Edição Nº 79 - Março de 2005

       
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 Editorial  Educação Corporativa
 Analisando o menos óbvio    Sabe o que é  treinamento Iatrogênico?

No  desenvolvimento da mentalidade estratégica uma das grandes competências é a percepção do imperceptível. Como fazê-lo? 




Marco Aurélio Ferreira Vianna 

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  O que é  um Treinamento Iatrogênico? Qual sua relação com o processo de Negociação? Como interfere na estratégia da Educação Corporativa?




José Augusto Wanderley

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 Questionamento  Teste
Vai levar só um minuto??? Não acredite!!!    Quando RH se torna realmente estratégico

Nossa percepção temporal (bem escasso ou bem disponível) condiciona a maneira como usamos nosso tempo. Veja como "um minutinho" pode não ser igual a meros 60 segundos.


Alexandre Freire

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O grande objetivo dos RHs das empresas é o de assumir posturas estratégicas, permitindo atuações que influenciem o negócio de sua organização. Quando e como acontece essa transformação?


L.A. Costacurta Junqueira

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 A voz do Consultor  Novos Horizontes
  Caro é o que não tem valor   Mercado Externo: Obstáculos imaginários
 

Como fugir de uma negociação por preço quando esse é o valor maior? Às vezes o único valor. Clique aqui e veja uma rápida exposição sobre o assunto!






José Luiz Meinberg

Diretor Comercial do MVC

 

Certamente você e sua empresa já pensaram na exportação de seus produtos e serviços. A partir daí começaram os obstáculos. Veja como ter uma visão real de sua importância e como superá-los na busca do mercado externo.




Carlos Alberto Alvim
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 Papel do CEO  Qualidade
  Sr. CEO: Qual o seu papel na gestão comercial da sua empresa?    A qualidade do relacionamento em serviços 
 

Normalmente falamos sobre o papel do Diretor ou do Gerente na Gestão Comercial da Empresa. E qual deve ser o papel do CEO? Como e quando desenvolver êsse papel? Em momentos de grandes mudanças CEO, Diretor Comercial e Gerentes de Vendas devem estar em perfeita sintonia




J.B. Vilhena & L.A. Costacurta Junqueira
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Por que é tão difícil a tarefa de obter a satisfação do cliente? Será que não temos a tecnologia necessária? Há vontade  "política" de questionar paradigmas ultrapassados? Veja porque coisas óbvias acabam não acontecendo.




José Luiz Meinberg
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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira e J.B.Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa; Leandro Santana
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do MVC

 

 

ANALISANDO O MENOS ÓBVIO

 

Quando tu achares que sabes

tudo de tua arte, vá à

outra arte, aprende com

ela, e traga para tua arte.

(Pensamento Oriental)

 

Sempre uma das grandes propostas da mentalidade estratégica on-line é importante estar atento aos fatos que ocorrem nas ondas de mudança do mundo, avaliar seu impacto e implantar adequadas estratégias de reação/resposta. O mundo de hoje, primeira metade da década 00 do século XXI, exige dos atores da comunidade empresarial uma atenção extrema, qualidade (seria competência, ou seriam os dois?) do verdadeiro líder: a percepção do imperceptível. Em meu ponto de vista, eu não tenho dúvidas que estão ocorrendo Revoluções Invisíveis, cuja detecção depende de faro apurado e inteligência competitiva consistente.

 

Duas delas podem servir de base para nosso Editorial do mês. Uma é chamada por Charles Handy de "fatos sem razão", ou no meu linguajar de "Loucuras Inesperadas". Michael Schumacher está sentindo seus efeitos na pele. Saindo de uma confortável posição de favorito absoluto, Schumy vê todos os seus Fatores Críticos de Sucesso abalados por mudanças loucas, inesperadas e, muitas vezes, sem razão. Mesmo achando que ele ainda vai ser campeão, mais uma vez, toda sua estratégia, tática e até filosofia deverá estar inteiramente reformulada para atingir seus objetivos vitoriosos. Para nós uma primeira lição: cuidado com os "Sem razão" no nosso segmento de negócio.

 

Ainda no campo do esporte as finais da Taça Guanabara são um belo exemplo do mundo hoje. Finalistas de um dos campeonatos mais importantes do mundo: Volta Redonda, Americano (de Campos), Cabofriense e Botafogo. Se o Friburguense entrasse seria uma pura e verdadeira Festa do Interior. Joel Barker afirma: "quando muda um paradigma tudo volta a zero". Em outras palavras, neste tipo de ambiente o antigo não tem lugar garantido (a Vasp que o diga) e o novo tem espaço aberto (a Gol que o diga). Para todos nós a grande lição: "As causas da vitória do futuro são diferentes das causas da vitória do passado", e por isto mesmo humildade e falta de arrogância, são elevadas à categoria de Fatores Críticos de Sucesso.

 

Boa leitura

 


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SABE O QUE É TREINAMENTO IATROGÊNICO?

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JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY

Autor do Livro NEGOCIAÇÃO TOTAL (9º Ed.)

 

 

SABE O QUE É TREINAMENTO IATROGÊNICO?

 

 

Para que se possa identificar e caracterizar melhor o que seja um treinamento iatrogênico, vamos apresentar alguns exemplos ilustrativos.

Um gerente tinha em sua equipe dois colaboradores com dificuldades em seus relacionamentos. Resolveu atacar a questão de frente e aproveitou a oportunidade para desenvolver um trabalho de melhoria de relacionamento interpessoal com toda equipe. Foi chamado um especialista no assunto. Após dois dias e várias confrontações, os dois colaboradores que, até então, tinham alguns atritos em seus relacionamentos, passaram a se odiar.

Uma gerente estava com problemas de relacionamento com sua equipe. Pequenos conflitos estavam se tornando freqüentes. Contratou um especialista em solução de conflitos. A equipe se reuniu por três dias num hotel afastado do local de trabalho para que tudo pudesse fluir da melhor maneira possível. Ao final destes três dias, o resultado foi o seguinte: a gerente foi desautorizada pelo consultor na frente de toda sua equipe e a equipe passou a se manifestar coesamente contra a gerente.

