Edição Nº 84 - Agosto de 2005

       
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 Editorial  Performance
 Motivação x Condicionamento    Errei sim, e daí?

Até que ponto motivar as pessoas não está próximo do condicionamento Pavloviano, aplicado em mamíferos não humanos? Quais seriam os limites e até a ética da motivação? Motivação é sinônimo de lavagem cerebral?

 
Marco Aurélio Ferreira Vianna 

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  Para corrigir nossos erros não basta apenas saber quais são eles. É necessário que procuremos saber suas causas e, só então, solucionar seus efeitos. Será que podemos amar nossos erros? Seguem algumas idéias.

L A Costacurta Junqueira 
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 Pesquisa  Produtividade
Educação Corporativa no Brasil    Reuniões: Sinergia ou Caos?

Pesquisas na área de Educação corporativa são raras no Brasil. Dados do BDWEC nos informam sobre programas/temas mais demandados, bem como opiniões dos clientes sobre os eventos realizados.

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Pesquisa americana mostra que gastamos de 30 a 50% em reuniões. Diante desses dados só nos resta diminuir o tempo em reuniões ou cuidar para que elas tenham a maior produtividade e sinergia. Veja algumas sugestões.


José Augusto Wanderley

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 Liderança  Estratégia
  Gestão ou manipulação de pessoas   Direção Estratégica - Conectando "coisas" e pessoas 
 

O que acontece em sua organização? Gestão ou Manipulação de Pessoas? Como andam as relações de poder? Quais as implicações das duas alternativas para o exercício da Liderança? Que mudanças efetuar, buscando alterar verdades definitivas?



Denize Dutra
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Pensar e dirigir estrategicamente é uma técnica ou arte? Quais as competências a serem desenvolvidas? Por que nem todos conseguem? 







Edmarson Bacelar 
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 Comunicação  Organização
  Odeio escrever    Organizando e desenvolvendo treinamentos internos 
 

"Eu não gosto de escrever!!!". Na maioria dos casos, quem diz isso apenas não sabe como colocar as idéias no papel, o que é fundamentalmente diferente de não conhecer o que por no papel. Veja algumas idéias para otimizar seu processo de comunicação.





Eunice Mendes
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Nossa experiência, como consultores, nos mostra que boa parte do que é visto como falha em um programa de treinamento decorre mais do saber e fazer, do que simplesmente do saber. A idéia de um checklist das providências é quase sempre negligenciada em nome da competência de quem desenvolve o evento. 



DR. Donald E. Wetmore
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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira e J.B.Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa; Leandro Santana
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

 

 

MOTIVAÇÃO X CONDICIONAMENTO

 

Tem sido muito comum em nossas palestras e seminários ouvir um sério questionamento sobre os limites e até a ética da motivação. Até que ponto motivar pessoas não está próximo do condicionamento Pavloviano, aplicado em mamíferos não-humanos? A prática de Skinner do “toma-lá-dá-cá” também serve como argumento para estas críticas. De forma até contundente, outro dia me perguntaram se o Código de Valores não estaria perto da lavagem cerebral aplicada pelas ditaduras mais totalitárias.

 

No meu ponto de vista, a situação é delicada e merece uma grande maturidade no seu tratamento. Como qualquer tecnologia e, portanto, metodologia, seu uso pode ir para o bem ou para o mal. Segundo historiadores, Santos Dumont se suicidou ao perceber o uso mortífero de sua invenção.

 

No outro lado, ainda em meu ponto de vista, eu entendo que uma empresa deve ter um “modelo mental”, uma “maneira de ser”, própria, específica e, no extremo, única. Uma organização é um ser “vivo”, pulsante, com DNA, que precisa cada vez transformar-se em um pólo da educação, seja na vertente do Conhecimento seja na vertente dos Valores e Crenças. Principalmente na nossa realidade latina nós temos o dever, no âmbito da empresa, de trazer para nós a responsabilidade da promoção do desenvolvimento pessoal, ajudando a criar Seres Humanos mais nobres. Por exemplo, (um entre dezenas) é de fundamental importância que se ensine, e em estágio mais avançado, que se exija a aplicação da Virtude da Generosidade, e a conseqüente eliminação do vício da Lei de Gérson. Não há possibilidade de se estruturar uma empresa sólida, visionária, se a cultura prevalecente for a de todos querendo levar vantagem em tudo. É neste momento que a sabedoria fará chegar ao Triunfo, sendo criado o Círculo Virtuoso da Generosidade – integração – felicidade – produtividade. Por isto é necessário, que o processo decisório maior de uma organização estabeleça a sua maneira de ser. Para mim, a tese do condicionamento e da lavagem cerebral ficam afastados, porque não há obrigação alguma na permanência de um Ser Humano na organização. Literalmente, ficará na empresa A ou B, com DNA X ou Y, quem se sentir “compatível” com este ou aquele modo de pensar. Uma pessoa motivada estará mais propensa a produzir mais, o que vai melhorar os resultados da empresa. Isto acontecendo, no mínimo, este Ser Humano vai sentir-se realizado, mais orgulhoso, mais reconhecido e, também, com seu projeto de vida material mais sedimentado. Mais uma vez o Círculo Virtuoso contra o Círculo Vicioso. Sinceramente, no mundo pragmático das empresas eu não penso que tenhamos de ficar presos na Ética do Bem, na visão Kantiana, nem na ordem “dar para receber” de São Francisco. É dando que se recebe, é recebendo que se dá. Alguns chamam este fenômeno de parceria.

