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FRANCISCO
BITTENCOURT
CONSULTOR
DO MVC
TRABALHO
ORGANIZADO, TEMPO ADMINISTRADO
INTRODUÇÃO
A
busca da competitividade é uma realidade vivida pelas empresas
contemporâneas. A partir dela, exigências cada vez mais
freqüentes exigem dos gestores e de todos os responsáveis pela
busca e consecução de resultados, um esforço e uma percepção
autocrítica de suas atuações. Esta é a forma que permite o seu
ingresso no seleto grupo de profissionais que se caracteriza pela
competência.
OS
GESTORES DA NOVA ERA
Esses
"gestores da nova era" (Prahalad, 1997) são
identificados por um perfil que é seu diferencial competitivo, em
relação aos que não se deram conta da nova realidade:
-
Raciocínio
sistêmico :
capacidade para conceituar e sintetizar o todo, e perceber as
ligações entre as partes, de forma isolada e em relação ao
conjunto (olhar a floresta e enxergar a árvore), sendo capaz de
imaginar o futuro e suas relações com o presente.
-
Competência
intercultural: os
gestores devem partir das preocupações com a competência
pessoal para a interpessoal (relacionamento produtivo com os
outros) e depois para a intercultural (troca de informações
sobre as diversas culturas existentes no ambiente). É
fundamental admitir que outras culturas não compartilhem
necessariamente de seus valores e crenças, embora influam nela
e sejam influenciadas por ela.
a
explosão do conhecimento, aliada às lacunas (situações novas
ainda não explicadas) e à globalização, leva a considerar
que os gestores devam constantemente explorar novas idéias,
tecnologias, práticas de negócio e culturas, para
incorporá-las à sua realidade produtiva.
:
os gestores devem criar ou influir na criação de sistemas
capazes de estabelecer padrões mínimos de valores e
comportamentos para a organização (principalmente para suas
próprias equipes); e, ainda mais importante, eles devem
demonstrar padrões pessoais de excelência. A excelência está
relacionada ao conhecimento do negócio, ao comprometimento com
o desempenho e com a responsabilidade, à preocupação com os
procedimentos legais, à sensibilidade em função das
relações interpessoais e intercultural e ao desenvolvimento
dos outros (responsabilidade direta como líder formal e
indireta quando exercer influência, mesmo informal, na equipe).
Um
outro aspecto a ser considerado nessa forma de se entender a
organização do trabalho a partir da conduta individual, ou seja, o
profissional entende que sua organização pessoal impacta a
organização do contexto onde atua, está contida na visão de
Hatakeyama (1995), que indica um conjunto de padrões, envolvendo
não somente os gestores, mas também e, principalmente, suas
equipes de trabalho:
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ESTABELECIMENTO
DOS PADRÕES
A
partir de uma série de análises e observações sobre o
ambiente de trabalho, definem-se os padrões de conduta
capazes de gerar os melhores resultados.
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EDUCAÇÃO
E TREINAMENTO
As
pessoas envolvidas na operação serão preparadas e educadas
para atendimento aos novos padrões estabelecidos para
geração de melhores resultados.
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CONTROLE
DA EXECUÇÃO E DA OPERAÇÃO
Verificar
a condição de execução: quando não estiver obedecendo ao
padrão, verificar razões de não atendimento e fazer
correções que se fizerem necessárias |
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TRATAMENTO
DAS EXCEÇÕES
Quando
a tarefa não puder ser cumprida por método padrão, o gestor
deve ser consultado. Apresentando-se outro método, o gestor
fixa o tratamento da exceção. |
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REVISÃO
DOS PROCESSOS
Uma
vez por ano, por exemplo, do estabelecimento dos padrões, da
situação existente, de execução e outros rever os
processos e aplicar medidas corretivas necessárias |
Observa-se,
portanto uma premissa para reconduzir uma reforma no trabalho: é
necessário que estejam presentes em um esboço de mudança, os
seguintes pré-requisitos:
-
novas
idéias: o
primeiro pré-requisito para a reforma do trabalho é a
existência de novas idéias, bem definidas, que substituam as
tradicionais. Isto significa que haverá uma mudança radical da
base de raciocínio ou das premissas de quaisquer métodos,
processos, formas de atuação, etc...
estabelecer
um nível de conscientização das pessoas em relação às
novas idéias, de forma a convencê-las a aceitarem e admitirem
a sua implementação, ou contribuírem para o seu
aperfeiçoamento.
-
necessidade
de um período longo para começarem a aparecer os resultados: estabelecer-se
um prazo para que os efeitos da mudança proposta e dos
benefícios da nova idéia tornem-se efetivos (sejam sentidos).
-
originalidade:
as
novas idéias devem ser apropriadas para sua implementação e
não simples cópias do que já tem sido adotado por outras
empresas.
-
obtenção
de resultados: acompanhamento
da implementação da nova idéia, estabelecimento de mecanismos
de desempenho de seus processos e aferição dos resultados
alcançados.(com base em HATAKEYAMA, Yoshio. A Revolução
dos Gerentes. MG: Fundação Christiano Ottoni,
1.995)
TREINANDO
A CONDUTA BÁSICA
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Todo
gerente deve identificar cuidadosamente as pessoas que têm
problema de conduta básica, principalmente os funcionários
novos e treiná-los mais uma vez. |
A
conduta básica aqui mencionada refere-se aos hábitos cotidianos
relativos aos itens essencialmente básicos, necessários para as
pessoas trabalharem de forma agradável e harmoniosa dentro de uma
organização.
Se
a conduta básica da pessoa não é percebida de forma positiva ela
desagrada às pessoas que estão ao seu redor, acabando
marginalizada dentro do setor, prejudicando também o seu trabalho e
o de sua equipe.
