Edição Nº 83 - Julho de 2005

       
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 Editorial  Questionamento
 Um sério momento de consciência    Você acredita em fada madrinha?

Diante do aumento da insegurança, recrudescimento (ou simplesmente reconhecimento) da corrupção, o que nós, educadores e consultores, podemos fazer para ajudar os seres humanos e a sociedade? Leia nosso editorial.
Marco Aurélio Ferreira Vianna 

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  O Executivo passa e a Lusitana roda. Os mais velhos (ou experientes) devem se lembrar do slogan. Por que tantos executivos continuam se enganando e repetindo o que deu certo, no passado? Talvez pela sua crença nas fadas madrinhas. Leia o texto.

J. B. Vilhena

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 Atualidade  O Caminho das Pedras
Universidades Corporativas no EUA    Coaching muda o estilo do gerente

A consultoria Corporate University publica um relatório anual com 170 das melhores UC's nos Estados Unidos. Leia os dados mais relevantes.



L. A. Costacurta Junqueira

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Todos falam do coaching, todos defendem o coaching, mas será que têm uma visão integrada dessa ferramenta gerencial? Quais mudanças que a adoção de tal conceito traz para as Organizações? Leia o texto.

Afonso Cesário de Souza

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 Tendências  Negociação em Compras
  BD WEC   Se eu tiver de fazer tudo isso antes de negociar!!!
 

O BD WEC, maior banco de dados de consultoria e treinamento no Brasil publica, mensalmente, uma série de informações sobre o mercado. Todas as informações são retiradas a partir da realidade dos clientes do BD WEC. Leia e se atualize.


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Nos diversos segmentos de Negociação o que trata da área de compras é certamente aquele menos fértil em literatura. Com o aumento de poder do Comprador, decorrente de uma economia de maior oferta, novas informações estão surgindo. O artigo correlaciona o planejamento da negociação e sua aplicação no contexto atual do mercado. 



Dorval Mallmann
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 Equilíbrio Vital  Liderança
  Felicidade & Espiritualidade    Liderança estilo Jesus 
 

O que traz ou provoca a felicidade? Você já fez esse questionamento? Como encontrar maior apoio existencial? Um maior sentido para a própria vida? Leia o texto e reflita.





Denize Dutra
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A partir de sua estratégia de inovação e disseminação do conhecimento, estivemos em junho no congresso da ASTD, em Orlando. De todos os temas, um dos mais interessantes foi aquele que estabeleceu um paralelo entre a liderança de Jesus e os modelos "terrenos". 

J. B. Vilhena & L. A. Costacurta Junqueira
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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira e J.B.Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa; Leandro Santana
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

 

 

Um Sério Momento de Consciência

 

 

A avalanche de crimes de corrupção que assola o país merece uma profunda reflexão por parte de qualquer cidadão que queira deixar um país melhor para seus filhos e netos. Especificamente, nós; membros da comunidade empresarial, que temos a missão de orientar ou conduzir blocos humanos maiores, devemos dedicar uma consistente porção de nossa inteligência e energia, e tentar dar uma concreta resposta à pergunta: "o que fazer?"

 

Particularmente, como humilde analista de Cenários Estratégicos, estou muito preocupado. Fico ainda mais estarrecido quando ouço autoridades políticas de altíssimo nível hierárquico justificarem os desmandos pela exposição da mídia eletrônica, ou pela "eficácia" (?) do Ministério da Justiça. Não é esta explicação que eu esperava. Em meu ponto de vista, a Democracia, única alternativa de sistema metapolítico para o Mundo e o Ser Humano do Século XXI não pode permitir que sua liberdade tenha como subprodutos o crime organizado, a corrupção deslavada, a pirataria, a falsificação, o tráfico de entorpecentes e a violência urbana. Democracia não pode ser desmantelada para Anarquia. É inimaginável, mas hoje, 2005, a concorrência fraudulenta, a pirataria, as empresas fora-da-lei foram elevadas à categoria de item estratégico, de clientes que seguem a lei e pagam seus impostos. Empresas comerciais éticas vêem seus clientes serem impedidos de entrar nas suas lojas, por uma barreira de Camelôs.

 

O que podemos fazer?

 

Em primeiro lugar aumentar o nível de consciência do Humano mais nobre dentro de nosso locus de atuação. Quanto mais despertarmos nossos Seres Humanos para as Virtudes Engrandecedoras, mesmo que somente no nosso espaço, estamos contribuindo para a melhoria do mundo. Em seguida devemos deslanchar um sério programa de não contribuição ao fora-da-lei. Se conseguirmos vencer a tentação de comprar um CD pirata ou de tirar cópia xerox de um livro estaremos, também dentro do nosso tamanho, contribuindo para a diminuição do crime organizado.

 

Finalmente, temos de agir de maneira profunda e enérgica na construção de uma consciência política séria, ética, integrada.

 

Infelizmente, temos de ter consciência que o Brasil está longe daquilo que imaginávamos, para seu futuro, há vinte anos atrás. A eliminação da inflação, a eleição direta para presidente, a globalização, a evolução da tecnologia, e até o sentido mais nobre da vida (em alguns estratos da população) não foram suficientes para vencer os vícios atávicos da ganância, do poder, do rei Dinheiro, do curto prazismo e da própria falta de Ética.

 

Há muito ainda o que fazer.

 

Boa leitura

 


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QUESTIONAMENTO

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JOÃO BAPTISTA VILHENA

Vice Presidente do Instituto MVC

 

 

Você Acredita em Fada Madrinha?

ou "Me Engano porque eu Gosto"

 

O título o deixou curioso? Então leia as premissas abaixo:

 

1. O gestor pode ser descrito como um "produto não terminado". Sua formação não se esgota nos cursos que venha a concluir ou nas experiências profissionais que tenha acumulado. Isto significa que, de certa forma, nunca estará "pronto" e que o investimento em sua aprendizagem deve ser contínuo.

