Edição Nº 82 - Junho de 2005

       
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 Editorial  Questionamento
Hitler! Aprendendo com os erros dos outros    A Síndrome do "somos todos vendedores"

Hitler, um líder de grande competência voltado para o mal. O recente filme "A Queda" nos mostra como os liderados podem atuar à beira da insanidade quando comandados por alguém de grande competência. Hitler errou quando, diante da derrota, não teve competência para superar a empáfia, orgulho e arrogância, permitindo ainda a morte de dezenas de milhares de liderados.

Marco Aurélio Ferreira Vianna

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Você realmente sabe se todos são responsáveis pelas vendas em sua empresa? Quais as eventuais ressalvas? Será que vendas é algo para amadores ou profissionais? Como resolver esse dilema?


J. B. Vilhena e José Luiz Meinberg

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 Atualidade  Paradoxo
Ganha/ganha:  Resultados ou emoção?   Decidindo Conflitos

O mundo muda e as negociações também. Será que o ganha/ganha é mais uma emoção que um resultado? O que dizem os números? 



José Augusto  Wanderley

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Evitar conflitos nem sempre é a melhor alternativa. Conflitos são, muitas vezes, uma demonstração natural da competência da equipe. O que não podemos jamais fazer diante dos conflitos é abrir mão dos valores individuais.

Alexandre Freire

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Expediente
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

 

 

Hitler! Aprendendo com os erros dos outros

 

 

Eu não resisti à tentação de colocar como tema deste editorial uma reflexão sobre o filme “A Queda - Os últimos dias de Hitler”. Devo confessar que fiquei altamente impactado com tudo que vi e senti. Por isto mesmo, sem gestos extremos – e até de maneira muito consciente – passo a recomendar que esta película seja parte integrante de qualquer treinamento de Liderança. Antes e acima de tudo, é de fundamental importância percebermos que um Líder dotado de extrema competência, quando voltado para o Mal, é capaz de exterminar três milhões de Seres humanos de uma raça contra a qual é jogada a carga fulminante dos seus diabos internos. Este sentimento deve ser lembrado a todos os executivos e executivas com grande ênfase. A reflexão “será que estamos voltando nossas capacitações para o Bem?” deve fazer parte intrínseca da consciência de cada um. Mesmo longe do limite de asfixiar mortalmente pessoas com gás letal, até que ponto essa ação como líderes colabora de forma predatória para a decadência do Universo? Hitler destoando, completamente, do “homem bom” de Rousseau nos mostra onde podemos chegar.

 

O comportamento dos liderados – no filme literalmente dando a vida pelo Líder – demonstra que a força de persuasão pode levar pessoas a banalizarem suas próprias vidas. Esta análise das atitudes dos seguidores pode e deve servir como estímulo para que Líderes do Bem usem sua capacidade de envolvimento para criar crenças engrandecedoras do seu modelo mental. Sendo possível persuadir para o crime contra a Humanidade, muito mais fácil será convencer para os caminhos mais nobres.

 

Finalmente, a recusa obsessiva de reconhecer a derrota – a fantasia auto-imposta – é uma lição contundente para empresários e executivos que fogem da realidade do painel de problemas. A “crise de consciência”, propalada por Fritjof Capra, está demonstrada no filme de forma clara, levando a um final mais infeliz ainda. Quantas vidas seriam poupadas – em verdade dezenas de milhares – se, no momento exato, o reconhecimento da derrota superasse o orgulho, a arrogância e a empáfia. Aliás, exatamente os antiatributos que ajudaram a derrocada deste Líder do Mal.

 

O Líder do Século XXI é o anti-Hitler. Não quer Vitória, mas Triunfo. Lidera para o Bem, e não para o Mal. Tem objetivos nobres, e não torpes. Respeita a diversidade, e não persegue etnias e crenças. Soma e não implode. Por isto é importante ver e sentir como não deve ser. Bom filme!