Os
itens a seguir são exemplos de conduta básica:
SENSO
DE CLIENTE: trata-se
do sentimento, atitude e maneira de agir, com a preocupação
voltada inteiramente para atender o cliente (pessoa ou setor ao qual
se presta um serviço).
CONFIRMAÇÃO
DE INSTRUÇÕES: quando
alguém recebe instruções, deve fazer perguntas sobre qualquer
parte que não tenha entendido, e, se for o caso, repetir as
instruções de forma clara ao interlocutor (emissor da
instrução), quando estas forem complexas.
PRESSA
COM AS MÁS NOTÍCIAS: quando
há incidentes ou reclamações, devem ser relatadas imediatamente
para que não sejam retardadas as medidas de correção
necessárias.
CUMPRIMENTO
RIGOROSO DO HORÁRIO E DO PRAZO: deve
ser evitado comprometer o trabalho dos outros, cumprindo horários,
prazos de trabalho, de reunião e até mesmo os assuntos pessoais
compromissados com a equipe.
COMUNICAÇÃO
CLARA E CUIDADOSA: a
comunicação verbal e explicitada nos documentos ou textos deve ser
inteligível, legível e precisa, caracterizando-se pela
objetividade, transparência, especificidade e concisão (para não
comprometer sua compreensão).
COOPERAÇÃO
ESPONTÂNEA: componentes
de grupos produtivos devem optar pelo compartilhamento de
atividades, agir de forma cooperativa e competitiva, sem
competições internas improdutivas.
RELAÇÃO
ENTRE PROBLEMAS PARTICULARES E DA EMPRESA:
problemas de natureza particular, na medida do possível, não devem
influir na atuação profissional, sob pena de comprometer toda uma
estrutura de trabalho, sua (do profissional submetido ao problema) e
de toda a equipe da qual faz parte.
PREOCUPAÇÃO
EM NÃO QUEBRAR O RELACIONAMENTO HUMANO: relações
produtivas no trabalho indicam que as críticas e observações
devam ser feitas claramente, sem desconsideração pelos outros,
prevalecendo a assertividade – franqueza e objetividade nas
observações e não agressividade – evitando-se a rudeza e
ataques pessoais.
CARACTERÍSTICAS
NEGATIVAS: deve-se
ter a sensibilidade de evitar qualquer característica que possa
desagradar aos outros ou dificultar o trabalho, gerando desconforto
no relacionamento.
A
essência da conduta básica é manter boas condições nas
relações com as outras pessoas no local de trabalho.(com base em
HATAKEYAMA, Yoshio. A Revolução dos Gerentes. MG:
Fundação Christiano Ottoni, 1.995).
COMPETÊNCIA
INDIVIDUAL
A
competência de um indivíduo na organização pode ser identificada
pela sua capacidade de gerenciar observando um conjunto de pontos
considerados como essenciais:
-
a
sua capacidade de trabalhar com situações complexas, que se
diferenciem umas das outras pela sua singularidade (não
apresentarem necessariamente semelhanças), identificando fontes
precisas de informação selecionando-as para execução das
tarefas, e capazes de exigirem esforço no sentido de ser
encontrada solução para obtenção de resultados;
-
a
sua capacidade de atuar em ambiente competitivo, onde a busca de
resultados seja a tônica, e a perseguição de padrões de
eficácia tornem-se permanentes;
-
a
sua capacidade de trabalhar em equipe, equilibrando o exercício
das aspirações pessoais, com a necessidade de compartilhamento
de expectativas, metas e esforços com outras pessoas, em
parceria, subordinação ou no exercício de liderança formal.
-
a
sua capacidade de flexibilizar suas posições, com o objetivo
de adaptar-se às situações sob as quais não tenha controle,
de tentar influenciar pela negociação situações cujo
controle não seja total e rever posições ao encontrar
caminhos mais eficazes e produtivos de gerar resultados.
-
a
sua capacidade de agir como um eterno aprendiz, tomando lições
com seus próprios erros, prever incidentes e evitar a
improvisação nas ações produtivas, tendo o planejamento e a
organização do trabalho como ferramentas permanentes. (com
base em Stephen Rhinesmith).
O
exercício da competência passa pela percepção de que, diante da
realidade, um "poderia ser" diferente tenderá a
permitir encontrar uma alternativa mais eficaz de se obter
resultados.
CONCLUSÃO
A
organização do trabalho pode ser percebida sob dois aspectos:
-
o
aspecto individual, no qual todas as indicações feitas neste
texto são identificadas como fundamentais em uma reflexão, com
o intuito de obter um desempenho mais produtivo, mais eficaz –
no sentido de fazer as coisas certas obtendo, em conseqüência,
um resultado mais atraente;
-
o
aspecto coletivo, no qual as indicações feitas no texto se
aplicam à equipe, e a reflexão sobre eventuais mudanças nas
atitudes e comportamentos se faz a partir do papel da
liderança, daqueles que exerçam papéis de gestão,
supervisão ou coordenação (direta ou indireta).
A
organização do trabalho, portanto, requer uma visão abrangente do
papel desempenhado pelo indivíduo no contexto no qual atua
produtivamente.
Requer
uma reflexão sobre os impactos e reflexos que provoca, com seu
desempenho, neste contexto e o que gera de reações em seus
companheiros (parceiros, subordinados e superiores hierárquicos).
Requer
uma revisão em seus métodos de trabalho, os recursos (eventuais,
pois a eles recorre quando necessários) e ferramentas (permanentes,
sem os quais sua atividade deixa de ser produtiva), para uma efetiva
otimização em sua utilização e que sejam cap |