

Eufórico com as novas possibilidade à sua frente, o marido vibra com a oportunidade, chega em casa e diz: "Amor, agora é certo. Embarcamos em um mês."

Por mais que ela se tenha preparado para este momento, é quase impossível não sentir um frio na barriga. Às perguntas que vão surgindo, ela tenta encontrar respostas sem incomodar o marido, que está cuidando dos preparativos no trabalho.

É hora também de tomar uma difícil decisão: vale a pena abandonar tudo e acompanhar o marido ou é melhor ficar e repensar o casamento? Será que a carreira vale mais do que a felicidade em família? Se o casamento está bem, jogar tudo para o alto parece insanidade. Então, só resta se preparar para a nova vida.

Responsável pela estabilidade da família, a mulher questiona: E agora? As crianças vão se adaptar em outro país? Como irão se virar na escola se não falam nada daquela língua? E eu? Vou conseguir algum trabalho ou terei que ficar cuidando da casa? Será que vamos gostar da comida de lá? E, se tivermos dificuldades, como faremos sem parentes ou amigos por perto?

Não poucas vezes, a mulher se vê tendo que abrir mão de sua carreira, do contato com a família, dos amigos e de sua raiz para acompanhar o marido, enfrentando o cotidiano sem nenhum ponto de referência conhecido.

No lugar de uma história que fica para trás, o homem tem uma nova chance na empresa e muitos projetos. A mulher fica com o vazio.

Terá que iniciar do zero sua vida social sem ter onde arrumar um ciclo de amigos. Quando começarem as dificuldades nos colégios dos filhos, deverá estar preparada para apoiá-los.

Na sua frente, o novo. Casa nova, língua diferente, todos estranhos. É como se tivesse que desaprender tudo que usou até ali para aprender coisas novas.

Para superar a primeira fase do pânico, a mulher terá que entender que este é um momento de metamorfose e esta transformação não é só física, pois há um processo interior. E dentro deste processo ela precisará pensar em algo que possa dar sentido à existência.

O primeiro passo é tomar consciência do processo. Depois, viver as implicações que a mudança provoca. Enfim, é tempo de recomeçar, fazer projetos, sonhar vendo as novas possibilidades que surgem com a mudança.

Não deixar que a insegurança torne a dúvida maior que o horizonte sonhado é uma boa forma de reagir. As providências necessárias para a mudança são suficientes para manter a cabeça ocupada.

A chegada ao novo país pode ficar mais fácil se você encontrar brasileiros para ajudar na adaptação. Afinal, são novas regras, costumes diferentes, outros hábitos.

Uma tarefa simples, como ajudar as crianças a fazer os deveres de casa, soa mais difícil do que atravessar um muro. Como ensinar os filhos em uma língua tão diferente? Participar de reunião de pais parece tarefa impossível.

Mas se a mulher observar em volta vai descobrir que os outros membros da família estão na mesma situação. Nestas horas, o diálogo é uma boa ferramenta, associado a atividades conjuntas para toda a família.

Se a mulher se abrir de fato para a cultura do país onde estiver, poderá descobrir um novo mundo, crescer, buscar novos horizontes. E, na volta ao seu país, quando sentir novamente o frio na barriga por se ver recomeçando, vai perceber que está mais amadurecida e preparada para o novo. Pode até descobrir que não teme mais mudanças, pois já virou uma cidadã do mundo.

OBS.: Material retirado do Seminário Negociação Internacional do Instituto MVC.

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Planejamento Estratégico - Para quê?

Sérgio Duarte Velasco

Vice-Presidente do Instituto MVC

Em conversas com nossos clientes temos sido freqüentemente questionados sobre a validade de se realizar ou não um trabalho de Planejamento Estratégico. Os argumentos apresentados para justificar a dúvida concentram-se, na maioria das vezes, sobre dois pontos principais:

  1. "Com este ritmo acelerado de mudanças é impossível se planejar qualquer coisa com prazo superior a um ou dois anos";
  2. "Além disso, nossa empresa tem sido bastante lucrativa. No ano passado, por exemplo, ............."