Num dos meus cursos de negociação havia um participante que não conseguia fechar suas negociações. Fui procurar entender o que estava acontecendo e recebi um relato esclarecedor. Este participante havia feito um treinamento em que foi contada a seguinte história: Havia uma pessoa que tinha muita sorte e tudo o que fazia na vida sempre dava certo. E a razão desta sorte era o seu cavalo alazão. Eh bicho danado para dar sorte, costumava dizer!. Esta história chegou aos ouvidos de um azarado, que pensou: é só comprar este cavalo que a minha vida vai mudar. Começou a fazer várias ofertas para comprar o cavalo, que sempre eram recusadas. E, a cada nova oferta, o preço do danado do cavalo aumentava. Lá pelas tantas foi feita uma oferta extremamente elevada, e finalmente foi acertada a venda. Alguns dias depois o comprador foi se queixar para o vendedor. "Este cavalo não melhorou em nada a minha sorte, até pelo contrário. Levei um coice e quase quebrei as pernas". Oh! Não fala mal do cavalo, disse o vendedor, assim você não vai conseguir revendê-lo. Este participante havia comprado este cavalo, ou esta história, e estava querendo passar a perna em todo mundo. Como um dos pontos que abordamos no seminário de negociação trata justamente de identificar e fazer frente às táticas não-éticas, este participante não tinha sucesso e quanto menos sucesso, mais tentava agir com este padrão de conduta.

Num outro seminário de negociação, um participante chegava invariavelmente ao impasse, mesmo nas negociações mais simples. Procurei identificar a razão. Este participante havia assistido a uma palestra em que foi tratada a importância de se ter sonhos e objetivos elevados. Acabou achando que você é do tamanho dos seus sonhos e assim, quanto mais elevados os sonhos melhor. Acabou fazendo uma pequena confusão: Uma coisa é objetivo elevado e desafiador, mas realizável. Outra coisa é objetivo estratosférico. Conforme forem os seus sonhos, em vez de ajudarem eles podem fazer com que você tenha pesadelos. A questão é que, às vezes, os participantes saem de treinamentos e palestras tão falsamente autoconfiantes que acreditam que se ficarem embaixo de uma explosão atômica, o problema é da bomba atômica. Consciência mágica para alguns, ingênua para outros, é completamente diferente do otimismo realista.

Então vamos ao título do artigo. iatrogênico é um termo usado em medicina para designar erros na conduta médica. Ou seja, o tratamento em vez de resolver o problema de uma pessoa, acaba agravando a situação ou provocando outros males que não existiam previamente.

 

TREINAMENTO IATROGÊNICO?

 

E o que é um treinamento iatrogênico? É um treinamento ou intervenção que agrava a situação de colaboradores, equipes ou empresas.

Assim, podemos considerar que os resultados de treinamentos, palestras, intervenções e mudanças organizacionais podem ser como os de um casamento. Existem três tipos de casamento: âncora, bóia e balão.

O casamento âncora é o que afunda e acaba sendo nocivo. Corresponde ao treinamento iatrogênico. O casamento bóia não afunda, mas também não agrega valor. O casamento balão é aquele em que os cônjuges crescem. É aquele que acrescenta, que multiplica e não o que divide. É também uma relação de sinergia. Corresponde aos treinamentos efetivos que produzem resultados.

Para ilustrar o treinamento bóia, vejamos dois exemplos.

Uma gerente estava com problemas de produtividade com sua equipe. A capacidade dos integrantes era muito maior do que os resultados que eram obtidos. As pessoas não estavam utilizando seu pleno potencial. Para resolver esta questão, a gerente contratou um seminário de criatividade. O seminário foi muito bom. Pode-se considerar mesmo, que foi um sucesso em termos de avaliação de reação. O consultor era bastante competente. Todos gostaram muito, mas ao final, ficou a seguinte indagação: sim, mas e daí? Em que isto contribuiu para melhorar a produtividade da equipe? E um certo desânimo tomou conta de todos. Mais outro treinamento e a produtividade da equipe continuou a mesma.

Um outro caso. Um consultor, num destes encontros de aeroporto (consultor se encontra muito em aeroporto) falou de uma palestra que havia realizado. Era um simpósio de dois ou três dias com vários palestrantes. Este consultor quando chegou ao evento reparou que estava sendo realizada uma palestra de grande impacto. As pessoas aplaudiam, riam, deliravam. Interessado ele foi assistir. O tema era sobre liderança. Ele achou a forma muito interessante, até hipnótica, mas o conteúdo! Tudo bastante superficial, sem profundidade. Será que não tinha percebido a essência do que estava sendo dito?

Por acaso, na manhã do dia seguinte na hora do café, encontrou o palestrante e foi checar sua percepção. Não havia identificado muito conteúdo. Resposta: sobre liderança de fato não foi dito muita coisa, mas em compensação o pessoal havia se divertido à vontade. Ou seja, o objetivo maior da palestra não era liderança, mas sim divertir os colaboradores da empresa. Nada contra divertimento, desde que isto fique claro. A pretexto de tratar de liderança, o que vamos fazer é promover um espetáculo humorístico. Todo mundo vai rolar de rir.

O que é um treinamento balão? É quando as pessoas modificam comportamentos ou aplicam o que foi tratado com resultados efetivos. Uma empresa brasileira estava negociando com a poderosa coreana Hyundai. Uma negociação que estava sendo bastante difícil e próxima de um impasse. Depois de um curso, o gerente que conduzia a negociação mudou substancialmente seu enfoque e a negociação pode transcorrer com um resultado que contemplou aos interesses das duas partes.

 

EFETIVIDADE DO TREINAMENTO

 

O teste ácido da efetividade de qualquer treinamento consiste nos resultados que se obtêm nas atividades concretas do dia-a-dia. Isto é, os conceitos e práticas apresentados permitem que os participantes atinjam novos patamares de desempenho? Foi possível melhorar o autoconhecimento? É possível traçar um plano de desenvolvimento pessoal? Qual é a relação benefício/custo?

