Nº 73 -  Agosto de 2004

       
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Editorial Atualidade
 O líder tem de ser líder   Vendas: organizando o trabalho e o tempo

Líder tem de ser líder? Ou Chefe? Qual o perfil do líder do Século XXI? Vejas as respostas.




M. A. Ferreira Vianna 
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  O vendedor pode ajudar o cliente a administrar seu tempo? Qual o seu perfil de profissional de venda quanto à organização do trabalho e gestão do tempo?.


Luiz Augusto Costacurta Junqueira
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Inovação Realidade
Seu produto é uma Commodity   A indústria do medo

Seus produtos/serviços são facilmente encontrados no mercado? Que diferenciais podem ser agregados? Como lidar com essa realidade?



João Baptista Vilhena

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"Quantos empregos estão sendo gerados pela industria da violência? Quais são os "produtos" dessa industria? Quais os custos do medo coletivo?


Alexandre Freire

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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa; Leandro Santana
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do MVC

 

 

O LÍDER TEM DE SER LÍDER

 

Atualmente, estou coordenando um dos mais fascinantes trabalhos de toda a minha vida. Fui contratado pela Diretoria da BOVESPA para desenvolver e implantar o PDAH – Projeto de Desenvolvimento do Ambiente Humano, cuja meta-objetivo é "Tornar o Ser Humano BOVESPA ainda mais feliz". Em um dos Seminários Básicos com Líderes Executivos, em uma dinâmica na qual se discutia o papel do Líder do Século XXI, um dos grupos apresentou como um dos atributos a seguinte pérola: "O Líder tem de ser Líder". Foi uma gargalhada geral, pois a maioria associou este jogo de palavras a algo superficial, e até piegas, como "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", recentemente citado (e, claro, ridicularizado pela imprensa) por um político de renome.

 

Depois de também rir um pouco, fiz uma intervenção, com muito carinho, refletindo que por uma determinada ótica aquelas palavras não eram tão frágeis como pareciam. Em primeiro lugar, no seu bojo está a clara mensagem que muitos líderes que andam por aí seriam classificados na categoria de chefe, cacique, ou até capataz. De outro lado fica também indicado que um Líder comum deve ser elevado à categoria mais nobre de Líder Pleno. Entre estes conceitos existe uma diferença abissal.

 

O verdadeiro Líder é aquele que tem a visão e a obsessão pela transformação. Como Líder de uma equipe de operários ou como Presidente de uma grande organização, o Líder Pleno, como nos ensina Deepak Chopra "representa a alma simbólica da coletividade". No meu ponto de vista, ele ou ela, vai mais além e quer a evolução, quer deixar a sua marca. Líderes verdadeiros têm uma causa mais nobre, e se sentem responsáveis por sua concretização.

 

Para o livro que vou lançar em 2005 – O Líder do Século XXI: A Ciência, a arte, a emoção e alma do Líder Pleno – tenho recebido o presente de Deus de entrevistar alguns dos maiores Líderes Brasileiros. Sinceramente minha vida mudou depois de tanta alma e emoção. João Havellange, Zilda Arns, Norberto Odebrecht, Bernardinho, José Galló, Rinaldo Campos Soares, Alair Martins, Luiz Alberto Garcia, Luiza Helena, Dorothéa Werneck, para citar alguns (no próximo Editorial citarei outros Líderes que também se enquadram perfeitamente no que vou conceituar agora), não usam apenas os cinco sentidos humanos conhecidos. Sem exagero chegam a uma dimensão maior, a um estado alterado permanente da consciência. Aqui existe um sexto sentido o da emoção, onde todos amam com entusiasmo (sempre lembrando uma palavra grega que significa o Deus dentro de si) e paixão aquilo que fazem. O brilho nos olhos não é uma perspectiva tão somente do "sentido visão". Mostra como a visão é claramente a janela da alma. Um sétimo sentido o da intuição, o da sensibilidade faz parte destes maestros e maestrinas. Por persistência, por aguçada capacidade de observação, eles e elas, percebem o imperceptível, sentem o insensível, vêem o invisível, ouvem o inaudível. E, finalmente um oitavo sentido, já no plano transpessoal, estes(as) Líderes Plenos(as) têm o sentido de Missão. Entendem o brilhante pensamento de Madre Teresa de Calcutá que nos ensinava: "Deus não dá prêmios para o sucesso, mas sim para o cumprimento da Missão". Por isto tudo "o(a) Líder tem de ser Líder" e há um grande fosso entre estas duas palavras iguais na forma, com significados de conteúdo tão diferentes.