Sobre estes argumentos valem os seguintes comentários:

  1. Ritmo acelerado de mudanças – Normalmente, mudanças são percebidas via ações da concorrência e das novas necessidades dos clientes. A aceleração do processo é conseqüência do acirramento das disputas e demandas desses atores. Neste contexto, não se pode prescindir de uma boa estratégia.
  2. Planejamento para prazos mais longos – O conceito de curto e longo prazo é função do segmento em que a organização atua. Com certeza, empresas siderúrgicas e petrolíferas operam em horizontes bastante superiores aos de uma cadeia de exibidores cinematográficos que, por sua vez, planejam para prazos bem maiores do que uma padaria de bairro. Mesmo assim, as mudanças, quando não antecipadas, são impiedosas com qualquer negócio – sugerimos ao leitor voltar cinco, dez anos atrás e comparar os cinemas e padarias bem-sucedidos de então com aqueles de hoje. São os mesmos? O atendimento aos clientes mudou?
  3. Antecipação das mudanças – As mudanças e, principalmente, a intensificação de seu ritmo não ocorrem por acaso. Elas decorrem da ação das grandes revoluções que hoje se processam em âmbito global, produzindo impactos consideráveis sobre todos os países, numa explosão em cadeia que atinge progressivamente todos os setores econômicos. As organizações que perceberem hoje mais claramente os impactos que o futuro produzirá em seus negócios e que forem capazes de implementar ações para lidar com as mudanças antecipadas aumentarão suas probabilidades de sucesso nos próximos anos.
  4. Nossa empresa tem sido bastante lucrativa – O lucro de hoje é resultado de uma concepção estratégica bem-sucedida desenvolvida no passado e das sucessivas ações operacionais que a implementaram. Em resumo, o sucesso de hoje foi idealizado no passado; no ritmo atual de mudanças, nada garante que ele se repetirá no futuro. Estrategicamente, o importante é garantir o potencial gerador de lucros futuros da empresa.

Por essas razões, acredito que a adoção de um pensamento estratégico faz-se essencial para a sobrevivência de uma organização nos momentos de grande turbulência. Para mim, portanto, a essência de uma boa estratégia começa com a seguinte pergunta: Qual o potencial que nossa organização tem de criar lucros futuros permanentes?

A resposta a esta pergunta é a própria concepção estratégica do negócio da organização que, para ser bem-sucedido, deverá obedecer à seguinte combinação de idéias:

  • idealizar uma nova forma de criar valor para os clientes – quais as atividades que a organização deverá desempenhar e que produzam um real valor a seus clientes? Que produtos e serviços deverá desenvolver? Enfim, qual é o seu negócio?
  • ser capaz de colocar em ação um conjunto de competências que produzam este valor – são as principais forças da empresa postas em funcionamento para criar o valor desejado para o cliente. Uma competência não é uma simples força, mas uma força que destaque a empresa da concorrência;
  • criar uma fórmula única (distinta) que permita apropriar-se de parte do valor criado – é a capacidade de a empresa operar um conjunto de competências capaz de produzir um resultado único que os competidores não consigam copiar em curto prazo. Em conseqüência, o valor criado aos clientes gera um excedente que é apropriado pela empresa, acionistas, colaboradores e demais atores de influência.

Para testarmos a força da concepção estratégica do negócio atual de nossa empresa devemos responder as seguintes perguntas:

  • O que é único na concepção de negócio de nossa empresa?
  • O que impede nossos competidores de copiarem nossa concepção de negócio?

Segundo Michael Porter, as empresas competem criando vantagens competitivas em relação aos concorrentes. A habilidade de desenvolver competências distintas (respostas positivas às perguntas anteriores) favorece o estabelecimento de vantagens competitivas que, normalmente, se manifestam através de estratégias de diferenciação ou de liderança em baixo custo.