 

Material retirado do Pocket MBA Gestão de Pessoas e Negócios.

 

Boa leitura.

 


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PERFORMANCE

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L. A. COSTACURTA JUNQUEIRA

VP do Instituto MVC

 

 

ERREI SIM, E DAÍ?

 

O único homem que não erra é aquele que nunca faz nada”

Franklin Delano Roosevelt

 

 

Como uma das maiores responsabilidades do executivo no futuro, Peter Drucker destaca a criação de um clima organizacional que permita ao subordinado cometer erros. Mais ainda, acrescenta que, quanto mais cedo esses erros forem cometidos, menor será o efeito psicológico para o indivíduo e o custo financeiro para as organizações.

 

Cometer erros é inerente ao processo de aprendizagem; cometer erros e assumir riscos é atributo fundamental para o exercício da função gerencial.

 

Hoje, mais que nunca, as organizações precisam entender tanto de seu negócio, como de mudança, razão pela qual admitir a possibilidade de erros torna-se o caminho mais curto para tornar esse processo permanente e auto-sustentado.

 

Diante da relevância do tema, vale a pena refletir um pouco sobre a importância dos erros no processo de desenvolvimento gerencial: 

  • Começamos a ter medo do erro na infância, diante das recriminações de nossos pais. Para eles, bastava dizer o que estava errado, sem que fossem discutidas alternativas para corrigir o erro (ênfase na crítica e não no processo educacional). Ainda que essa postura pudesse servir como “terapia”, representava, para nós, um permanente desestímulo à aprendizagem.

  • Nossos superiores tendem a achar que o erro é mais problema nosso que deles, quando, na verdade, o problema pode estar tanto na falta de preparação ou competência do subordinado como na falta de clareza sobre o que deva ser feito, indefinição dos limites de decisão e insegurança do superior.

  • Algumas das frases seguintes poderão ajudá-lo a criar um clima propício à “liberação para erros”:

    • “Na dúvida, erre por ação; não por omissão”.

    • “Não espere retorno para poder decidir. Se a situação exigir resposta imediata, decida”.

    • “O que importa mesmo é o resultado final (o que fazer); cabe a cada um a escolha do melhor caminho para chegar lá”.

    • “Você tem direito a errar em cinco por cento de suas ações. A expectativa é que acerte os 95% restantes”.

  • Erros não respeitam hierarquia! A realização de reunião mensal onde todos, indistintamente, analisem seus erros e acertos pode ser um excelente instrumento para que o grupo evite erros já cometidos.

  • Se o subordinado cometeu um erro, use esse momento como oportunidade de aprendizado: seja para redefinição de políticas e margens de decisão ou para construção de um ambiente organizacional no qual haja permanente disponibilidade e transparência no fluxo de informações.

  • Construída e solidificada mediante uma relação mútua de confiança, a aproximação entre superior/subordinado é ótimo antídoto contra erros. Como então construí-la? Respeitando-se os quatro elementos geradores de confiança:

  • Credibilidade: cumprir o que promete e fazer o que diz;

  • Confiança: dizer o que pensa e sente, sem dissimulações;

  • Abertura: dividir com o outro as informações de que dispõe. Não “esconder o jogo”;

  • Aceitação: aceitar as diferenças individuais e saber conviver com elas.

  • Em hipótese alguma, erros devem transformar-se em problemas

  • pessoais. Separe a pessoa do problema. Julgar alguém por erro cometido é abrir caminho para que todos evitem ousar.

  • O erro é excelente oportunidade para se aplicar o conceito de “momentos da verdade” (Jan Carlson). Quanto mais vezes determinados erros se repetem, mais importante se torna definir “respostas/comportamentos-padrão para solucionar o problema”. Trata-se de uma situação típica onde o erro se transforma em oportunidade para conquistar melhor relacionamento com os clientes. Mostre o erro cometido, a forma como deve ser equacionado e as soluções encontradas para que não se repitam.

  • A eliminação de um erro tem mais a ver com a análise e correção de suas “causas” do que com ações sobre seus “efeitos”.

  • Erros decorrem, muitas vezes, da utilização de apenas um dos hemisférios cerebrais. A utilização simultânea e equilibrada do lado racional e do lado criativo aperfeiçoará a qualidade do output, minimizando a possibilidade de enganos no processo decisório.

  • Embora o perfeccionismo possa reduzir o número de erros, lembre-se que esse tipo de postura tende a prejudicar a velocidade e a criatividade das respostas.

Essas são apenas alguns princípios capazes de nos ajudar a usar o erro como oportunidade para desenvolvimento gerencial.

 

Duas sugestões:

 

1) Que tal reunir seu grupo, na empresa, para discutir as idéias e propostas reunidas nesse texto?

 

2) Que tal fazer uma analogia entre seu comportamento na Empresa e seu processo de relacionamento familiar?

 

Texto originalmente publicado na edição de julho 2005, Revista PROFISSIONAL & NEGÓCIOS

 

Material retirado do Pocket MBA Melhoria da Performance Gerencial.

 

 


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Pesquisa

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Pesquisas na área de Educação Corporativa são raras no Brasil. Veja o que o Banco de Dados WEC nos informa sobre programas/temas mais demandados e opiniões dos Clientes sobre os eventos.