 

2. Tradicionalmente o gestor não se sente co-responsável pelo impacto que sua atuação venha a causar ao ambiente. Num mundo crescentemente interconectado, esta postura não é mais possível. Na formação de executivos deveria ser privilegiada uma concepção integradora de gestão ao invés de se trabalhar apenas o domínio de novos instrumentos. Trazer para discussão as idéias que estão hoje em debate na sociedade permitiria relacionar os diversos aspectos da atuação do gestor à realidade onde atua.

 

3. Os gestores têm estado diante de alguns desafios básicos: (a) interpretar as transformações da sociedade; (b) conceber possibilidades de futuro para a sua organização e (c) dentre as alternativas concebidas, conduzi-la até o futuro escolhido. A figura do gestor que aguarda os acontecimentos para reagir de acordo com aquilo que aprendeu no passado em situações análogas está completamente fora de cogitação.

 

4. Compreendemos como um desafio oferecer aos gestores uma oportunidade que combine a reflexão e o debate de temas atuais à formulação de novas formas de atuação, numa perspectiva de cidadania. A pergunta inovadora, no caso, é "como o administrador contribui para a construção de um mundo melhor?".

 

Agora vamos refletir juntos.

 

Em primeiro lugar não custa lembrar Peter Senge, que adverte que, no século XXI, o maior desafio dos gestores será o de aprender a desaprender. Recentemente participei da edição 2005 da ASTD. Assisti a diversas exposições sobre liderança, team building, coaching, vendas e outros assuntos relativos à gestão. Um lugar comum em todas as apresentações é que as pessoas – líderes, gerentes, chefes – sabem o que precisa ser feito, mas simplesmente não fazem. Fico refletindo sobre isso e comparo com a minha experiência de mais de 12 anos em consultoria. Chego à conclusão que a principal razão para as pessoas resistirem às mudanças é a convicção de que se continuarem a fazer, no futuro, as mesmas coisas que produziram sucesso no passado, continuarão a triunfar. Coisa de quem acredita em fada madrinha.

 

Muitos gestores não se preocupam – alguns sequer cogitam – com os impactos que as mudanças do mundo moderno exercem sobre a dinâmica dos negócios. Não lêem jornal, livro ou revista. Isolam-se do mundo como altistas. Depois se surpreendem com as altas taxas de turnover de sua empresa. Acho que nos Score Cards dos gestores sempre deveria haver um desafio em relação à dimensão "pessoas": O quanto cada um de nossos colaboradores se sente feliz em trabalhar conosco. Você pode dizer que algumas empresas já se preocupam com isso – recentemente minhas amigas Eliana Resende e Beth Amaral, do grupo Algar, contavam como sua empresa tem transformado em ações concretas a preocupação com a felicidade de seus associados – mas eu garanto que a maioria não se preocupa com isso. Outra coisa interessante é ver que, em geral, os gestores não estão preocupados com importantes stakeholders, tais como entidades filantrópicas, assistenciais, religiosas e outras de mesma natureza. Esperar que os consumidores prefiram nossa marca apenas porque cumpriremos fielmente o que prometemos é coisa de quem acredita em fada madrinha.

 

Outro tema interessante é o da esperança. Segundo Spinoza, esperança é a crença em algo que não depende de você e que possa acontecer por mera obra do acaso (alguns preferem esperar que venha de Deus). Segundo o filósofo, trata-se de mera perda de tempo, pois as coisas só acontecem se você agir sobre elas. Chico Buarque diz em uma estrofe da música Bom Conselho que "está provado, quem espera nunca alcança". Decidir é tarefa básica do gestor. E podemos afirmar que nenhuma decisão pode ser melhor do que a informação que lhe deu origem. Juntando as coisas podemos afirmar que a principal responsabilidade do gestor é decidir sobre os destinos de sua área ou de toda a empresa (o todo está na parte e a parte está no todo, diz o raciocínio holístico) tomando por base a vontade de atingir os objetivos. Esperança é coisa de quem acredita em fada madrinha.

 

Ajudar a construir um mundo melhor, como diria meu amigo e guru Marco Aurélio Ferreira Vianna, exige uma profunda humildade. Humildade é a noção do limite. É saber do que somos e do que não somos capazes. Aqui é preciso pragmatismo, determinação, altruísmo. Achar que o mundo vai melhorar sozinho, que a fome vai desaparecer por mágica ou bondade dos países ricos, que a corrupção deixará de existir sem que os corruptores tenham sido identificados e punidos é coisa de quem acredita em fada madrinha.

 

Uma última reflexão. Você pode continuar a acreditar em fada madrinha mas, como gestor, não tem o direito de ignorar as quatro questões discutidas anteriormente.

 

 

Material retirado do Pocket MBA – Gestão de Pessoas e Negócios.

 

 


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ATUALIDADE

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por L. A. COSTACURTA JUNQUEIRA

Vice Presidente do Instituto MVC

 

 

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS NOS EUA

Relatório anual produzido pela Corporate University XChange (www.corpu.com) apresenta o estado da arte de 170 Universidades Corporativas nos Estados Unidos.

  • Orçamento Médio Anual: 19 milhões de dólares

  • 5 Metas mais importantes

    • Satisfação do consumidor: 49%.

    • Aumentar produtividade: 48%.

    • Reduzir custos: 45%.

    • Reter talentos: 42%.

    • Aumentar receita: 40%.

     

  • Prestadores de Serviço

    • Consultorias Individuais: 27%

    • Consultorias Focadas – Treinamento em sala de aula: 26%.

    • Consultorias Focadas – Treinamento à distância: 22%.

    • Instituições Acadêmicas Tradicionais: 14%.

