Número 65  - Setembro de 2003

 

 

 

 

 

 

 

 

Destaque

Reflexão

 

 

 

Trabalho organizado, tempo administrado

 

Ética e negociação

 

Os gestores da nova era precisam mudar os paradigmas, incorporando atitudes competitivas no seu modo de trabalhar.

Francisco Bittencourt
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Com a concorrência cada vez mais acirrada, negociação virou um vale-tudo?


João Baptista Vilhena
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Editorial

Teste

 

 

Fazer acontecer - lições

 

Você faz acontecer?

Sonhar é de graça. Mas fazer acontecer exige trabalho e compromisso - quem está disposto?
M. A. Ferreira Vianna 

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Como está sua capacidade de obter resultados, realizar tarefas, perseguir estratégias...sonhos?

L.A. Costacurta Junqueira
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Dicas

Comentário

 

 

Vendas: um pedido é  só um pedido?

 

Mudando a estratégia de treinamento

Vendedor não vende - soluciona problemas!
Este é o fator de sucesso em vendas.

José Luiz Meinberg
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O treinamento consultivo altera os paradigmas atuais da Educação Corporativa.

L. A. Costacurta Junqueira
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Expediente

 

 

Publisher: Costacurta Junqueira Jornalista Responsável: Cristina Spera

 

Equipe Insight: Maria Teresa; Flávia Kahale; Leandro Santana

 

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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do MVC

 

 

AS LIÇÕES DO FAZER ACONTECER

 

O presidente Lula recentemente fez mais ou menos a seguinte afirmação: "Eu fico impressionado com alguns companheiros que depois de chegar lá não gastam nem dez por cento de toda a energia que despenderam para alcançar os postos desejados"

Com a simplicidade de suas metáforas ele nos alerta para um dos principais males da administração contemporânea: a precariedade da capacidade do fazer acontecer: Neste exemplo, vemos apenas uma das facetas deste câncer. Muita gente (certamente a maioria) não se motiva pela realização do fato, mas sim pela fascinação do poder. Políticos (claro, com honrosas exceções) pensam muito mais na sua reeleição, do que no cumprimento do dever cívico. Executivos fazem planos mirabolantes, mas não colocam a energia necessária para o "fazer acontecer". A quantidade de informações que temos na cabeça é muito maior do que nossa competência em realizá-las e transformá-las em um resultado positivo.

A Era do conhecimento ou do Capital Intelectual na qual estamos mergulhados tem embutida em seu contorno de contemporaneidade uma grave armadilha, que acirra ainda mais um dos maiores problemas da administração eficaz: a competência do Fazer acontecer. Já é fato sabido que algumas importantes consultorias do mundo estudaram o assunto e concluíram que cerca de 95% dos planos não são implementados com a eficácia mínima desejada.

A referida Era do Conhecimento acarreta um ardil escorregadio no qual muita gente acaba caindo. Seu conceito em si traz uma dose consistente de passividade. O conhecimento em si não exige a prática de implantação. Inúmeras pessoas – interessadas e comprometidas – com as quais venho conversando julgam que estão compatíveis com o contemporâneo pelo simples fato de voltarem a estudar. "Sou um ator efetivo da Era do Conhecimento; estou fazendo meu MBA em uma instituição de elite" é uma conclusão que engana e esconde a necessidade da implantação do novo. Evandro Motta, o brilhante pesquisador de equipes de alta performance, afirma que "conhecer e não fazer é não conhecer". De forma moderna ele corrobora o antigo pensamento de Goethe, que nos ensinava: "não basta saber, é preciso aplicar; não basta querer, é preciso também fazer".

Kirkpatrick, o estudioso do aprendizado organizacional, também, orienta para a ação efetiva da Educação Corporativa. Ele propõe algumas perguntas para checar a efetividade do treinamento: "Você gostou?; Você aprendeu?; Você vai aplicar?; A aplicação gera resultado?".

Por isto tudo, e muito mais, é preciso que se dedique um grande esforço de compreensão e busca de solução para este fosso entre o bloco do sonho (intenções, metas e planos) e o bloco dos resultados (satisfação, realização, felicidade, lucro). Na realidade, este "buraco negro" é muito maior, e mais complexo do que se imagina (mais negro também).

Em primeiro lugar, é preciso quebrar alguns mitos e modismos que enganam as pessoas com a simplicidade de sua operação. Todos os triunfadores afirmam que sua história de sucesso começou com um sonho. É preciso falar sério e complementar de maneira madura que esta trajetória tem no sonho apenas seu início. Klever Colbert, nosso consagrado campeão do Rallye Paris-Dakar afirma categórico: "tudo começou com um sonho, mas em seguida o mais importante: fomos à luta". Joel Baker, o guru da mudança de paradigmas, já ensina há muito tempo que "um sonho sem ação é fantasia; uma ação sem sonho não tem direção. Somente a visão e a ação criam uma conquista verdadeira".

