|
|
Voltar
O
ATUAL ESPÍRITO DOS TEMPOS
Marco Aurélio Ferreira
Vianna
Presidente
do MVC
Em
um exercício de retomada de visão passada, proponho
aos leitores voltar há 10 / 8 anos e imaginar como
estava nossa atmosfera/ entorno psicológico/cognitivo e
nosso campo de esperança.
É bom lembrar que estávamos
bombardeados pela tempestade das mudanças - abertura da
economia, globalização, privatizações,
desregulamentações, competitividade, produtividade,
qualidade, reengenharia, final da inflação, diminuição
dos preços, valorização de seres humanos, ética,
responsabilidade social, só para enumerar os principais
movimentos.
Logo a seguir, a Revolução Tecnológica,
com a expansão das Comunicações, da Informática e,
principalmente, da Internet mudaria profundamente o modus
operandi de nossa própria vida. A nova economia
matou os padrões tradicionais, fazendo o Nasdaq
explodir e criando a empresa virtual do capital intangível,
baseado no capital intelectual, muito maior que o ativo
tangível. Enfim uma reviravolta absoluta de conceitos e
premissas.
Fazendo a última listagem, cheguei a 34 (isto mesmo)
megamovimentos de mudanças. Mas, mais importante do que
as modificações em si, importava a atmosfera de
esperanças que essas revoluções traziam no seu bojo.
Ninguém poderia imaginar que tudo aquilo não serviria
para nada. Ao contrário, a grande maioria dos empresários
e executivos brasileiros, confiando no desenvolvimento
proposto, aceitou pagar o preço da mudança. E fazendo
o seu dever de casa com excelência, entrou na nova
onda.
Em dez anos, estamos chegando a 6.000 empresas
certificadas pela ISO 9000; compra-se um carro básico
com 4000 dólares; em oito anos saímos do zero para 30
milhões de telefones celulares; privatizamos quase
tudo; na maior das crises econômicas, nossa inflação
não passará muito de 7%; e por aí fomos!
Mas, mais do que tudo, tínhamos a
esperança de que o modelo seria nobre, engrandecedor,
social, talvez até perfeito. Uma década de sonhos que
acabei denominando de Era do Romantismo, quase
iluminista.
É aí que entra a dura realidade dos
anos iniciais desta década 00. Imperfeições do
projeto, colisões na rota, desvios do planejado, falta
de cumprimento do combinado, erros de implementação, ação
de aproveitadores, e chegamos a uma situação onde
estamos vivendo uma séria de fatos jamais supostos.
Pelo menos alguns exemplos podem ser
lembrados. A crescente violência urbana, a força do
poder paralelo dos narcotraficantes, a volatilidade do
mercado financeiro, a explosão do risco-Brasil, o
retrocesso dos princípios mais nobres da gestão
(encantamento dos clientes, valorização dos seres
humanos, papel social das empresas), a crise Argentina,
o respaldo da competitividade e muitos outros. Sem
esquecer, é claro, o 11 de setembro (até hoje com sua
ameaça de bis).
Um belo exemplo deste quadro é a equação
de Charles Handy. Em 1992 no Congresso Mundial de
Recursos Humanos, este grande pensador britânico dizia
que a empresa do futuro seria conceituada através
da equação 1/2 x 2 x 3. Ou seja, metade dos
empregados ganhando o dobro, produzindo o triplo. Em
trabalhos participativos que tenho feito com meus
parceiros, temos chegado à conclusão de que a
realidade hoje demonstra que esta
equação em verdade é 1/3 x 1/2 x 4. Ou
seja, um terço dos empregados
ganhando a metade e produzindo 4 vezes.
Por tudo isto, é necessário que as
empresas - reconheço que em grande esforço - adotem um
plano que pode ser denominado Projeto Maturidade. De
um lado, o motivacional: ele teria como
base revigorar a auto-estima das pessoas, enfraquecida,
até com razão, pelas circunstâncias explanadas
anteriormente. De outro lado, é necessário desenvolver,
mais no plano cognitivo, a consciência humana para este
novo tempo, eliminando, aí pelo lado da emoção, a
conseqüência da frustração de expectativas.
É preciso apagar a esperança do passado e com atitudes
maduras, pró-ativas e principalmente realísticas,
respeitar as regras do jogo atual. Difícil, complexo,
muito pior do que se imaginava, mas ainda recheado de
oportunidades.
Voltar
|
|