 

Boa leitura

 

 


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A SÍNDROME DO “SOMOS TODOS VENDEDORES”

 

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J.Bilhena

Vice-Presidente do Instituto MVC     

 

 

 

José Luiz Meinberg

Diretor Comercial do Instituto MVC

 

 

A SÍNDROME DO “SOMOS TODOS VENDEDORES”

 

 

Uma pergunta que freqüentemente ouvimos em nossas palestras pelo Brasil afora é: numa empresa todos os empregados têm de saber vender?

 

Confessamos que sempre temos dificuldade em fazer que o nosso ponto de vista seja compreendido. Isto porque a resposta para a questão é, ao mesmo tempo, sim e não.

 

No mundo complexo e disputado em que vivemos hoje, vender é tarefa para profissional e não para amadores. No passado era comum ouvir frases do tipo “fulano não deu para nada, foi ser vendedor”. Por mais que possa parecer preconceituosa e ofensiva essa frase fazia sentido, uma vez que para ser vendedor não era necessária qualquer grande especialização. Hoje em dia vender é uma atividade que exige grande dose de preparação e profissionalismo. Se qualquer pessoa da organização tentar fazê-lo, o risco de produzir clientes insatisfeitos passa a ser muito grande.

 

Imagine um cliente do segmento B2B que queira comprar um bem de capital (pensemos em um torno computadorizado, para homenagear a origem do nosso atual presidente da República). Pressionado pela urgência em atender a encomenda de uma ferramenta específica para injetoras de plástico, nosso cliente - que vamos chamar de Mr. X - entra em contato com a empresa fornecedora de tornos e trava o seguinte diálogo:

 

- Eu gostaria de falar com o Marcos, vendedor de tornos. Aqui é o Mr. X, da XPTO.

 

- Olá Mr. X. Aqui quem fala é o José, da área financeira. O Marcos está viajando e só volta na próxima semana. Em que posso ajudá-lo?

 

- Eu preciso falar com o Marcos imediatamente, pois tenho de encomendar um torno computadorizado e preciso de toda a urgência na entrega.

 

- Mr. X, pode falar comigo que aqui na KYZ somos todos vendedores e aprendemos que se o cliente quer comprar, nós temos que atendê-lo de qualquer forma. De que tipo de torno o senhor está precisando?

 

Nossa impressão é que o José deveria ter imediatamente se oferecido para colocar o Marcos em contato com Mr. X, ao invés de tentar atendê-lo e correr o risco de fazer alguma besteira de caráter irreversível.

 

Uma outra analogia poderia ser feita na área de B2C. O mesmo Mr. X entra em uma loja para comprar uma calça. Os vendedores estão tendo uma reunião motivacional relâmpago e quem atende o cliente é o estoquista.

 

Mr. X consegue escolher a calça que queria e, ao experimentá-la, decide pedir para que seja feita uma bainha italiana. O prestativo estoquista marca o ponto da bainha e Mr. X paga e sai satisfeito. Quando volta à loja e experimenta a calça para ver se a bainha ficou boa, descobre que a mesma estava dois dedos acima do que deveria.

 

Nos dois exemplos tivemos potenciais problemas porque alguém que não era de vendas agiu como se fosse.

 

Contudo, precisamos que todas as pessoas da organização contribuam com o seu melhor para que as vendas aconteçam.

 

Do ponto de vista atitudinal, acho que tanto o José quanto o estoquista dos nossos exemplos agiram da forma certa. Eles demonstraram vontade em atender o cliente e se esforçaram para fazê-lo. Se o resultado não foi o melhor, a culpa certamente não é deles e sim de suas empresas. Por quê?

 

Se a empresa praticasse um programa contínuo de treinamento de “vendas para quem não é de vendas”, os dois poderiam estar preparados tecnicamente para atender Mr. X, pois saberiam avaliar a complexidade da demanda e, ao invés de tentar “quebrar o galho”, teriam encaminhado uma solução tecnicamente mais adequada.

 

Pense nisso e evite que na sua empresa colaboradores esforçados acabem por afastar os clientes ao invés de ajudar a fidelizá-los.