O "ir a luta" tem por trás um conjunto de atributos, valores, competências e capacitações muito maior do que se imagina. Sinceramente, em meu ponto de vista é neste bloco intermediário que se concentram mais de 80% dos planos fracassados. Sonhar é fácil e ter uma visão mais fácil ainda. Na nossa realidade, eu vejo pouca gente que junta energia, persistência, despojamento, comprometimento, pagar o preço, obstinação (e até obsessão), consistência, coerência, sacrifício, paixão para chegar lá. Oscar Schimidt treina mil arremessos por dia a mais do que seus companheiros. Estes sabem que aí está o verdadeiro diferencial. Por que não fazem igual então? O exemplo está a seu lado. Técnicos de voleibol têm conhecimento que o consagrado e vitorioso Bernardinho lê compulsivamente livros sobre equipes de alta performance (sempre três ao mesmo tempo), fica sem dormir vendo os vídeos dos adversários, dedica-se de corpo e alma ao que faz, trabalha, muitas vezes, vinte horas em um dia. Conhecem, mas não fazem.

O Fazer Acontecer tem seu lado de esforço e trabalho, a parte menos "glamourosa" da ciência do management, como principal fator crítico de sucesso. Por isto as pessoas preferem falar em visioning, sonho, pensamento positivo, self full feeling, e outros termos e conceitos mais "nobres". Dizer que o único lugar onde a palavra sucesso vem antes de trabalho é no dicionário não tem charme algum. Por isso, 95% dos planos vão continuar a falhar durante muito tempo.

 

Ainda neste número o INSIGHT MVC está lançando o conceito de Treinamento Consultivo no artigo de Luiz Augusto Costacurta Junqueira, cujo subtítulo é "Porque Estamos Infelizes com o Treinamento em Nossa Empresa?".

"Ética e Negociação", de autoria de J. B. Vilhena apresenta as quatro possibilidades básicas de comportamento no processo de negociação:

  • Não éticos, não legais;

  • Éticos, mas não legais;

  • Legais, mas não éticos;

  • Legais e éticos segundo um grupo específico.

"Trabalho Organizado, Tempo Administrado", é o texto de Francisco Bittencourt, abordando as possibilidades de melhoria de performance através da gestão conjunta do tempo e do trabalho.

José Luiz Meinberg, no texto "O Pedido é Apenas uma das Funções de Vendas", recontextualiza o ato de tirar o pedido dentro do novo cenário de vendas.

Nosso teste do mês – Você Faz Acontecer? – de Luiz Augusto Costacurta Junqueira, objetiva ajudar o leitor a se posicionar quanto a essa fundamental competência em períodos de crise e escassez de recursos.

 

Boa leitura

MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do MVC


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TREINAMENTO CONSULTIVO OU PORQUE ESTAMOS INFELIZES COM O           TREINAMENTO EM NOSSA EMPRESA?

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LUIZ AUGUSTO COSTACURTA JUNQUEIRA

VICE-PRESIDENTE DO MVC

 

TREINAMENTO CONSULTIVO

OU

PORQUE ESTAMOS INFELIZES COM O

TREINAMENTO EM NOSSA EMPRESA?

 

 

QUESTÕES ATUAIS

Você Executivo, Diretor de RH, Gerente de Treinamento, Cliente, está satisfeito com os serviços de treinamento que vem recebendo em sua empresa?

Por que temos a sensação de que em treinamento sempre se faz a mesma coisa quando se esperam resultados diferentes?

Quais são os diferenciais competitivos que a Área de Treinamento de sua empresa possui?

Vamos agora a algumas cenas do dia-a-dia.

 

CENAS DO COTIDIANO

CENA 1: Você, Gerente de Treinamento da empresa ALMALEVE recebe uma solicitação de seu cliente interno, a Superintendência Comercial, para contratar externamente um programa de treinamento em negociação.

 

CENA 2: Você, Consultor, recebe um telefonema da Gerência de Treinamento da empresa ALMALEVE solicitando uma proposta para um programa de negociação gerencial.

 

Quais serão os outputs ou conseqüências comuns a essas duas solicitações, considerando o que atualmente acontece no mercado de treinamento no Brasil?

  • A gerência de treinamento e o consultor vão trabalhar sobre uma necessidade sem poder questioná-la junto ao solicitante (Superintendência Comercial)

  • Mais do que isso, sem poder estabelecer relação com outras necessidades complementares da própria Superintendência Comercial.

  • Ambos estarão reagindo a uma situação (e não proagindo)

  • Como a Gerência de Treinamento não quer se arriscar, vai pedir preço para "10" consultorias, buscando "ampliar o leque de opções".

  • Boa parte das vezes essas opções resultam em consultorias de níveis qualitativos díspares, pois a fonte de busca é na base de "indicações" e não em bancos de dados tipo BD WEC (www.wec.com.br). Obtém-se quantidade e não qualidade.

  • Muitas consultorias, sabendo que o leilão será grande e que o preço será o critério mais importante, poderão até nem apresentar propostas; outras apresentarão propostas medíocres para ter preço mais competitivo.

  • Ao receber propostas, como será difícil para o Treinamento ler todas com profundidade, a tendência será focar a dimensão menor preço, ou enfatizar o "QI" (quem indicou).

  • Como as consultorias sabem que quem oferecer o menor preço vai ganhar, tenderão a apresentar propostas incluindo consultores com menor custo, em decorrência de sua menor experiência ou maior disponibilidade!