  • Impacto da Atuação das UC’ s no Negócio

    • Melhoria da Qualidade de Produtos/Serviços: 70%.

    • Melhoria dos Serviços dos Clientes: 70%.

    • Redução de Custos Operacionais: 59%.

    • Aumento de Receita: 51%.

    • Aumento na Eficácia de Vendas: 49%.

    • Aumento dos Lucros: 48%.

     

  • Avaliação de Resultados de Treinamento

    (Programas avaliados em cada um dos 5 níveis Kirkpatrick e Jack Philips).

    • Reação/Satisfação: 90%.

    • Aprendizado: 55%.

    • Aplicação/Utilização: 34%.

    • Impacto nos Resultados dos Negócios: 26%.

    • Custo/Benefício: 22%.

 

Métodos para Divulgação dos Resultados das Universidades

 

Método

Utilizados %

Considerados Eficazes %

Boca a Boca

84

63

Site da Universidade

81

31

E-mail

80

31

Site da Empresa

72

13

Apresentações para Clientes Internos e Externos

72

56

Folhetos

63

15

Catálogo de Cursos

56

21

Newsletter da Empresa

55

12

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS BENCHMARKING

  • BellSouth

  • Chubb Global University

  • Cisco

  • Deloitte

  • The Department of Defense

  • E.B. Cape Center

  • GE

  • Harley Davidson

  • IKON

Extraído do Relatório Anual da Corporate University XChange (www.corpu.com) por L.A. Costacurta Junqueira, Vice Presidente do MVC (www.institutomvc.com.br)

 

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O CAMINHO DAS PEDRAS

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AFONSO CESÁRIO DE SOUZA

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

COACHING MUDA O ESTILO DO GERENTE

Uma Consolidação

 

Temos procurado levar às empresas um novo estilo de gerenciamento: o coaching. Neste novo paradigma o gerente substitui o seu papel de "puxador" da equipe (por estar sempre à frente), pelo de retaguarda. Troca alguns verbos, como "cobrar", "pressionar" e "punir", por outros, mais softs, como "orientar", "educar" e "energizar". Tudo de forma personalizada, respeitando as individualidades de cada um.

 

O gerenciamento coach simboliza na empresa o início de uma transformação radical: a saída de um sistema taylorista de administração, à base da tarefa, para movimentos revolucionários do ponto de vista de administração, nos quais as equipes autogerenciadas são a maior expressão. O gerente coach precisa desenvolver habilidades às quais não estava acostumado, como aprender a ouvir os subordinados e a compartilhar o poder.

 

Os obstáculos a este tipo de gerenciamento são típicos de processos de transição: nos primeiros momentos, caos, incertezas, inseguranças e medos. Num segundo momento, os protagonistas percebem que as coisas não são tão ruins como imaginavam. Só num terceiro momento é que as pessoas terão clareza dos resultados favoráveis: o que vai garantir o sucesso de um gerente é a satisfação que todos sentem com o trabalho que ele está prestando.

 

"Empresas que mudam sistemas, sem alterar relação dos gerentes com as equipes, obtêm resultados pífios".

 

O que é gerenciamento coach?

 

Coach significa treinador/orientador. Este conceito de coach entra nas empresas simbolizando a transformação do gerente tradicional, em seu papel de puxar e estar à frente de sua equipe, par um novo papel: o de se colocar na retaguarda; assim ele tem melhor condição de orientar o time: percebe os que estão em posição de desvantagem, dá direção quando necessário educa e energiza.

 

As empresas atuam hoje premidas por clientes cada vez mais exigentes em termos de preço e qualidade e por uma concorrência cada vez mais acirrada, não há espaço para modelos tradicionais de gerenciamento. O diferencial competitivo propiciado pelas pessoas torna-se uma realidade cada vez mais evidente. O bom planejamento, as tecnologias avançadas ou as campanhas publicitárias eficientes, por si, não garantem o sucesso às organizações, aos seus produtos e serviços, se não houver a contribuição das pessoas educadas, capacitadas, criativas, inovadoras e cooperativas.

 

Empresas que adotam programas de qualidade baseados na ISO 9000 trabalham nessa direção?

 

Muitas delas modificam o sistema e percebem mais tarde que, se não mudarem a atitude dos gerentes e a forma como eles se relacionam com suas equipes, o resultado será muito pífio em relação aos investimentos e esforços realizados. Se não trabalharem as lideranças em uma linha mais inspiradora e educadora, as coisas terminam caindo no vácuo.

 

Habilidades necessárias à prática do coaching

 

As habilidades para a prática do coaching primeiro passam pela criação de um ambiente de confiança, satisfação e auto-estima, condições básicas para a aprendizagem.

 

Outra habilidade necessária é de comunicar-se em mão dupla: o gerente precisa levar as informações necessárias ao seu pessoal, mas, sobretudo, precisa ouvir. Estamos procurando despertar em nossos gerentes a capacidade de ouvir, porque, no sistema tradicional, nosso gerente foi educado para falar e não para ouvir.

 

É importante também que o gerente esteja atento ao desenvolvimento de novas habilidades na própria equipe, criando oportunidades em rodízios de funções, cursos e mecanismos de aperfeiçoamento técnico de seus integrantes.

 

Outra habilidade é a de dar o exemplo – ser o modelo em sua equipe -, prática para a qual o gerente tradicional não está educado.

 

Nesse sentido, é preciso educar os gerentes para aprimorar a relação interpessoal e compartilhar poder. No sistema de gerenciamento coach, por estar na retaguarda, o gerente não tem mais o poder em si próprio (como no modelo tradicional), mas na sua equipe e na qualidade das informações e dos conhecimentos que ela detém. E essa transição é muito difícil para o gerente.