Veja abaixo quais as informações mais procuradas no Portal Wec pelos Assinantes

 

EVENTOS ABERTOS

EVENTOS IN COMPANY

PALESTRAS

1. TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO
2. FINANÇAS
3. RECURSOS HUMANOS
4. TRIBUTAÇÃO / FISCALIZAÇÃO
5. LIDERANÇA
6. NEGOCIAÇÃO
7. GERENCIAMENTO GERAL
8. SEGURANÇA
9. REMUNERAÇÃO
10. VENDAS
1. AUDITORIA
2. AUDITORIA DA QUALIDADE
3. NEGOCIAÇÃO
4. ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO
5. ATENDIMENTO
6. SEGURANÇA
7. JURÍDICO
8. DINÂMICA DE GRUPO
9. RELACIONAMENTO INTERPESSOAL
10. ARQUIVOS
1. MOTIVAÇÃO
2. QUALIDADE DE VIDA
3. ATENDIMENTO
4. VENDAS
5. LIDERANÇA
6. COMUNICAÇÃO
7. RECURSOS HUMANOS
8. FINANÇAS
9. MUDANÇA
10. NEGOCIAÇÃO

 

 

SERVIÇOS DE CONSULTORIA

PRODUTOS & SERVIÇOS

1. RECURSOS HUMANOS
2. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL
3. AUDITORIA
4. GESTÃO
5. ENSINO À DISTÂNCIA / E-LEARNING
6. QUALIDADE
7. MEIO AMBIENTE
8. INFORMÁTICA
9. COMPRAS
10. ENGENHARIA
1. LIVROS
2. VÍDEOS / DVD
3. ENSINO À DISTÂNCIA / E-LEARNING
4. LOCAÇÃO DE SALAS
5. JOGOS PARA TREINAMENTO
6. PRODUTOS MOTIVACIONAIS
7. TESTES DE AVALIAÇÃO
8. SOFTWARES PARA RH
9. SISTEMAS DE QUALIDADE
10. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTO

 

Será que os melhores treinamentos realizados no Brasil trazem os resultados esperados pelos seus participantes?

Os 79% dos participantes acreditavam, ao responder as avaliações de eficiência (dez dias após o término do evento), que conseguiriam alcançar os resultados esperados, 18% achavam que não e os demais 3% que conseguiriam resultados parciais.

Porém, na avaliação de longo prazo – a que verificou a eficácia/resultado - 84% dos participantes disseram que o resultado foi atingido. Os 6% que disseram não ter alcançado os resultados estabelecidos, apontaram as seguintes razões:

Tiveram outras prioridades;
As prioridades foram redefinidas;
O treinamento não instrumentalizou para mudar comportamento.

Os 84% dos participantes que disseram ter obtido resultados parciais, afirmaram que:

Precisam praticar mais;
O curso precisava ter sido mais prático;
O curso ajudou mas não foi suficiente.

 

BD WEC

 

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PRODUTIVIDADE

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JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY

Autor do livro: Negociação Total (10ª edição)

 

 

REUNIÕES: SINERGIA OU CAOS?

 

As reuniões são o espelho de uma empresa.

A sinergia e a vantagem competitiva passam pela excelência das reuniões.

 

 

A todo o momento vemos artigos e pessoas mostrando a importância e necessidade de se obter sinergia, seja na empresa, seja nas equipes. De fato, sinergia é um dos fenômenos fundamentais de qualquer sistema. Joseph Chilton Pearce, educador, conferencista e autor de livros sobre desenvolvimento dos potenciais humanos, onde considera a obtenção de sinergia como a verdadeira prova da inteligência de uma pessoa. A questão que se coloca, portanto, é como obtê-la. E aqui surge um ponto fundamental, e que normalmente as pessoas não se dão conta, que é a correlação entre reuniões produtivas e sinergia. Caso fosse possível obter sinergia com reuniões improdutivas, estaríamos diante de um grande paradoxo, ou seja, a existência de uma empresa excelente, com um ótimo clima organizacional, tendo ao mesmo tempo reuniões de baixa qualidade, perda de tempo, desrespeito entre os participantes, distorções no processo de comunicação e conflitos contraprodutivos.

 

Portanto, se você quiser uma empresa excelente, uma das condições necessárias é a existência de reuniões altamente produtivas, sobretudo considerando-se que a média gerência passa pelo menos 35% do seu tempo em reuniões. Já, para a alta administração, esta porcentagem poderá ultrapassar os 50%. Mais ainda: a Meeting Professionals International, principal organização no setor de reuniões nos Estados Unidos, constatou na sua pesquisa anual, chamada Meeting Outlook, que o número médio de reuniões deve crescer continuamente.

 

E, o que a prática tem revelado a respeito da efetividade das reuniões? As análises de administração do tempo mostram que reuniões estão entre os maiores desperdiçadores de tempo. Há estimativas que aproximadamente 80 % das reuniões apresentam resultados aquém daqueles que seriam desejáveis. Uma das coisas mais comuns, em qualquer empresa, são as queixas das pessoas sobre a baixa qualidade das reuniões. E, o que é mais intrigante, é que estas queixas ocorrem também em empresas que efetuam uma gama muito grande e variada de treinamentos e cujo pessoal de recursos humanos apresenta alto nível de competência.