Nosso ponto é que a eficácia a longo prazo de uma estratégia de sucesso – via diferenciação ou baixo custo - depende da construção de uma fórmula de negócio estruturada de forma distinta e impossível de ser copiada no curto prazo pela concorrência. Para mantermos nossa vantagem competitiva no longo prazo é preciso testarmos permanentemente nossa concepção de negócio frente aos cenários futuros que pudermos antecipar para o ambiente de negócios de nossa organização.

O início de um trabalho de planejamento estratégico compreende uma fase de diagnóstico da aplicação destes conceitos, ou seja, até que ponto a concepção do negócio da empresa está clara para seus líderes principais. Além disso, deve ficar também evidente a vantagem competitiva que ela produz. Uma vez uniformizado este conhecimento, passamos para uma fase de construção de cenários futuros que estruturem as incertezas que as mudanças estão provocando em nossos negócios. Finalmente, o conceito atual de negócios é aplicado perante os cenários futuros objetivando verificar a necessidade de se promoverem ajustes nas competências que mantenham a vantagem competitiva desejada. O Plano Estratégico em si consiste em objetivos e ações estruturados numa base temporal para implementar estes ajustes.

Além da estruturação estratégica propriamente dita, a realização de um trabalho deste tipo produz outras conseqüências positivas:

  • alinhamento dos participantes à estratégia da empresa, tanto por suas opiniões durante a fase de diagnóstico dos problemas quanto pela franqueza utilizada na discussão da visão de cada um a respeito da concepção atual do negócio da empresa;
  • o esforço coletivo em discutir as divergências existentes até a obtenção de uma convergência de opinião, condição fundamental para a obtenção de uma visão estratégica compartilhada pela liderança;
  • a compreensão detalhada de como se estrutura estrategicamente o negócio da empresa favorece a construção de um processo decisório mais rápido e alinhado aos interesses da empresa e de seus clientes.

OBS.: Material retirado do Seminário de Planejamento Estratégico do Instituto MVC

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Ser Líder na Emancipação

Eunice Mendes

Consultora do Instituto MVC

Adriana  Canova

Doutora em Sociologia pela UNESP

 

Por onde passa o olhar de gestores empresariais hoje quando procuram por um perfil de liderança para suas organizações?

Muito se fala sobre a capacidade de liderança articulada à ousadia. Por este viés, o perfil ideal de um líder transita sempre pelos que possuem como traço pessoal o gosto, a destreza ou a necessidade de usar e abusar das taxas elevadas de adrenalina que uma ação ousada proporciona. Líder é aquele que não teme olhar para o futuro; que aceita riscos e cria desafios; que empurra sua equipe para frente... Enfim, líder é aquele "herói" que enfrenta obstáculos porque existem e precisam ser transpostos, muitas vezes a qualquer custo.

Os tempos são de mudanças vertiginosas, todos já sentiram. Momentos assim fazem da vida um grande laboratório, do qual as empresas não passam à margem. A própria articulação entre liderança e ousadia é parte das experiências deste macro-lab contemporâneo. Resulta da ansiedade empresarial em construir resultados bem-sucedidos, o mais rápido possível, para um mundo que aponta a outras direções. Mas, já que o fundamento da experiência é pautado pelas variáveis acerto/erro e o laboratório tornou-se franqueado a todos, cabem alguns questionamentos quanto à construção do perfil de um novo líder.

Parece haver um fator que determina a ousadia: uma auto-estima avantajada, ou seja, uma "alta estima", porque é difícil imaginar alguém com "baixa estima" ousando qualquer passo na vida ou na organização. Esta, aliás, é uma característica desprezada cada vez mais nos processos seletivos empresariais, porque, se a ousadia está articulada na alta estima, o insucesso se relaciona imediatamente à baixa estima. E ninguém quer gente assim por perto.