 

Obstáculos para o gerenciamento coach

 

O primeiro obstáculo é o medo. O medo que o gerente tem de transitar de uma situação conhecida e confortável – ele foi educado e treinado para dizer aos outros, em mínimos detalhes, o que eles tinham de fazer – para um sistema cuja fonte de poder está na própria equipe, porque estamos falando até de equipes autogerenciadas. Nesse sentido, os principais obstáculos vivenciados pelos gerentes são: o medo da perda do poder e uma diminuição da auto-estima. Da parte das equipes, o obstáculo maior é a sua própria imaturidade, já que nem sempre foram educadas e treinadas para trabalhar em times autogerenciados.

 

O gerente também encontra dificuldade em visualizar claramente o seu próprio encarreiramento. Saindo de uma situação na qual o encarreiramento era vertical para atuar no ambiente de trabalho em equipes, com times interconectados, ele pergunta: como é que fica agora? Como se cresce dentro de uma organização na qual o que vale são as equipes e os times?

 

Os obstáculos são típicos dos processos de transição, marcados nos primeiros momentos por caos, incertezas, inseguranças e medos. Depois, vem um momento em que as pessoas vão percebendo que as coisas não são tão ruins como imaginavam antes. Só num terceiro momento é que elas passam a ver claramente resultados favoráveis: o que vai garantir o sucesso de um gerente é a satisfação que os clientes sentem com o trabalho que ele está prestando – o serviço de qualidade.

 

Um obstáculo muito forte também é a própria cultura da organização. Nesse sentido, algumas transformações são necessárias, como por exemplo, rever o estilo gerencial de uma forma geral da organização, retirando os componentes autoritários de sua cultura.

 

Como estão sendo implantadas as equipes autogerenciáveis nas empresas?

 

Hoje, para atender aos requisitos do cliente, a empresa não pode mais manter o trabalho à base da tarefa. A equipe é a forma de você estimular o potencial das pessoas. A empresa precisa estabelecer muito claramente qual é a direção, qual é o projeto, quais são as metas, qual o orçamento, quais são os parâmetros para desenvolver o trabalho e deixar que a equipe faça tudo acontecer. Qual é o papel da chefia nesse novo ambiente? Treinar os trabalhadores para que eles possam atuar em equipes, dar lhes a direção e orientação, bem como facilitar os processos (porque há coisas que dependem de orientação formal da empresa). Enfim, os gerentes vão exercer um outro papel diferente daquele que exerciam antes. As equipes vão fazendo, trabalhando – em muitas empresas, elas recrutam, selecionam, definem dentro delas quem vai receber o bônus.

 

O gerente deve se preparar para o papel de educador

 

Antes de ensinar é preciso saber fazer. O gerente deve estar muito preocupado com o seu próprio desenvolvimento: não dá mais para ficar aguardando a área de treinamento dizer que curso ele tem de fazer.

 

O gerente tem de estar atento a esta questão: as mudanças no mundo, nas pessoas e nas empresas requerem um novo perfil e uma nova postura. Para exercer corretamente o novo papel que lhe cabe, ele deve desenvolver novas habilidades. Precisa descobrir, por exemplo, como ocorre o processo de aprendizagem – como é que as pessoas aprendem, como ele pode criar algumas situações de aprendizagem, como fazer de uma simples reunião um momento de aprendizagem, como adotar algumas técnicas de treinamento e de desenvolvimento de novas habilidades no próprio local de trabalho.

 

Quando falamos em treinador/orientador sempre nos vem à lembrança o professor. Mas não é isso: é você exercer esse trabalho diariamente, transformando todas as situações cotidianas de seu trabalho em situações de aprendizagem. Uma reunião de planejamento com o seu grupo, por exemplo, pode ser um momento de aprendizagem. É um momento em que você colocará para o seu grupo as suas metas, as condições e o significado daquele trabalho, dando oportunidade para que as pessoas tragam as suas idéias, respeitando o ritmo das pessoas, as características individuais de cada um, estimulando a criatividade. São coisas às quais não estamos acostumados, mas é um esforço que todos precisamos nos dedicar. Acho também que compete às organizações propiciar treinamento para preparar o gerente a modelar o perfil e a exercer este papel. Mas sobretudo compete a ele, como profissional, estar atento a esses imperativos dos tempos atuais.

 

Empresas & Tendências –Como se dá a implantação do sistema coaching?

 

Para implantar um sistema como este, a primeira exigência é a alta direção da empresa estar envolvida nesse programa.

 

Segundo: precisa haver uma disseminação desses conceitos na empresa. O que significa trabalharmos em um sistema de coaching? Que implicações isso tem para nós? Nesse sentido, a leitura de textos sobre o tema ou realização de seminários com pessoas que já estejam trabalhando com esse sistema pode ajudar a empresa a compreendê-lo.

 

O terceiro passo é definir o perfil coach desejado. Nós, como organização, que valores imaginamos como norteadores de atitudes e comportamentos de nossos gerentes? O que nós imaginamos como postura ideal de um gerente coach? Um outro passo seria ter um mapeamento do perfil dos gerentes da empresa. Por exemplo: nós somos 100 gerentes. Como estamos em relação a esse perfil? Você vai encontrar três tipos de gerentes. Há gerentes que já estão exercendo esse papel de coach o tempo todo, pelas próprias características dele. Outros têm muito boa vontade, mas não sabem como fazer isso. E há um terceiro tipo, sem vocação para esse papel de educador, treinador ou orientador.

 

A partir daí, começaria o treinamento do gerente nessa direção, inclusive nessas habilidades e atitudes que nós definimos como ideais. Se uma habilidade que precisamos desenvolver mais nos gerentes for de ouvir, então vamos treinar o gerente nisso. Vamos desenvolver um treinamento intensivo nessa direção porque as pessoas não foram educadas para isso. Uma outra providência importante é você, simultaneamente, implantar isso com o próprio projeto de equipes – você vai trabalhando os gerentes e trabalhando ao mesmo tempo a criação de times, até para ele ter onde atuar.