 

 

Material retirado do Pocket MBA Desenvolvimento de Gestores e de Profissionais de Vendas

 

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O GANHA/GANHA JÁ ERA! O QUE MUDOU NAS NEGOCIAÇÕES?

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JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY

Autor do Livro Negociação Total - Ed. Gente 9ª Edição

 

 

O GANHA/GANHA JÁ ERA! 

O QUE MUDOU NAS NEGOCIAÇÕES?

 

 

A negociação ganha/ganha foi um modismo, e em certo sentido continua sendo, que gerou inúmeros equívocos. Por um lado, os ingênuos acreditavam que o ganha/ganha é ser bonzinho. Por outro, os cínicos e os ultracompetitivos diziam que ganha/ganha é quando ganhavam em dobro. A questão é importante e merece um maior aprofundamento.

Simulações controladas identificam um fato extremamente esclarecedor: desfechos com variações que chegam a 50%, ou mais, de diferença entre o melhor e o pior valor de fechamento, são considerados como sendo ganha/ganha, o que não deixa de ser um grande contra-senso. Assim, o ganha/ganha passou a ser mais uma emoção que um resultado. A partir daí foram desenvolvidas inúmeras técnicas manipulatórias para ganhar, dando ao outro a impressão que ele ganhou. Vamos citar Roger Dawson: "O negociador de poder é aquele que vence na mesa de negociação, mas dá ao outro a impressão que ele venceu", ou "A habilidade de fazer com que os outros sintam que venceram é tão importante que poderia ser dada como a definição do negociador de poder". Mais ainda: "O negociador é fraco quando o outro lado sai da negociação com o sentimento que perdeu". O fato é que os predadores inteligentes se apossaram do conceito de ganha/ganha, tornando-o um conceito vazio, sem sentido e até perigoso.

Portanto, já é tempo de mudar de abordagem, passando da negociação ganha/ganha, para a negociação com foco na excelência de resultados. E o que é necessário para isto?

 

1º. Enfoque situacional

Primeiro compreenda, depois encontre a solução. Assim sendo é fundamental que se diagnostique cada situação, pois quem quer ter resultado superior precisa de compreensão superior. Portanto, nada de regrinhas e macetes, do tipo "há sempre uma gordura de 15% em toda e qualquer negociação" e outros mais. Dois pequenos exemplos para ilustrar, em que não colocaremos a unidade monetária, pois aconteceram já faz algum tempo, antes do real. Um participante de um de nossos seminários teve que comprar um par de óculos. O preço da lente era de 50,00 e o da armação 200,00, perfazendo 250,00. Um comprador que usasse o enfoque das regras e macetes, pensando na gordura dos 15%, acharia que teria feito uma excelente negociação se efetuasse a compra por 200,00, ou seja, 20% de desconto. O negociador situacional, preparou-se como devia e comprou por 130,00, pagos em três vezes. Ou seja, quase 50% de desconto. Como conseguiu isto? Entre outras coisas, por identificar, na preparação, qual o esquema de precificação de óticas semelhantes àquela em que foi negociar.

Um outro caso. Um aluguel de um imóvel, que na ocasião o proprietário pedia 40.000,00 foi efetivado por 28.000,00, ou seja um desconto de 30%. Como o negociador situacional conseguiu isto? Preparando-se e negociando de acordo com o estilo comportamental do outro, que era controlador. Ou seja, cada pessoa e situação demandam formas apropriadas de negociação.

Portanto, pode haver ocasiões em que 15% é um resultado medíocre, como também situações em que um desconto de 5% seja uma excelente negociação. Mais ainda. Existem também negociações em que o melhor que se pode fazer é evitar um prejuízo maior, como quando por exemplo, ocorrem fatos absolutamente imprevistos, tais como decorrentes de eventos climáticos. Assim, vale a famosa máxima acaciana: "cada caso é um caso". O importante é que se tenha repertório para compreender e agir com propriedade em cada situação.