  • Como a proposta foi solicitada pela Superintendência Comercial via Departamento de Treinamento, pode haver uma certa dificuldade da consultoria em obter informações para customizar sua proposta e adequá-la ao negócio do cliente. Afinal há sempre o "problema" das fronteiras do território de cada um dos players envolvidos.

De modo geral, a maneira pela qual se trabalha hoje em dia (fluxo do processo), leva a uma padronização de soluções, oferta generalizada de produtos de prateleira, foco no evento em si, sem maiores preocupações com as atividades pré e pós-evento, etc.

O leitor deve ter percebido que, no "modelo" apresentado, todos saem perdendo: Superintendência Comercial, Departamento de Treinamento e Consultoria.

 

TREINAMENTO CONSULTIVO

O que vamos defender, a seguir, é um novo processo de relacionamento, que denominamos "Treinamento Consultivo".

O "treinamento consultivo" representa uma evolução lógica da abordagem de análise de necessidades de treinamento. Nesta abordagem, o consultor assume uma postura ativa na relação. Não basta analisar as necessidades do cliente, porque este, muitas vezes, pode não saber exatamente qual a melhor solução para seu problema. Este papel cabe ao consultor, que deve procurar conhecer, com profundidade, a empresa e o mercado em que o cliente atua. Deve questionar as necessidades apresentadas e ajudar o cliente a identificar aquelas que ainda não foram explicitadas.

A Consultoria que atua com base no "treinamento consultivo" não vende soluções que contenham simplesmente um preço menor que as ofertas dos concorrentes. Vende AS SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS atuais e futuros do Cliente. Mais do que isso: comprova que aquelas suas propostas de solução são melhores, através da mensuração de resultados.

Do consultor é exigido que seja altamente qualificado, tenha conhecimentos multidisciplinares, capacidade de ouvir e questionar o cliente em busca das reais necessidades e pleno conhecimento da sua situação. Revelar-se parceiro do cliente, é a única forma de desenvolver uma duradoura relação, baseada na confiança mútua. Recente pesquisa realizada pelo BD WEC apontou o "conhecimento da organização’’ como segundo fator de fidelização das empresas às consultorias (29,7%); perdendo apenas para ‘’qualidade do trabalho" (59,5%).

A abordagem do "treinamento consultivo" é a única realmente focada no cliente e deve levá-lo a perceber o quanto a consultoria que lhe atende é comprometida com o sucesso DELE, cliente. O objetivo é conquistar a lealdade e a confiança do cliente, que sempre terá a empresa – e o consultor – como primeira opção de fornecimento de serviços.

 

OS DIFERENCIAIS

Quais seriam então os diferenciais do treinamento consultivo?

  • Participação Multidisciplinar: Consultor, cliente interno e RH juntos em todas etapas do processo.

  • Geração de Confiança: O investimento de tempo, pela Consultoria, objetivando conhecer a empresa, a postura de RH como "Solution Provider" e não como órgão controlador, contribuem para um ambiente de confiança e de visão a longo prazo.

  • Foco nas Necessidades do Cliente: Identificação de demandas percebidas ou não por ele.

  • Foco em Resultados: Atividades pré e pós-eventos para definir metas e mensurar os resultados atingidos.

  • Conectividade: Definir programas que atendam integralmente várias áreas da empresa.

  • Proatividade: Identificação de problemas potenciais e proposição de soluções, via treinamento ou outras abordagens complementares.

  • Singularidade: Proposição de soluções customizadas decorrente do profundo conhecimento do negócio do cliente pela consultoria.

  • Ausência de Pressão: Como não há um produto/serviço a ser "empurrado" para o Cliente, esse não sente a pressão que muitas vezes caracteriza a relação com as Consultorias.

  • Flexibilidade: O "treinamento consultivo" pode se apresentar sob a forma de um produto antigo oferecido com uma metodologia diferente, até algo totalmente novo para o Cliente.

DESVANTAGENS

O "treinamento consultivo" possui algumas desvantagens que não podem deixar de ser consideradas:

  • Demanda maior talento e tempo por parte das consultorias.

  • Exige pesquisa prévia sobre o Cliente e, por conseqüência, razoável investimento sem garantia de retorno.

  • Demanda uma visão multidisciplinar dos negócios da Empresa-Cliente, nem sempre disponível nas consultorias.

CONCLUSÕES

  • O "treinamento consultivo" é o caminho mais curto para qualquer organização sair da "mesmice" que pode estar caracterizando seu processo de Educação Corporativa.

  • O Cliente Interno será atendido melhor.

  • A Área de treinamento mais respeitada.

  • A Consultoria terá sua atuação otimizada.

  • O trabalho, como um todo, agregará melhores resultados ao negócio.

Material retirado dos programas Vendas Consultivas, Cada Empresa tem o Consultor que Merece, Planejamento Estratégico em RH.

 

 

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ÉTICA E NEGOCIAÇÃO

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JOÃO BAPTISTA VILHENA

VICE-PRESIDENTE DO MVC

 

ÉTICA E NEGOCIAÇÃO

 

"Ética é o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de classificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade,
seja de modo absoluto."

