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FRANCISCO
BITTENCOURT
Consultor
do MVC
NEGOCIAÇÃO – Ação para o Negócio
"Compreensão tolerante frente aos
sentimentos - compreender não significa aprovar - surdez
total com relação às opiniões e abertura diante dos fatos,
essas são três das condições necessárias ao desempenho do
negociador"
(Louis Laurent)
Quando abordamos o tema negociação, o que
em geral nos vem à mente é a negociação comercial, onde
trocas, concessões e barganhas se sucedem, com o objetivo de
fechar um negócio, obter uma vantagem, enfim, alcançar um
resultado se não desejado, pelo menos esperado.
Pouco se prioriza, no aspecto formal da
negociação aquela dita interna, vivenciada no dia-a-dia dos
indivíduos, onde a abertura de uma porta, seguida de um
agradecimento é uma forma discreta e velada de negociação,
onde a cessão de um espaço físico na rua, no elevador, no
corredor, no transporte coletivo, acompanhada de um singelo
"obrigado" encerra uma negociação sutil, quase
imperceptível, mas, de qualquer forma importante no
relacionamento interpessoal.
Quanto haveria de ganho na qualidade das
relações se as pessoas, ao refletirem sobre suas atitudes,
seu comportamento, fossem capazes de analisar o impacto de
suas ações individuais sobre o resultado dos negócios, e do
contexto onde atuam? Qual seria o novo cenário das relações
interpessoais, mormente nas organizações, se conseguíssemos
transportar para a relação de todos os dias, os ensinamentos
que nos são dados a conhecer em nossa formação como
negociadores?
A negociação é um instrumento eficaz na
obtenção de resultados, é considerada uma ferramenta
fundamental no exercício da liderança, opera como um
complemento indispensável na consecução do comprometimento.
Ação para negócio, negação do ócio,
enfim, justificativas etimológicas existem em quantidade
suficiente para a identificação deste instrumento de ação
organizacional como essencial para o mundo contemporâneo.
Na chegada do verão, todo o merchandising
é voltado para o cuidado com o corpo, os exercícios
aeróbicos, o esforço físico compensador, o consumo de
alimentos leves e refrescantes, a boa forma como dogma.
Qual a dificuldade, então, para que, na
busca de resultados, não se enfoque a necessidade
indispensável de transformar cada cabeça pensante da
organização, em um negociador permanente capaz de exercitar,
de forma cadenciada como numa caminhada saudável, os diversos
passos e etapas de um processo negocial clássico?
Desenvolver, internamente, nas
organizações o senso negocial, tal e qual desenvolvemos o
senso de urgência, o senso cliente, o senso de qualidade,
para o traçado de um perfil civilizado, onde os indivíduos,
seguros de seus objetivos não despenderão energia com
atitudes desgastantes e improdutivas.
Deixar bem claro que a necessidade de
estabelecer um objetivo para cada ação individual ou
coletiva, definir uma prioridade a ser alcançada e, a partir
de então, criar formas de ação onde a troca de
informações, as concessões de posições e espaços se
faça de forma saudável, gerando crescimento de indivíduos e
consolidando o perfil de eficácia da organização.
A organização não subsiste hoje somente
com seu enfoque econômico, de controles numéricos bem
estruturados. A organização hoje, neste universo
contemporâneo e globalizado, é uma instituição de caráter
social, onde além dos resultados que o mercado indica, leva
ao crescimento dos indivíduos, num processo de aprendizado
constante e permanente.
Indivíduos desenvolvidos, conscientes de seu papel (não
somente cientes, mas conscientes) estão aptos a gerar
resultados efetivos, mais sólidos, coerentes, já que o
resultado foi alcançado de maneira planejada, estruturada,
não contaminada pela improvisação irresponsável, ou pela
impulsividade não planejada.
A partir de cada atitude a ser tomada, de um comportamento
a ser assumido, identifiquem-se as necessidades, expectativas
e objetivos próprios e daqueles parceiros na ação,
percebam-se as linhas de trocas e concessões, onde avançar e
onde recuar, identificando os porquês dessas posições, o
resultado tenderá a uma solidez indiscutível.
Desenhar os mecanismos de poder a ser
acionado, como trabalhar esse poder, de forma a torná-lo um
mecanismo de co-responsabilidade e não uma demonstração de
força ou "status", reconhecer sua própria
capacidade pessoal decisória, trabalhando lógica, emoção,
senso de oportunidade ou sua sensibilidade com competência
levará ao crescimento, não só de quem provocou essa
mudança, mas de todos aqueles impactados por essa forma de
agir.
Ao invés de transformar o convívio entre
líderes e liderados em momentos de unanimidade doce e
complacente, ou mesmo de imposições homogeneizadoras, e até
dependendo do caso, de cenas de terror explícito, porque não
transformar esses momentos de busca de resultados
compartilhados, mesmo que efêmeros, diáfanos, em momentos de
crescimento e aprendizado?
A negociação, uma prerrogativa do homem,
o que lhe passa um atestado de superioridade em relação às
demais espécies da humanidade, tem o dom de "se o
resultado a ser obtido não puder ser alcançado, ao menos
melhore de qualidade a relação entre as pessoas"
(afirmativa de Roger Fisher). Ou seja, nada se perde na
negociação: se não se ganha o resultado esperado, se ganha
na qualidade do relacionamento e do envolvimento entre as
partes.
Rever os processos decisórios internos;
identificar onde está havendo o uso exacerbado do
autoritarismo das lideranças e transformá-lo em processos
negociais múltiplos; perceber onde há omissão pelo descaso,
incrementar o envolvimento negocial co-responsabilizado.
Nos processos de administração
participativa percebe-se que sua sobrevivência somente se
concretiza se as unidades de negócio subsistirem em um
sistema de interdependência, onde o mecanismo lubrificador
das ações é a negociação.
Os indivíduos somente se comprometem se
há mecanismos de busca de resultados individuais, associados
a outros estratégicos, se previamente negociou-se esses
objetivos, e onde o desempenho e o nível quali-quantitativo
de alcance desses objetivos, delineou-se previamente em um
momento onde líderes e liderados sentaram-se frente a frente
para compartilhar uma escolha de critérios de acompanhamento,
avaliação e revisão de posturas.
Dessa forma os sistemas não só funcionam
de forma eficaz, mas oferecem um ambiente real, não
necessariamente perfumado de forma doce e geradora de
mal-estar, mas um ambiente onde o odor da ação eficaz,
provoca sensações agradáveis e desafiadoras naqueles que
estão participando do contexto, contribuindo, e pesando suas
ações e medindo o impacto que provocam.
Isto é negociar internamente, e como
conseqüência, a geração de uma contaminação da qualidade
negocial em qualquer estágio externo a organização. Crescem
os indivíduos, cresce a organização.
Vale lançar um desafio: Qual será a nossa
capacidade real de negociar internamente, na organização, na
família, na roda de amigos, na rua, no esporte...?
MATERIAL RETIRADO DO PRONEG – FORMAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO DE NEGOCIADORES.
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