Edição Nº 85 - Outubro de 2005

       
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 Editorial  Inspiração
  Universidade Corporativa     Você gosta de errar?

Só universidade? Só corporativa? Instrumento de compartilhamento do conhecimento? Fixação de valores? Salto quântico do capital intelectual? O que a experiência nos tem ensinado?

Marco Aurélio Ferreira Vianna
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Quando olhamos aqueles que nos cercam, identificamos pessoas que erram tanto, inclusive repetindo os mesmos erros. O lema é: Se o inferno é tão bom, por que vou procurar o céu? Se o erro é tão confortável, por que vou mudar?

L. A. Costacurta Junqueira
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 Questionamento  Performance
 Inteligência Integral     Deixando marcas...

A capacidade humana é ilimitada, isso já sabemos. O que ainda não sabemos é o que essa capacidade ainda pode criar e para onde está nos levando. A inteligência integral é uma utopia não realizada. Como podemos utilizar a inteligência integral para melhoria pessoal e organizacional?

Carlos Legal

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Há três tipos de profissionais no mundo: Os que fazem acontecer; Os que vêem acontecer; Os que sequer sabem o que está acontecendo.




Francisco R. Bittencourt

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 Mudança  Reconhecimento e Reflexão
    Hábitos novos na virada do ano    A Lenda de RH
 

Por que as organizações mudam? Por que é mais fácil mudar do que tornar perene qualquer mudança? Boas intenções alavancam mudanças?




 
Fábio Frezatti
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Textos que criticam a área de Recursos Humanos são abundantes no mercado, mas e o outro lado da moeda? Por que não louvar RH? Por que não falar dos aspectos positivos do seu papel nas organizações?



Marco Aurélio Ferreira Vianna
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Expediente
  Publishers: Costacurta Junqueira e J.B.Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa; Leandro Santana
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

Autor de 42 livros

 

 

Universidade Corporativa: oito anos de sucesso

 

 

O tempo passa rápido. Nós, do Instituto MVC, já estamos completando oito anos de experiência neste fascinante mundo das Universidades Corporativas. Eu não posso negar que tem sido sempre, sem exceção, um “presente dos Deuses” sermos contratados por uma organização para desenvolver sua própria Universidade. Só para contabilizar, Costacurta e eu, já devemos ter cerca de trinta trabalhos neste segmento, desde o Plano Estratégico completo, passando por Consultoria, Auditoria, Assessoria e Palestras.

 

Cada vez mais alguns conceitos ficam fundamentados e outros cada vez mais (desculpe a repetição) descartados. No meu ponto de vista, conforme artigo que escrevi há algum tempo, uma Universidade Corporativa (UC) não pode nem ser só Universidade, nem só Corporativa. O grande objetivo de uma UC é permitir um salto quântico de Conhecimento, no profissional e no pessoal, na razão e na emoção, na capacitação e nos valores. Em verdade, e isto tem sido cada vez mais comprovado na prática, uma organização é o receptáculo de uma miríade de modelos mentais e premissas antropológicas, que acompanham seus Seres Humanos. Por isto, uma empresa depois de definir sua Identidade Cultural Estratégica deve chegar ao que denominamos de Patamar Básico de Conhecimento Próprio – de novo, no campo científico e humano. Esta convergência é o grande ponto da UC. Ela permite, além do aumento quantitativo deste conhecimento, o estabelecimento de uma homogeneidade extremamente salutar. Por isto as UC´s têm sido (e hoje podemos provar através de casos práticos) uma ferramenta extremamente eficaz de consolidação e coesão de valores (e hoje podemos provar através de casos práticos). O Modelo Mental da empresa fica mais forte, mais sinérgico, quando seus Seres Humanos estudam em torno de sua própria realidade e, mais que isso, de suas próprias necessidades.

 

Outro ponto positivo é o aumento de motivação das pessoas proporcionado pelas UC´s. Eu tenho ouvido com muita freqüência frases como esta: “A minha empresa me valoriza tanto, e quer tanto o meu desenvolvimento que até montou uma Universidade só para nós” (sic).