A efetividade de um treinamento depende de alguns pontos, entre eles os seguintes:

1) Uma ótima avaliação de reação não significa excelência de treinamento. Pode haver treinamento iatrogênico, apesar desta avaliação de reação;

2) O que as pessoas fazem não é aquilo que sabem, mas o que está condicionado em seu sistema nervoso. Mais ainda: se não houver reforço, tudo o que foi aprendido será esquecido em pouco tempo. Em aproximadamente vinte dias é esquecido por volta de oitenta por cento do que foi aprendido. Assim, o treinamento não deve se encerrar com o seminário. O técnico de vôlei Bernardinho conhece muito bem o conceito;

3) Devemos considerar três tipos de capacidades. A capacidade requerida para que determinada função ou atividade seja exercida com plena competência. Depois a capacidade desenvolvida. E, finalmente, a capacidade acessada. Portanto, surgem algumas questões: quais as competências que as pessoas, equipes e a organização necessitam para fazer face aos desafios que enfrentam? Como identificá-las? Qual o estoque de competências atual? Como fazer para identificá-lo? O que fazer para que o estoque de competências seja maior que as competências requeridas? Quais serão os próximos desafios e as competências necessárias?

4) Mas aí surge um ponto extremamente importante que é o da capacidade acessada. Pode-se ter um estoque de competências bem maior que as capacidades requeridas, mas na hora em que se necessita dispor destas capacidades não se tem acesso a elas. Os sistemas organizacionais, por exemplo, podem ser esquizofrênicos e não interagirem entre si. Os colaboradores podem estar estressados e ficam bloqueados, não tendo acesso aos seus recursos. O que se tem atualmente como certo é que quanto mais estressada estiver uma pessoa, mais ela tende a fazer o mesmo, repetindo sistematicamente os mesmos erros e perdendo a flexibilidade. Paul Stoltz desenvolveu um estudo sobre adversidade e identificou que as pessoas e empresas de sucesso são aquelas que sabem superar as adversidades, que não são tomadas por elas. Segundo Stoltz, enfrentamos diariamente vinte e três adversidades, começando em casa, com problemas particulares, passando pelo trânsito e, finalmente, na empresa. Portanto, competências em tratar com adversidade e flexibilidade são essenciais. Não basta apenas desenvolver competências. É preciso que se busquem formas de se ter acesso a elas.

5) Identificando algumas competências-chave. Existem várias delas, mas vamos nos ater a algumas que são de fato essenciais. Comecemos tendo por base Peter Drucker: "O produto final do trabalho de um administrador são decisões e ações". Isto simplesmente nos alerta para a importância da capacidade de decisão. O destino de pessoas, empresas ou países está diretamente relacionado à qualidade das decisões tomadas. O que somos hoje é fruto de decisões anteriores. O que seremos amanhã é conseqüência das decisões que estamos tomando atualmente. Algumas escolhas são essenciais e importam decisões sobre nossa religião ou nosso papel social. Outras são operacionais, como a roupa que vamos vestir hoje para ir trabalhar.

O que vale para as pessoas também vale para as empresas. Uma empresa sobrevive ou não, tem êxito ou fracassa, de acordo com as decisões e escolhas que fez ou faz, de suas estratégias e foco, seus sistemas de crenças e valores, seu estilo gerencial, seus processos, suas estruturas, as pessoas que seleciona, o sistema de treinamento e desenvolvimento que adota.

6) Saber agir é outro ponto básico. Sem ação efetiva não adianta saber decidir bem. E aí existe todo um conjunto de questões, como a procrastinação, o balanceamento entre as áreas de conforto e de risco e os medos. Medo do fracasso, medo de rejeição e medo do sucesso. Mais ainda, a questão da auto-sabotagem. Há pessoas que, sistematicamente, quando estão próximas de uma grande realização encontram uma maneira de cometer erros grosseiros. A questão, portanto é: como superar barreiras e ampliar limites, fazendo o que tem de ser feito? E, neste sentido, a questão do erro merece consideração especial pela sua importância. Como deve ser tratado e como pode servir de fonte de aprendizado? Há alguma política neste sentido? O que causa maior dor: tentar e errar ou ficar acomodado? E a resposta a esta pergunta pode definir o grau de empenho e comprometimento existente numa organização.

 

CONCLUINDO...

 

O que devemos ter presente é que, se queremos treinamento e desenvolvimento efetivo, evitando desperdícios e pondo em risco o treinamento iatrogênico, temos de levar em consideração alguns pontos, entre eles os seguintes:

  • Estar sempre ciente de que, para todo e qualquer benefício, há sempre um preço a pagar. Há sempre um custo, que aparece sob múltiplas formas. Portanto, é preciso que se tenha sensibilidade para a relação benefício/custo. Às vezes, os benefícios podem ser ilusórios, mas os custos são sempre reais;

  • O programa de treinamento deve estar embasado numa compreensão estratégica da função do treinamento e na identificação do conjunto de estados mentais, atitudes, crenças, valores, conhecimentos e habilidades necessários para as partes e para o conjunto da organização;

  • É importante que se disponha de um modelo organizacional que permita uma visão integrada do treinamento. Entre os parâmetros a serem considerados neste modelo devem estar, pelo menos, os seguintes: metas ordenadoras e missão, liderança e estilos gerenciais, estratégias, competências essenciais, sistemas e processos, sobretudo o de tomada de decisão e recompensas, estruturas organizacionais e trabalhos em equipe;

  • Definição de objetivos, dentro de vários horizontes temporais, e um sistema de feedback e de correção de desvios;

  • Deve-se dispor de um repertório de meios, que possibilitem a consecução dos objetivos, bem como muita persistência, levando-se em consideração a necessidade dos condicionamentos e a questão das capacidades requerida, desenvolvida e acessada. E isto também requer flexibilidade e capacidade para tratar com as adversidades.

O fato é que em treinamento, também vale uma música cantada pelo Paulinho da Viola: "O que dá para rir, também dá para chorar".

 

Material retirado do Pocket MBA Comportamento Organizacional em Negociação.

 

 


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VAI LEVAR SÓ UM MINUTO??? NÃO ACREDITE!!!

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ALEXANDRE FREIRE

Consultor Sênior do MVC

 

 

VAI LEVAR SÓ UM MINUTO??? NÃO ACREDITE!!!