O curioso é que pessoas com baixa estima têm estado mais ainda próximas de todos nós, mesmo que queiramos descartá-las do nosso convívio. A tal ponto de perguntarmos se ainda sobrarão líderes ousados por muito tempo. De fato, está cada vez mais difícil para os head-hunters encontrarem pessoas com perfis semelhantes.

Quando a baixa estima se generaliza e a alta estima se toma um requisito rarefeito, é preciso perguntar, primeiramente, em que ponto as relações sociais estão se equivocando e, depois, o que será feito dos que carregam o espectro da baixa estima (que a qualquer momento pode se abater sobre todos nós). Afinal, estamos criando um mundo para os heróis? O que será feito de nós, simples mortais? Será que terão lugar na criativa trajetória para a construção da alta estima aqueles que ainda não a pleitearam?

O bom resultado de uma ação de liderança parece passar hoje por indagações desta natureza, porque a matéria-prima humana com a qual trabalha um líder no seu cotidiano é tecida de baixas e altas estimas. Mas que perfil de líder estaria mais bem capacitado a articular este tecido de tal forma a fortalecê-lo em seu conjunto? É aquele que possui como perfil a ousadia?

A alta estima exacerbada, presente nos líderes que centram sua ação na ousadia, funciona, quase sempre, como a imagem de um narciso preso ao espelho d'água que paga qualquer preço para sustentar sua vaidade.

No meio do caminho, a um passo entre a alta e a baixa estima está uma versão equilibrada da auto-estima. Os portadores desta qualidade são aqueles que apreendem a si mesmos em uma medida que possibilita enxergar os outros à sua volta. São aqueles que não se pautam pela ousadia porque sabem que esta não cabe em todas as fórmulas. São aqueles que percebem que é preciso ousar quando necessário. E parte desta precisão vem da capacidade de liderar emancipando.

O momento parece estar pedindo líderes emancipadores. Pessoas com capacidade de socializar capacidades, que não ponham em risco contínuo as empresas, tampouco sacrifiquem diariamente os recursos humanos que as constituem, pela ação exacerbada da ousadia.

Esses líderes emancipadores possuem um perfil bem definido. São discretos e privilegiam o anonimato. Delegam e horizontalizam as relações de poder. Preferem os círculos aos quadrados.

Consideram que um passo bem dado exige seu tempo e é melhor resposta que dois passos rápidos e tortos. Mas não temem passadas largas. Gostam mais do abraço que do aperto de mão. Acreditam que o mundo não é feito só de heróis. Buscam coerência entre o discurso e a ação e estão dispostos a arregaçar as mangas para executar tarefas que repassariam a terceiros.

Possuem afinidade com o "chão da fábrica" e não se enterram em torres de marfim. São educadores, antes de se colocarem como chefes e pautam as relações interpessoais pela identificação da existência do outro. Trabalham na esfera da autoridade partilhada porque assim permitem a construção contínua de habilidades. Acreditam que produz melhor não aquele que compete, mas alguém que identifica em seu espaço de trabalho um território que espelha, no conjunto, uma parte do que ofereceu de si diariamente.

Um líder emancipador parece ser, enfim, aquele que compreende que a baixa estima é um ponto de partida possível para a auto-estima equilibrada, porque sabe que todos com os quais partilha esta construção tomam-se seres humanos plenos e capazes. E não há organização que possa prescindir destas competências.

Então, por que não procurar por um perfil de liderança como esse?

OBS.: Material retirado do Programa Executivo Século XXI do Instituto MVC

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"3 Minutos de Silêncio" por uma empresa melhor!!!

Denize Dutra

Consultora do Instituto MVC

A organização do ROCK in RIO promoveu, na ocasião da abertura do FESTIVAL, num contexto cujo objetivo era muito som, um"gesto simbólico" de silêncio, buscando uma significativa possibilidade de reflexão, não só dos jovens e pessoas que lá estavam, como também de toda a sociedade, através de suas chamadas pela televisão, veiculadas antes do início do evento.