 

2º. Saber o que focar

Isto quer dizer identificar em cada situação o que é relevante e que contribui decisivamente para a excelência de resultados. Além disto, é preciso manter o foco, mesmo nas situações de alta tensão.

De acordo com a lei da Atenção Concentrada de Charles Baudouin: "Quando uma pessoa concentra a sua atenção numa idéia, esta se concretiza por si mesmo". Assim, o que se obtém em qualquer contexto é função do que se foca e, conseqüentemente, daquilo que se exclui. Além disto, os grandes negociadores têm objetivos desafiantes e lutam pelo desejável.

Os maus negociadores têm foco caótico. Não sabem o que focar ou mudam de foco constantemente.

 

3º. Ação efetiva

Esta ação é feita através do processo de negociação, que é constituído de três fases: Preparação, Reunião de Negociação e Controle/Avaliação. Cada uma destas fases tem a sua razão de ser. Assim, a maioria das negociações é ganha ou perdida de acordo com a qualidade da preparação. Não adianta apenas saber que a preparação é fundamental, mas é preciso saber como efetivá-la. Os maus negociadores, ou desconhecem a importância da preparação ou, freqüentemente, ficam inventando desculpas para não efetivá-la. É muito comum alegarem não ter tempo, ou encontrarem racionalizações para mostrar que a preparação é desnecessária. O fato é: quem não leva a sério a preparação de alguma coisa está se preparando para o fracasso.

Na fase da Reunião de Negociação deve-se ter presente que a informação é a matéria-prima da negociação. Saber perguntar e obter informações para se poder separar o joio do trigo e diferenciar fatos de pressupostos é uma das chaves do sucesso. Por outro lado, os negociadores com foco na excelência de resultados, quando querem apresentar suas propostas o fazem de maneira impactante. Sabem utilizar muito bem o OQITAVC, (o que isto tem a ver comigo) do outro negociador. Isto quer dizer que identificam necessidades, expectativas, valores e desejos do outro lado e mostram como sua proposta atende a estes pontos. Também sabem como utilizar o poder e o tempo, isto é, levam em conta as três dimensões estratégicas: informação, tempo e poder e as táticas relativas a cada uma destas estratégias, tais como simulação de cenários, surpresa, autoridade limitada e situação de fato, entre tantas outras. Além do mais, são flexíveis. Se o que estão fazendo não leva aonde querem, mudam e não insistem em procedimentos inadequados.

Controle/Avaliação. A negociação só acaba quando o acordo foi cumprido e não quando foi formulado. Assim, os grandes negociadores não se deixam envolver por táticas como surpresa final ou situação de fato em que o que é implementado não tem nada a ver com o que foi combinado.

 

4º. Grande conhecimento do que está sendo negociado

E isto pode importar em aspectos técnicos, econômicos, financeiros, contábeis, jurídicos e fiscais, entre outros. Quem não conhece o assunto por estas várias óticas, pode cometer erros graves, e dificilmente saberá avaliar o resultado a que está chegando. Conforme a complexidade da negociação, é muito difícil para uma só pessoa possuir todo este conjunto de conhecimentos. Aí, surge a questão dos três tipos de competências a serem considerados, que são: individual, equipe e organizacional. E isto é uma das bases da negociação com foco na excelência de resultados. É preciso que as pessoas sejam individualmente competentes, mas só isto pode não bastar. Muito freqüentemente é necessário que se vá negociar em equipe. Aí são cometidos inúmeros equívocos. Equipes bem preparadas e entrosadas são poderosas. Equipes desentrosadas, mesmo que os negociadores sejam individualmente competentes, são sérias candidatas ao fiasco. Mas existe um outro ponto que raramente é considerado, que é a competência organizacional de negociação. A organização fornece todo o apoio logístico necessário para que se faça ótimas negociações? O que se constata é que nem sempre isto acontece. Mais ainda, é comum confundir empresa enxuta com empresa subdimensionada. Às vezes, tem negociação demais e negociador de menos.