 

 

Recentemente fiz a seguinte pergunta a algumas pessoas do meu convívio diário: O que você consegue fazer em um minuto?, e vejam o que responderam:

 

  1. Escovar os dentes;

  2. Urinar no vaso;

  3. Passar o olho sobre a primeira página do jornal do dia;

  4. Esperar conexão da internet via linha discada (duvido!);

  5. Passar o fio dental entre os dentes;

  6. Tratar do cachorro com água e ração.

 

Repare bem que as respostas foram sinceras e relativamente precisas. São atividades do cotidiano as quais já fazemos há muito tempo, onde a curva de experiência já está na sua maturidade máxima. Porém, convido você a ler agora o que estas mesmas pessoas dizem quando respondem a mesma pergunta como profissionais:

 

  1. A mentira - Você leva seu carro para o mecânico para dar uma olhada em um barulhinho na suspensão. Ele responde: Pode esperar um pouquinho. Isto só vai levar um minutinho pra resolver!

  2.  

    A verdade - A possibilidade de você se atrasar para o próximo compromisso é de 99%. Ele vai demorar meia hora, no mínimo, para detectar o problema do barulhinho... Seu compromisso está ameaçado.

     

  3. A mentira - Você chega ao consultório médico com uma consulta agendada. O atendimento está atrasado e você pergunta para a recepcionista quando você será atendido. Ela responde: Mais um minutinho pois eu já lhe chamarei!

  4.  

    A verdade – Tem dois pacientes na fila que serão atendidos antes de você. A recepcionista sabe disso, mas não vai lhe dar esta má notícia. Muito provável que você será atendido em meia hora.

     

  5. A mentira – Seu chefe convida você para uma breve reunião. Uma conversa rápida, diz ele. Você o informa que tem um cliente lhe esperando para fechar uma proposta, mas ele diz: "Calma... vai ser só um minutinho!".

  6.  

    A verdade – Você fala para seu cliente: "Me aguarde só um minuto que estarei de volta". Seu chefe tem várias perguntas para lhe fazer. Você vai responder todas rapidamente, pois sua cabeça está no cliente que lhe espera. A "breve" conversa com seu chefe vai se desenrolar por, no mínimo, meia hora até que você esteja liberado.

     

  7. A mentira – Você vai a uma pizzaria. Pede uma pizza para duas pessoas. Após meia hora de espera, você reclama com o garçom. Por sua vez, o garçom, muito bem adestrado, responde sem mesmo olhar nos seus olhos: "Já está saindo... Só mais um minutinho...".

  8.  

    A verdade – Ou o garçom esqueceu de fazer seu pedido, ou o pedido saiu errado e teve de ser refeito. Em qualquer uma das situações, pode ficar certo que vai levar mais meia hora para ficar pronta. Aproveite e peça um tira-gosto fácil de fazer, porque senão corre o risco de chegar após a pizza!

     

  9. A mentira – Ao parar em um posto de gasolina, o frentista oferece trocar o óleo de seu carro. Você reconhece que está na hora de trocar, mas está com pressa. O frentista dispara : "Não é bom arriscar. Vai ser só um minutinho e pronto...".

 

A verdade – A pessoa que vai trocar o óleo nunca é a que lhe ofereceu a troca. A pessoa que vai fazer o serviço de troca, está sempre terminando de atender um outro cliente. Entre o momento que ele libera o outro cliente, seu carro é alçado, o óleo velho é retirado e o novo colocado, pode acreditar: com certeza, vai levar meia hora!

 

Compare agora o que as pessoas disseram fazer em um minuto, com o que estas mesmas pessoas, como profissionais, prometem que conseguirão fazer em um minutinho. Na verdade, nós só acreditamos na mentira do um minutinho porque nós também a praticamos no dia-a-dia com nossos chefes, pares, familiares e clientes.

 

Duas sugestões para não cairmos mais nesta mentira:

 

Sugestão 1 – Aprender a dizer NÃO. É melhor voltar em outra ocasião, quando tiver mais tempo e sem a pressão de um compromisso importante agendado ou ter um cliente lhe esperando.

 

Sugestão 2 – Diga SIM, mas multiplique 1 minutinho x 30 minutos. Desta forma, você estará sendo realista com você mesmo, e a mentira se tornará verdade. Vai demorar meia hora. Pode acreditar!

 

Material retirado dos programas Planejamento e Organização do Trabalho, Gestão do Tempo e da Energia na Era da Informação.

 

 

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A QUALIDADE DO RELACIONAMENTO EM SERVIÇOS

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JOSÉ LUIZ MEINBERG

Diretor do MVC

 

 

 

A QUALIDADE DO RELACIONAMENTO EM SERVIÇOS

 

 

Muito tem sido discutido sobre qualidade do relacionamento em serviços. A resposta mais objetiva sobre o que é qualidade, conseqüentemente do relacionamento, vem de uma afirmação muito simples: qualidade é o que o cliente acha que é! A imagem da qualidade do relacionamento é somente aquela percebida individualmente pelo cliente.

Por esta superficial, porém objetiva definição, fica claro que qualidade de relacionamento tem uma estreita relação com a percepção individual de cada um dos indivíduos servidos. Isto torna a gestão da qualidade em serviços algo extremamente complicado pois vai depender de cada uma das pessoas que recebem o serviço, seu estado de espírito, suas experiências, sua cultura e tudo que estiver ao seu redor como o ambiente que está sendo prestado o serviço, as pessoas que prestam serviços e a capacidade das pessoas em prestar o serviço.

Em face desta complexidade, é necessário separar qualidade em partes gerenciáveis que costumamos chamar de dimensões da qualidade.

Em qualidade temos a qualidade técnica e a qualidade funcional. A diferença entre as duas diz respeito ao "o que o cliente recebe" e "como o cliente recebe" o serviço.

A Qualidade Técnica é a aquela realmente produzida: "o que o cliente recebe". Por exemplo, o cliente ao procurar um determinado serviço médico tem sua "doença" curada ao cumprir a prescrição dada pelo profissional médico voltando a gozar de saúde perfeita. Aqui podemos dizer que houve uma boa qualidade técnica do processo.

A Qualidade Funcional, por outro lado é "como o cliente percebe" aquele serviço. Seguindo no exemplo anterior qualidade funcional diz respeito ao como o cliente foi atendido por todos que envolvem este serviço, desde o próprio profissional médico, passando pelos atendentes, o ambiente, os equipamentos de suporte, etc. Esta é a qualidade funcional do processo.