 

Depois disso, você tem de fazer um follow-up, porque as pessoas tendem a voltar para o seu status inicial que, por ser o conhecido por elas, é o mais cômodo. Mas, sobretudo, neste processo, é preciso haver muita comunicação, muita disseminação desses conceitos, muita abertura para que as pessoas tenham a oportunidade de tentar, errar, voltar e descobrir por conta própria novos caminhos. Não é só treinamento – treinar é você colocar o indivíduo diante de uma informação. É o processo de educação e aprendizagem: a oportunidade de você criar por conta própria situações novas e experimentais – o erro sendo entendido como oportunidade de você estar aprendendo.

 

Material retirado dos Programas de Coaching do Instituto MVC (grupal e individualizado).

 

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TENDÊNCIAS

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O BD WEC, maior banco de dados de consultoria e treinamento no Brasil publica, mensalmente, uma série de informações sobre o mercado. Todas as informações são retiradas a partir da situação dos clientes do BD WEC. Leia e se atualize.

 

Veja abaixo quais as informações mais procuradas no Portal Wec pelos Assinantes

 

EVENTOS ABERTOS

EVENTOS IN COMPANY

PALESTRAS

 

1. TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO
2. LIDERANÇA
3. TRIBUTAÇÃO / FISCALIZAÇÃO
4. VENDAS
5. RECURSOS HUMANOS
6. FINANÇAS
7. LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO
8. REMUNERAÇÃO
9. COMPRAS
10. PLANILHAS ELETRÔNICAS

 

 

1. DESENVOLVIMENTO PESSOAL
2. ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO
3. SECRETÁRIAS
4. GERENCIAMENTO GERAL
5. MATEMÁTICA
6. CUSTOS
7. ANÁLISE E SOLUÇÃO DE PROBLEMAS
8. TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO
9. FINANÇAS
10. HOUSEKEEPING - 5S

 

 

1. MOTIVAÇÃO
2. TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO
3. VENDAS
4. QUALIDADE DE VIDA
5. CRIATIVIDADE / INOVAÇÃO
6. UNIVERSIDADES CORPORATIVAS
7. COACHING E MENTORING
8. MARKETING PESSOAL
9. LIDERANÇA
10. GESTÃO DO CONHECIMENTO

 

SERVIÇOS DE CONSULTORIA

PRODUTOS & SERVIÇOS

 

1. RECURSOS HUMANOS
2. MARKETING
3. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL
4. GESTÃO
5. LOGÍSTICA
6. INFORMÁTICA
7. PRODUÇÃO / MANUFATURA
8. PLANEJAMENTO
9. ESTRATÉGIA EMPRESARIAL
10. SEGURANÇA

 

 

1. ENSINO À DISTÂNCIA / E-LEARNING
2. VÍDEOS / DVD
3. JOGOS PARA TREINAMENTO
4. LIVROS
5. PRODUTOS MOTIVACIONAIS
6. LOCAÇÃO DE SALAS
7. MANUAIS
8. SOFTWARES PARA RH
9. SISTEMAS DE QUALIDADE
10. SAÚDE OCUPACION
AL

 

 

BD WEC

 

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NEGOCIAÇÃO EM COMPRAS

 

 

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DORVAL MALLMANN

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

SE EU TIVER DE FAZER TUDO ISTO ANTES DE NEGOCIAR NÃO TEREI TEMPO PARA COMPRAR

 

 

Nos cursos de negociação em geral se enfatiza a importância da preparação. Diversas vezes após participarem de um curso pessoas têm comentado: gostei muito do método, mas pela quantidade enorme de itens que administro se for preparar como o recomendado nunca sobrará tempo para comprar. É claro que se formos aplicar todo o processo de negociação para todos os itens comprados não teremos mesmo tempo. Então é necessário que se procure outra solução.

 

Por outro lado, as negociações de compras são cruciais para todas as organizações. Na maioria das empresas os materiais respondem pela maior parte dos seus custos. Existem casos em que sua participação atinge 70 e até 80%. Com a tendência de terceirização este percentual inclusive está se elevando. Então, qualquer ganho aí obtido tem efeito direto no resultado da empresa. Sendo assim, nenhuma empresa pode se dar ao luxo de não negociar tudo que diga respeito aos materiais.

 

Existe, por um lado, uma necessidade imperiosa de negociar. Por outro, devido à enormidade de quantidade de negociações envolvidas, há uma quase impossibilidade de se preparar convenientemente. Como é possível então conciliar duas situações divergentes? Existe uma solução e ela se chama POSICIONAMENTO de suprimentos. Esta técnica o auxiliará na preparação e na definição dos reais interesses que sua empresa possui em cada situação.

 

É comum que as empresas estejam envolvidas com a compra de dezenas ou até centenas de milhares de produtos diferentes. Para administrar estes itens existem técnicas tradicionais como a classificação ABC. Esta metodologia procura determinar quais os materiais respondem pela maior parte do consumo da empresa. A administração será concentrada então nos itens de maior valor. Outras técnicas foram desenvolvidas visando melhorar o planejamento. Entre elas o MRPII, que analisa o problema das montagens e o Just-In-Time. Estas técnicas na realidade são métodos integrados de controle das operações das empresas. Apesar de apresentarem algumas orientações para as compras, o problema central da negociação não é aí abordado. O POSICIONAMENTO de suprimentos tenta suprir esta lacuna.

 

O POSICIONAMENTO oferece ferramentas que fornecem boas indicações sobre os objetivos que devem nortear os compradores. Utiliza para isto matrizes que levam em consideração alguns fatores. Uma destas matrizes analisa a participação dos itens no custo das empresas e o risco que representam para a sua segurança. Esta matriz utiliza duas considerações sobre os materiais.

