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EFEITO
FELIPÃO
Marco Aurélio
Ferreira Vianna
Presidente
do MVC
A
sabedoria oriental
nos ensina: “quando achares que sabes tudo sobre a tua arte, vá
a outra arte, aprenda com ela, e melhora a tua própria arte.”
O
esporte tem sido fonte inesgotável de boas idéias para o campo
do management.
É claro que uma análise acurada da fantástica conquista do
Pentacampenato pode melhorar com substância nosso entendimento
sobre instituições vencedoras. Especificamente, o
Estilo Felipão de Liderar merece um aprofundamento mais sério
do que se imagina à primeira vista.
Para dar o devido grau de importância é preciso entender que o
esporte de um modo geral, e com maior ênfase o futebol, está
se tornando um produto pasteurizado, globalizado e de certa
forma até comoditizado. A disputa do terceiro lugar
neste último campeonato mundial, entre Turquia e Coréia,
talvez seja um rico fato emblemático. Em nosso Brasil, o
sucesso do São Caetano e do Ituano reforçam ainda mais nossa
tese.
Desta maneira, quando se igualam capacitações e estrutura,
é necessário introduzir a diferenciação competitiva
adequada, da mesma maneira que empresas concorrentes com
produtos iguais tentam superar-se na qualidade e excelência dos
serviços.
No caso do futebol
brasileiro, esta capacidade de diferenciar-se está situada no
estilo de gestão operacional que Luiz Felipe Scolari imprimiu.
Time por time, com um R a mais ou a menos, não tínhamos tanta
diferença em relação aos demais. Tanto isto é verdade que, média
das médias, éramos, na melhor das hipóteses, o quinto
favorito, atrás da França, Argentina, Inglaterra e Itália.
Visões mais pessimistas, que não eram poucas, colocavam pelo
menos Espanha, Portugal e Camarões na nossa frente. Contra tudo
e todos, conseguindo a classificação no último jogo, chegamos
ao final com um título inédito garantido, com o primeiro e
segundo artilheiros, com o melhor ataque, com o melhor saldo de
gols e como o único time com aproveitamento máximo. Um
sonho cósmico de lavar a alma.
No entanto, por
trás de tudo, alguns atributos (veja a
lista completa no box) de excelência merecem destaque:
Antes e acima de tudo, a grande lição
da união e integração da equipe. É preciso
entender que esta decisão foi consciente desde o primeiro
momento. O sistema é mais importante
do que o indivíduo. Bernardinho, outro grande líder
vencedor, também não abre mão dessa filosofia de trabalho. A
não convocação de Romário, numa enorme demonstração
de fortes convicções, foi prova da
assertividade da liderança. Ocorreu outro fato
marcante não percebido pela maioria. Quando perguntado porque
Ricardinho só ter sido convocado para substituir o capitão Émerson,
depois de sua contusão, Felipão deixou escapar: “Eu não
queria quebrar a unidade do grupo”.
Outro ponto de
destaque nesta liderança consiste na preocupação
com a motivação. Se utilizássemos os métodos
tradicionais para motivar, certamente teríamos dificuldade de
criar os verdadeiros “ganchos do céu” que levassem seres
humanos já realizados a se superarem por um prêmio equivalente
ao salário mensal de vários titulares. Em verdade, não é
dinheiro nem poder que motivaria esta gente. O
cuidado de mostrar tapes da população brasileira,
especificamente, das doces faces infantis das crianças pedindo
com sua inocência “traz o Penta pra gente” é o exemplo do
limite de excelência que se chegou. Esta decisão,
em verdade introduzida por Evandro Motta em 1994, sai dos padrões
tecnocráticos e financeiros e demonstra a nobreza das atitudes
que imperou no outro lado do mundo.
Este mesmo
cuidado era também usado na busca de
informações. Por trás do estilo despojado de ser,
Felipão carrega uma alta dose de metodologia. Véspera
do jogo com a Turquia, ele telefonou para o Arnaldo César
Coelho e perguntou sobre as características do juiz da partida.
Nenhum conhecimento podia faltar.
No lado da
organização, Disciplina, Planejamento
e Persistência eram parte integrante de todos os trabalhos.
Como raros líderes, o chefe da família Scolari sabe trabalhar
no muro tênue que separa a seriedade da descontração. De
novo, como Bernardinho, a austeridade e
até a severidade fazem parte de seu perfil durante os treinos e
jogos; isto não impede o animado pagode na volta ao hotel, nem
muito menos a palavra motivadora de um pai amigo.
Outro ponto que
não pode deixar de ser citado – aliás, característica que
também se inicia em 1994 – consiste na obsessiva postura
de foco em resultados. O dinheiro, a remuneração, o bicho
deixam de ser importantes durante todo o campeonato, e dão
lugar completo a uma concentrada vontade de vencer.
Mais
do que tudo, entretanto, este Estilo de
Gestão, parodiando James Collins, abandonava a tirania do
“ou” e admitia a flexibilidade do “e”. Felipão
era ao mesmo tempo o pai amigo e o pai severo, exigia a
seriedade, mas admitia a brincadeira, era irredutível nas
convicções (estratégias), mas flexível na operação (táticas),
ria e chorava, cobrava do corpo mas exigia a alma junto. Em
suma, complementava sempre a emoção
com a razão. Em suma, uma grande lição para as nossas
empresas.
EXCELÊNCIA DO PENTA -
ATRIBUTOS DO SUCESSO
|
Coerência
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Clima
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Comprometimento
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Flexibilidade
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Disciplina
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Foco em resultados
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Doação
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Humildade
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Planejamento
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Informação
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Tecnologia
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Liderança
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União/Integração
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Participação
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Valores
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Persistência
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Material
do programa Desenvolvendo as Competências
do Executivo/Gerente do Século 21.
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