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AFONSO
CESÁRIO DE SOUZA
Consultor
Sênior do Instituto MVC
COACHING
MUDA O ESTILO DO GERENTE
Uma
Consolidação
Temos
procurado levar às empresas um novo estilo de gerenciamento: o coaching.
Neste novo paradigma o gerente substitui o seu papel de
"puxador" da equipe (por estar sempre à frente), pelo
de retaguarda. Troca alguns verbos, como "cobrar",
"pressionar" e "punir", por outros, mais softs,
como "orientar", "educar" e "energizar".
Tudo de forma personalizada, respeitando as individualidades de
cada um.
O
gerenciamento coach simboliza na empresa o início
de uma transformação radical: a saída de um sistema taylorista
de administração, à base da tarefa, para movimentos
revolucionários do ponto de vista de administração, nos quais
as equipes autogerenciadas são a maior expressão. O gerente coach
precisa desenvolver habilidades às quais não estava acostumado,
como aprender a ouvir os subordinados e a compartilhar o poder.
Os
obstáculos a este tipo de gerenciamento são típicos de
processos de transição: nos primeiros momentos, caos,
incertezas, inseguranças e medos. Num segundo momento, os
protagonistas percebem que as coisas não são tão ruins como
imaginavam. Só num terceiro momento é que as pessoas terão
clareza dos resultados favoráveis: o que vai garantir o sucesso
de um gerente é a satisfação que todos sentem com o trabalho
que ele está prestando.
"Empresas
que mudam sistemas, sem alterar relação dos gerentes com as
equipes, obtêm resultados pífios".
O
que é gerenciamento coach?
Coach
significa treinador/orientador. Este conceito de coach
entra nas empresas simbolizando a transformação do gerente
tradicional, em seu papel de puxar e estar à frente de sua
equipe, par um novo papel: o de se colocar na retaguarda; assim
ele tem melhor condição de orientar o time: percebe os que
estão em posição de desvantagem, dá direção quando
necessário educa e energiza.
As
empresas atuam hoje premidas por clientes cada vez mais exigentes
em termos de preço e qualidade e por uma concorrência cada vez
mais acirrada, não há espaço para modelos tradicionais de
gerenciamento. O diferencial competitivo propiciado pelas pessoas
torna-se uma realidade cada vez mais evidente. O bom planejamento,
as tecnologias avançadas ou as campanhas publicitárias
eficientes, por si, não garantem o sucesso às organizações,
aos seus produtos e serviços, se não houver a contribuição das
pessoas educadas, capacitadas, criativas, inovadoras e
cooperativas.
Empresas
que adotam programas de qualidade baseados na ISO 9000 trabalham
nessa direção?
Muitas
delas modificam o sistema e percebem mais tarde que, se não
mudarem a atitude dos gerentes e a forma como eles se relacionam
com suas equipes, o resultado será muito pífio em relação aos
investimentos e esforços realizados. Se não trabalharem as
lideranças em uma linha mais inspiradora e educadora, as coisas
terminam caindo no vácuo.
Habilidades
necessárias à prática do coaching
As
habilidades para a prática do coaching primeiro passam
pela criação de um ambiente de confiança, satisfação e
auto-estima, condições básicas para a aprendizagem.
Outra
habilidade necessária é de comunicar-se em mão dupla: o gerente
precisa levar as informações necessárias ao seu pessoal, mas,
sobretudo, precisa ouvir. Estamos procurando despertar em nossos
gerentes a capacidade de ouvir, porque, no sistema tradicional,
nosso gerente foi educado para falar e não para ouvir.
É
importante também que o gerente esteja atento ao desenvolvimento
de novas habilidades na própria equipe, criando oportunidades em
rodízios de funções, cursos e mecanismos de aperfeiçoamento
técnico de seus integrantes.
Outra
habilidade é a de dar o exemplo – ser o modelo em sua equipe -,
prática para a qual o gerente tradicional não está educado.
Nesse
sentido, é preciso educar os gerentes para aprimorar a relação
interpessoal e compartilhar poder. No sistema de gerenciamento coach,
por estar na retaguarda, o gerente não tem mais o poder em si
próprio (como no modelo tradicional), mas na sua equipe e na
qualidade das informações e dos conhecimentos que ela detém. E
essa transição é muito difícil para o gerente.
Obstáculos
para o gerenciamento coach
O
primeiro obstáculo é o medo. O medo que o gerente tem de
transitar de uma situação conhecida e confortável – ele foi
educado e treinado para dizer aos outros, em mínimos detalhes, o
que eles tinham de fazer – para um sistema cuja fonte de poder
está na própria equipe, porque estamos falando até de equipes
autogerenciadas. Nesse sentido, os principais obstáculos
vivenciados pelos gerentes são: o medo da perda do poder e uma
diminuição da auto-estima. Da parte das equipes, o obstáculo
maior é a sua própria imaturidade, já que nem sempre foram
educadas e treinadas para trabalhar em times autogerenciados.
O
gerente também encontra dificuldade em visualizar claramente o
seu próprio encarreiramento. Saindo de uma situação na qual o
encarreiramento era vertical para atuar no ambiente de trabalho em
equipes, com times interconectados, ele pergunta: como é que fica
agora? Como se cresce dentro de uma organização na qual o que
vale são as equipes e os times?
Os
obstáculos são típicos dos processos de transição, marcados
nos primeiros momentos por caos, incertezas, inseguranças e
medos. Depois, vem um momento em que as pessoas vão percebendo
que as coisas não são tão ruins como imaginavam antes. Só num
terceiro momento é que elas passam a ver claramente resultados
favoráveis: o que vai garantir o sucesso de um gerente é a
satisfação que os clientes sentem com o trabalho que ele está
prestando – o serviço de qualidade.