 

A primeira diz respeito ao valor consumido de cada item. É bastante conhecido o princípio de Pareto, também chamado de regra 80/20 que diz que 80% de todos os itens comprados respondem por apenas 20% do valor. Isto dá origem ao conceito de classes de materiais. Os materiais classe A, que respondem por parcela considerável dos custos, necessitam uma atenção total da empresa. Por isso é preciso que se desenvolva um processo de compras e conseqüentemente de negociações totalmente, diferente do utilizado para os materiais que formam a classe C. Enquanto nos primeiros qualquer percentual de redução de custos, mesmo que ínfimo, implica em economias significativas, nos materiais de classe C mesmo grandes reduções dos custos têm pouco significado. Reduções nos prazos de entrega que geram diminuições dos volumes estocados e representam ganhos elevados no primeiro caso podem representar aumento de burocracia no segundo. A avaliação dos materiais de uma empresa baseado neste critério é simples e está incorporada na maioria dos sistemas de controle de estoques.

 

A segunda consideração é mais sutil. Diz respeito ao risco que o material representa para a segurança das operações da empresa. Este fator requer uma análise mais aprofundada.

 

Segurança pode ser comprometida pelo fato do material ser fornecido por poucas empresas. Caso a empresa não disponha de alternativas de fornecimento o poder de barganha dos fornecedores pode se tornar elevado colocando a empresa em uma situação de desvantagem nas negociações. Por outro lado, caso se trate de um insumo padronizado, a empresa provavelmente possuirá um leque de alternativas para a sua aquisição e não terá sua segurança comprometida. Recentemente, por exemplo, nos episódios envolvendo a crise da Bolívia, todo o setor dependente do gás boliviano teve de repensar seus investimentos.

 

Segurança também pode depender de requisitos de qualidade. Caso as especificações sejam tais que existam limites muito rígidos de tolerâncias, a conformidade com estas especificações pode gerar riscos para a empresa.

 

Segurança depende de situações ambientais. Produtos que, por sua natureza, possam ser agentes poluidores afetam as operações das empresas podendo gerar situações conflituosas com comunidades, organizações não governamentais e com órgãos públicos, o que acarretará significativos prejuízos à imagem organizacional.

 

Cada empresa deve definir a segurança das operações de acordo com a sua situação. Para algumas empresas serão importantes apenas as considerações referentes à concentração de fornecedores, para outras a qualidade. Na maioria das vezes, no entanto, a segurança das operações depende em parte do poder de barganha dos fornecedores, em parte dos requisitos de qualidade e em parte de requisitos ambientais. Dentro de uma mesma empresa pode ser necessário que se utilizem os três critérios para itens diferentes. Em alguns casos o mesmo item pode se enquadrado em todos os critérios.

 

Com base nestes dois critérios é possível desenvolver uma matriz de POSICIONAMENTO. Conforme pode se verificar na Figura 1.

 

Os itens que apresentam alto risco são considerados estratégicos. Já os de risco baixo são considerados como táticos. Os objetivos de compras são totalmente diferentes nos itens estratégicos e nos táticos. Da mesma forma a dimensão custo também aponta para diferentes objetivos.

 

Alguns materiais possuem baixo risco. Se responderem por parcela pouco significativa dos custos, constituirão o grupo de compras táticas. Se as negociações destes insumos não forem bem conduzidas, a empresa não terá grandes perdas e nem correrá riscos significativos. A preocupação com eles será, portanto, minimizar o custo das negociações. O custo e o tempo necessários para negociar estes itens será muito elevado comparado com sua contribuição. Este tempo poderá ser aproveitado melhor nos outros grupos de itens.

 

Outros itens, apesar de não apresentarem riscos para a organização, participam de forma considerável nos seus custos totais. Não apresentam risco porque podem ser obtidos de diversos fornecedores. Além disso, sua importância para a qualidade não é relevante e nem apresentam riscos ambientais. Na matriz de posicionamento constituem o que foi chamado de Lucro tático. Para estes itens o comprador deve possuir total informação de mercado visando obter os menores custos possíveis devido ao impacto direto no lucro da empresa.

 

 

Risco

Alto

Segurança estratégica

Estratégicos críticos

Baixo

Compras táticas

Lucro tático

Baixo

Alto

Consumo em valor

 

Figura 1- Matriz de Posicionamento de Suprimentos

 

Os dois grupos seguintes são representados por insumos que apresentam risco para a segurança da empresa.

 

O primeiro deles não pesa significativamente nos custos. É o que foi chamado de segurança estratégica. Para os itens deste grupo, a principal preocupação é garantir o fornecimento. Talvez seja necessário pagar algo mais por eles, mas este preço mais elevado mais que compensa o prejuízo que sua falta acarretaria.

 

O último grupo, constituído pelos materiais estratégicos críticos representa o coração estratégico da empresa. Boa parte do sucesso da organização será originada da boa administração destes itens. Para estes, tudo que se estuda em negociação deve ser aplicado.

 

Voltando então ao comentário inicial. Os métodos avançados de negociação que são apresentados em cursos e palestras devem ser aplicados em toda a sua plenitude para os itens estratégicos críticos. Para os outros, formas simplificadas podem ser adotadas.

 

Uma outra análise que deve ser efetuada é sobre as posturas do comprador. Cada grupo de materiais oferece oportunidade do comprador assumir uma postura diferente. Mas isto já é assunto para outro artigo.

 

A abordagem aqui apresentada é indicada para a preparação das compras realizadas por organizações industriais. Para empresas comerciais, atacadistas e varejistas é possível, utilizando outras considerações, desenvolver uma matriz de POSICIONAMENTO adequada.

 

Em resumo:

 

Risco

Participação nos custos

Nome do grupo

Preocupação fundamental

Baixo

Baixa

Compras táticas

- Minimizar a atenção.