Estas duas dimensões da qualidade não constroem a qualidade percebida pois está dependente ainda de uma relação com a qualidade esperada. Através das atividades de comunicações, tanto formais como informais, é construída na mente de cada cliente uma imagem do que será recebido. As atividades formais são aquelas promovidas pela comunicação de marketing (propaganda, publicidade ou mesmo atividade de relações públicas). Estas atividades são mais controláveis na origem e pouco controlável no seu destino (os usuários). As atividades informais são perigosas pois não oferecem qualquer tipo de controle sobre a emissão da mensagem nem tampouco no recebimento da mesma. É a chamada comunicação boca-a-boca. A qualidade esperada, portanto é uma avaliação prévia construída pelo cliente segundo o esforço de comunicação empregada bem como toda a experiência, cultura e tudo o mais que cerca o serviço a ser utilizado e suas referências.

A qualidade percebida portanto é uma relação entre aquela esperada e a experimentada.

Olhando para este Panorama de Qualidade fica evidente que o trato dos aspectos que constroem a qualidade podem ser tanto objetivos quanto subjetivos. Objetivos quando dizem respeito ao "o que". São Subjetivos quando dizem respeito "ao como". E aí vem o maior perigo porque para cada tipo de contato, para cada tipo de serviço realizado, existe uma interação individualizada. E cada cliente reage individualmente quanto ao que ele afirma ser bom (qualidade) para ele. Portanto, a conclusão final é que a qualidade percebida está muito mais carregada de pontos subjetivos que objetivos, razão pela qual a qualidade em serviços é bastante tênue. Qualquer tipo de má condução da interação com o cliente em qualquer momento será motivo para desqualificar aquele atendimento.

Um bom caminho para evitar chegar a uma negativa qualidade percebida seria cumprir os passos a seguir:

  • Confiabilidade - envolve tratar com coerência o desempenho e procurar ao longo do tempo manter constância de proposta e atitude.

  • Competência – significa possuir as habilidades necessárias para o bem servir e o conhecimento necessário para sua execução.

  • Cortesia – envolve tratar com boas maneiras, respeito, consideração e contato amigável do pessoal com o mercado como um todo.

  • Credibilidade – envolve a confiança necessária, o crédito, a honestidade e o envolvimento concreto com os interesses, antes de tudo, do cliente.

  • Compreender e Conhecer o Cliente – envolve fazer um efetivo esforço para compreender todas as necessidades do cliente e demonstrar isto aplicando no dia-a-dia do atendimento.

  • Rapidez de resposta – diz respeito à disposição e à rapidez dos empregados para fornecerem o serviço esperado.

  • Acesso – envolve facilidade de estar sempre disponível, acessível pronto para ser abordado, disposto a manter contato.

  • Comunicação – significa manter constantemente os clientes informados numa linguagem compreensível por eles. Além disto demonstrar claramente que está sempre disposto a ouvir sobre as necessidades dos clientes.

  • Segurança – significa não deixar dúvidas quanto ao que vai ser "servido" não oferecer qualquer tipo de perigo ou risco.

  • Tangíveis – procurar tangibilizar os serviços através de evidências físicas que qualificam o desejado serviço.

A busca da qualidade no atendimento é a busca do diferencial deste atendimento. É necessário fazer com que o cliente perceba os esforços na direção da melhor atendimento ajudando a construção da imagem percebida da qualidade.

O processo de promover a imagem de que o controle sobre a qualidade está sendo realizado é um processo importante para agregar "clima de boa vontade" para a construção da imagem final da qualidade. Por exemplo, todo esforço para diminuir o estresse causado por um atraso num horário de um atendimento médico será bem avaliado. Ao contrário, a falta deste controle, é fatal para a imagem da qualidade deste serviço.

A saída para criar este clima positivo, muitas vezes antes mesmo do contato com o cliente, pode ser realizada através de algumas ações que evidenciam os controles exercidos em sua prestação:

  • Profissionalismo e Habilidade: Os clientes devem compreender que o prestador de serviços, seus empregados, os sistemas operacionais e os recursos físicos possuem o conhecimento e as habilidades necessárias para solucionar seus problemas de forma profissional (critérios relacionados a resultados);

  • Atitudes e Comportamentos: Os clientes devem perceber que os funcionários de serviços (pessoas de contato) estão preocupados com eles e se interessam por solucionar seus problemas de uma forma espontânea e amigável (critérios relacionados ao processo);

  • Facilidade de Acesso e Flexibilidade: Os clientes devem sentir que o prestador de serviço, sua localização, suas horas de operação, seus empregados, e os sistemas operacionais são projetados e operam de forma a facilitar o acesso aos serviços e estão preparados para ajustarem-se às demandas e aos desejos dos clientes de maneira flexível (critérios relacionados ao processo);

  • Confiabilidade e Honestidade: Os clientes devem saber que qualquer coisa que aconteça ou sobre a qual se concorde será cumprida pela empresa, seus empregados e sistemas, para manter as promessas e ter um desempenho coerente com os melhores interesses dos clientes (critérios relacionados a processo);

  • Recuperação: Os clientes devem ter certeza que sempre que algo der errado ou alguma coisa imprevisível e inesperada acontecer, o prestador de serviços tomará de imediato e ativamente ações para mantê-lo no controle da situação e para encontrar uma nova e aceitável solução (critérios relacionados a processos);

  • Reputação e Credibilidade: Os clientes devem acreditar que as operações do prestador de serviço merecem sua confiança, valem o dinheiro pago e que representam bom nível de desempenho e valores que podem ser perfeitamente compartilhados entre os clientes e o prestador de serviço (critérios relacionados à imagem).

Por qualquer caminho que a qualidade em serviços for planejada fica claro que sua avaliação pelo cliente só se dará após a execução deste serviço, muito diferente de um produto cuja avaliação prévia pode ser feita através de testes pelo cliente, logo após fabricação. Então fica evidente que a maior preocupação do gestor em serviços deve ser com tudo que cerca a preparação do atendimento e a perfeita execução das promessas prévias feitas para este serviço. A avaliação posterior servirá apenas como uma fotografia do atendimento pois pouca ação (ou nada) poderá ser feita por aquele atendimento. Sua imagem já foi construída!

 

Material retirado do Pocket MBA Desenvolvimento de Gestores Comerciais.