Dicionário Aurélio

 

Nos dias atuais, muito se tem falado sobre ética. Mas pouco se tem feito para tornarem mais éticas as negociações conduzidas em nome de empresas que juram tê-la como um de seus principais valores. Enganar o cliente, prometer o que não pode ser cumprido, omitir informações estratégicas são comportamentos estimulados explícita ou implicitamente por muitos gestores.

 

Acho este assunto inesgotável. É por isso que neste artigo vou privilegiar apenas um dos inúmeros sistemas classificatórios existentes: o que correlaciona ética com legalidade.

 

Para conferir o tema sob esse prisma, vou utilizar uma matriz proposta por Lewicki que indica quatro possibilidades básicas de comportamento:

  • Os que não são éticos nem legais;

  • Os que são éticos, mas não são legais;

  • Os que são legais, mas não são éticos;

  • Os que são legais e éticos, segundo um grupo específico.

Ou, se formos olhar de forma matricial:

 

Ético

Não ético

Legal

ético/legal

não ético/legal

Ilegal

ético/ilegal

não ético/ilegal

 

Então vejamos:

 

1o. caso: comportamento não ético/ilegal

 

Vamos começar por um exemplo radical de comportamento que não é ético nem legal: a propina. Infelizmente várias empresas acham que, para vender em certos mercados, somente "dando uma bola para o comprador". Em primeiro lugar, não acredito que isso seja verdade, uma vez que vejo empresas sérias vendendo para clientes que têm a fama de "boleiros". Tenho certeza que essas empresas não empregam a tática suja da propina. Se sua empresa tem algo de realmente bom e diferente para oferecer e todo o mercado reconhece e deseja essa diferença, dificilmente um comprador corrupto conseguirá justificar para seus clientes internos a compra do produto concorrente. Por outro lado, é óbvio que se há corrupto, há corruptor. Ambos são apenas as duas faces de uma mesma moeda podre. Se sua empresa estimula ou faz "vista grossa" para esse tipo de comportamento, das duas uma: mude-a ou mude de empresa.

 

2o. caso: comportamento ético/ilegal

 

Como sabemos, a informação pode ser considerada como um dos principais fatores que influenciam o comportamento ético nas negociações. Sob essa perspectiva, ocultar algumas informações da outra parte com a qual estamos negociando, normalmente é considerada uma atitude eticamente aceitável. Mas, dependendo da legislação, podemos ir parar nas barras do tribunal por agir de acordo com essa ética. Como exemplo, basta lembrar que até um passado bem recente, os automóveis saíam com defeitos e somente aqueles que procuravam as concessionárias para denunciá-los eram atendidos. Hoje os fabricantes são os primeiros a anunciar falhas nos seus carros, fazendo recalls até mesmo de veículos recém-lançados, se necessário for. Porquê? Porque é muito mais caro limpar a mancha de uma reputação do que mantê-la ilibada. Sua empresa estimula os vendedores a exagerar nas "qualidades" do produto? Promete entregar o que notoriamente não tem condições de produzir? Cuidado, o código de defesa do consumidor é uma realidade e existem inúmeras jurisprudências definindo os limites legais da ação das empresas.

 

3o. caso: comportamento não ético/legal

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Dissemos acima que a propina é antiética e ilegal. Pergunto: quando uma empresa farmacêutica convida um médico e sua família para participar de um congresso no exterior, custeando todas as despesas do "doutor" - e garantindo-lhe luxos e mordomias que nada têm a ver com a melhoria da qualidade da medicina praticada por aquele profissional – ela está agindo de forma ilegal? Não. Está sendo ética? Do meu ponto de vista não, uma vez que está se beneficiando de um poder financeiro que a maioria de suas concorrentes não tem. Concordo que a questão é polêmica, pois será que devemos nos ver impedidos de fazer alguma coisa porque nosso concorrente não teria condições de também fazê-la? Minha opinião está expressa algumas linhas acima, mas você, o que acha?

 

4o. caso: comportamento ético/legal

 

Muitas empresas desenvolvem um código de ética interno. Algumas o tornam explícito, outras praticam-no tacitamente. Aquelas que tornam público seu código de ética interna submetem-se ao julgamento de seus clientes, concorrentes e da sociedade. São empresas que cumprem as leis e querem o melhor para si e para os outros.

 

Mas há aquelas que não submetem seus princípios a ninguém. Para dar um exemplo, parece haver um código tacitamente aceito pela força policial de alguns estados brasileiros que autoriza, institucionaliza e referenda a aceitação de suborno – chamado por alguns de "presentinho" – sob certas condições. Todos sabemos que, pela "lei da cadeia", estupro não tem perdão e alcagüete tem que morrer. Lá dentro ninguém discorda dessa lei, pois fazê-lo significa ser condenado à morte (ou, no mínimo, espancamento). Alguns políticos – e até membros do judiciário – defendem o "direito" do MST em invadir terras classificadas por ele mesmo como improdutivas. Nunca vi o Governo Federal descontar os dias parados de seus funcionários grevistas, embora a lei determine que isso seja feito. Nosso querido Betinho aceitou dinheiro da contravenção e justificou seu ato dizendo que isso era melhor do que deixar mais um miserável passar fome. Muitas empresas estimulam a competição e o conflito entre suas equipes de vendas, dão tratamento discriminatório a clientes de mesma categoria, estimulam seus vendedores a prometer o que não vão poder cumprir, fazem o jogo do "esperto" e praticam o tempo todo a "lei de Gerson". Embora se digam éticas, se comportam de forma absolutamente individualista. Além disso, criam suas próprias leis, impondo-as sem discutir ou negociar.