 

5º. Modelos mentais poderosos

Modelos mentais são estruturas que utilizamos para compreender a realidade. Para isto, desenvolvemos o MIN – Modelo Integrado de Negociação, com o objetivo de identificar todos os fatores que influenciam uma negociação que são:

  1. os cenários da negociação que comportam os decisores, o eleitorado e os fatores macroeconômicos e culturais;

  2. o conhecimento do assunto;

  3. o processo de negociação;

  4. o relacionamento interpessoal; e

  5. a realidade pessoal do negociador, sobretudo o seu sistema de crenças. Devemos ter presente que crenças são como comandos hipnóticos dados ao cérebro. Daí a expressão: "quer você acredite que pode, quer acredite que não pode, você está certo".

6º. Existem duas formas de se efetuar uma negociação

As duas formas de negociar são a barganha de propostas e a solução de problemas. A postura básica da barganha é: o meu problema é o meu problema e o do outro é problema do outro. Cada um que resolva o seu. Na barganha o procedimento básico é exagerar nas vantagens da própria proposta e ocultar ou minimizar as desvantagens. Com a proposta do outro se faz o contrário, ou seja, desconsideram-se os pontos positivos e salientam-se os pontos negativos. Na solução de problema o enfoque é outro. Os negociadores são solucionadores de problemas comuns. Nestes casos pode acontecer que você, para ter o seu problema resolvido, necessita que o outro também tenha o dele resolvido. Todas as negociações internas em uma empresa têm de ser resolvidas na base da solução de problemas. Caso contrário, chega-se ao perde/perde, que costuma ser muito freqüente, sobretudo em função do VOA (Vaidade, Orgulho e Arrogância). Um dos pontos indispensáveis na solução de problemas é saber dialogar. Um caso clássico da mudança de barganha para solução de problemas ocorreu numa negociação entre a Procter&Gamble e a Wall Mart. Estas empresas que negociavam na base da barganha resolveram mudar sua forma de negociação e, desta nova forma, surgiu um sistema informatizado de inventário com o qual as duas empresas puderam poupar milhões de dólares e aumentaram seus negócios em mais de um bilhão de dólares. Identificar se a negociação deve ser conduzida na base da barganha de propostas ou na solução de problemas é uma das questões mais importantes para o negociador focado na excelência de resultados.

 

7º. Competência emocional para tratar com adversidades.

Conflitos, divergências e antagonismos fazem parte da negociação. Durante a negociação surgirão contrariedades, objeções, frustrações, interpretações equivocadas ou maliciosas. Os maus negociadores diante das situações de estresse ou ficam bloqueados ou têm reações contraprodutivas, como agressão, fixação, resignação e regressão. Os grandes negociadores, com foco na excelência de resultados, têm acesso a todos os seus recursos em qualquer situação. Consideram o que lhes acontece, como oportunidade e não como ameaça e conhecem a diferença entre os processos de fluir, de luta e de fuga. Sabem também que mar tranqüilo não faz bom marinheiro

 

8º. Alguns procedimentos essenciais para a negociação com foco na excelência de resultados

  • Prepare a sua negociação. Utilize a criatividade e a imaginação

  • Conheça e não se deixe envolver pelas táticas ganha/perde, tais como, sedução, encantamento, coitadinho, surpresa final e ameaças das mais variadas espécies.

  • Mantenha o foco nos objetivos, separando as pessoas dos problemas, mantendo um clima construtivo

  • Procure primeiro compreender e depois encontrar a solução

  • Identifique os interesses comuns, complementares, opostos e distintos

  • Lute com persistência e flexibilidade pelos seus interesses, necessidades, expectativas e desejos

  • Procure identificar a possibilidade de encontrar alternativas que atendam aos interesses das partes

  • Saiba como superar impasses e fazer concessões

  • A negociação só acaba quando o acordo foi cumprido e não quando foi formulado. Portanto, acompanhe de perto o que foi combinado.