 

 

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MERCADO EXTERNO: OBSTÁCULOS IMAGINÁRIOS

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CARLOS ALBERTO ALVIM

Consultor Sênior do MVC

 

 

 

MERCADO EXTERNO: OBSTÁCULOS IMAGINÁRIOS

 

 

As vantagens da atividade exportadora são óbvias e o desejo de conquistar o mercado externo está presente nos projetos da maioria dos empresários da indústria. Faturar em moeda forte e estável aumentar o faturamento e os lucros, diversificar os riscos da carteira de clientes, fortalecer a marca, estabelecer novos patamares de qualidade e competitividade... Não é preciso realçar os benefícios de se estar presente no mercado global. No entanto, muitas empresas com potencial exportador fazem-se tímidas diante de obstáculos nem sempre reais. A primeira vez apresenta sempre um grau maior de dificuldade, geralmente acrescido pela lente da nossa inexperiência. É interessante descrever a seqüência de etapas de uma primeira prospecção, considerando um candidato a exportador iniciante e completamente "leigo" no assunto.

Apesar de o caminho para a conquista de um mercado externo parecer, muitas vezes, árduo e repleto de dificuldades, apenas acessível a grandes empresas com tradição nesse tipo de prática comercial, na verdade, o mercado externo está acessível a praticamente qualquer tipo de empresa. Existe um "passo a passo", a ser seguido pelos iniciantes no comércio exterior, capaz de desmistificar as dificuldades, poupando tempo e recursos. Dificuldades existem, como em qualquer empreendimento que se configura lucrativo, mas são facilmente vencidas com um bom planejamento que cumpra, pelo menos, as etapas seguintes.

A primeira coisa a ser feita é a definição do mercado. Para que país se pretende exportar. Características do mercado são levadas em conta nessa etapa, tais como ritmo de crescimento, poder aquisitivo da população, grau de exigência de qualidade, presença de concorrentes. A pesquisa sobre o mercado, nessa etapa, pode ser feita através de consulados, embaixadas e buscas na internet. Os critérios de escolha privilegiam credibilidade, existência de contatos e facilidades, custo do frete, poucas restrições à importação, semelhança entre os produtos consumidos no local e os que se pretende exportar, entre outros.

Uma vez escolhido o país prospectivo, com base nesses critérios, passamos a um detalhamento das características do produto que o tornarão adequado a tal mercado A primeira coisa a ser verificada é a composição de preço, caso o produto fosse exportado exatamente como ele é comercializado no mercado interno, qual seria o seu preço final para os consumidores?

Fatores de custo como seguro, frete, impostos e taxas, novas embalagens, devem ser verificados para que se saiba por qual preço o produto poderá ser posto no país considerado. Nesse ponto é importante a verificação da existência de eventuais barreiras não tarifárias à importação, tais como exigências tecnológicas, de qualidade, fitossanitárias, legislação ambiental e outras.

A partir daí, verifica-se quais as alterações necessárias para adaptar o produto aos hábitos de consumo do mercado visado. Embalagens, fracionamento, especificações técnicas, benefícios. Verificar os investimentos necessários no parque fabril (se for o caso) e recalcular os preços, as quantidades disponibilizáveis para esse mercado e os prazos de entrega.

Nessa etapa deve acontecer uma viagem de prospecção ao país visado, para conhecimento de canais de distribuição e formas de comercialização, incluído como tática a aquisição de produtos concorrentes comercializados localmente para cuidadoso estudo comparativo. Para essa viagem uma agenda de contatos deverá ser preparada previamente, com apoio da embaixada brasileira, da embaixada ou consulado do país no Brasil e/ou de uma câmara de comércio, se existente.

Uma boa empresa de despachos aduaneiros deve ser contatada desde essa etapa para dar apoio logístico (inclusive documental) ao envio de amostras, procedimentos para pedidos, faturamento de eventuais remessas experimentais. O conhecimento e a experiência do despachante, interessado na conquista de mais um cliente, fazem-no um poderoso aliado nessa etapa e na seqüência de sucesso das exportações.

O apoio de um banco atuante no comércio exterior (a maioria dos grandes bancos brasileiros tem departamentos especializados nesse tipo de atividade) deve ser buscado para solução dos aspectos ligados às formas de pagamento, cartas de crédito e fechamento de câmbio. Para o banco, todo candidato a exportador é um bom cliente potencial que ele tem interesse em apoiar, aliás, os bancos com agências nas praças que nos interessam são uma boa fonte de sugestões para contatos comerciais.

Uma vez estabelecido o parceiro (ou parceiros) lá fora e a primeira exportação (teste) sendo bem-sucedida, resta um trabalho de incremento de volume (se for o caso), manutenção e controle, buscando a preservação do cliente conquistado através de um relacionamento sólido e transparente, onde a exatidão e o acordo entre o que foi ofertado e o que foi entregue costumam ser observados com muito mais rigor que em nosso próprio mercado.

Pretendemos abordar esse tema, de forma mais detalhada, em próximos artigos do Insight.

 

 

Material retirado do Programa de Negociações Internacionais.

 

 

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SR. CEO: QUAL O SEU PAPEL NA GESTÃO COMERCIAL DA SUA EMPRESA

 

 

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 L.A. Costacurta Junqueira & J.B. Vilhena 

Vice-Presidentes do MVC

 

 

 

SR. CEO: QUAL O SEU PAPEL NA GESTÃO COMERCIAL DA SUA EMPRESA?

 

 

 

Você está satisfeito com os resultados de vendas da sua empresa? Provavelmente não.

Você sabe o que fazer para vender mais e melhor? Provavelmente não.

Você sabe porque respondeu não para as duas perguntas acima? Provavelmente sim.

Afinal todos sabemos que os produtos e serviços oferecidos ao mercado estão ficando cada vez mais parecidos. Também não temos dúvidas que a competência para criar diferenciais competitivos - a partir de uma prestação de serviços cada vez melhor - passa a ser um imperativo para a sobrevivência futura.

O problema é que o ato de vender não é mais sinônimo de convencer o cliente a comprar. O escopo da função vendas ampliou-se significativamente nos últimos anos. Hoje é preciso que os vendedores sejam capazes de fazer vendas que agreguem valor tanto para o cliente quanto para a empresa que representam.