 

A questão fundamental, portanto, é identificar porque há uma grande quantidade de reuniões improdutivas, mesmo em empresas que tenham perfeita consciência da importância do desenvolvimento de seus recursos humanos. Existem cinco razões principais para isto:

1). O paradigma com que se trata reunião está equivocado. Surpreendentemente a importância das reuniões para as empresas não é, nem de longe, devidamente constatada. Assim, são tratadas como uma coisa menor, como o primo pobre do treinamento quando, na realidade, deveriam ser tratadas como uma competência essencial, pois é impossível obter sinergia, seja numa organização, seja numa equipe, sem a existência de reuniões produtivas.

2). Como conseqüência deste paradigma equivocado, em geral, a forma como tem sido feito o treinamento de reuniões não permite identificar e tratar como toda a complexidade existente numa reunião. Em geral são tratados, basicamente, os aspectos operacionais, como agenda, ata e checklist da preparação. Entretanto, há toda uma fundamentação conceitual que é ignorada e é, justamente aí, que reside a carência dos treinamentos em reuniões. Portanto, para a existência de reuniões produtivas são necessários que, além dos aspectos operacionais, sejam considerados todos os aspectos pertinentes à dinâmica de grupos. Caso contrário, todo treinamento em reuniões sempre deixará a desejar.

3). Uma outra coisa que deve ser considerada é que existem muitos tipos de reuniões e todas são tratadas como se fossem da mesma natureza. Assim temos, entre outras, reuniões de negociação, tomadas de decisão, solução de conflitos, planejamento estratégico, mudança organizacional e feedback e avaliação e, cada uma destas formas, embora tenham aspectos comuns, apresentam muitas particularidades que podem torná-las bem diferentes umas das outras. E esta pode ser uma das dificuldades, ou seja, não identificar estas distinções. Os esquimós, por exemplo, tem 20 palavras diferentes para tratar de neve. Assim, há um tipo de neve em que pode andar, em outro se afunda, e assim por diante. Já os índios maidus, uma tribo existente ao norte da Califórnia, tem apenas três palavras para tratar todas as cores: Tit (verde e azul), Lak (vermelha) e Tulak (amarela, laranja e marrom). Portanto, enquanto os esquimós conseguem fazer distinções sutis, os maidus têm um vocabulário que os deixa muito limitados. Em termos de reuniões, estamos mais para maidus que para esquimós. Assim, acabamos tratando da mesma forma nas reuniões coisas que apresentam características muito diferentes. Uma reunião de negociação, por exemplo, é muito diferente de uma de planejamento estratégico ou de uma de aprendizagem vivencial.

4). Por se considerar como parte do treinamento em reuniões apenas os aspectos operacionais, ignorando-se os fundamentos da dinâmica de grupos, uma quantidade de desvios bastante graves acaba não sendo percebida. Assim, por não se considerar temas como coesão, status e poder, normas e padrões, comunicação e liderança, acabamos caindo, entre outros, nas armadilhas do pensamento grupal e da valência das soluções. O pensamento grupal é um fenômeno descoberto por Irving Janis a partir do estudo de fiascos históricos dos americanos, como Pearl Harbor, a Guerra da Coréia e a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba. A explosão da espaçonave Challenger também foi atribuída ao pensamento grupal. A valência da solução é um fenômeno que se caracteriza pelo fato de um grupo optar por uma solução pior em virtude da maior quantidade de argumentos dados. A quantidade acaba prevalecendo sobre a qualidade.

5). O treinamento em reuniões deve importar em mudança comportamental. Portanto, um seminário apenas não é suficiente. Deve haver todo um acompanhamento pós-seminário que garanta a efetivação das mudanças. Nunca é demais lembrar que a mudança comportamental passa por três fases: consciência da necessidade, mudança e segunda natureza, que é quando os conhecimentos se transformaram em habilidades. Todo treinamento em reuniões que não leve em conta o ciclo completo da mudança comportamental é um treinamento deficiente. E esta é, com certeza, uma das maiores razões de muitos fracassos.

 

Assim, se quisermos ter sinergia em nossas organizações e equipes, devemos mudar nosso paradigma a respeito de reuniões e dar ao treinamento em reuniões a importância e o destaque que merece. Como fazer isto? Através de dois procedimentos:

 

1). Provocando uma mudança na cultura organizacional, de modo a fazer com que reuniões produtivas também sejam um valor e um dos itens da avaliação de desempenho. Na realidade, os verdadeiros valores de uma empresa são definidos pela forma como as pessoas são avaliadas e recompensadas. Por exemplo, uma empresa que diz valorizar a iniciativa, mas que pune quem erra e não faz nada com quem se omite está, na verdade, dizendo para todos os empregados: “Por favor, não faça nada. Ter qualquer iniciativa pode ser muito perigoso.”.

2). Um outro ponto para a mudança de paradigma no trato com reuniões é a adoção de um modelo conceitual que leve em devida conta todos os aspectos relevantes em uma reunião. A Matriz de Desempenho em Reuniões® tem este propósito.