 

Conclusão

 

Para as empresas que adotam o primeiro comportamento que descrevi – práticas anti-éticas e ilegais – há pouco esperança de sobrevivência. Para ficar no exemplo citado, empresas que só vendem porque dão "bola" para seus clientes não obtêm o respeito de seus concorrentes, de seus funcionários e dos demais clientes. É mudar ou morrer logo.

 

As que adotam o segundo comportamento – práticas consideradas éticas, mas ilegais – vivem no fio da navalha. Não são acusadas pelos "tribunais" da ética (conselhos profissionais, órgãos de classe), mas gastam o pouco lucro que geram pagando advogados para defendê-las de clientes mais esclarecidos quanto a seus direitos. Para elas a questão é se vale a pena correr o risco – algumas acham que sim, pelo simples prazer da aventura. Lembremo-nos que os tributos que pagamos não retornam em termos de produtos e serviços e isso nos faz pensar que são injustos. Mas o Governo não pensa assim e, se descobrir que você é um sonegador, vai tentar te levar para as barras do tribunal.

 

No terceiro grupo – ações antiéticas, mas legais – há um farto espaço para o que chamo de picaretagem legalizada. Não estou, com isso, dizendo que os laboratórios farmacêuticos sejam todos picaretas (alguns são, é verdade). Mas, para ficar no exemplo, foram eles que popularizaram a expressão BO (bom para otário).

 

Porém, na minha opinião, é no quarto grupo que "mora o perigo" pois, embora haja empresas que são transparentes e cumpridoras da lei, há as obscuras e que criam suas próprias leis. Incluem-se aí desde os taxistas que roubam seus clientes, dando voltas desnecessárias pela cidade – mas o fazem para "defender o leite das crianças lá em casa" – até as Encol da vida, que deixaram um enorme número de "sem teto" e com dívida por aí. Essas são as empresas que querem "levar vantagem em tudo", que só negociam usando táticas sujas, que tripudiam da inteligência do cliente, que riem da honra e que, infelizmente, conseguem nossa complacência e por isso se mantêm vivas por muito tempo...

 

Material retirado do Programa Avançado de Negociação

 

 

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O PEDIDO É APENAS UMA DAS FUNÇÕES DE VENDAS

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JOSÉ LUIZ MEINBERG

CONSULTOR DO MVC

 

O PEDIDO É APENAS UMA DAS FUNÇÕES DE VENDAS

 

Já foi o tempo em que vender era um simples ato de "tirar pedido". Por sinal o típico vendedor "tirador de pedidos" tem seus dias contados. Enquanto o mercado era comprador, esperar o cliente comprar era uma atitude típica de um vendedor à moda antiga. Porque fazer esforço maior, não é mesmo? Porque se preocupar em pesquisar as necessidades do cliente se ele declarava abertamente o que precisava entre as poucas ofertas existentes. Porque comunicar com clareza a oferta criando atratividade pela abordagem de comunicação se a venda já estava feita? Porque negociar se o poder estava do lado de quem vendia? Realmente sobrava apenas a função de receber o pedido do cliente. Não era venda do vendedor. Era compra exclusiva do comprador, sem qualquer esforço maior de vendas.

O rápido aumento da competitividade entre as empresas fornecedoras, tanto na relação B2B quanto B2C, provocou não só uma grande mudança no desenvolvimento das ofertas materializadas por produtos e serviços. Provocou uma mudança na forma de abordagem do mercado. O foco das empresas não pode ser mais o seu egoísta foco e sim o do mercado que ela serve. Se o mercado (seus clientes) lucrarem com seus produtos, a empresa também vai lucrar.

Em face desta situação, e sem nenhuma ilusão, é o momento do mais pelo menos. O poder se inverteu. É necessário entender que hoje em dia os clientes vão querer sempre mais serviços, mais qualidade, mais inovação, mais garantia, etc. E, por outro lado, vão sempre propor obter o que desejam por menos dinheiro, menos esforço, menos tempo e por menos risco. Muda então a forma de vender.

A expressão Vendas precisa ser reorientada para este cenário. O mercado deseja que o seu interlocutor, o vendedor, apresente soluções para o seu negócio, de forma clara, na medida correta e no tempo por ele desejado. E que tenha a abrangência suficiente para garantir continuidade enquanto houver lucro para ele. Quando esta situação não for realizada ele vai trocar de fornecedor.

E esta aí a razão porque vender hoje em dia não pode ser um simples ato de "tirar pedido". Para ser um bom vendedor é necessário antes de tudo, preparo. E preparo nas funções de vendas.