Eu, particularmente, não conseguia parar de pensar na pergunta: - O que eu poderia fazer para um mundo melhor ? Sinceramente não sei se isto se deve apenas ao fato de que esta já seja uma preocupação constante do meu dia-a- dia e, em especial, do meu trabalho. Penso, sim, que qualquer SER HUMANO que tenha "alguma sensibilidade" e responsabilidade social deve ter, em algum momento, parado para responder a pergunta: - O que eu tenho feito por um mundo melhor???

Aliás, este tema tem estado muito mais intensamente presente em minhas reflexões diárias desde setembro, quando comecei a pesquisar sobre A RESPONSABILIDADE SOCIAL de forma mais profunda, a fim de preparar uma palestra para um Cliente do nosso Instituto.

Depois, veio o fim do ano, do século, do milênio….muitos questionamentos, novos planos. Em seguida, leio no ultimo INSIGHT o artigo de meu amigo João Alfredo Biscaia sobre o PESSIMISMO (ótima desculpa para quem não pretende contribuir para melhorar o mundo!!!) e, neste fim de semana, li, durante um vôo, o artigo de outro amigo Marco Aurélio (na revista MELHOR) sobre o LÍDER CIDADÃO!!! Com tantos estímulos e algumas experiências fortes nesta última semana de trabalho sobre as competências de liderança, acabei decidindo compartilhar com vocês algumas idéias:

  • Penso que precisamos levar para dentro de nossas organizações este gesto simbólico de 3 minutos de silêncio por uma empresa melhor!, ou qualquer outro, que faça as pessoas refletirem sobre qual é a sua responsabilidade para a construção de um melhor ambiente organizacional.
  • De forma nenhuma, considero que as coisas não estejam mudando. Pelo contrário, sinto que a maioria das pessoas deseja as melhorias e que, muitas vezes, elas não sabem como agir, precisando ser orientadas.
  • Minha preocupação, neste momento, é com uma minoria que, pelo poder que exercem, podem comprometer totalmente o sucesso das mudanças… Penso nos chamados "chefes, encarregados, ou qualquer outra nomenclatura", que ainda não descobriram o verdadeiro sentido da liderança e muito menos o da CIDADANIA…
  • A cidadania depende não só da consciência dos direitos e deveres, mas da coerência entre o discurso e a ação, da responsabilidade social e do comprometimento com a ética. É preciso ter uma atitude que reflita os verdadeiros valores e as crenças pessoais, que devem estar compatíveis com as da organização onde o líder atua. É preciso perceber que o verdadeiro líder é EXEMPLO, é referência, é aquele que está sempre tentando descobrir o que pode fazer por uma empresa melhor e que mais do que percebido, ele é seguido
  • Felizmente, as empresas já estão percebendo que é mais fácil treinar as competências técnicas do que modificar atitudes que expressam valores éticos e morais. Percebe-se ainda que, a cada dia, é maior a constatação de que um relacionamento harmônico que gere satisfação pessoal, prazer no trabalho, maior produtividade, melhor qualidade e maior criatividade dependerá do grau de confiança entre as pessoas. Confiança é uma conquista diária e está relacionada à credibilidade do outro.
  • É preocupante quando percebemos que jovens talentos, líderes em potencial, não possuem valores sólidos, ainda acreditando que o que vale é a "lei de Gerson", que vale tudo para se atingirem metas pessoais. Muitos ainda confundem ser empreendedor  com "sede de poder" . Não perseguem que resultados se conseguem com as pessoas e através das pessoas, e que o lucro é a conseqüência .
  • Em meu trabalho, sempre levo as pessoas a pensar que, infelizmente, pouco adianta nos sentirmos incomodados, deprimidos, diante das catástrofes que a cada dia nos defrontamos nas notícias dos jornais, pois nestas situações muito pouco podemos ajudar e, menos ainda, na maioria dos casos, evitar. Existem, porém, outras situações que podem afetar diretamente os Seres Humanos e a construção de um mundo melhor e de uma sociedade mais justa. No entanto, muitas vezes,  colocamo-nos numa posição de "impotência", que, na maioria das vezes, é uma ilusão que ameniza nossa irresponsabilidade, nosso comodismo, nossa covardia, nosso pessimismo, nossa apatia… Em muitas situações podemos agir produtivamente ou, até que seja, reagir, mas preferimos as brilhantes explicações, justificativas e desculpas… Preferimos esperar que o outro comece, mude…
  • Neste início de ano, década, século, milênio, cabe-nos, como profissionais, refletir de que forma temos contribuído para tornar as empresas melhores. Antes de iniciar cada dia, cada um pense, pelo menos, por 3 minutos: - O que eu posso fazer, hoje, por uma empresa melhor ?