 

Quando estamos em uma reunião, trabalhando para realizarmos determinado objetivo, duas considerações devem ser feitas. Por um lado, a tarefa e os comportamentos que se manifestam durante a sua realização. Por outro, os processos e conteúdos da tarefa e dos comportamentos. O processo refere-se ao conjunto de ações, interações e procedimentos que se verificam enquanto a tarefa é realizada. O conteúdo refere-se à natureza da tarefa e dos comportamentos envolvidos. Estes quatros elementos, tarefa, comportamentos, processo e conteúdo, são a base da Matriz de Desempenho em Reuniões®, na qual as colunas referem-se ao comportamento e à tarefa e as linhas ao processo e ao conteúdo. Assim, conforme a figura, cada interseção de linha com coluna fornece uma dimensão, ou seja: (1) dimensão - conteúdo comportamental; (2) dimensão - processo comportamental; (3) dimensão - processo da tarefa - e (4) dimensão - conteúdo da tarefa.

 

MATRIZ DE DESEMPENHO EM REUNIÕES®

 

 

COMPORTAMENTO

TAREFA

PROCESSO

(Processo comportamental) (2)

dinâmica de grupos

(Processo da tarefa) (3)

negociação

criatividade

aprendizagem vivencial

processo decisório

T

M

E

CONTEÚDO

(Conteúdo comportamental) (1)

crenças

valores

necessidades

metaprogramas

(Conteúdo da tarefa) (4)

conhecimento do assunto

 

 

 

 

 

 

O conteúdo comportamental - dimensão (1) refere-se aos valores, atitudes, percepções, preconceitos e personalidade dos participantes.

O processo comportamental - dimensão (2) trata dos comportamentos manifestos, ou seja, visíveis. Existem, basicamente, três tipos de comportamentos que são os voltados para a tarefa (T), para a manutenção (M) e para o eu (E). Os primeiros referem-se a procedimentos, tais como iniciar, sumarizar, clarificar e orientar. Os comportamentos de manutenção estão relacionados à participação, influência, atmosfera, afiliação e sentimentos. Já os comportamentos voltados para o eu são aqueles que evidenciam uma grande necessidade de se levar vantagem, implicando em lesão, perda total, ou até mesmo destruição da outra parte. São do tipo ganha/perde.

O processo da tarefa - dimensão (3) refere-se às etapas que devem ser percorridas do início até o final da tarefa, seja ela uma negociação, tomada de decisão ou uma simples comunicação.

O conteúdo da tarefa - dimensão (4) refere-se aos resultados que se quer, bem como o conjunto de conhecimentos técnicos para se chegar aos mesmos. Está relacionado ao que costumamos chamar de conhecimento do negócio.

A Matriz de Desempenho em Reuniões® quando assimilada e adequadamente utilizada, permite que se caracterizem corretamente os fatores relevantes em uma reunião, ao mesmo tempo em que indica uma ordem de precedência para tratamento dos mesmos, constituindo-se num instrumento extremamente valioso para as etapas de planejamento e preparação, execução e controle de reuniões.

 

Portanto, um treinamento em reuniões que não leve em conta todos os elementos do Matriz de Desempenho em Reuniões®, é um treinamento incompleto. Esta é uma das principais causas da falha do treinamento em reuniões: não levar em devida conta toda a complexidade existente numa reunião e, como conseqüência, não considerar com propriedade todos os instrumentos operacionais necessários, entre eles “O que observar em grupos” e “Papéis existentes em reuniões”.

 

É o entendimento de reunião desta forma que vai dar a dimensão e a profundidade que deve ter o treinamento em reunião. Caso contrário, o treinamento não passará de um conjunto de dicas e macetes com poucos resultados efetivos.

 

O que se quer deixar como mensagem final:

 

1. Não existe nada relativo ao ser humano que não esteja presente numa reunião, daí a sua complexidade;

2. Não pode haver sinergia organizacional se não houver sinergia nas reuniões. A sinergia numa empresa passa obrigatoriamente pela existência de reuniões produtivas. Pensar de outra forma é transformar sinergia num simples jogo de palavras ou não entender, de fato, o significado da palavra. Além disto, reuniões produtivas podem se constituir numa importante vantagem competitiva;

3. As habilidades exigidas para se fazer uma boa reunião são indispensáveis para a excelência de um gerente. Portanto é fundamental o treinamento em reuniões;

4. O treinamento em reuniões permite um feedback imediato. A reunião foi ou não foi produtiva? Assim, podem ser efetuadas correções e novos desenvolvimentos;

5. O treinamento em reuniões é uma excelente ferramenta para o aprendizado continuado;

6. Se as empresas transformassem 80% de suas reuniões em reuniões produtivas teriam ganhos substanciais em produtividade, competitividade, resultados e melhoria do clima organizacional.

 

Texto retirado dos Pocket MBAs Comportamento Organizacional em Negociação e Melhoria da Performance Gerencial.

 

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LIDERANÇA

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DENIZE DUTRA

Consultora Sênior do Instituto MVC

Autora do Programa E-Learning Desenvolvimento Pessoal

 

 

GESTÃO OU MANIPULAÇÃO DE PESSOAS

 

Durante um programa de educação corporativa, realizado no cenário paradisíaco de Angra do Reis, estava pensando sobre o trabalho com o grupo e associando-o a uma leitura recomendada em meu Mestrado. Decidi compartilhar com os amigos leitores algumas reflexões sobre o poder nas organizações. O assunto é bastante amplo e polêmico, por isso sem nenhuma pretensão de caráter acadêmico, e muito menos de esgotá-lo, tentarei analisar alguns pontos do livro “O poder das organizações” (Max Pages e outros) que desencadearam algumas idéias sobre este tema, baseadas em minha experiência e percepções pessoais.

