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CRESCIMENTO
COMPARTILHADO FRANCISCO BITTENCOURT
Consultor do MVC,
autor de "Líderes ou
Arquitetos?" (no prelo)
INTRODUÇÃO Chefes empurram, líderes puxam
... Chefes têm voz mais forte, líderes têm ouvidos
mais acurados ...
O convite para
desenvolver um trabalho de transmissão de conceitos de
qualidade, com dois enfoques, um voltado para padrões de
qualidade de recursos, tecnologia e processos e outro
abordando aspectos comportamentais, envolvendo
princípios de mudança e comprometimento, não refletia a
realidade que se colocaria a nossa frente, tão logo este
programa, inesquecível, se efetivasse.
Esta empresa,
produtora de artefatos de papel, com cerca de 150
empregados, era dirigida por um grupo de cinco
profissionais, irmãos, tendo outros membros da família
em seu quadro efetivo.
A empresa, que
historicamente desenvolvia um movimento típico de
organizações semelhantes, mostrava um caminho para o
futuro provavelmente sem grandes novidades ou
descobertas.
Os irmãos se
sucediam, em forma de rodízio, na direção da empresa, e,
na ocasião do convite, estava no comando o irmão mais
jovem do grupo.
Na
oportunidade, contratos firmados com empresas de posição
relevante no cenário nacional abriram à empresa
oportunidades até então não acessíveis.
Novas
cores, novos cenários, novos ambientes ...
Os
resultados econômicos e financeiros logo se fizeram
sentir. A disponibilidade para investimentos e para o
custeio de ações de melhoria no ambiente profissional
tornaram-se uma significativa e palpável
realidade.
Na primeira
conversa com o diretor, disse-me que a equipe de
colaboradores estivera com ele durante os tempos
difíceis. Ele gostaria de retribuir, por meio de nosso
programa, toda esta solidariedade e comprometimento,
dando aos membros da equipe, um novo sentido de
qualidade as suas vidas pessoais e
profissionais.
O que se
passou, a partir deste primeiro contato, foi uma
sucessão de eventos interessantes, reveladores do
impacto provocado nas equipes pela ação diferenciada de
seus componentes.
Para se ter
uma idéia do mecanismo de ações e reações, um exemplo
merece ser citado.
Em um
determinado mês, iniciou-se um programa de esforços
concentrados com o objetivo de atingir um resultado
reconhecidamente desafiador. Os esforços individuais e
coletivos foram flagrantes, mas, por razões que se
colocaram fora do alcance de suas influências, não
permitiram a consecução dos resultados.
Na mente do
diretor, mesmo com o resultado não alcançado, o esforço
fora flagrante. A não-consecução do resultado não
descredenciava nem desmerecia o esforço para
alcançá-lo.
Por esse
motivo, não aceitou o resultado sem mostrar seu
reconhecimento pela dedicação da equipe. Não podendo
retribuir, por exemplo, convidando a todos (incluindo
suas famílias) para um gigantesco churrasco no fim de
semana (havia espaço suficiente nas dependências da
empresa), optou por fechar um contrato com um
frigorífico, que, numa marcante e inesquecível
sexta-feira, entrou na fábrica com um caminhão contendo
uma peça de carne para cada funcionário. Isto permitiria
a todos curtirem um belo churrasco com família e amigos,
no fim de semana. Inusitado? Sim, mas objetivo e
concreto.
Manuais de
liderança estão disponíveis e cada um delas terá uma
gama bastante ampla de opções de modelos de
reconhecimento e retribuição, a serem adotados por
líderes, em relação aos seus subordinados.
Fred
Polak, em seu livro "A visão do futuro",
afirma que a visão é a ação que
muda o mundo, que visão sem ação é um sonho, e que ação
sem visão é um passatempo; ter uma visão positiva de
futuro é um poderoso motivador. A visão, portanto, é o
resultado dos sonhos em ação.
Estar atento
aos sinais e às atitudes, aos comportamentos e aos
resultados das ações de seus subordinados é o principal
diferencial competitivo de um líder comprometido com a
contemporaneidade.
Conhecer o
perfil de sua equipe, as características marcantes,
capazes de, senão prever, ao menos delinear o caminho
escolhido pela equipe, na tentativa de atingir seus
objetivos exige, dos líderes, um exercício de
competência para, percebidos os sentimentos, selecionar
as ações de resposta da liderança.
Algumas
questões podem ser postas pela liderança na reflexão
sobre a qualidade do impacto provocado pelo líder sobre
a ação de seus liderados: * Responsabilidade e
autoridade claramente definidas? * Indisciplina pessoal de membros da
equipe contaminando negativamente seus
pares? * O clima interno de trabalho favorece
a integração? * Mudanças são
implementadas sem planejamento e comunicação
adequados? * Os padrões de trabalho têm
avaliação ou reflexão constante sobre sua
efetividade? * Há lógica entre a
estratégia organizacional e a operação propriamente
dita? * A liderança, em vez de se impor,
procura parceiros para suas idéias? * Nas crises, em vez de tratar de
solucionar problemas, procuram-se
culpados? *
Os membros da equipe têm
consciência das conseqüências positivas ou negativas de
seus atos e decisões? *
Momentos de crítica são superficiais e adia-se a
transmissão de informações negativas à
equipe? ·* Os membros da equipe
sabem a real finalidade do que fazem?