 

Finalmente, cabe comentar que o conceito de assimilação do conhecimento proposto, em nosso modelo, de UC tem acarretado um resultado financeiro extremamente interessante. Quando as “provas finais” de um determinado evento são projetos práticos de melhoria conseguimos atingir o objetivo final do Ensino, que consiste no fluxo: transformar ensino em aprendizado, aprendizado em motivação, motivação em ação, ação em resultado. Além de tudo, se bem concebida, uma UC pode ser “até rentável”.

 

Boa leitura

 


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CONGRESSO BRASILEIRO DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO

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MVC NO CBTD

 

O Instituto MVC estará presente no maior congresso brasileiro de treinamento e desenvolvimento (CBTD), organizado pela ABTD.

J.B Vilhena,  Vice-presidente do Instituto MVC apresentará  “cases” de sucesso nas áreas de certificação e marketing.

 

Os “cases” de sucesso também deverão ser apresentados no congresso mundial da ASTD (Américan Society for Tranining and Development).O evento acontecerá em Dallas, em maio de 2006 (www.astd.org).

 

Para maiores informações sobre o congresso brasileiro de treinamento(CBTD), programado para dezembro, visite www.abtd.com.br ou ligue para 11-3224-8317.

 


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INSPIRAÇÃO

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L. A. COSTACURTA JUNQUEIRA

Vice Presidente do Instituto MVC

Autor do livro Negociação - Tecnologia e Comportamento (180.000 exemplares vendidos)

 

 

VOCÊ GOSTA DE ERRAR?

 

O erro é um instrumento de aprendizagem! Todos nós devemos receber “Delegação” para errar! Você pode errar, mas não pode repetir o mesmo erro! Na minha ausência erre por ação, mas não por omissão!

 

As colocações anteriores parecem familiares? Pois são mesmo. Todas refletem uma postura “Educativa” diante do ato de errar.

 

Apesar de tudo, existem várias situações ou tipos de erro que as pessoas cometem, repetidas vezes, como se gostassem de errar. Na maioria das vezes, essa repetição não é consciente para o “autor”, mas fica evidente para aqueles que o cercam, criando uma imagem de alguém muito desligado ou pior, incompetente.

 

Esse “Amor” pelo erro parece ter algumas causas, dentre as quais: o medo de se arriscar; o dilema entre fazer o que se gosta ou fazer o que é certo; pouca flexibilidade e resistência à mudança; um estilo gerencial do superior que ignora o sucesso e com essa postura acaba recompensando o fracasso. Em raras situações, a causa pode assumir ares de sabotagem de alguma idéia nova do superior ou de outras pessoas da organização.

 

Sem querer ser prescritivo, vamos enumerar, a seguir, alguns dos erros que mais comumente são repetidos:

 

a)  Resolver problemas buscando eliminar seus efeitos e não procurando acabar com as respectivas causas;

b)  No exercício de uma posição gerencial, derivar motivação/felicidade pelo fazer ˝sozinho˝ e não de conseguir motivar a equipe para uma ação sinérgica;

c)  Pedir a outro o que, para si mesmo, não seria possível e razoável fazer (prazos, custos, competências);

d)  Não agredir verbalmente quem lhe disse uma mentira; use o silêncio para desconsertá-lo ou fazê-lo cair na real. Agressão gera sempre agressão;

e)  Não alardear a mentira: deixe-a ficar entre quatro paredes, torne-a reversível para o outro, facilitando o voltar atrás;

f)  Um bom argumento ou uma excelente idéia não devem ser defendidos apenas em termos de resultados qualitativos. Sem os números a “Coisa” fica no aspecto de uma mera opinião;

g)  No relacionamento com um cliente não fique apenas no que você deseja vender ou naquilo que ele quer comprar. Se todos agem assim, porque não procurar identificar o algo que o cliente realmente precisa, mas não tem a consciência, percepção da necessidade.

h)  Todos sabem vender, argumentar bem, utilizar ações que no passado funcionaram, sem se preocupar com que isso representa a mesma lengalenga de sempre. Cada vez mais, todos nós, somos voltados para quem nos ajuda a conseguir melhorar os resultados do que fazemos. Dentro dessa abordagem que tal assumir uma postura de solucionador dos problemas de cada cliente? De alguém que faz mais do que é pedido?

