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TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO: FANTASIA X
REALIDADE Luiz Guylherme
Dias Consultor do
MVC
A
informação é a bola da vez. Ativo de importância
permanentemente crescente, similar à do capital.
Sobretudo no mundo dos negócios, onde os processos de tomada
de decisão, suportados pela informação, tornam-se cada vez
mais críticos. Hoje se afirma: informação é dinheiro em
movimento.
Como conseqüência, no
mundo empresarial a atividade de Tecnologia da Informação - TI
- passou a exercer um papel mais estratégico. Mudou da posição
de mero redutor de custos para investimento gerador de
receitas.
A indústria de TI vem
sofrendo uma violenta transformação, criando ciclos de mudanças
cada vez mais freqüentes e proporcionando aos seus usuários
maior facilidade de aquisição e acesso aos recursos da
Informática. Estamos vivendo hoje a 5a. geração
(daí o nome "Pentium") de TI, onde equipamentos portáteis
possuem capacidades de processamento, armazenamento e
comunicação superiores a de mainframes de 20 anos
atrás e com custos proporcionalmente cada vez menores .
Entretanto, essa
violenta evolução dos recursos tecnológicos (equipamentos,
softwares, bancos de dados, redes de comunicação de dados) não
foi acompanhada na mesma proporção pela evolução dos recursos
organizacionais (missão, estrutura, escopo de atuação,
pessoal, equipe de trabalho, treinamento, relacionamento com
usuários). Baseado numa experiência acumulada ao longo de mais
de três décadas em dezenas de projetos de consultoria, concluí
que em distintas empresas de diferentes portes e ramos de
negócios, utilizando diferentes soluções tecnológicas, as
causas dos problemas com TI têm como origem central os
aspectos organizacionais, em especial o ser humano: técnico,
usuário ou gestor.
Significa dizer, por
outro lado, que o sucesso da aplicação da TI nas empresas
depende essencialmente dos recursos organizacionais e não dos
tecnológicos, como muitos ainda acreditam.
A constatação de que a
solução dos problemas com TI está no homem e não na
máquina - o Paradoxo da Produtividade de Robert
Solow - gerou por um lado um enorme desperdício de
dinheiro, sobretudo em empresas da chamada Velha Economia.
Mas, por outro lado, resultou num aumento da consciência dos
seus executivos para a necessidade de alinhamento estratégico
da TI com o negócio, ou melhor com a necessidade do cliente
final. Um fenômeno semelhante ocorreu na Nova Economia
provocando o desaparecimento de centenas de empresas de alta
tecnologia em todo o mundo, onde as sobreviventes foram
obrigadas a fazer cortes dolorosos e reformular seus planos e
estratégias de negócios para se adaptar as mudanças exigidas
pelo mercado consumidor.
A conclusão a que se
chegou é que as decisões de investimentos em TI pelas empresas
são muito mais uma questão de fé do que de análise técnica do
retorno financeiro desejado, já que os benefícios resultantes
são, em sua grande maioria, intangíveis e qualitativos e
portanto, de difícil, embora não impossível, mensuração.
Como
conseqüência, os profissionais de TI passaram a ter um perfil
mais voltado para a satisfação das necessidades dos clientes
(externos e internos), para a produtividade das
pessoas e para os resultados da empresa, reduzindo a ênfase e
a preocupação com a tecnologia em si, cujo equacionamento está
cada vez mais com os fornecedores de soluções e serviços.
Os
maiores fornecedores mundiais de TI, sejam de hardware ou de
software, estão atualmente focados em soluções e serviços,
cada vez mais especializados, segmentados, integrados e
orientados ao negócio, quase que "sob medida" para as
necessidades específicas de cada cliente. Esse
re-direcionamento de foco fez com que o poder saísse das mãos
dos fabricantes vendedores para as mãos dos clientes
compradores. Esperamos assim
que muito em breve as empresas poderão utilizar os serviços de
TI da mesma forma como serviços públicos como água ou
eletricidade, ou seja, sem a preocupação com a infra-estrutura
tecnológica que está por trás. Uma evolução que permitirá,
finalmente, aos seus usuários a tão desejada concentração no
seu próprio negócio ("core business").
A onda tecnológica que
estamos vivendo agora - e que passa obviamente pela Internet -
vai tentar conectar pessoas e máquinas via WEB com plataformas
para criação e utilização de aplicativos, processos e sites
visando serviços personalizados, integrados e compartilhados
para oferecer as soluções que as pessoas e as empresas
necessitam.
Como conseqüência,
ficaremos novamente perplexos querendo acreditar que dessa vez
a fantasia tecnológica solucionará finalmente os problemas que
a dura realidade dos negócios nos impõe. Será que vai dar
certo?
A reflexão sobre esse
tipo de indagação deve passar pela afirmação de um dos maiores
estudiosos e pensadores da área de Gestão Empresarial de
Negócios - Peter Drucker - quando nos alerta
dizendo: "Há boas razões para que os
administradores de empresas aprendam logo o que um computador
pode ou não fazer por eles".
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