O contínuo desenvolvimento tecnológico aumenta, a cada dia, a capacidade produtiva das empresas. Some-se a isso a globalização e a diminuição do protecionismo alfandegário e concluiremos que, atualmente, a oferta cresce a uma velocidade tal que não é acompanhada pela demanda. Aliás, a oferta - na maior parte dos setores produtivos - já superou a demanda. O consumidor, hoje, tem inúmeras opções de compra e pode escolher a oferta que melhor se adequar às suas necessidades e desejos. É preciso vender aquilo que ele deseja – ou ele compra de outro fornecedor – muito embora, em muitas ocasiões, nem o próprio consumidor tenha certeza do que quer.

 

Além de ter um leque enorme de opções a sua frente, o cliente está mais consciente, mais bem informado, mais exigente. Não aceita mais qualquer produto que lhe seja "empurrado goela abaixo". Conhece seus direitos de consumidor e reclama quando se sente lesado. Recebe e tem acesso a um número muito maior de informações sobre as empresas e seus produtos que tinha antes. Nesse sentido, o avanço da Internet tem papel primordial, quando torna possível comparar ofertas existentes, buscar informações sobre as empresas, conhecer suas políticas e até mesmo informar-se sobre questões contábeis, como o balanço patrimonial e o demonstrativo do resultado do exercício. Assim, a Internet facilita – em muitos casos possibilita – o processo de pesquisa de mercado. Existem diversos sites específicos de pesquisa de preços de produtos. Tudo isso tornou o processo de compra mais sofisticado; o consumidor pode até não saber exatamente o que quer comprar, mas passa a saber, claramente, o que não quer.

 

O fato de as empresas passarem a perceber que, neste mundo de oferta superior à demanda, elas precisam não só conquistar o cliente, mas também mantê-lo, é o outro fator que influencia esta mudança. As empresas sabem que é mais caro conquistar um cliente que mantê-lo (em média, custa cinco vezes mais). Uma venda inadequada - "empurrada" - faz com que a empresa perca todas as oportunidades futuras de tornar a fazer negócios com aquele cliente. E, o que é pior, gera uma propaganda boca-a-boca negativa, pois, em todas as oportunidades que tiver, o cliente aproveitará para expor seu descontentamento com a empresa. É sabido também que um cliente insatisfeito expõe sua insatisfação para mais pessoas que um cliente bem atendido expõe sua satisfação.

 

Todos esses fatores implicam na necessidade imperiosa de revisão da postura e do trabalho da área comercial.

 

Essa constatação nos leva a uma reflexão. Que papel cabe ao principal executivo da organização no processo de mudança da área comercial? Até que ponto os CEO devem deixar que os responsáveis pela área comercial conduzam sozinhos - e da forma que julgarem melhor - as mudanças que têm de ser feitas para garantir a continuidade do negócio (afinal, se não vender, nenhum negócio tem futuro)?

 

Vamos tentar responder a essas questões pensando na mais importante transformação que deve ser posta em prática pelas empresas: transformar tiradores de pedido em vendedores que praticam a venda consultiva. Mas, o que é venda consultiva?

 

A venda consultiva

 

A venda consultiva representa uma evolução lógica da abordagem de análise de necessidades. Nos dias atuais é imperativo que o vendedor assuma uma postura ativa na relação comercial. Não basta analisar as necessidades do cliente, porque este, muitas vezes, pode não saber exatamente qual a melhor solução para seu problema. Este papel cabe ao vendedor, que deve conhecer a empresa e o mercado em que o cliente atua tão bem (ou melhor) que ele próprio. Deve questionar as necessidades apresentadas e ajudar o cliente a identificar aquelas que ainda estão ocultas.

 

As empresas que atuam com base na venda consultiva não vendem soluções que sejam simplesmente melhores que as ofertas dos concorrentes. Vendem A SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS atuais e futuros do cliente.

 

Ao vendedor é exigido que seja altamente qualificado, tenha grandes conhecimentos gerais e de produto, capacidade de dialogar e questionar o cliente em busca das reais necessidades e pleno conhecimento da situação do cliente. Revelar-se parceiro do cliente, é a única forma de desenvolver uma duradoura relação, baseada na confiança mútua.

 

A abordagem da venda consultiva é a única realmente focada no comprador e tem por objetivo levar o cliente a perceber o quanto a empresa que lhe atende é comprometida com o sucesso DELE, cliente. O objetivo é fidelizar o cliente, que sempre terá a empresa – e o vendedor – como primeira opção de compra.

 

O gestor da área comercial deve desenvolver as estratégias para que sua equipe passe a praticar esse tipo de venda que acabamos de descrever. E o principal executivo da empresa precisa apoiar de forma incontestável essas estratégias.

 

Peguemos um exemplo para ilustrar como esse apoio pode ser efetivo. A prática da venda consultiva só é possível se o vendedor puder atender o cliente sem sentir sobre seus ombros a opressiva pressão por resultados de curto prazo. No passado, as empresas pressionavam os vendedores de forma muito prática e objetiva: a remuneração da área de vendas estava baseada única e exclusivamente nos volumes de venda conseguidos. Em outras palavras, se o vendedor tivesse tirado o pedido, ganhava, caso contrário, ficava "a ver navios". É claro que essa forma única de remuneração funciona como um impeditivo para que o vendedor se assegure que sua oferta, de fato, atenda a uma necessidade do cliente e o leve a buscar tirar o pedido, custe o que custar. Mudar a sistemática de remuneração não é uma solução, mas sim um problema. É comum existirem resistências por parte de RH, que considera qualquer sistema de remuneração múltiplo de difícil controle e operacionalização complicada. A área de produção começa a questionar porque não remunerar seus colaboradores de forma variada, já que na área de vendas é assim. O Diretor Financeiro alega que as despesas vão crescer. O Diretor Jurídico diz que se está criando um perigoso passivo trabalhista. Todos discutem, apresentam seus argumentos e, no final, para agradar a gregos e troianos, nada é feito e o vendedor continua a agir como "saca-rolhas".

 

Os CEO’s precisam assumir sua responsabilidade em facilitar o trabalho da área comercial. Parte do seu papel é negociar conflitos interdepartamentais, garantindo que a solução encontrada para os mesmos é aquela que mais objetivamente contribui para a empresa obter seu objetivo de vendas.