 

Na visão dos autores da citada obra, o poder é “um sistema que se inscreve sobre um quádruplo eixo de coordenadas: econômico, político, ideológico e psicológico”, que pode ser exercido por formas de controle, que evoluíram da repressão e punição para a interiorização e normalização, permitindo que as organizações penetrem em esferas antes consideradas privadas como: os valores, os ideais, o estilo de vida e a personalidade.

 

Esse processo é caracterizado pela despersonalização das relações de poder onde a figura do chefe perde expressão, sendo substituída por políticas, regras e outros dispositivos, que visam reduzir contradições sociais, assumindo uma função mediadora, ainda que não sejam também incomuns as manifestações de poder na sua forma mais explícita, numa cultura punitiva, rigidamente hierarquizada e coercitiva, na tradicional linha do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

 

A empresa permite às pessoas se sentirem como em uma igreja, onde permeiam valores que incitam as pessoas a se dedicarem de corpo e alma a seu trabalho. Esta adesão é um elemento fundamental para o poder da empresa e para o sistema de dominação e alienação dos indivíduos. Os valores essenciais da ideologia humanista cristã (respeito ao indivíduo, valorização do esforço e do sacrifício, perseverança, integridade...) são alegados para mascarar as condições reais de exploração.

 

As políticas de recursos humanos são práticas ideológicas, são processos de mediação pluri-dimensionais, em diversos níveis, tais como:

 

- no nível econômico, onde elas gerenciam as vantagens concedidas ao pessoal em contraposição ao seu trabalho;

- no nível político, onde elas asseguram o controle da conformidade às regras e aos princípios, à divisão dos indivíduos e dos grupos, ao comando de suas relações;

- no nível ideológico, pois elas encarnam concretamente os valores de consideração pelas pessoas, do serviço e da eficácia que legitimam todas estas práticas e ocultam os objetivos de lucro e dominação, e por fim;

- no nível psicológico, pois praticam a política de gestão dos afetos, que favorece o investimento inconsciente massivo da organização e a dominação desta sobre o aparelho psíquico dos funcionários.

 

As questões levantadas suscitam profundas reflexões sobre a prática da “gestão de pessoas” nas organizações, que na minha perspectiva, podem ser entendidas como “manipulação de pessoas”. Para que isto não ocorra, cabe aos Gestores em geral e, em especial, àqueles que trabalham diretamente com a gestão de pessoas, influindo e elaborando políticas de pessoal, analisar os impactos de suas ações, identificarem a “serviço” de quem ou do que estão trabalhando, repensarem seus referenciais teóricos e o reposicionamento filosófico, de forma a adotarem práticas de gestão, que preservem os valores pessoais, propiciem aos indivíduos encontrarem verdadeiro significado no trabalho, atuando de forma ativa e crítica no contexto nos quais estão inseridos, possibilitando ao sujeito perceber as contradições da relação capital X trabalho e encontrar a saída “mais satisfatória” para sua realização pessoal e, simultaneamente, a contribuição para a empresa na qual estiver trabalhando. Qualquer tentativa de mudança na relação de poder nas organizações passará, necessariamente, pela compreensão da natureza das relações inconscientes pelas quais os indivíduos se ligam à organização e pelas políticas que reforçam esta relação.

 

A obra junta os complexos referenciais teóricos do marxismo e da psicanálise, para explicar as relações de poder. Segundo os autores, a alienação do indivíduo se dá devido a uma profunda relação de dependência da organização, que é o simbólico da figura materna. A interpretação psicanalítica deste fenômeno é facilmente percebida nas organizações, com a implementação das políticas de remuneração e desenvolvimento de carreira, onde a maioria dos indivíduos assume uma postura de transferir a responsabilidade por seu desenvolvimento profissional para a Empresa que, em contrapartida, reforça esta postura de provedora, quando oferece benefícios (assistência médica, dentária, alimentação, bolsa de estudo, etc.) que além de fortalecer a dependência, funciona como alternativa de salário indireto, para fugir da alta tributação trabalhista (que no Brasil é bastante pesada) e de outros tributos, em função de classificações contábeis diferenciadas.

 

Apesar de concordar com o fato de que os fenômenos de poder, estudados na obra, ocorram no mundo corporativo, e também concordar com as abordagens escolhidas pelos autores para explicar tais fenômenos, no meu ponto de vista, isto não pode e nem deve provocar uma visão pessimista da gestão de pessoas no mundo contemporâneo. A visão crítica permite que se perceba o grande desafio que os profissionais da administração, e de outras ciências humanas, têm de encontrarem, partindo de um referencial teórico consistente, novas ferramentas e práticas, que, por meio do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal, possibilitem ao SER HUMANO, sair da posição de RECURSO para a de ATOR desse processo histórico do qual faz parte.

 

Como acredito que isto é possível, tanto quanto, ter no trabalho uma das fontes de prazer e de realização pessoal, eu busco em minhas atividades profissionais e acadêmicas novas formas de desenvolver e gerir as pessoas dentro das organizações e também outras respostas para infindáveis perguntas.

 

Será isto: ciência, arte ou utopia?

 

Material retirado do Pocket MBA Gestão de Pessoas e Negócios.

