Edição Nº 80 - Abril de 2005

       
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 Editorial  Planejamento
Loucuras inesperadas ou refugos da democracia?    Planejando sua próxima ida a um Congresso

O que Vanderlei Cordeiro e Michael Shumacher têm em comum? Eles foram vítimas do que em Pensamento Estratégico chamamos de "loucura inesperada e tempos para que não fomos preparados". Como explicar isso?

Marco Aurélio Ferreira Vianna 

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  Qual o seu próximo Congresso? Você é daqueles que deixam tudo para última hora? Como procede para selecionar os temas de seu interesse? Veja algumas sugestões para otimizar sua participação

L. A. Costacurta Junqueira

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 Dicas  Business Game
A grande diferença do bom comunicador   O jogo como metodologia do aprendizado

Você só tem 10 minutos para preparar sua apresentação? Precisa de algumas dicas para uso imediato? Quer que sua apresentação cause impacto na audiência? Leia o artigo.


Eunice Mendes

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Jogos altamente informatizados levam a uma grande ênfase no processo, em detrimento dos objetivos estabelecidos. Veja uma alternativa.



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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira e J.B.Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do MVC

 

 

Loucuras inesperadas ou refugos da democracia?

 

 

Quando participei, ano passado do painel de abertura do 1º Congresso Mundial de Administração, promovido pelo CRA-RS, fiz questão de anotar com cuidado todas as idéias de meus companheiros palestrantes da Espanha, do México e da Alemanha. Afinal, o tema era uma visão do Ambiente Estratégico, e para mim, era muito importante refletir sobre o "espírito dos tempos" atual, dentro de uma visão internacional. O esforço valeu a pena, e pudemos constatar que a onda de "ambigüidade, incerteza e caos" não é uma "psiquê" esquizofrênica tão somente brasileira.

Temos de registrar que, para o momento atual, perpassaram adjetivos e definições contundentes como: "sem razão", "loucuras inesperadas", "refugos da democracia", "tempos para os quais não fomos preparados". Em meu campo de atuação, a Visão Estratégica, este conjunto de pensamentos, ganha importância prioritária. Todos eles! E aí temos uma visão múltipla internacional, e não uma opinião brasileira viciada aumentando o que chamamos do fenômeno da turbulência. Fatos recentes, nos mais diversos campos corroboram este estado de coisas. No último Editorial do Insight tratamos de alguns deles. Nesta reflexão, queremos dar importância e ressaltar a prioridade de que estes fatos são trabalháveis. À primeira vista, de forma (usando uma palavra simplória) esquisita. Se pensarmos no nosso Vanderlei Cordeiro de Lima, vamos ver que para ser campeão, não basta ao maratonista saber correr: ele tem também de saber driblar. Afinal de contas – como tenho sempre falado em minhas palestras – sempre pode surgir um padre irlandês bobalhão em sua vida. O exemplo do Schumacher já foi citado.

No campo da "loucura inesperada" e do "sem razão", vemos milhares de pessoas na Cidade Maravilhosa na fila de um Hospital de Campanha do Exército, montado em pleno centro da Cidade. Por isto, executivos e empresários, e nossa área de RH, têm de estar atentos a fatos inesperados, loucos mesmos, sem razão. Cabe à empresa brasileira aprender com estes fatos novos; mas também, cabe a ela, ser um fator de equilíbrio, um fiel da balança, um vetor de retorno ao normal, e não somente olhar estas maluquices como oportunidades. O ditado "na crise alguns choram, outros vendem lenços", tem de ser olhado com uma visão muito mais humanista, com alta dose de responsabilidade social.

 

Boa leitura

 

 


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PLANEJANDO SUA PRÓXIMA IDA A UM CONGRESSO

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L.A. COSTACURTA JUNQUEIRA

Vice-Presidente do MVC

 

 

 

PLANEJANDO SUA PRÓXIMA IDA A UM CONGRESSO

 

A participação em vários congressos, muitos deles fora do Brasil, nos possibilita listar algumas sugestões no sentido de tirar o máximo proveito da frequência a este tipo de evento, tanto do ponto de vista pessoal como organizacional.

  • Inscreva-se com a maior antecedência possível, além de beneficiar-se dos descontos, você terá seu nome incluído na relação de participantes, muitas vezes distribuída durante o congresso; isto facilita o "networking".

  • Converse com quem já fez anteriormente o mesmo congresso, pergunte pelos aspectos positivos e negativos.