 

Antes de abordar as funções de vendas é necessário que o vendedor saiba que uma troca é traduzida em duas partes: a proposta de troca pode ser realizada pelo lado da posse física ou pela propriedade final. Posse física é a guarda que uma empresa (pessoa) exerce sobre um determinado bem, podendo utilizá-lo economicamente. Na verdade é uma relação de fato e não de direito com o bem. Bom exemplo de Posse Física pode ser quando analisamos a condição de vendas "em consignação". O vendedor permite que o comprador fique com a mercadoria até que este vendedor consiga revender, ou então outros termos previamente acordados. O comprador fica com a posse física e a propriedade permanece com o vendedor até quando houver interesse de ambas as partes. A Propriedade, por outro lado, é o direito exclusivo que uma empresa (pessoa) tem sobre determinado bem podendo fazer dele o que entender: consumir, alienar ou transformar. O objetivo da venda, as trocas, pode então ser traduzido em duas partes: a Posse Física e a Propriedade. Poderá haver vendas apenas de posse física como as de serviços de transporte, ou mesmo as de tipo condição leasing entre outras ou poderá, ainda, haver vendas com Posse Física e Propriedade sempre que houver um movimento de mercadoria entre fornecedores, fabricantes, intermediários e consumidor final.

Quatro é o número das funções básicas de vendas voltadas ao objetivo em estabelecer trocas com o mercado através de Posse Física e Propriedade.

Para uma boa venda é preciso obter informação do cliente, do mercado onde o cliente atua, de como ele obtém lucro e que tipos de serviços adicionais são necessários para garantir um relacionamento duradouro. A primeira função de vendas é a informação. O vendedor tem que ser treinado em obter e transformar dados em informações relevantes.

A resposta para um bom nível de informação de vendas é traduzida por uma oferta em vendas. E esta oferta em vendas precisa ser comunicada ao cliente. A segunda função de vendas é comunicação. Já foi o tempo que vendedor "tagarela" ganhava pedido. Ser voluntarioso não garante uma venda. O vendedor de hoje precisa dominar por completo a comunicação com o cliente através de suas diversas formas quer seja pessoal, face-a-face, quer seja através dos meios mais modernos de comunicação como a Internet, por exemplo.

Obtida a informação, desenvolvida a comunicação vem o momento da negociação, a terceira função de vendas. Negociar é buscar um ponto em comum entre quem compra e quem vende. É o ponto aonde os dois lados vão se sentir confortáveis com a decisão tomada em conjunto. Se, num passado não muito distante, o poder de negociação estava do lado do vendedor, isto hoje já não mais ocorre. Nunca foi tão necessário para o vendedor treinar os fundamentos de negociação.

E aí é que vai aparecer a função do pedido, a quarta função de vendas. E cá entre nós, a função do pedido tem sido cada vez mais automatizada. O computador, os handhelds, as facilidades criadas pelo surgimento das leituras automatizadas de estoque, quer seja pelo código de barras ou das etiquetas eletrônicas, tem passado por cima do vendedor. Vendedor hoje em dia não tira pedido. Promove negócios. A função de pedido é realizada automaticamente em muitos casos. Quando feito pelo próprio vendedor tem que ter valor superior às facilidades da automatização eletrônica. Para isto ele precisa estar preparado e não esperar pelo pedido de compra.

Completam o processo de vendas outras funções como a do financiamento (os recursos necessários para promover a venda nas condições possíveis para o comprador), de pagamento (o resultado da venda; o lucro, só existe se houver pagamento), de transporte e a importante função do risco da venda. O vendedor deve estar apto e assumir os riscos inerentes à venda, tanto os operacionais como, principalmente, os financeiros.

Como pôde ser visto, vender atualmente é um processo bem mais complexo do que, simplesmente, receber o pedido do cliente. É um processo composto por funções. E, para obter melhores resultados de vendas, é necessário treinar os fundamentos de cada uma destas funções de vendas. Para o gestor de vendas, é necessário pensar estrategicamente através de cada uma das funções para obter uma posição de destaque junto ao mercado atendido, garantindo assim um melhor relacionamento com os clientes e resultando em maiores lucros.

 

Material retirado do programa Vendas Consultivas.

 


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TRABALHO ORGANIZADO, TEMPO ADMINISTRADO

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FRANCISCO BITTENCOURT

CONSULTOR DO MVC

 

TRABALHO ORGANIZADO, TEMPO ADMINISTRADO

 

INTRODUÇÃO

 

A busca da competitividade é uma realidade vivida pelas empresas contemporâneas. A partir dela, exigências cada vez mais freqüentes exigem dos gestores e de todos os responsáveis pela busca e consecução de resultados, um esforço e uma percepção autocrítica de suas atuações. Esta é a forma que permite o seu ingresso no seleto grupo de profissionais que se caracteriza pela competência.

 

OS GESTORES DA NOVA ERA

 

Esses "gestores da nova era" (Prahalad, 1997) são identificados por um perfil que é seu diferencial competitivo, em relação aos que não se deram conta da nova realidade:

  • Raciocínio sistêmico: capacidade para conceituar e sintetizar o todo, e perceber as ligações entre as partes, de forma isolada e em relação ao conjunto (olhar a floresta e enxergar a árvore), sendo capaz de imaginar o futuro e suas relações com o presente.