 

 

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ESTRATÉGIA

 

 

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EDMARSON BACELAR

Consultor Sênior do Instituto MVC

Professor dos Programas de MBA da FGV

 

 

DIREÇÃO ESTRATÉGICA

Conectando “Coisas” e Pessoas.

 

 

“A Qualidade não está nas coisas nem nas pessoas, mas sim na relação entre elas”.

Robert M. Pirsig, em Zen e a arte de manutenção de motocicletas

 

Esta frase, um dos pontos altos da maravilhosa obra de Pirsig, traduz em sua essência o significado do que é pensar e dirigir uma organização estrategicamente. Ao mesmo tempo uma técnica e uma arte, conectando as “coisas” existentes ou a construir no mundo com as particularidades da natureza e comportamentos humanos. Vamos explorar um pouquinho cada um destes dois enfoques.

 

É uma técnica porque apresenta certos métodos e abordagens que facilitam sua compreensão através de um encadeamento com sutis fios de lógica, às vezes tênues, mas suficientes para manter a teia de pensamentos interligada em um sutil jogo cognitivo e com relações de causalidade explicáveis e até demonstráveis.

 

É uma arte porque muitas vezes precisamos fazer “apostas” suportadas em cenários ou sensações muito pessoais ou crenças que não são explicáveis pela razão ou uma análise metódica, ou projetiva, de dados, mesmo em dimensão probabilística.

 

Um outro aspecto a considerar é a dimensão “filosófica” referencial de atitudes e comportamentos no âmbito organizacional: visão, missão, valores, credos etc., que compõem declarações compreensíveis e motivadoras, mas que não são necessariamente apelativas à razão, no seu sentido clássico.

 

Quando falamos em Direção Estratégica, estamos partindo do pressuposto que há, ou deveria haver, uma maturidade na compreensão do ambiente de negócios que atuamos e também nas nuances do gerenciamento, da cultura organizacional, tendências em suas diversas dimensões, nível de disposição para assumir riscos, enfim, a capacidade que um grupo de gestores tem para enfrentar desafios, estimular a “ocorrência do futuro”, de envolver os colaboradores e parceiros de negócios e construir intenções e arquitetura estratégicas com influências em todo o âmbito da organização.

 

Concluindo, poderíamos afirmar que Pensar e Dirigir Estrategicamente exige arrojo, maturidade, técnicas, percepções e confiança de que podemos fazer melhor, ajudando a encontrar e “construir” o futuro.

 

Material retirado do Pocket MBA Gerência de Projetos.

 

 

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ORGANIZAÇÃO

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DR. DONALD E. WETMORE

Presidente do Productivity Institute

 

 

SUGESTÕES “ÓBVIAS’’ PARA ORGANIZAR E DESENVOLVER
UM PROGRAMA INTERNO DE TREINAMENTO


 

Programas internos de treinamento representam um instrumento valioso no esforço da organização para aumentar a produtividade e promover o progresso de seus funcionários, portanto, da própria organização. Eles devem representar um ingrediente constante da gerência corporativa em seu propósito de alcançar o sucesso e a rentabilidade. Embora sejam necessários um excelente conteúdo e comunicação para que o programa seja eficiente, sua logística não deve ser negligenciada. Tendo realizado centenas de programas e seminários internos nos últimos dezoito anos, apresento cinco sugestões sob a forma de uma lista de controle para implantar um satisfatório programa interno.

 

1.     Faça com que todos estejam presentes. Existem poucas coisas mais desanimadoras que tentar se apresentar perante uma sala vazia. Eu tenho o hábito de utilizar uma abordagem de três fases: convite, confirmação e re-confirmação. No momento que a pessoas é convidada e se inscreve, é lembrada do seu compromisso e solicitada a fazer do seu comparecimento uma questão de alta prioridade. Se, como às vezes acontece, as coisas mudam e ela fica impedida de comparecer, ela é convidada a, antecipadamente, fazer o cancelamento da sua presença para que seu lugar possa ser oferecido à outra pessoa. Depois, confirmo seu comparecimento por escrito, com todos os detalhes mais relevantes daquele dia: data, hora, local, direções, trajes e tudo que precisarão levar e quais benefícios devem esperar receber desse comparecimento. Finalmente, faço uma re-confirmação, por telefone, cerca de umas 72 horas antes. O resultado? Nossa taxa de “não comparecimento” é quase inexistente.

 

2.     Chegue cedo. A organização física é um ingrediente essencial ao sucesso do programa. Chegue suficientemente cedo para se assegurar que a sala foi organizada segundo a forma desejada e necessária (sala de aula, teatro, em forma de anfiteatro, etc.) e que sua audiência estará sentada na direção correta. Providencie apenas o número de assentos correspondente ao número de pessoas que está esperando. Se não tem certeza sobre quantos irão comparecer, faça uma estimativa para menos. Você sempre poderá acrescentar mais assentos. Na verdade, você vai querer evitar os assentos vazios. Verifique a iluminação (lâmpadas queimadas, cortinas abertas/fechadas), temperatura (a sala deverá estar um pouco mais fria para conservar a audiência acordada, seria preferível em volta de 20o) e se assegure que todos os equipamentos (fiação, projetor de “slides”, som, microfone, diagramas do circuito, etc.) estejam à disposição e em condições de operabilidade. Confira também se existem suprimentos adequados (exemplares suficientes para serem distribuídos, blocos de apontamentos, agendas, lápis, canetas, lâmpadas extras para a fiação, baterias extras para o microfone, etc.). Verifique se a sala está limpa e livre de entulho e se os remanescentes dos programas anteriores foram removidos (anotações antigas nos blocos de apontamento, fitas escondidas na parede, latas de lixo vazias, etc.).