OBS.: Material retirado do Programa Executivo Século XXI, do Instituto MVC

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Decisões e Escolhas: Uma Questão Essencial

José Augusto Wanderley

 

 

A vida é a arte das escolhas,

dos sonhos, dos desafios e da ação

J. A. Wanderley

Os caminhos da vida são feitos de decisões e escolhas. Assim, o que cada um de nós é hoje, seja na sua vida profissional, seja na sua vida pessoal, é conseqüência destas escolhas e das ações adotadas para efetivá-las. Algumas são essenciais e importam decisões sobre nossa religião ou nosso papel social. Outras são operacionais, como a roupa que vamos vestir hoje para ir trabalhar.

O que vale para as pessoas também vale para as empresas, ou seja, uma empresa sobrevive ou não, tem êxito ou fracassa, de acordo com as decisões e escolhas que fez ou faz, de suas estratégias e foco, seus sistemas de crenças e valores, seu estilo gerencial, seus processos, suas estruturas, as pessoas que seleciona, o sistema de treinamento e desenvolvimento que adota. Ou, de acordo com Peter Drucker, "o produto final do trabalho de um gerente são decisões e ações".

Assim sendo, três aspectos devem ser considerados:

  1. A todo momento, queiramos ou não, conscientes ou inconscientes, por ação ou omissão, estamos sempre fazendo escolhas. E nunca é demais lembrar que não escolher já é uma escolha;

  2. Se queremos ser os timoneiros da nau da nossa vida, devemos procurar ser conscientes das escolhas que fizemos e estamos fazendo, pois é esta consciência que nos permite assumir a responsabilidade pelos nossos atos e, conseqüentemente, continuar com o que estamos fazendo ou então mudar. É conveniente ter presente que algumas escolhas deram certo em determinados contextos, mas que se adotadas em outros podem ser profundamente negativas. Um pequeno exemplo: alguém que quando criança, para obter o carinho e a atenção dos pais, chorava, fazia manha ou gritava. Depois, quando adulto, para ter as suas necessidades de aceitação e reconhecimento atendidas, adota comportamentos de essência semelhante que, sem a menor sombra de dúvida serão totalmente inadequados, gerando respostas justamente opostas às desejadas;

  3. Podemos, através do desenvolvimento pessoal, aumentar a nossa esfera de escolhas. Aprender, no fundo, importa ter mais opções, isto é, ampliar possibilidades. A questão básica é o que aprender para que possamos ter êxito neste mundo de crescente insegurança, complexidade, ambigüidade e imprevisibilidade. E isto também é uma escolha.

De qualquer forma, é sempre conveniente ter presente 6 escolhas que estamos fazendo a todo o momento.