Um
obstáculo muito forte também é a própria cultura da
organização. Nesse sentido, algumas transformações são
necessárias, como por exemplo, rever o estilo gerencial de uma
forma geral da organização, retirando os componentes
autoritários de sua cultura.
Como
estão sendo implantadas as equipes autogerenciáveis nas
empresas?
Hoje,
para atender aos requisitos do cliente, a empresa não pode mais
manter o trabalho à base da tarefa. A equipe é a forma de você
estimular o potencial das pessoas. A empresa precisa estabelecer
muito claramente qual é a direção, qual é o projeto, quais
são as metas, qual o orçamento, quais são os parâmetros para
desenvolver o trabalho e deixar que a equipe faça tudo acontecer.
Qual é o papel da chefia nesse novo ambiente? Treinar os
trabalhadores para que eles possam atuar em equipes, dar lhes a
direção e orientação, bem como facilitar os processos (porque
há coisas que dependem de orientação formal da empresa). Enfim,
os gerentes vão exercer um outro papel diferente daquele que
exerciam antes. As equipes vão fazendo, trabalhando – em muitas
empresas, elas recrutam, selecionam, definem dentro delas quem vai
receber o bônus.
O
gerente deve se preparar para o papel de educador
Antes
de ensinar é preciso saber fazer. O gerente deve estar muito
preocupado com o seu próprio desenvolvimento: não dá mais para
ficar aguardando a área de treinamento dizer que curso ele tem de
fazer.
O
gerente tem de estar atento a esta questão: as mudanças no
mundo, nas pessoas e nas empresas requerem um novo perfil e uma
nova postura. Para exercer corretamente o novo papel que lhe cabe,
ele deve desenvolver novas habilidades. Precisa descobrir, por
exemplo, como ocorre o processo de aprendizagem – como é que as
pessoas aprendem, como ele pode criar algumas situações de
aprendizagem, como fazer de uma simples reunião um momento de
aprendizagem, como adotar algumas técnicas de treinamento e de
desenvolvimento de novas habilidades no próprio local de
trabalho.
Quando
falamos em treinador/orientador sempre nos vem à lembrança o
professor. Mas não é isso: é você exercer esse trabalho
diariamente, transformando todas as situações cotidianas de seu
trabalho em situações de aprendizagem. Uma reunião de
planejamento com o seu grupo, por exemplo, pode ser um momento de
aprendizagem. É um momento em que você colocará para o seu
grupo as suas metas, as condições e o significado daquele
trabalho, dando oportunidade para que as pessoas tragam as suas
idéias, respeitando o ritmo das pessoas, as características
individuais de cada um, estimulando a criatividade. São coisas
às quais não estamos acostumados, mas é um esforço que todos
precisamos nos dedicar. Acho também que compete às
organizações propiciar treinamento para preparar o gerente a
modelar o perfil e a exercer este papel. Mas sobretudo compete a
ele, como profissional, estar atento a esses imperativos dos
tempos atuais.
Empresas
& Tendências –Como se dá a implantação do sistema
coaching?
Para
implantar um sistema como este, a primeira exigência é a alta
direção da empresa estar envolvida nesse programa.
Segundo:
precisa haver uma disseminação desses conceitos na empresa. O
que significa trabalharmos em um sistema de coaching? Que
implicações isso tem para nós? Nesse sentido, a leitura de
textos sobre o tema ou realização de seminários com pessoas que
já estejam trabalhando com esse sistema pode ajudar a empresa a
compreendê-lo.
O
terceiro passo é definir o perfil coach desejado. Nós,
como organização, que valores imaginamos como norteadores de
atitudes e comportamentos de nossos gerentes? O que nós
imaginamos como postura ideal de um gerente coach? Um outro
passo seria ter um mapeamento do perfil dos gerentes da empresa.
Por exemplo: nós somos 100 gerentes. Como estamos em relação a
esse perfil? Você vai encontrar três tipos de gerentes. Há
gerentes que já estão exercendo esse papel de coach o
tempo todo, pelas próprias características dele. Outros têm
muito boa vontade, mas não sabem como fazer isso. E há um
terceiro tipo, sem vocação para esse papel de educador,
treinador ou orientador.
A
partir daí, começaria o treinamento do gerente nessa direção,
inclusive nessas habilidades e atitudes que nós definimos como
ideais. Se uma habilidade que precisamos desenvolver mais nos
gerentes for de ouvir, então vamos treinar o gerente nisso. Vamos
desenvolver um treinamento intensivo nessa direção porque as
pessoas não foram educadas para isso. Uma outra providência
importante é você, simultaneamente, implantar isso com o
próprio projeto de equipes – você vai trabalhando os gerentes
e trabalhando ao mesmo tempo a criação de times, até para ele
ter onde atuar.
Depois
disso, você tem de fazer um follow-up, porque as pessoas
tendem a voltar para o seu status inicial que, por ser o
conhecido por elas, é o mais cômodo. Mas, sobretudo, neste
processo, é preciso haver muita comunicação, muita
disseminação desses conceitos, muita abertura para que as
pessoas tenham a oportunidade de tentar, errar, voltar e descobrir
por conta própria novos caminhos. Não é só treinamento –
treinar é você colocar o indivíduo diante de uma informação.
É o processo de educação e aprendizagem: a oportunidade de
você criar por conta própria situações novas e experimentais
– o erro sendo entendido como oportunidade de você estar
aprendendo.
Material
retirado dos Programas de Coaching do Instituto MVC (grupal
e individualizado).
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