  • Indague sobre os palestrantes que se apresentaram também no ano anterior; se eles também estão presentes neste ano é porque foram bem avaliados.

  • Se o evento possui muitas atividades simultâneas escolha até 3 palestras para a mesma hora, coloque-as em ordem de prioridade e certifique-se da localização da sala de cada uma. Em grandes centros de convenções isto poupará tempo e facilitará os deslocamentos.

  • Se outras pessoas de suas relações estão no mesmo evento, combine encontros para trocas de experiências. Vários congressos têm "Meeting Points".

  • O melhor hotel é o que possibilita um deslocamento rápido para o centro de convenções (à pé, se possível). Depender de qualquer tipo de transporte não costuma ser uma boa alternativa.

  • Não carregue consigo senão o material estritamente necessário, sua coluna lhe será grata. Quase todos centros de convenções possuem locais para guarda de objetos pessoais. Alem disso, em muitos eventos é distribuido um CD com o conteúdo de todas atividades

  • Indague previamente qual é o sistema de recados aos participantes, informe à sua secretária como funciona o sistema e não se esqueça de verificar regularmente suas mensagens.

  • Em alguns eventos você poderá encontrar mais novidades na Exposição(feira) do que nas palestras; com base no que aconteceu nos anos anteriores procure definir , préviamente seu "mix".

  • Leve sempre muitos cartões de visita, um bom número é 3% do total de participantes esperados para o congresso e o correspondente ao número de estandes da exposição. Não se esqueça de colocar seu E-Mail no cartão, você receberá quaisquer informações mais rapidamente. O cartão é útil não só para troca de experiências entre participantes, mas também para recebimento de informações dos expositores.

  • Selecione o material adquirido, organizando-o ao longo do congresso de modo que, ao voltar, você possa encontrar e utilizar o que foi mais importante para sua área/empresa.

  • Lembre-se de que, mais importante do que anotar tudo que diz o palestrante, é registrar o que vai fazer com o que foi dito.

  • Após o congresso marque algumas reuniões com pessoas de sua área/empresa que têm relação com os assuntos e exponha (discuta) os conhecimentos adquiridos. Disponibilize o material para consulta. Compartilhe seu conhecimento.

  • Selecione, ao menos, 2 ou e pontos apresentados e tente implantar implanta-los em sua área de atuação.

  • Se possível, escreva (e publique, mesmo que no jornal interno de sua empresa) o que você adquiriu de novos conhecimentos e suas impressões.

Esquecemos alguma coisa? Certamente!!!

Faz parte de um texto instigante sempre contar com a complementação, a experiência e a inteligência dos leitores.

 

L A COSTACURTA JUNQUEIRA E J B VILHENA farão a coordenação técnica de um grupo de brasileiros na ASTD (www.astd.org)

 


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PEQUENOS DETALHES FAZEM A GRANDE DIFERENÇA DO BOM COMUNICADOR

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EUNICE MENDES

Consultora Sênior do MVC

 

 

PEQUENOS DETALHES FAZEM A GRANDE DIFERENÇA DO BOM COMUNICADOR

 

 

Todos nós admiramos as pessoas que dominam a arte da comunicação. "Fulano fala muito bem!", dizemos com ênfase, como se esta qualidade, por si só, fosse sinônimo de competência, versatilidade, liderança. E, de fato, é! Saber se comunicar é hoje um pré-requisito indispensável para o profissional de sucesso.

O que pouca gente se dá conta ao aplaudir esses "ases" da comunicação é que, ao observá-los, também podemos aprender muito com eles. Todo bom comunicador apresenta, no exercício do "falar em público", pequenos macetes, "segredinhos" descobertos ao longo de sua carreira e que são utilizados para tornar a comunicação mais eficaz.

Este artigo desvenda alguns desses "segredos de coxia", especialmente extraídos de apresentações bem-sucedidas e dotados de grande valia para o antes e o durante. São detalhes simples, mas que podem ajudar a administrar as emoções e deixar você mais à vontade, tornando o falar em público uma atividade prazerosa e agradável:

1 – Visualize o sucesso de sua apresentação

Isso tem um efeito altamente poderoso sobre a sua mente, preparando você para a hora "H". Pensar positivo faz toda a diferença!

2 – Encare o "monstro" de frente

A melhor forma de vencer o "monstro" é encará-lo de frente. Por isso, liste tudo o que de mais terrível possa acontecer durante a sua apresentação e FIXE bem a SOLUÇÃO.