i)   Não guarde para si todo conhecimento, informação e novidade. Não é daí que nasce o poder. Na circulação do conhecimento, e conseqüente sinergia, é que se constrói uma relação mais duradoura e eficaz;

j)   Não repita mil vezes o mesmo discurso, aquelas intenções maravilhosas, acreditando que isso vai levá-lo a algum lugar. O discurso nada vale se não for acompanhado pelas respectivas ações;

k)  Colocar sempre a culpa nos outros pode ser uma postura mais fácil, mas extremamente desagregadora;

l)   Incentivar o trabalho em equipe, mas premiar o individualismo é um comportamento que, a curto prazo, acaba com a sinergia;

m)  A felicidade está naquilo que não se tem; você conhece melhor forma de ser infeliz?

n)  Ser coerente em suas crenças, posturas, comportamentos, quer seja no trabalho ou em casa. Não dá para ter “Duas Caras” impunemente e a longo prazo.

 

Então, vamos repetir a pergunta: “Você gosta de errar”? Relendo o texto, você deve se ter visto no espelho algumas vezes. Não concorda? Então faça um teste, pergunte à sua mulher, ao seu maior amigo, se Você é um reincidente específico em relação aos erros que comete. Você vai ficar surpreso com a resposta.

 

Por mais que queiramos acreditar, a repetição de um erro não é condição suficiente para transformá-lo em acerto.

 

Texto originalmente publicado na revista Profissional & Negócios, agosto de 2005, e retirado do Pocket MBA Desenvolvimento de Pessoas e Negócios.

 

 


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PERFORMANCE

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FRANCISCO BITTENOURT

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

DEIXANDO MARCAS...

 

 

A atividade de consultoria tem me levado a conhecer os mais diferentes perfis de profissionais, que buscam a especialização, em diversos segmentos do aprendizado. Marketing, Gestão Empresarial, Finanças, Recursos Humanos, Legislação Tributária, Direito, Logística, enfim, quaisquer áreas de negócio, um vasto campo de aprendizado e desenvolvimento, com impactos nos resultados individuais e organizacionais.

 

Essa experiência tem feito com que um grande grupo de profissionais acabem se deparando com perfis extremamente diferenciados de expectativas e de atitudes, diante dessa experiência que, mais que uma atividade de aperfeiçoamento carrega em seu bojo, uma carga significativa de reeducação.

 

E, nesse ponto, as diferenças se tornam marcantes gerando um nível de preocupação e cuidados, impossíveis de serem relegados a um segundo plano por nós, responsáveis pelo aprendizado ou a orientação, conforme nossa proposta de ação.

 

O ponto importante é a qualidade da atitude dos profissionais participantes de eventos que visam o seu aperfeiçoamento, diante de uma atividade à qual se propuseram dedicar boa parte de seu tempo, de sua vida pessoal e profissional, com um custo econômico financeiro e individual significativo, para si e para suas organizações, com sacrifícios e algumas renúncias relevantes, durante sua realização.

 

É fundamental que os participantes dos programas de especialização ou aperfeiçoamento percebam que sua presença vai levá-los a um divisor de águas. Ao concluir o evento – curso, seminários, workshops, convenções – o participante muda sua condição profissional. Deixa de ser um generalista para assumir a posição de especialista ou de conhecedor de uma determinada área de atuação, capaz de afetar, de forma direta ou indireta, seu trabalho.

 

E suas atitudes? E os comportamentos decorrentes? E a forma de ver e se expressar, ou melhor, de expor os temas que lhe dizem respeito? Mudarão também?

 

O foco na qualidade de atitudes, a percepção do impacto das coisas ditas e das ações individuais sobre o contexto produtivo no qual estão envolvidos, na verdade, deve provocar no profissional uma revisão de sua importância e, usando uma expressão de um político brasileiro, da “liturgia” que essa nova realidade traz.

 

Este aspecto deve levar a uma mudança de ações e reações às propostas de trabalhos e análises para o “desenrolar” das diversas disciplinas.

 

É necessário entender que esta mudança implicará em uma forma diferenciada na abordagem das atividades, tarefas e resultados a serem obtidos no curso.