- Reduzir o tempo necessário para comprar.

- Automatizar as compras.

- Reduzir outros custos associados a compras como contas a pagar, qualidade etc.

Baixo

Alta

Lucro tático

- Conhecer todas as alternativas de mercado.

- Realizar concorrência para redução de custos.

-Procurar fornecedores alternativos.

Alto

Baixo

Segurança estratégica

-Garantir o suprimento.

- Aceitar pagar preço diferenciado.

- avaliar novas alternativas tecnológicas

Alto

Alto

Críticos estratégicos

- Acompanhar permanentemente os itens.

- Desenvolver novos fornecedores.

- Gerar sistemas de acompanhamento de preços.

- Negociar, negociar, negociar.

 

 

Material retirado do Pocket MBA – Comportamento Organizacional em Negociação e do Workshop Compras Consultivas.

 

 

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EQUILÍBRIO VITAL

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Denize Dutra

Consultora Sênior do Instituto MVC

 

 

Felicidade & Espiritualidade

 

 

Há algum tempo, venho observando que as pessoas estão buscando mais as diversas religiões ou a filosofia oriental, na tentativa de encontrar apoio existencial e até um maior sentido para suas próprias vidas. Recentemente, dois artigos, em diferentes revistas e com enfoques absolutamente distintos, me levaram a fazer algumas conexões e a refletir sobre a relação entre felicidade e espiritualidade.

 

O primeiro artigo, publicado pela revista Exame (30/03/05), analisa uma pesquisa feita com empresários brasileiros, onde o LUCRO aparece em oitavo lugar na visão dos mesmos sobre os objetivos da empresas, antecedido por finalidades sociais tais como: contribuições para a comunidade, responsabilidade social e os cuidados com o ambiente, enfim, aspectos que colocam o lucro num lugar bem pouco significativo. Segundo a matéria, parece existir um sentimento "latente" de que "ter lucro é pecado", como de alguma forma acabam pregando as Igrejas. Considerando que somos um país predominante católico é fácil entender, basta, para isso, nos reportarmos à famosa obra de Max Weber – "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", para encontrar explicações sobre a forte relação entre a religião e o capitalismo.

 

O outro artigo, da revista Super Interessante (abril 2005), apresenta algumas pesquisas americanas sobre o conceito e a busca de felicidade, trilhando caminhos que vão da psicologia à filosofia e à religião.

 

Relacionando os dois artigos fui à Internet fazer uma pesquisa sobre espiritualidade nas organizações. Identifiquei, só no Brasil, 30.700 sites sobre o tema. Este dado demonstra o quanto este assunto é bastante atual e de amplo interesse, ainda que, na prática, não se percebam grandes mudanças no ambiente empresarial. Afinal, a conquista do espaço "das emoções" e do afeto ainda é bem recente, para se pretender o desenvolvimento da dimensão espiritual, num mundo que ainda é bastante materialista, científico, cartesiano.

 

Talvez todas estas aceleradas mudanças por que passa o mundo, neste início de milênio, este sentimento de caos, que às vezes temos, contribua para busca de novos valores e, dentre os quais, a espiritualidade. Neste sentido, a globalização que, na maioria das vezes, é apontada como a grande vilã na explicação de alguns fenômenos sociais, possa ser aqui entendida numa perspectiva mais positiva, à medida que a formação dos grandes Blocos Econômicos, possa estar gerando um acentuado senso de solidariedade entre os povos. Tal sentimento manifesta-se de forma bastante evidente, quando ocorre alguma grande catástrofe em qualquer lugar do mundo, e em face da velocidade da tecnologia da informação, de imediato os povos se mobilizam para algum tipo de ajuda às vítimas.

 

De qualquer forma, como todo processo de mudança de atitudes, que impacta tanto a organização quanto a sociedade, de modo geral, começa-se a perceber um movimento sutil nesta nova direção. Talvez, possamos entender que, a crescente publicação de livros de auto-ajuda e sobre temas de espiritualidade, tenha relação com este fato. Em algumas empresas, os programas de saúde do trabalhador extrapolam as ações voltadas para a alimentação, atividades físicas, prevenção e cura de doenças e chegam até as ações que promovam o bem-estar físico-mental-emocional e que ajudem na conquista da harmonia interior.

 

Já encontramos em algumas empresas espaços "físicos" e "virtuais" para algumas manifestações religiosas, que estão diretamente relacionadas a atitudes de suas Diretorias, que têm a religião como valor importante e, adotam, em suas comemorações e comunicações, este tipo de referência. Observa-se aí, uma tendência a confundir a espiritualidade com religião. Na verdade, a espiritualidade pode levar a uma religião e ao mesmo tempo pode ser desenvolvida também através dela, ainda que não signifiquem a mesma coisa. A palavra religião vem do latim religione e significa "ligar novamente com Deus". A religião também depende das crenças do indivíduo, pois, para praticá-la, é necessário aceitar uma série de dogmas nos quais a religião se baseia.

 

O que podemos ressaltar, nas pesquisas realizadas, é um acentuado desejo do homem de ter uma preocupação com aspectos éticos e morais, de dar sentido à sua existência e ainda, de poder contribuir para a melhoria da sociedade. Independente da religião que o indivíduo escolha para manifestar suas crenças, um ponto é básico nesta discussão: existe uma forte correlação entre espiritualidade e ética.

 

Em tudo que lemos, percebemos uma íntima relação entre o conceito de felicidade e espiritualidade (não a religião necessariamente). Isto diz respeito à busca de um significado maior para a própria existência, - a busca da "realização", originada por um ato de bondade, caridade, amor, ou por outros sentimentos nobres.