Colocar em
ação decisões tomadas a partir de uma visão inicial,
gerando respostas no sentido de obter um resultado
esperado mostra a competência de um líder.
Na
visão de Philip Kotler e Gary Armstrong, há um conjunto
de variáveis com condições de interferir nos resultados
de seus negócios produtivos: *A capacidade
visionária da liderança; * A
dedicação dos funcionários da
organização; * O perfil de uma
orientação empreendedora, pelos líderes; * A
flexibilidade, diante de processos e
resultados; * O nível de orientação
geradora de comprometimento com o
negócio.
O líder
consciente tem para si, muito claro, o padrão de
influência e de importância que essas variáveis exercem
sobre o resultado.
Monitorar
cenários externos a seu segmento de trabalho,
identificando as expectativas de sua clientela, interna
e externa, conhecendo as estratégias e as metas da
organização são responsabilidades de quem exerce a
liderança de pessoas e está inserido em um contexto
gerador de resultados.
Vale observar,
todavia, a necessidade fundamental de conhecer, de forma
intensa, o nível de qualidade das expectativas dos
membros da equipe, ao desenvolver mecanismos de
resposta.
O entendimento
dos traços culturais que prevalecem entre os membros da
equipe permite ao líder delinear, de forma mais efetiva,
os mecanismos de impacto com dimensão de qualidade
suficiente para significar como satisfazê-los e
motivá-los.
A liderança,
ao mencionar a necessidade, a obrigação em atingir
objetivos deverá clarificar, para a equipe, posturas de
reconhecimento.
Ao mencionar a
política de consecução de resultados, a liderança deverá
permitir a equipe vislumbrar oportunidades de
crescimento e desenvolvimento.
Ao mencionar a
expectativa de lucro, a liderança deverá buscar o
comprometimento da equipe pela real possibilidade de
participação de seus membros no benefício gerado pelo
resultado atingido.
Uma empresa,
com um efetivo consistente na área de vendas, durante um
bom tempo oferecia prêmios aos vendedores que atingiam
ou superavam metas. Isto fez parte da política da
empresa até o dia em que se descobriu, quando da
premiação, aguardando fora da empresa, um grupo de
pessoas esperando pelos prêmios, que, antecipadamente já
haviam sido comprados dos vendedores.
Um outro
exemplo nos leva a uma empresa multinacional, que
oferecia um relógio de ouro, de marca famosa,
valiosíssimo, aos empregados que completavam 25 anos de
serviços prestados a empresa. Estes empregados, alguns
simples operários, não sabiam o que fazer com os
relógios, de altíssimo valor. Guardavam, escondiam,
vendiam, mas raramente usufruíam publicamente do
presente.
Carl
Rogers nos ensina a adotar uma atitude, em sua
opinião, respeitadora das expectativas, anseios e
valores das pessoas, notadamente aquelas envolvidas em
nossas relações produtivas de trabalho: a escuta eficaz, ou escuta
ativa, onde é essencial verificar se fazem
sentido as mensagens trocadas entre as pessoas.
Se o líder se
propõe a reconhecer o esforço e o trabalho de alguém,
leva em consideração o universo em que circula esta
pessoa.
Dirigir-se à
equipe ou agir em prol da equipe sem levar em conta a
sua realidade é exprimir-se em um idioma ininteligível
para quem recebe a mensagem.
Conclusão
No início do século XXI
uma antropóloga fez um trabalho junto a uma tribo onde
se registravam altos índices de suicídio de homens
adultos. Nesta tribo, como prova de virilidade, as
anciãs entregavam machadinhas de pedra, confeccionadas
por estes anciãos, sábios, aos seus varões.
Um grupo de
missionários, que passou a desenvolver um trabalho de
catequização desta tribo, identificando a necessidade de
suprir a tribo de recursos e instrumentos que lhes
permitissem caçar, cortar alimentos, lenha, defender-se,
distribuíram, a todos os membros da tribo, machadinhas
mais fortes e eficientes.
A partir desta
decisão, o que era um sinal de honra, ter uma machadinha
confeccionada pelos sábios, passou a ser uma vergonha.
Qualquer membro da tribo, homem, mulher, adolescente ou
criança, passava a portar uma machadinha, mais eficaz, e
que não exigia prova de virilidade. Da vergonha ao
suicídio, foi um passo.
O líder, na visão contemporânea
de Likert, tem como
característica influenciar pessoas e gerar
resultados. Poderíamos complementar esta
afirmativa incluindo a necessidade de também fazer a
leitura competente das expectativas e dos anseios por
reconhecimento e de oportunidade, dos membros da
equipe.
Material retirado do programa "Desenvolvendo as Competências do
Executivo/Gerente Século
XXI".
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