3 – Não subestime seus sentimentos

Admita que está em um momento de pressão, pois este é o primeiro passo para conhecer e administrar as suas emoções. Em seguida, para aliviar o corpo e oxigenar o cérebro, respire de forma consciente e sinta-se vivo.

4 – Jamais considere a platéia como inimiga

Para uma boa comunicação é necessário criar um clima de confiança e amizade. Evite preconceitos, não julgue os participantes, pois os participantes não são seus inimigos e quanto mais confiança transmitir, maior será a empatia e o nível de aprendizagem.

5 – Comece pelo começo

Na maioria das vezes, o próprio profissional se apresenta para a sua platéia. Esta é uma forma de legitimar o seu papel e enfatizar por que merece aquele espaço. Além disso, dedicar algum tempo à própria apresentação ajuda a quebrar o gelo inicial.

6 – O desejo de um é partilhado por todos

Ao iniciar uma aula ou treinamento, após conhecer as expectativas do grupo, faça um "contrato" com os participantes, registrando o que o grupo quer e também o que o grupo não quer. Quando bem elaborado, esse "contrato" evita desperdício de tempo e garante uma relação mais democrática, na qual todos são responsáveis pelo resultado do trabalho.

7 – Fale como as pessoas querem ouvir

Toda apresentação sempre deve ser planejada e organizada para o público e a comunicação precisa ser estabelecida com o público. Fale de forma que todos compreendam. Não utilize palavras rebuscadas, estrangeirismos, termos técnicos de difícil assimilação e jargões desconhecidos da platéia, pois isso gera desmotivação e antipatia.

8 – Perto dos olhos, perto do coração

Mesmo quando o auditório tiver uma quantidade maior de lugares disponíveis que o número de espectadores, peça sempre para os presentes ocuparem as cadeiras próximas ao palco. Além de proporcionar a você uma visão melhor da platéia, a interação será bem maior.

9 – Alguma coisa em você tem de ser original

A cada vez que um comunicador abre a boca para falar, os espectadores se perguntam: "E daí? O que eu tenho a ganhar com essa história?" Por isso, é fundamental mostrar sempre uma abordagem original do assunto em questão e oferecer muito mais do que encontrariam em um livro.

Lembre-se: As pessoas somente prestam atenção quando entendem que necessitam efetivamente daquelas informações.

10 – Trate bem a platéia para que ela volte sempre

Respeite sempre a opinião dos participantes, seus princípios e valores, mesmo que você não concorde com eles. Isso irá encorajá-los a continuar se expressando naturalmente, o que é primordial para o sucesso de uma apresentação.

A última dica é resultante das anteriores: quanto mais você for assimilando esses pequenos segredos, melhor será o seu desempenho na "prova" do falar sem medo e inibições.

É só conferir...

 

Material retirado do programa Comunicação: Foco em Resultados.

 

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O JOGO COMO METODOLOGIA DO APRENDIZADO

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FRANCISCO R. BITTENCOURT

Consultor Sênior do MVC

 

 

 

O JOGO COMO METODOLOGIA DO APRENDIZADO

 

Uma pessoa não pode ensinar algo a um homem.

Uma pessoa somente pode aprender consigo mesma.

Galileu Galilei

 

INTRODUÇÃO

 

A adoção de um jogo, como método de trabalho para conscientizar um grupo de profissionais em relação à determinada abordagem conceitual, ou prática, considerada fundamental para o trabalho apresenta um conjunto de cuidados, para o seu sucesso:

  1. Se o jogo apresenta uma alta ameaça e um alto desafio, tende a provocar sentimentos de ansiedade e gera inibição do aprendizado;

  2. Se o jogo apresenta uma alta ameaça e um baixo desafio, tende a provocar sentimentos de desconforto e inibe o aprendizado;

  3. Se o jogo apresenta uma baixa ameaça e um baixo desafio tende a provocar sentimentos de indiferença e inibe o aprendizado;

  4. Se o jogo apresenta uma baixa ameaça e um alto desafio, tende a provocar sentimentos de adequação e gera maior eficácia no aprendizado1.

________________

1 - Entendendo o cérebro – Rumo a nova ciência do Aprendizado, Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico, apud VILA, Magda & SANTANDER, Marli. Jogos Cooperativos no Processo de Aprendizagem Acelerada.

 

A construção de jogos, portanto, deve levar este aspecto em consideração, de forma a gerar uma perspectiva de bom resultado e não um exercício de frustração ou insucesso.