 

A capacitação da equipe

 

Outro aspecto importante diz respeito ao apoio que o CEO dá à capacitação dos profissionais de vendas.

 

Durante os anos 20, no século passado, Frank Bettinger – um vendedor de seguros muito bem-sucedido – escreveu um livro que ficou famoso e freqüentou as estantes de muitos profissionais da área comercial: "Do fracasso ao sucesso na arte de vender". Nesta obra o autor defendia a idéia que o sucesso em vendas derivava diretamente da capacidade de planejamento do vendedor.

 

Não temos dúvida que o trabalho de Frank influenciou - em maior ou menor escala, não importa - o comportamento de profissionais e gestores das áreas comerciais das organizações, que pouco-a-pouco, foram compreendendo a importância de se fazer certo as coisas certas (as tão desejadas eficiência e eficácia). Chegou-se mesmo a tentar - sob nítida inspiração da escola behaviorista - imaginar um conjunto de procedimentos-padrão, capazes de transformar pessoas nem sempre bem preparadas ou talentosas em verdadeiras máquinas de vender (quem nunca ouviu falar sobre como agia o "vendedor" de enciclopédias ou da lista telefônica?). Nas salas de treinamento buscava-se ensinar as "melhores práticas de vendas" que, resumidamente, eram consideradas como sendo: abordar o cliente de forma bombástica, falar ininterruptamente sem deixar que qualquer objeção fosse apresentada, colocar o talão de pedidos na sua frente, "arrancar" a assinatura no pedido e ... dar o fora rápido, antes que ele se arrependesse.

 

Nos dias de hoje não se pode aceitar mais este tipo de comportamento. Contudo, se analisamos a questão mais a fundo, verificamos que embora as formas de abordagem, apresentação e fechamento tenham sido radicalmente alteradas, o conceito original de que a venda é uma peleja entre a persistência do vendedor e a resistência do comprador ainda não foi abandonada. Sofisticaram-se as armas mas a idéia central permanece inalterada: a grande arte do vendedor é convencer alguém a comprar o que verdadeiramente não quer ou não precisa.

 

Nos trabalhos que realizamos junto às áreas comerciais das mais importantes empresas, brasileiras e multinacionais, temos a oportunidade de verificar que muitos gestores de vendas ainda acreditam na velha doutrina econômica que afirmava que a oferta gera a sua própria demanda. Baseados nessa crença agem como se bastasse oferecer insistentemente os produtos para um número suficientemente grande de compradores que por eles se interessassem e tomassem a iniciativa de comprá-lo. Caso isso não ocorra na velocidade necessária - pensam esses despreparados gestores - tudo o que é preciso fazer é injetar recursos em ações de comunicação (preferencialmente propaganda e promoções de vendas) para que a curva de demanda se incline positivamente e os objetivos de vendas sejam atingidos.

 

Como especialistas na análise do comportamento dos consumidores e dos mercados não podemos deixar de nos decepcionar com a visão simplista encerrada nesta idéia.

 

Como muitos CEOs promovem a gerentes de vendas os seus melhores vendedores – estabelecendo uma relação de causa e efeito que não se demonstra na prática – é comum ouvir esses gerentes de vendas dizerem que "o bom vendedor já nasce pronto" ou alguma outra ingenuidade do gênero. Cabe ao CEO incentivar o constante aprimoramento da força de vendas. Uma forma de fazê-lo é colocando dentro dos objetivos do gestor da área comercial o oferecimento de um determinado número de horas de treinamento para suas equipes. Ao se sentir pressionado pelo chefe, o gerente de vendas se preocupará mais em treinar sua equipe. Ao fazê-lo, estará melhor preparando os vendedores. Vendedores mais bem preparados fazem vendas maiores e de maior qualidade, encantam os clientes e contribuem para a perpetuação do negócio de forma incontestável.

 

O constante estímulo ao lançamento de novos produtos

 

Desde 1954, Peter Drucker nos alertava que, em função do crescimento e da diferenciação da oferta, cada vez mais as empresas deveriam passar a se preocupar com a adequação de seus produtos ao mercado. Em outras palavras, uma vez que o consumidor vinha tendo cada vez mais opções de escolha, tornava-se imperioso reaprender a lidar com o mercado. Em suas palestras e artigos, Drucker citava insistentemente o exemplo da General Motors, que sob a inspiração de Alfred Sloan adotara uma postura diametralmente oposta à de Henry Ford. Embora fosse inegável a importância das economias de escala, a idéia de que "qualquer americano poderia comprar um carro da cor que quisesse, desde que fosse preto" vinha apresentando resultados decrescentes. O maior indicador disto eram os pátios da Ford, cheios de modelos A – e posteriormente dos modelos T – para vender. Quando Sloan propôs que a GM se estruturasse em torno de cinco divisões, cada uma delas voltada a um segmento diferente de mercado (desde os Oldsmobiles para os ricos até os Chevrolet para os pobres) muitos analistas acreditaram que suas pretensões eram descabidas e que, nunca, uma empresa vocacionada para o mercado de massa poderia sobreviver à tamanha diversificação. Os resultados todos conhecem: a GM ultrapassou a Ford e nunca mais foi alcançada pela arquirival.

 

A lição de Sloan deveria ser amplamente discutida e analisada pelos nossos gestores de marketing e vendas. O sucesso de Henry Ford não o impediu de entender que era preciso mudar. Da mesma forma, não é mais possível acreditar que a oferta gera sua demanda. Temos de aceitar e entender que a adequação da oferta às necessidades e desejos do mercado é o único caminho que nos permitirá sermos bem-sucedidos numa economia cada vez mais globalizada.

 

O CEO precisa entender que não adianta pura e simplesmente aumentar a pressão sobre as suas equipes para produzir melhores resultados comerciais. A época da "cenoura e do chicote" já passou. O grande desafio daqui para frente será descobrir como as ofertas de sua empresa poderão ajudar a área comercial a defender melhor o seu posicionamento competitivo. Se tiver dúvidas sobre o que é ou sobre como estudar a Cadeia de Valores de uma empresa ou se não tiver certeza de compreender bem o conceito de posicionamento competitivo é preciso ter a humildade de compreender suas limitações: estabeleça seu plano de autodesenvolvimento – sozinho ou com a ajuda do pessoal de RH