 

A superficialidade não cabe em um contexto de aperfeiçoamento e de especialização. A busca de novos dados, de identificação de variáveis não explícitas, de caminhos alternativos para consecução de resultados clama por consistência, coerência e qualidade nas colocações, atitudes e participações.

 

Aceitar a superficialidade das abordagens, não aprofundar as reflexões, não rever as próprias atitudes, em relação ao impacto das mesmas sobre os resultados, mostra uma incompatibilidade com a visão de um profissional especialista, ou seja, alguém que aprofundou seus conhecimentos e se propõe a consolidar seu perfil profissional.

 

A multiplicidade de dados que um profissional contemporâneo dispõe, exige que haja uma transformação desses dados em informação (por um processo seletivo e perceptivo, acurado e compatível com a realidade do contexto produtivo no qual está inserido). Complementarmente deve agregar conhecimento e, neste momento, há condições de utilizá-las (as informações), como recurso na busca de resultados.

 

O que se percebe, nas salas de trabalho nestes eventos (não é a totalidade, não se pretende generalizar, mas o volume é significativo), é um fenômeno marcante: a preocupação de levar a tarefa a cabo, no menor tempo possível, sem compromisso com a consistência e a fundamentação requerida.

 

Em alguns grupos, percebe-se um espírito voltado para a pesquisa, a seriedade da análise, a discussão negociada, com conceitos internalizados e conscientes. Em outros a insipiência nos leva, os facilitadores destes eventos, a uma preocupação como, por exemplo, o fato de que alguns desses profissionais atuarão sob a égide das instituições que os credenciaram, titulando-os de forma definitiva para um mercado competitivo.

 

Alguns fenômenos são percebidos, e, sem dúvida, poderão vir a comprometer os resultados, todas as vezes que os futuros especialistas forem acionados, em seus contextos produtivos:

 

·    Falta absoluta de questionamento ou de comentários sobre assuntos abordados;

·    Desconhecimento parcial ou completo em relação ao material de consulta para estes eventos;

·    Ausência de percepção de aplicabilidade do que lhes é transmitido;

·    Desinteresse na participação (qualidade e intensidade) nas atividades didáticas – vivências, jogos, exercícios, debates;

·    Qualidade dos textos produzidos durante os eventos;

·    Pouca ou nenhuma interação com os demais participantes, favorecendo a troca de informações, de idéias e interagindo de forma mais eficaz, para que o aprendizado ou aperfeiçoamento gere um novo tipo de crescimento profissional.

 

Em contrapartida há desempenhos memoráveis, onde é percebida a importância do aprendizado, a qualidade do aperfeiçoamento, a intensidade da contribuição efetivada.

 

A "proatividade" é quase uma exigência: é uma obrigação daqueles que estão envolvidos em processos produtivos. Ao se propor levar qualidade ao que faz, permite que um participante de processos de aprendizado, aperfeiçoamento ou de reeducação, contamine positivamente, o ambiente em que atua, influenciando de forma saudável seus companheiros de curso.

 

Os beneficiários desta postura?

 

O indivíduo, a instituição que o patrocina e a comunidade em que atua, pois, direta ou indiretamente, depende ou é influenciada por ele.

 

Deixar a marca em eventos onde se evidencia a qualidade da informação, a consistência da contribuição, a coerência do discurso deve ser entendida não como uma obrigação em relação à instituição que o patrocina. Deve ser entendida como uma experiência de crescimento.

 

Lawrence Appley afirmou que existem três tipos de indivíduos no mundo:

 

· Os que fazem as coisas acontecerem...

· Os que vêem as coisas acontecendo...

· Os que sequer sabem que acontecem coisas...

 

Sem dúvida, neste cenário competitivo, cremos que é clara qual deve ser a de nossa escolha...

 

Material retirado do Pocket MBA Melhoria de Performance Gerencial.

 

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MUDANÇA

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FABIO FREZATTI

Consultor Sênior Associado do Instituto MVC

 

 

 VOCÊ PROMETEU INICIAR HÁBITOS NOVOS NA VIRADA DO ANO E NÃO CONSEGUIU? NÃO SE SINTA SÓ!