  • Competência intercultural: os gestores devem partir das preocupações com a competência pessoal para a interpessoal (relacionamento produtivo com os outros) e depois para a intercultural (troca de informações sobre as diversas culturas existentes no ambiente). É fundamental admitir que outras culturas não compartilhem necessariamente de seus valores e crenças, embora influam nela e sejam influenciadas por ela.

  • Treinamento intensivo e contínuo: a explosão do conhecimento, aliada às lacunas (situações novas ainda não explicadas) e à globalização, leva a considerar que os gestores devam constantemente explorar novas idéias, tecnologias, práticas de negócio e culturas, para incorporá-las à sua realidade produtiva.

  • Padrões pessoais e de comportamento: os gestores devem criar ou influir na criação de sistemas capazes de estabelecer padrões mínimos de valores e comportamentos para a organização (principalmente para suas próprias equipes); e, ainda mais importante, eles devem demonstrar padrões pessoais de excelência. A excelência está relacionada ao conhecimento do negócio, ao comprometimento com o desempenho e com a responsabilidade, à preocupação com os procedimentos legais, à sensibilidade em função das relações interpessoais e intercultural e ao desenvolvimento dos outros (responsabilidade direta como líder formal e indireta quando exercer influência, mesmo informal, na equipe).

Um outro aspecto a ser considerado nessa forma de se entender a organização do trabalho a partir da conduta individual, ou seja, o profissional entende que sua organização pessoal impacta a organização do contexto onde atua, está contida na visão de Hatakeyama (1995), que indica um conjunto de padrões, envolvendo não somente os gestores, mas também e, principalmente, suas equipes de trabalho:

 

ESTABELECIMENTO DOS PADRÕES

A partir de uma série de análises e observações sobre o ambiente de trabalho, definem-se os padrões de conduta capazes de gerar os melhores resultados.

 

EDUCAÇÃO E TREINAMENTO

 

As pessoas envolvidas na operação serão preparadas e educadas para atendimento aos novos padrões estabelecidos para geração de melhores resultados.

 

CONTROLE DA EXECUÇÃO E DA OPERAÇÃO

Verificar a condição de execução: quando não estiver obedecendo ao padrão, verificar razões de não atendimento e fazer correções que se fizerem necessárias

 

TRATAMENTO DAS EXCEÇÕES

Quando a tarefa não puder ser cumprida por método padrão, o gestor deve ser consultado. Apresentando-se outro método, o gestor fixa o tratamento da exceção.

 

REVISÃO DOS PROCESSOS

Uma vez por ano, por exemplo, do estabelecimento dos padrões, da situação existente, de execução e outros rever os processos e aplicar medidas corretivas necessárias

 

Observa-se, portanto uma premissa para reconduzir uma reforma no trabalho: é necessário que estejam presentes em um esboço de mudança, os seguintes pré-requisitos:

  • novas idéias: o primeiro pré-requisito para a reforma do trabalho é a existência de novas idéias, bem definidas, que substituam as tradicionais. Isto significa que haverá uma mudança radical da base de raciocínio ou das premissas de quaisquer métodos, processos, formas de atuação, etc...

  • desencadeamento de discussões produtivas: estabelecer um nível de conscientização das pessoas em relação às novas idéias, de forma a convencê-las a aceitarem e admitirem a sua implementação, ou contribuírem para o seu aperfeiçoamento.

  • necessidade de um período longo para começarem a aparecer os resultados: estabelecer-se um prazo para que os efeitos da mudança proposta e dos benefícios da nova idéia tornem-se efetivos (sejam sentidos).

  • originalidade: as novas idéias devem ser apropriadas para sua implementação e não simples cópias do que já tem sido adotado por outras empresas.

  • obtenção de resultados: acompanhamento da implementação da nova idéia, estabelecimento de mecanismos de desempenho de seus processos e aferição dos resultados alcançados.(com base em HATAKEYAMA, Yoshio. A Revolução dos Gerentes. MG: Fundação Christiano Ottoni, 1.995)

TREINANDO A CONDUTA BÁSICA

 

Todo gerente deve identificar cuidadosamente as pessoas que têm problema de conduta básica, principalmente os funcionários novos e treiná-los mais uma vez.

 

A conduta básica aqui mencionada refere-se aos hábitos cotidianos relativos aos itens essencialmente básicos, necessários para as pessoas trabalharem de forma agradável e harmoniosa dentro de uma organização.

Se a conduta básica da pessoa não é percebida de forma positiva ela desagrada às pessoas que estão ao seu redor, acabando marginalizada dentro do setor, prejudicando também o seu trabalho e o de sua equipe.

 

Os itens a seguir são exemplos de conduta básica:

 

SENSO DE CLIENTE: trata-se do sentimento, atitude e maneira de agir, com a preocupação voltada inteiramente para atender o cliente (pessoa ou setor ao qual se presta um serviço).

CONFIRMAÇÃO DE INSTRUÇÕES: quando alguém recebe instruções, deve fazer perguntas sobre qualquer parte que não tenha entendido, e, se for o caso, repetir as instruções de forma clara ao interlocutor (emissor da instrução), quando estas forem complexas.