 

JOGANDO PARA VALER

 

As pessoas entram no jogo com um misto de curiosidade e uma necessidade de provar a ela mesma, e aos demais, que está em condições de responder a desafios. Estes desafios devem provocar uma motivação suficiente para manter acesa a chama da competitividade. Se isto for alcançado, o jogo terá alcançado seus resultados de forma eficaz.

 

Faz-se necessário elaborar o jogo com todo o cuidado. Suas instruções, ou briefings, devem ser geradores da vontade de participar, e não um aglomerado de instruções ininteligíveis; devem, portanto, ser acessíveis ao nível cultural do grupo a ser treinado.

 

A criatividade só faz sentido se estiver associada a um objetivo. Se não houver este objetivo não há como ser criativo2.

__________

2 - MENNA BARRETO, Roberto. Criatividade no Trabalho e na Vida. SP: Summus Editorial, 1997

 

A adoção do jogo como metodologia de aprendizado deve ter um objetivo específico. O jogo pelo jogo, não tem valor. Provavelmente não atingirá seu objetivo e os participantes tenderão a considerá-lo perda total de tempo.

 

O que queremos explorar com o jogo? Quais os instrumentos de ação a serem explorados durante sua realização? Por que aplicar o jogo e não um treinamento convencional, com exposições dialogadas e algumas atividades práticas para consolidação de conceitos?

 

O jogo só faz sentido se for necessário associar a aplicação prática a um conceito de importância fundamental, para o negócio ou à operação.

 

O jogo deverá estar ligado a outras atividades de aprendizado, durante as quais os profissionais terão a oportunidade de acessar novos métodos de trabalho, ou formas comportamentais mais eficazes de atingir seus resultados.

 

O jogo, pelas suas características, permite um diagnóstico das situações apresentadas. Ele permite também que se observe nos participantes, eventuais atitudes capazes de identificar desenvolvimento pleno ou áreas de carência.

 

Desta forma, o jogo, além de ser conduzido por um facilitador (em geral, um profissional de fora da empresa), deve ser observado, formalmente, por profissionais da empresa patrocinadora.

 

Esta observação permitirá a introdução de variáveis modificadoras sobre o jogo, durante sua realização. Permitirá também, que o facilitador seja municiado de informações sobre os diversos desempenhos e sua importância no contexto.

 

O jogo tem uma estrutura já consolidada, mas permite alterações em sua ação, no sentido que novos pontos possam ser observados (comportamentos, respostas a desafios, reações a determinados tipos de pressão, propostas de ação).

 

O jogo deve ter um fechamento, para os participantes sentirem que conseguiram completar um ciclo. Jogos que envolvem negociação, por exemplo, devem dar a sensação que todo um ciclo negocial foi completo. É assim na vida real, deve ser assim no jogo!

 

As regras do jogo devem ser claras e clarificadas (a redundância se faz necessária) no seu início. Se as regras são diferentes da realidade, elas devem ser demonstradas e justificadas no início, para que os participantes não gerem barreiras à sua experiência.

 

A adoção de um contrato de desempenho entre o facilitador e os participantes é essencial. Ele permite que a fase inicial, as fases intermediárias e a conclusão sejam perfeitamente assimiladas por toda a comunidade envolvida.

 

ETAPAS DO JOGO

 

É importante que, para o jogo ser respeitado, tenha um conjunto de etapas, capazes de ordenar sua estrutura e implantação:

 

  1. O material deve ser elaborado com antecedência, de maneira a permitir eventuais correções, antes da realização do jogo;

  2. A distribuição de papéis, de forma à construção de equipes, que, na medida do possível, devam ser formadas por componentes que, habitualmente, não trabalhem juntos de forma rotineira;

  3. Além do briefing, que contém todas as informações para os participantes, deve haver um conjunto de documentos de apoio, para colocar em prática toda a operacionalização do jogo;

  4. A leitura do material deverá ser feita no início do jogo, para internalização dos conceitos, etapas e objetivos;

  5. O facilitador deverá se colocar à disposição, para o esclarecimento de dúvidas e questionamentos sobre o jogo;

  6. O tempo do jogo deverá fazer parte do contrato de desempenho, permitindo aos participantes estruturarem seu planejamento;

  7. O contrato de desempenho deverá estabelecer que todos os acontecimentos ocorridos durante o jogo farão parte do mesmo; não devendo extrapolar o ambiente, sob pena de comprometer toda a atividade;

  8. Deverá ficar claro para os participantes a impossibilidade (ou não) de se criar regras adicionais, para a execução do jogo; não é recomendável, pois torna ilimitado o seu contexto; as regras existem e devem ser respeitadas por todos;

  9. A avaliação ao final do jogo é importante para a construção de uma ponte entre o vivenciado durante o jogo e a realidade a ser alcançada ao final.