 

 

Como resultado de uma pesquisa, recebi uma resposta, escrita, de alguém que o seu tempo dedicado ao processo de planejamento não agregava valor à sua empresa. Eu não entendo muito de grafologia, mas deu para perceber, pelos traços das letras, o desabafo e a raiva com que tal mensagem fora escrita. Guardei o questionário, não apenas por respeito, mas também como gratidão pela sinceridade apresentada. O respondente não se identificou, mas prestou um grande serviço a mim e à sua própria empresa. Afinal, a solução de um problema começa quando ele é tratado de frente, com coragem e franqueza. Vivemos num mundo em que muitas pessoas preferem não perder tempo, deixando de falar o que sentem e o cinismo adentra as organizações.

 

De qualquer forma, pensando nesse executivo, algumas questões vieram à minha mente. Porque ele pensa assim? Como ele se envolve na gestão a partir dessa percepção? O que ele passa para os seus subordinados? Dá para fazer alguma coisa nessa situação? Essas são algumas perguntas que percebo não esgotarem a curiosidade de um pesquisador, mas que permitem um razoável material para o começo de uma análise. Nem pensem que pretendo aqui responder todas as questões; tratando somente a primeira delas e, ainda assim, de maneira parcial, já teria uma razoável dose de diversão.

 

Tudo na vida decorre de como se entende um dado fenômeno. A realidade não existe no campo da área denominada ciências sociais aplicadas. Existe a realidade percebida. Dessa forma, afetar a percepção do executivo é algo básico na rotina das organizações. É isso que vale, e as crenças da massa crítica das organizações dão o tom do que pode ou não ter sucesso. Os gurus que estudam as organizações identificaram que muitas idéias nessas organizações não foram institucionalizadas. Significa dizer que não pegaram. Lembra daquele projeto muito bacana que não decolou? Lembra daquele procedimento que ninguém obedece? Lembra daquela rotina que não foi perpetuada? E aquele relatório gerencial genial que nunca foi usado? Pois é, são exemplos de idéias não institucionalizadas na organização. Por outro lado, lembra daquela empresa em que, sem que estivesse escrito, todo mundo usava o terno azul? Foi realmente institucionalizado.

 

Na década de 90, Cristine Olivier, pesquisadora da York University, desenvolveu um trabalho no qual analisava a institucionalização nas empresas. Significa dizer que seu trabalho verificava o poder das empresas em tornar rotina, um hábito, aquilo que fosse necessário para a gestão delas. Existem muitos motivos para que isso não ocorra. Contudo, a base de todo o trabalho consiste no fato de que as idéias que desejamos se tornem rotina nas organizações, devem passar pela avaliação da intensidade da sua legitimidade e do potencial de eficiência/estabilidade que a novidade possa proporcionar. Uma vez percebida a legitimidade e/ou potencial impacto na eficiência/estabilidade, a idéia tem todas as condições de se tornar algo institucionalizado na entidade. Quando, porém, essas condições não são preenchidas, as respostas dos agentes para a tentativa de institucionalização são variáveis em termos de agressividade, tentando se opor de diferentes maneiras: desvios, desafios e manipulação.

 

Voltando ao ponto inicial, o planejamento é algo que todas as organizações têm: o que as diferencia é o grau de sua formalização. A intensidade e extensão temporal também podem ser distintas. O processo encontrado deve, efetivamente, contribuir para o sucesso das organizações. E daí? Bom, causa e efeito dentro da gestão de negócios são fatores complexos, que podem ser demonstrados em alguns casos. Ter um processo de planejamento que assegure o retorno não é algo que possa ser provado pelos métodos científicos. O seu benefício é qualitativo e pronto!

 

Acima de tudo, é um processo que muda, se altera ao longo do tempo. Caso as pessoas não queiram, por exemplo, que o planejamento seja formalizado e gerenciado, trata-se de uma opção a ser entendida e respeitada, desde que seja uma decisão consciente dos gestores. De qualquer forma, tempos atrás, num ambiente centralizador, as organizações não se preocupavam muito com a disseminação do conhecimento e com as dificuldades de entender a base conceitual do assunto. O “chefe” tomava conta de tudo e quando não dava certo era possível reclamar pela falta de participação. A vida era um pouco mais simples para alguns, mas... O mundo mudou e a dinâmica do processo de gestão tem de mudar também, pois a base da pirâmide tende a participar cada vez mais e os ingredientes que permitem a adequada utilização das ferramentas têm menos de técnica e mais dos ingredientes relacionados ao gerenciamento das pessoas. Atualmente, uma vez superada a questão da legitimidade e do impacto sobre a eficiência e capacidade de estabilizar, são fundamentais ações concretas para que o artefato entre no DNA das organizações. O interessante é que essas ações, normalmente, não requerem muito dinheiro, mas sim tempo e dedicação dos gestores.