 

 

Boa leitura

 

MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do MVC


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VENDAS: ORGANIZANDO O TRABALHO E O TEMPO

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LUIZ AUGUSTO COSTACURTA JUNQUEIRA

V.P. do Grupo MVC

 

 

VENDAS: ORGANIZANDO O TRABALHO E O TEMPO

 

Nos últimos anos temos identificado um interesse cada vez maior de nossos clientes em treinar seu corpo de vendas para melhor Administração do Tempo.

 

Este artigo retrata nossa preocupação em oferecer ao profissional de vendas (não ao Executivo/Gerente) uma série de sugestões para aumento de sua eficiência, através da melhor utilização do seu tempo.

 

Antes de enumerarmos as soluções queremos dar-lhe uma maior consciência do problema tempo e de sua extensão.

 

Procure fazer a si mesmo as seguintes perguntas:

 

  • Vivo envolvido numa montanha de tarefas burocráticas?

  • Passo mais tempo no escritório que com o cliente?

  • Os critérios que uso para determinar os clientes a serem visitados têm mais relação com amizade pessoal, proximidade geográfica etc que com o retorno real e potencial que esse cliente pode trazer?

  • Durante as visitas a clientes estou unicamente preocupado com atividade de manutenção do cliente, em vez de também me preocupar com a abertura de novas frentes, novos produtos com aquele cliente, apresentações de produtos cuja necessidade o próprio cliente não tem consciência?

A resposta afirmativa a qualquer uma das questões anteriores é um seguro indicador que você tem problemas na Administração do seu Tempo.

 

Vamos agora enumerar algumas sugestões simples e práticas para resolver esse problema:

 

ELIMINE A "VISITA INESPERADA" PARA SEMPRE

O visitante inesperado é um dos maiores transtornos para um executivo ou empresário. Você pode gerar má vontade do cliente se desejar vender-lhe alguma coisa sem antes ter marcado hora! Uma alternativa para o cliente que se recusa em recebê-lo: marque a entrevista 3, 4 meses antes; não há como ele recusar essa entrevista, pois ninguém no Brasil se programa com tanta antecedência.

 

CONFIRME AS VISITAS POR TELEFONE

Uma ligação telefônica pode economizar uma viagem infrutífera, quando um motivo inesperado forçar a mudança de planos do seu cliente. Ao chegar, se não puder ser atendido de imediato, dê à secretária uma idéia de quanto tempo poderá esperar em função de seus futuros compromissos. Este tempo de espera deve ser fixado por você, previamente, em função da prioridade do cliente e do assunto.

 

DÊ AO SEU CLIENTE UMA ESTIMATIVA DA DURAÇÃO DA ENTREVISTA

Mantenha-se atento à sua estimativa (início e término). Planeje sua apresentação cuidadosamente para ter certeza que usará eficientemente seu limitado tempo.

 

APROVEITE BEM SEU TEMPO DE VIAGEM/DESLOCAMENTO

Os profissionais de venda gastam muito tempo se deslocando de um lugar para outro; esse tempo não deve ser desperdiçado. Existe uma série de atividades que podem ser desenvolvidas enquanto você viaja de carro, ônibus ou avião. Enquanto espera, planeje seu dia seguinte, leia um bom livro técnico, procure pensar nas possíveis contra-argumentações de seu próximo cliente, reveja o planejamento da próxima semana etc.

 

PLANEJE O SEU TEMPO PARA QUANDO O CLIENTE DESPERDIÇAR O DELE

Nada é mais frustrante que você "estar tocando o seu bonde" enquanto o cliente está preocupado com uma chamada, visita ou emergência. Você poderá evitar essa situação se colocar em prática as idéias anteriores ou tentar encontrar-se com seu cliente fora do local de trabalho dele – onde as interrupções sejam as menores possíveis. Se essas ocorrerem, procure dispor de atividades que possam ser desenvolvidas durante essas interrupções, usando o tempo produtivamente. Rever apontamentos é uma atividade a ser desenvolvida enquanto espera; rascunhar pequenas cartas; planejar a entrevista com o próximo cliente etc. Se você notar que a interrupção será muito longa talvez seja o caso de voltar numa outra ocasião, ou procurar falar com o substituto.