TIPOS DE JOGOS

 

O universo dos jogos permite uma série de aplicações, a partir de recursos e instrumentos disponíveis:

  1. Jogos que tenham a finalidade de aproximar as pessoas e quebrar gelos e barreiras iniciais para o exercício de ações coletivas;

  2.  

  3. Jogos de integração de equipes, nos quais os participantes, através do desempenho de papéis, interajam com seus companheiros de equipe;

  4.  

  5. Jogos reflexivos, que permitam ao participante fazer uma auto-avaliação de suas atitudes e comportamentos frente a um objetivo;

  6.  

  7. Jogos estratégicos ou de gestão, onde os participantes têm a oportunidade de verificar sua iniciativa e reação a instrumentos básicos de gestão – planejamento, organização, negociação e busca de resultados;

  8.  

  9. Jogos de resgate ou fechamento, onde os participantes possam voltar à realidade com a experiência vivida. Estes jogos podem ser aplicados, complementarmente, a quaisquer outros tipos de jogos.

MODELOS DE JOGOS

 

Para a aplicação da metodologia encontram-se disponíveis vários modelos a serem utilizados:

  • Jogos vivenciais, onde os participantes desempenhem papéis específicos, pré-determinados, em uma comunidade de situações monitoradas;

  • Jogos do tipo quebra-cabeças (puzzles), excelentes para o aprendizado lúdico em equipe; o grau de dificuldade deve ser proporcional à capacidade e formação dos participantes;

  • Jogos negociais, com abordagem na negociação comercial, na negociação gerencial e na negociação sindical;

  • Jogos dirigidos, onde, a partir de uma série de informações, o grupo deva atingir um objetivo, em determinado prazo e sob determinadas condições;

  • Jogos conceituais, onde o grupo, por meio de instruções específicas, conclua a estrutura de um determinado conceito, substituindo uma exposição ou palestra do facilitador: este tipo de jogo, em geral, possui um gabarito, com os conceitos a serem trabalhados.

O uso da informática na aplicação de jogos deverá ser levado em consideração, desde que sua introdução seja um recurso, não eliminando a auto-avaliação e a reflexão dos participantes quanto à qualidade de seu desempenho.

 

CONCLUSÃO

 

O jogo, como metodologia de trabalho, em programas de aprendizado, é um instrumento de grande valia para os profissionais envolvidos com o desenvolvimento individual e organizacional.

 

Na visão de Schrage, a mudança comportamental é mais importante que as alterações tecnológicas. As perspectivas mais interessantes não ocorrem da observação do que esses novos dispositivos possam realizar, mas de sua utilização para observar como as pessoas e suas organizações se comportam.

___________

SCHRAGE, Michael. Jogando para valer: como as empresas utilizam simulações para inovar. RJ: Campus, 2001.

 

É importante lembrar:

  1. O jogo tem como finalidade simular uma realidade que, embora diferente da vivida "lá fora", traga atitudes e comportamentos semelhantes aos praticados;

  2. A capacidade em responder aos desafios mostrando uma similaridade próxima da realidade: pode haver um "teatro" nos primeiros minutos, mas ele não resiste por muito tempo pois a realidade logo aparece;

  3. Não se montar jogos com semelhança total com a realidade da instituição patrocinadora: haverá um risco muito grande de se discutir, durante o jogo a operação e não os comportamentos e seus resultados;

  4. Ao se colocar uma realidade específica para o jogo, ele traga, de imediato, a veracidade das atitudes e comportamentos e estes é que devem ser analisados, quanto à sua eficácia e capacidade geradora de resultados.

O jogo é um excelente instrumento de análise, diagnóstico e identificação de necessidades de desenvolvimento e aperfeiçoamento.

 

Mas não é uma panacéia que resolverá conflitos ou disfunções comportamentais internas.

 

Porém permitirá que se identifiquem quais são e onde atuam. E, portanto, têm condições de indicar os prováveis caminhos para a solução.

 

MATERIAL RETIRADO DO PROGRAMA JOGOS DE NEGÓCIO.

 

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