1- Vida ou morte

O general franquista Millan d’Astray, nas suas palavras na Universidade de Salamanca, na frente do filósofo Miguel de Unamuno, proferiu sua célebre frase: "Abaixo a inteligência. Viva a morte!". E esta é a grande questão. Estamos escolhendo a vida ou a morte do planeta em que habitamos? Todas aquelas pessoas ou empresas que contribuem com poluição ambiental e destruição dos ecossistemas, chuvas ácidas, aumento da temperatura na Terra e a conseqüente elevação dos níveis das marés, destruição da camada de ozônio, desmatamentos indiscriminados e a existência de pessoas vivendo em condições subumanas, em função da ganância, da busca do lucro Kamikaze ou da falta de consciência social, estão engrossando o coro de Millan d’Astray e à sua própria maneira estão repetindo com o general franquista: "Viva a morte!"

Na realidade, esta é a grande questão ética, segundo a qual todas as outras devem se ordenar. É saber qual a resposta a uma pergunta de Albert Einstein: "Será que estamos fazendo deste planeta um lugar melhor para se morar?" Ou estamos ao lado dos que não têm nenhuma preocupação com isto, pois, como dizem, a longo prazo estaremos todos mortos.

2 - Os significados

A riqueza de nossa vida está muito relacionada aos significados que damos ao que fazemos. É a história dos 3 operários que estavam numa mesma obra e foram indagados sobre o que estavam fazendo. Um deles disse que estava assentando pedras. O outro, que estava construindo uma escada. O terceiro, que estava colaborando para a construção de uma catedral. Nós podemos escolher os significados que damos a tudo o que fazemos e isto pode representar uma grande diferença.

3 - Passado ou futuro orientado

As pessoas  passado orientadas  ficam querendo mudar o que fizeram, como se pudessem entrar na máquina do tempo. Tendem a se lamentar ou arranjar culpados e estão mais voltadas para ameaças. As pessoas  futuro orientadas  buscam resultados, aceitam as situações existentes como um ponto de partida, não confundindo aceitação com conformismo, e procuram identificar e agir de acordo com as oportunidades. De qualquer forma é conveniente citar Franklin Delano Roosevelt: "O progresso é realizado pelos homens que fazem e não pelos que discutem de que modo as coisas deveriam ter sido feitas."

4 - Sistema aberto ou fechado

Os seres humanos são e deveriam agir como sistemas abertos, ou seja, em interação com o seu meio. Cada vez que as pessoas se fecham através do dogmatismo, da arrogância ou da negação, estão agindo como sistemas fechados. Prendem-se ao familiar e ao conhecido e, freqüentemente, ficam encasteladas em torres de marfim. As pessoas que agem como sistema aberto estão em relacionamento, têm consciência do fluxo contínuo de mudanças e sabem que a melhor forma de prever o futuro é criá-lo.

5 - Crenças e valores

Uma das coisas que têm forte influência sobre nossos comportamentos é o nosso sistema de crenças e valores. Neste sentido há quem diga que: "Quer você acredite que pode, quer acredite que não pode, você está certo." Todos nós temos um conjunto de crenças e valores que fomos adquirindo ao longo da vida e que são determinantes do nosso comportamento. Algumas podem ser extremamente úteis, como acreditar que tudo o que nos acontece pode ser uma oportunidade. Outras podem ser negativas, como a de se acreditar vítima das circunstâncias, na base do "isto só acontece comigo". Em geral as pessoas não analisam os impactos de suas crenças sobre suas vidas e não sabem que podem e como mudá-las.

6 - Intervir e mudar ou ser passivo

A consciência de que o que obtemos da vida está profundamente relacionado às escolhas que fizemos ou fazemos nos permite estar abertos a identificá-las e ratificá-las ou retificá-las. E esta é uma grande escolha final. É possível mudar. E um bom modo de fazê-lo é com base em Jean P. Sartre: "Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim." Em suma, ser consciente das escolhas que fazemos é entrar no mundo mágico das possibilidades. É saber que existem infinitas formas e caminhos e que a vida é daqui para a frente.

OBS.: José Augusto Wanderley é autor do livro Negociação Total: Encontrando Soluções, Vencendo Resistências, Obtendo Resultados

 

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