A negociação com foco na excelência de resultados é um padrão que demanda uma grande competência dos negociadores, sobretudo, nas situações estressantes em que é fundamental negociar na base da solução de problemas. É o único caminho para quem quer chegar ao ganha/ganha real e não a uma manipulação ou um equívoco com o nome de ganha/ganha.

 

 

Material retirado do Pocket MBA Comportamento Organizacional em Negociação

 

 

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DECIDINDO CONFLITOS

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Alexandre Freire

Autor da Coleção Vídeo Cases Brasileiros

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

DECIDINDO CONFLITOS

 

Manda quem pode, obedece quem tem juízo

 

Vejam a seguinte situação. Ela é verídica. O Presidente de uma organização de grande porte ligou para seu Diretor e foi direto: “Sabe a Raquel? Vá lá agora e mande-a embora!”. O Diretor respondeu surpreso: “Por que presidente?”. Eu não gosto dela!, disse o Presidente. Mande-a embora agora!. O Diretor contrariou as ordens do Presidente. Afinal, não achou correto demitir uma pessoa por uma razão tão banal. Algum tempo depois, foi o Diretor quem foi demitido...

 

Pergunte-me então. Quem estava certo nesta situação? Eu diria que ambos estavam corretos em suas posições. O Presidente, líder máximo na organização, tinha autoridade para impor sua vontade. O Diretor, por sua vez, não encontrou justificativa plausível para demitir um membro de sua equipe, que aliás, considerava a melhor profissional entre todos.

 

Eis aqui um exemplo de conflito resolvido pelo chavão: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Passados alguns anos, este mesmo Diretor se fez a seguinte pergunta: “Valeu a pena o que fiz?”

 

Conflito em alto mar

 

Nos anos 70, um navio petroleiro brasileiro deparou-se com um barco à deriva em alto mar. Era um daqueles barcos cheios de refugiados da guerra do Vietnam. O Comandante do navio, comovido pela situação desesperadora das pessoas, decidiu resgatar todos que estavam na embarcação.

 

Os sobreviventes estavam famintos. Há quatro dias sem comer e já não tinham mais água para beber. Porém, todos foram salvos graças à atitude humanitária do Comandante do navio, pois no dia seguinte, um ciclone varreu a região. Na volta para casa, este mesmo Comandante foi demitido. Na verdade, ele havia descumprido ordens da empresa. Era proibido ajudar refugiados em alto mar...

 

Quem estava certo nesta situação? Ambos estavam corretos em suas posições. A empresa seguia ordens do governo e o Comandante não podia fechar os olhos para tanto sofrimento em alto mar.

 

Conflitos como estes não são incomuns no ambiente de trabalho. Somos todos chamados a tomar decisões que muitas vezes, instigam nossos valores. As decisões tomadas nesses dois casos têm um ponto em comum: Conflito de valores. Ou seja, os valores pessoais falaram mais alto que os valores corporativos.

 

Quanto mais competentes as pessoas, mais conflitos

 

Seja no escritório ou em casa nos deparamos, constantemente, com situações de conflito. Ao contrário do que muitos pensam, equipes formadas com profissionais de alto nível são terrenos férteis para conflitos.

 

A mediocridade das pessoas em uma organização gera um sentimento de “paz” mentiroso. Neste caso, a falta de conflito não se dá pelo bom ambiente de trabalho, mas pela acomodação da vala dos comuns. Seja qual for o caso, nada substitui um ambiente onde o diálogo aberto e franco prevalece.

 

Porém, vai aí um alerta! Seja no escritório, ou em alto mar, nunca abra mão de seus valores pessoais! Não existe pior conflito que aquele que acontece dentro de você.

 

Quanto ao Comandante do navio? Está muito bem. Recentemente foi homenageado pelos sobreviventes que hoje moram todos no Brasil, com filhos e netos brasileiros.

 

E o Diretor? É este quem vos fala...

 

Até a próxima!

 

 

 

Material retirado do Programa Planejamento, Organização do Trabalho, do Tempo e da Energia

 

 

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