 

RESPEITE O TEMPO DO SEU CLIENTE

O cliente o respeitará mais e, portanto, prestará mais atenção às suas propostas, se você preparar convenientemente e não demorar demais em sua visita. Para seus clientes prioritários procure determinar agendas prévias para reunião, datas e prazos para cumprimento de obrigações de ambas as partes.

 

FALE COM QUEM TOMA DECISÃO

Se possível, procure entrevistar-se com a pessoa que toma as decisões em cada empresa. Se você assim o fizer, não perderá tempo esperando que uma terceira parte entre no circuito decisório.

Resista à tentação de visitar clientes amigos em vez daqueles que podem aumentar suas vendas. Uns poucos minutos com um novo cliente podem lhe render mais do que um encontro descontraído e relaxado com um cliente amigo. Lembre-se do Princípio de Pareto: "20% de suas ações são responsáveis por 80% dos resultados que você" produz. Concentre suas visitas nos "clientes 20%".

 

DESENVOLVA HÁBITOS SAUDÁVEIS DE VENDA

Faça sempre uma relação de objetivos e atividades;

Diariamente elabore um plano de ação, definindo as prioridades do dia;

Defina as prioridades em função dos "resultados" esperados de cada objetivo e/ou atividade;

Trabalhe em função dessas prioridades, iniciando o dia pelo assunto mais importante;

Reveja diariamente seu plano de ação (previsto x realizado); e

Faça tudo isso agora, não deixe para amanhã.

 

QUANDO POSSÍVEL, PROCURE FAZER COM QUE O CLIENTE O VISITE. AS VANTAGENS SÃO INÚMERAS. VOCÊ POUPA TEMPO, PODE MOSTRAR AO CLIENTE COMO "FUNCIONA" SUA ORGANIZAÇÃO, FAZER DEMONSTRAÇÕES DE SEUS PRODUTOS ETC. COMO FOI VOCÊ QUEM MARCOU A ENTREVISTA SEMPRE TERÁ MAIS CONTROLE SOBRE SEU INÍCIO E TÉRMINO.

 

TRATE DO MESMO ASSUNTO COM VÁRIOS CLIENTES, AO MESMO TEMPO.

Se o mesmo assunto precisar ser divulgado ou analisado com vários clientes, procure promover uma reunião (em vez de visitas individuais). Haverá menos problemas de comunicação no que você divulgar, sinergia entre seus clientes, intercâmbio de informações etc.

 

DIVULGUE O MATERIAL SOBRE ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO

Ao se encontrar com clientes, colegas, fale sobre o assunto Administração do Tempo, dê a eles cópia do material que possui, mencione as soluções que "você" encontrou, enfatize os resultados que "você" conseguiu, as dificuldades que superou.

 

IDENTIFIQUE OS MELHORES DIAS PARA CONTATOS COMERCIAIS

Respeitando a prioridade de cada assunto procure identificar os melhores dias e horários para seus contatos comerciais. É sabido que, em geral, as 2ª s e 6ª s feiras são dias em que as pessoas estão mais ocupadas; as pesquisas mostram também que a parte da manhã costuma ser menos congestionada que a da tarde.

 

PROCURE AJUDAR O CLIENTE A MELHOR PROGRAMAR O TEMPO DELE (E O SEU). EIS ALGUMAS IDÉIAS:

  • Defina previamente ambas as agendas e o tempo de duração da entrevista (ambos terão mais tempo para se preparar).

  • Incentive-o a ir colocando por escrito tudo o que tem para tratar com você utilizando para isto uma agenda ou similar. Isto evitará novas idas e vindas, de sua parte.

  • Sugira a ele que a ordem de análise dos assuntos seja do mais importante para o menos importante.

  • Dê a seu cliente uma idéia dos seus próximos compromissos (embora garantindo que ele terá o máximo possível do seu tempo). Isto poderá ajudar na otimização do período de contato.

  • Caso tenha que desmarcar qualquer contato, faça-o com a maior antecedência possível. Isto fará com que seu cliente proceda do mesmo modo com você.

  • Defina com seu cliente um período em que você será mais facilmente encontrado no escritório; peça-lhe para concentrar os contatos nesse período.