 

A literatura sobre o tema felicidade tende a defender a tese de que o dinheiro e os bens materiais não garantem a felicidade, o que encontra respaldo na maioria dos conceitos sobre a espiritualidade, pois, desde a filosofia grega, conhecemos o paradoxo: matéria x espírito ou corpo x alma. E ,de lá para cá, as pesquisas, de alguma forma, tendem a ratificar essa tendência. Para gerar mais polêmica ao tema, o estudo feito com pessoas de várias partes do mundo, pelo americano Ed Diener mostra que, apesar de nos países ricos o "índice de felicidade" ser alto, também se identificam altos índices de felicidade em países pobres da América Latina, inclusive no Brasil, onde sabemos que existe uma expressiva desigualdade social, mas, onde temos também, hoje, uma série de ações de combate à fome e à pobreza.

 

Retornando o nosso foco para as organizações, sabemos, por experiência pessoal, o quanto o lado profissional e o trabalho contribuem para a nossa felicidade, não só pelo tempo que ocupam em nossas vidas mas, fundamentalmente, pela possibilidade de realizarmos, desde as nossas necessidades mais básicas, até aquelas mais complexas, relacionadas ao crescimento pessoal e espiritual. Isso ocorre quando se faz um trabalho em que nos sentimos contribuindo para a nossa missão pessoal e também para agregar algum tipo de valor ao Universo. Por outro lado, não podemos deixar de considerar que, tudo isto passa por questões muito simples, como a forma como o Ser Humano é tratado dentro das organizações, e como se estabelecem as relações interpessoais, em todos os níveis. Não podemos pensar em empresas espiritualizadas, onde além do cumprimento das leis, não haja também um profundo compromisso em preservar a dignidade humana e aquilo que as pessoas têm de mais essencial: seus valores.

 

Temos aí um grande desafio para os gestores de pessoas: contribuir para a "construção" de empresas mais espiritualizadas. Para isto, vale refletir sobre um dos ensinamentos de Mahatma Gandhi: "A felicidade é o caminho. Portanto, não existe o caminho para a felicidade".

 

Por isso, amigos, resta-nos caminhar!

 

 

Material retirado do Pocket MBA – Melhoria de Performance de Executivos e Gestores e dos Programas de Relacionamento Interpessoal.

 

 

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LIDERANÇA

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Texto de J B Vilhena e L.A. Costacurta Junqueira

 

 

LIDERANÇA ESTILO JESUS

 

O consultor Ken Blanchard juntou-se a Bob Pike - uma das maiores autoridades em tecnologia da educação - para trabalhar um paralelo entre a liderança contemporânea e ninguém menos que Jesus Cristo (Faith at Work); consideramos essa a segunda melhor palestra do evento, perdendo apenas para aquela desenvolvida por Rudolph Giugliani, ex-prefeito de Nova Iorque.

É claro que para uma platéia formada por anglo-saxões com forte herança protestante, a visão do trabalho temporal de Cristo é mais aceita que seria no Brasil, país de forte tradição católica. Outra questão interessante de observar é que os palestrantes americanos utilizam-se de uma postura que poderíamos classificar como messiânica (ou seja, acoplam a seu discurso profissional uma mensagem de caráter mais social). Utilizar Jesus como metáfora tem uma inegável vantagem: Todos passam a entender o que estamos querendo dizer. Essa talvez tenha sido a característica marcante da palestra dos dois consultores, cujo título foi Faith at Work (numa tradução livre, A Fé no Trabalho).

Blanchard e Pike começaram estabelecendo o que chamaram de "Quatro Dimensões da Liderança". São elas: (a) a alma, responsável pela motivação e objetivos do líder; (b) a mente, pelas concepções e crenças do líder; (c) as mãos, responsáveis pela operacionalização do que precisa ser feito; (d) os hábitos, responsáveis pelo esforço diário de se manter em direção aos objetivos que a liderança assumiu para si.

Em seguida, definiram as "7 atitudes daqueles que lideram baseados no estilo de Jesus".

Em primeiro lugar, colocam a paciência. É preciso perseverar e não desistir no meio do caminho, mesmo com as tentações demoníacas.

Em segundo a proatividade. Os palestrantes mostraram que Cristo não se sentou e esperou que o Pai e o Espírito Santo fizessem seu papel - como fazem alguns gerentes. Ele assumiu sua responsabilidade nesta Trindade e fez a sua parte.

Confiança em si mesmo foi o terceiro ponto abordado. Se você não acredita naquilo que faz, quem acreditará? Sem qualquer tipo de arrogância, Cristo convencia pela sua própria convicção.

Ter expectativas positivas sobre as pessoas também e uma característica fundamental. Neste quarto ponto, Blanchard coloca que é preciso esperar o melhor das pessoas. O filósofo Emerson já havia dito isso, mas ouvindo o veterano consultor colocar a mesma idéia em um contexto diferente e inusitado nos levou a refletir que muitos gestores acabam desconfiando da sua própria equipe. O resultado desse tipo de atitude são pessoas desmotivadas e em permanente estado de alerta contra possíveis investidas agressivas de seus superiores.

O princípio que mais gostamos - colocado em quinto lugar - foi o da humildade. A forma que Blanchard define humildade, é simplesmente genial: É a capacidade de reconhecer a importância do outro. Quantos gerentes são capazes de reconhecer que seus sucessos só são obtidos porque contam com uma equipe competente?

O sexto princípio é definido pela expressão "capacidade de compreender". Nós costumeiramente chamaríamos isso de empatia, mas o sentido que Blanchard dá ao tema é mais amplo. Ele diz que é preciso entender com a mente, o coração e a alma.

O último princípio manifesta a característica messiânica do discurso do consultor. Trata-se de acreditar. Segundo Blanchard, somente quem acredita é capaz de fazer acontecer.

Para liderança vale o adágio: "Assim na Terra como no Céu".

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