 

3.     Comece com uma observação geral. “Não se trata de eu ser ou não um líder. É que até agora nunca encontrei ninguém que pudesse me imitar”. Sua audiência irá acompanhá-lo e participar do jogo quando entender as suas regras. Diga o que eles devem esperar: informe sobre a duração e o término da palestra, sobre os intervalos programados e se serão servidos refrescos e almoço (onde será servido ou onde poderá consegui-lo), localização dos banheiros e telefones, sua conduta sobre o recebimento de mensagens em classe, como prefere responder às perguntas, tomar notas e, numa única frase, o que você espera que eles possam realizar com o programa.

 

4.     Esteja presente física e emocionalmente. Encoraje as pessoas a colocarem de lado seus outros problemas durante a realização desse programa. Peça-lhes para estarem presentes, física e emocionalmente, e focalizarem sua atenção naquilo de que trata esse programa. E também para deixarem lá fora toda a crítica. Permitam que as idéias estejam em primeiro lugar. Não importa a razão pela qual vieram a esse programa, voluntária ou involuntariamente, as pessoas estão gastando o seu tempo, uma porção da sua vida e devem a si próprias alcançar alguma vantagem em troca. Das centenas de programas aos quais compareci, ao longo dos anos, nunca deixei de sair com pelo menos uma boa idéia. “Até um relógio quebrado está certo duas vezes ao dia”.

 

5.     Comece e termine o programa exatamente na hora. Informe aos participantes, no momento de se inscreverem, que esta é a política a ser usada e que você irá observar o horário para começar e terminar. Se começar atrasado, estará punindo as pessoas que chegaram na hora. E termine na hora. Se for além da hora programada estará infringindo seu próprio contrato com eles e sua atenção irá se desviar da apresentação para a quebra do contrato. Devemos sempre respeitar o horário e os compromissos dos outros. (Procure ficar disponível depois do programa para dar atenção individual a quem desejar, mas não deixe de dar ao grupo aquilo que foi prometido).

 

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COMUNICAÇÃO

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EUNICE MENDES

Consultora Sênior do Instituto MVC

Autora do livro: Comunicação sem Medo (7ª edição)

 

 

ODEIO ESCREVER

 

 

Para qualquer profissional, é difícil admitir publicamente, perante colegas e chefes, que não sabe escrever. Por isso, sai pela tangente dizendo que não gosta e pronto! Acontece que escrever bem é necessário para qualquer carreira. Para não sofrer tanto na hora H, o negócio é tentar entender como a coisa funciona. Vamos lá:

 

  • Pense – Antes de escrever, tenha respostas claras para as questões abaixo. Assim, você estrutura mentalmente o que pretende colocar no papel:

- o que você quer dizer?

- porque isso é interessante?

- como será a reação de quem vai ler?

  • Seja claro – Repita em voz alta a primeira frase que gostaria de escrever como se estivesse conversando com alguém. Depois, escreva o que você pensou e compare com o que disse. O que soa melhor? Se tiver dúvida, pense que uma frase precisa ter o efeito de um salto triplo mortal: o ponto alto da apresentação de um trapezista. Os gestos têm de ser precisos. Da mesma maneira, a comunicação profissional também deve ser objetiva. Isso será mais fácil se você conseguir identificar os pontos altos do que vai escrever.

  • Simplifique – Em geral, textos complicados seguem um padrão facilmente identificável: frases longas, com sujeito e predicado em posições invertidas, palavras difíceis e muitos neologismos. Experimente selecionar um trecho que considere complicado e reescreva-o em frases curtas, sempre na ordem direta. Você vai ver sua compreensão sobre o assunto aumentar. O que ainda restar de obscuro deverá ser debitado na conta das especificidades dos termos técnicos. Quanto a eles, não há saída. Muitas vezes, você terá mesmo de usá-los. Mas, se o fizer, explique imediatamente o que significam -- afinal, nem todo mundo sabe. E, se tiver dúvida sobre o significado de alguma palavra, corra para o dicionário. Aliás, ele também será seu salvador quando as palavras faltarem. Só assim serão evitadas pérolas como “a alavancagem dos processos de incisão mercadológica de nossos sistemas de E-learning”.

  • Releia o que você escreveu – Agora, é hora de ver onde você se repetiu e em que pontos seu raciocínio está confuso.

  • Peça a alguém para ler seu texto – Assim, você fica sabendo de antemão como seus leitores vão reagir.

 

Claro que esse é um esquema básico. Escrever bem requer muito treino. Pratique, refazendo o mesmo texto várias vezes. Também é bom ter à mão um caderno para anotar idéias, frases sugestivas e trechos que chamem sua atenção. No mais, turbine seu vocabulário com boas leituras (sem preconceito de gênero). Com o tempo, você vai descobrir que gosta de escrever – mesmo que seja só um pouquinho. Aí, é só treinar mais para ver o que acontece.

 

 

Material retirado do Pocket MBA Melhoria de Performance de Gerentes e do Programa Quebrando os Paradigmas da Comunicação.

 

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