  • Ao final de cada contato faça um resumo dos assuntos tratados e, especialmente, dos prazos combinados.

Sucesso gera sucesso. À medida que você se conscientizar dos benefícios advindos do controle do tempo, você se tornará mais e mais convencido da necessidade de pôr em prática as técnicas de administração do tempo. Por quê? Porque elas funcionam! À medida que você começa a viver de acordo com o lema "tempo é dinheiro", nunca mais se satisfará com uma vida sem planejamento.

 

Lembre-se que o tempo mal utilizado implica em vários tipos de custos:

  • O custo de sua hora como profissional, diretamente proporcional ao seu salário;

  • O custo do que você deixou de fazer durante aquele período; e

  • O custo psicológico decorrente de não estar conseguindo desenvolver o que planejou.

Gostou do artigo? Porque não tirar cópias dele e distribuí-las a seus companheiros e, eventualmente, a seus clientes?

 

Material retirado do Programa de Performance Gerencial e do Pocket MBA em Gestão de Vendas.

 

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A INDÚSTRIA DO MEDO

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ALEXANDRE FREIRE

Consultor do Grupo MVC

 

A INDÚSTRIA DO MEDO

Imaginem quantos empregos no setor de serviços estão sendo gerados em nosso país por causa da violência?

  • Novas vagas são abertas em empresas de vigilância;
  • Novos empregos são gerados para produzir e instalar cercas elétricas;
  • Aumenta a demanda por profissionais para adestrar cachorros e para produzir e instalar interfones;
  • Explode a produção de portões eletrônicos e sistemas de alarme;
  • Monitorar residências e empresas torna-se o novo filão para empreendedores;
  • Novas vagas são abertas para produzir e instalar casas blindadas e coletes a prova de bala, e por aí vai...

Como podemos ver, é a indústria do medo agindo em prol da geração de novas oportunidades no ramo de serviços! Seja qual for o produto relacionado a segurança que a indústria produza, várias posições são criadas no setor de serviços para instalação e manutenção do mesmo.

O que está sustentando o crescimento de empregos no setor de segurança pessoal e patrimonial? O pavor da população e da comunidade empresarial. De acordo com o IBGE, cerca de 600.000 pessoas morreram assassinadas no Brasil nos últimos 20 anos. Grande parte dos jovens brasileiros morre com a idade de 17 anos. Causa principal: Arma de fogo!

Antes, a violência atingia principalmente as residências. Hoje, os impactos da indústria do medo já chegaram até as empresas. Várias organizações estão tomando medidas para preservar a integridade física de seus funcionários. As alterações, atingem o organograma interno da empresa, passam pela política de benefícios dos seus principais executivos e chegam a detalhes como cartilha com orientações sobre como evitar furtos nas áreas próximas ao escritório.

Tem empresa que proíbe seus funcionários de buscar seu carro no estacionamento. A ordem é: primeiro deixar o notebook no saguão, ir até o estacionamento e voltar à empresa só para pegar o computador. Assim, evita-se roubo destas jóias eletrônicas...

Outra ação de defesa está virando moda: excluir o cargo no cartão de visita. E tem mais: executivos estão sendo instruídos a andar com dinheiro no bolso para satisfazer as necessidades do assaltante!

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos Hay Group, o benefício que mais cresceu para os executivos no último ano foi a oferta de carros blindados. Vejam na tabela abaixo outros benefícios oferecidos pelas empresas e seus impactos no ramo de serviços.

INVESTIMENTO EMPRESARIAL

GERAÇÃO DE EMPREGOS

Palestras sobre segurança

Profissionais com agendas lotadas para ensinar como não ser assaltado, seqüestrado ou roubado

Implantação de sistemas de rastreamento de veículos

Aumento na concorrência de empresas que estão buscando pessoas que se disponham a monitorar, rastrear e proteger as cargas de caminhões que cruzam as estradas deste país

Segurança pessoal de seus executivos

Para cada executivo protegido, são geradas, no mínimo, duas vagas no crescente mercado de segurança pessoal

E no final do dia? As pessoas voltam pra onde? Claro! Para um condomínio fechado! Isto mesmo: Uma filial de Bangu II. Cuidadosamente construído para prender pessoas honestas, sem passagem pela polícia. Lá elas encontram tranqüilidade, felicidade, paz e segurança.