PRESSA COM AS MÁS NOTÍCIAS: quando há incidentes ou reclamações, devem ser relatadas imediatamente para que não sejam retardadas as medidas de correção necessárias.

CUMPRIMENTO RIGOROSO DO HORÁRIO E DO PRAZO: deve ser evitado comprometer o trabalho dos outros, cumprindo horários, prazos de trabalho, de reunião e até mesmo os assuntos pessoais compromissados com a equipe.

COMUNICAÇÃO CLARA E CUIDADOSA: a comunicação verbal e explicitada nos documentos ou textos deve ser inteligível, legível e precisa, caracterizando-se pela objetividade, transparência, especificidade e concisão (para não comprometer sua compreensão).

COOPERAÇÃO ESPONTÂNEA: componentes de grupos produtivos devem optar pelo compartilhamento de atividades, agir de forma cooperativa e competitiva, sem competições internas improdutivas.

RELAÇÃO ENTRE PROBLEMAS PARTICULARES E DA EMPRESA: problemas de natureza particular, na medida do possível, não devem influir na atuação profissional, sob pena de comprometer toda uma estrutura de trabalho, sua (do profissional submetido ao problema) e de toda a equipe da qual faz parte.

PREOCUPAÇÃO EM NÃO QUEBRAR O RELACIONAMENTO HUMANO: relações produtivas no trabalho indicam que as críticas e observações devam ser feitas claramente, sem desconsideração pelos outros, prevalecendo a assertividade – franqueza e objetividade nas observações e não agressividade – evitando-se a rudeza e ataques pessoais.

CARACTERÍSTICAS NEGATIVAS: deve-se ter a sensibilidade de evitar qualquer característica que possa desagradar aos outros ou dificultar o trabalho, gerando desconforto no relacionamento.

A essência da conduta básica é manter boas condições nas relações com as outras pessoas no local de trabalho.(com base em HATAKEYAMA, Yoshio. A Revolução dos Gerentes. MG: Fundação Christiano Ottoni, 1.995).

 

COMPETÊNCIA INDIVIDUAL

A competência de um indivíduo na organização pode ser identificada pela sua capacidade de gerenciar observando um conjunto de pontos considerados como essenciais:

  • a sua capacidade de trabalhar com situações complexas, que se diferenciem umas das outras pela sua singularidade (não apresentarem necessariamente semelhanças), identificando fontes precisas de informação selecionando-as para execução das tarefas, e capazes de exigirem esforço no sentido de ser encontrada solução para obtenção de resultados;

  • a sua capacidade de atuar em ambiente competitivo, onde a busca de resultados seja a tônica, e a perseguição de padrões de eficácia tornem-se permanentes;

  • a sua capacidade de trabalhar em equipe, equilibrando o exercício das aspirações pessoais, com a necessidade de compartilhamento de expectativas, metas e esforços com outras pessoas, em parceria, subordinação ou no exercício de liderança formal.

  • a sua capacidade de atuar em ambiente de incerteza, sob pressão, não permitindo que esta (a pressão) e sim a sua percepção crítica determine o processo decisório.

  • a sua capacidade de flexibilizar suas posições, com o objetivo de adaptar-se às situações sob as quais não tenha controle, de tentar influenciar pela negociação situações cujo controle não seja total e rever posições ao encontrar caminhos mais eficazes e produtivos de gerar resultados.

  • a sua capacidade de agir como um eterno aprendiz, tomando lições com seus próprios erros, prever incidentes e evitar a improvisação nas ações produtivas, tendo o planejamento e a organização do trabalho como ferramentas permanentes. (com base em Stephen Rhinesmith).

O exercício da competência passa pela percepção de que, diante da realidade, um "poderia ser" diferente tenderá a permitir encontrar uma alternativa mais eficaz de se obter resultados.

 

CONCLUSÃO

A organização do trabalho pode ser percebida sob dois aspectos:

  1. o aspecto individual, no qual todas as indicações feitas neste texto são identificadas como fundamentais em uma reflexão, com o intuito de obter um desempenho mais produtivo, mais eficaz – no sentido de fazer as coisas certas obtendo, em conseqüência, um resultado mais atraente;

  2. o aspecto coletivo, no qual as indicações feitas no texto se aplicam à equipe, e a reflexão sobre eventuais mudanças nas atitudes e comportamentos se faz a partir do papel da liderança, daqueles que exerçam papéis de gestão, supervisão ou coordenação (direta ou indireta).

A organização do trabalho, portanto, requer uma visão abrangente do papel desempenhado pelo indivíduo no contexto no qual atua produtivamente.

Requer uma reflexão sobre os impactos e reflexos que provoca, com seu desempenho, neste contexto e o que gera de reações em seus companheiros (parceiros, subordinados e superiores hierárquicos).

Requer uma revisão em seus métodos de trabalho, os recursos (eventuais, pois a eles recorre quando necessários) e ferramentas (permanentes, sem os quais sua atividade deixa de ser produtiva), para uma efetiva otimização em sua utilização e que sejam cap