Afinal, nestas áreas de preservação da espécie humana, existem interfones, portões eletrônicos, alarmes, sensores de presença e tudo mais que já está incluso no preço do condomínio, gerando assim, empregos para muitos...

Uma pergunta fica no ar:

  • Quem paga a conta?

Uma resposta:

Nós pagamos! Estima-se que a violência tenha um custo anual de 10% do PIB, ou seja, cerca de 102 bilhões de reais. Quando não pagamos com dinheiro, pagamos com a vida...

Material retirado do Programa Marketing de Serviços

 

 

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SEU PRODUTO É UMA COMMODITY?

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J.B. VILHENA

Vice-Presidente do Grupo MVC

 

 

 

SEU PRODUTO É UMA COMMODITY?

 

 

Na eterna queda de braço entre vendedores e compradores é muito comum que se busquem argumentos para fragilizar as propostas da outra parte. Creio que todos aqueles que trabalham na área de vendas já escutaram muitos compradores dizerem que seus produtos estavam caros e, além do mais, eram commodities facilmente encontrados no mercado.

 

Parodiando meu amigo José Luis Meinberg, gostaria de começar lembrando que "caro é aquilo que não vale". Se o vendedor tiver feito corretamente a apresentação dos benefícios da oferta (lembremos-nos: benefícios são características ou vantagens diretamente relacionadas com as necessidades do cliente) não deverá ter muita dificuldade em justificar o preço que está sendo cobrado.

 

Mas a pergunta que gostaria de tentar ajudar a responder nesse artigo é: porque o nosso produto não é uma commodity?

 

Em primeiro lugar, vamos definir claramente o que é uma commodity. Segundo o dicionário Houaiss trata-se de "qualquer bem em estado bruto, geralmente de origem agropecuária ou de extração mineral ou vegetal, produzido em larga escala mundial e com características físicas homogêneas, seja qual for a sua origem, geralmente destinado ao comércio externo". O próprio dicionário cita café, açúcar, soja, trigo, petróleo, ouro e diversos minérios como exemplos de commodity.

 

Se você comercializa algum desses produtos em estado bruto, não tem jeito. A decisão de compra se dará em função da maior ou menor oferta e procura e o preço será determinado em função dessas duas variáveis.

 

Contudo, se você comercializa pó de café ou café solúvel, óleo ou margarina de soja, farinha ou farelo de trigo, gasolina ou óleo diesel, pulseiras ou brincos de ouro, aço laminado ou plano, tenha certeza que seu produto não é uma commodity. A razão dessa afirmação é simples: seu produto pode – e deve – apresentar diferenciais em relação aos concorrentes.

 

De que tipos de diferenciais estamos falando? Podem ser marca, assistência técnica, vantagens logísticas, alianças estratégicas com os canais de distribuição e mais uma longa lista de fatores de diferenciação que qualquer bom livro de marketing é capaz de listar.

 

Mas por que os vendedores aceitam tão facilmente o argumento de que seu produto é uma commodity? É muito simples: porque eles acham mais fácil vender para o seu gerente a idéia de oferecer um "descontinho" para o cliente. Afinal, o gerente sabe que se eles não baterem a tão famigerada cota, o próprio gerente ficará em maus lençóis junto a sua chefia imediata. Dessa forma cria-se um círculo vicioso: o cliente diz que a oferta é uma commodity, o vendedor repassa a pressão para o seu chefe e este – preocupado em agradar a sua diretoria – acaba concedendo algum desconto a mais.

 

Se pensarmos sobre quem sai perdendo nesta estória, vamos verificar que é a empresa vendedora que, muitas vezes, investiu milhares (ou milhões) de reais na tentativa de criar diferenciais para seus produtos e vê todo esse esforço "ir para o ralo" somente porque um comprador mais habilidoso conseguiu fragilizar o vendedor e convencê-lo que seu produto é exatamente igual ao dos concorrentes.

 

Quando um vendedor da sua empresa pedir descontos em nome do cliente, dizendo que sua oferta é uma commodity, pare para refletir se ele está apenas procurando o caminho mais fácil - fazendo o jogo do bonzinho. Se você fizer isso, poderá estar economizando muitos milhares de reais em desconto e, simultaneamente, evitando que os interesses da empresa sejam lesados.

 

Material retirado do Pocket MBA em Gestão de Vendas.

 

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