 

É frustrante o esforço de algumas organizações prontas para investirem escassos recursos em novos sistemas, tecnologia, equipamentos, quando o que é necessário custa muito menos e pode ser disponibilizado com relativa facilidade. Vale a pena uma reflexão de sua parte, pois a introdução ou a definição de uma idéia não se torna rotina em uma entidade sem esforço dos gestores. Atividades de treinamento, orientação, mudança de postura perante os colegas são algumas das alternativas mais freqüentes. Afinal, tudo na vida tem seu preço...

 

 

Material retirado do programa Finanças para não-Financeiros.

 

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QUESTIONAMENTO

 

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CARLOS LEGAL

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

INTELIGÊNCIA INTEGRAL

Uma reflexão utópica

 

 

Individualmente, somos seres extremamente inteligentes, podemos realizar coisas incríveis utilizando a maior dádiva confiada exclusivamente aos seres humanos e que nos diferencia dos nossos conterrâneos terráqueos: somos os únicos seres capazes de pensar, discernir, refletir, decidir, fazer contas, controlar emoções, criar coisas, etc. Inteligência cognitiva, inteligência emocional, inteligências múltiplas, inteligência espiritual e até inteligência sexual são apenas algumas das teorias cientificas ou empíricas que visam ajudar as pessoas a entender e desenvolverem as suas ilimitadas capacidades.

 

Mas o fato é que, com toda essa capacidade, ainda continuamos a ter problemas, sejam eles pessoais, íntimos, familiares e, principalmente, sociais. Globalmente, somos “burros”, pois como grupo ainda somos incapazes de resolver problemas que afetam a todos nós. Todos os dias, quando leio ou assisto um jornal, faço uma inconformada reflexão: “como ainda o ser humano sofre ou gera sofrimento, com tanta inteligência?”. O caos e o vazio da sociedade moderna é apenas o reflexo do vazio individual. Intimamente estamos perdidos. Mas só vivemos isso porque estamos ainda desintegrados de nós e da natureza, vivemos ainda uma vida egoísta, com pouca consciência dos efeitos das nossas ações cotidianas, uma vida fragmentada, onde o corpo está dissociado da mente, a mente das emoções, as emoções do sexo e o sexo da alma.

 

Até aqui já deu para você perceber que não tenho a pretensão de lançar mais uma teoria sobre inteligência, mas apenas provocar a sua reflexão, sobre a(s) sua(s) própria(s) inteligência(s) e, talvez o mais importante, a aplicação consciente das suas capacidades no cotidiano, no trabalho, nos relacionamentos (profissionais, pessoais, íntimos).

 

O termo integral significa inteiro, completo. E, aplicado ao comportamento humano, nos faz lembrar de uma das mais importantes e necessárias virtudes humanas: a integridade. As tradições orientais, em sua grande maioria, fundamentam-se na busca do ser integral, perfeito e inteiro nas suas ações, consciente de seu próprio Ser e de suas capacidades, conectado com o ambiente, a natureza e o Cosmo. A yoga, por exemplo, fundamenta-se na orientação de valores morais, sociais, íntimos, físicos, intelectuais e espirituais, preparando o Ser para alcançar tal integridade. Os valores morais e espirituais, naturalmente de ordem superior, orientam os outros valores. Há uma interdependência entre todos eles, pois fazem parte de um sistema único. O que as tradições dizem é que a moral e o espírito devem pautar e coordenar o uso adequado da inteligência, pois, do contrário, viveríamos o caos (e o que vivemos hoje, hein?). Segundo essas mesmas tradições a fonte para todo sofrimento é o desejo desenfreado e o apego, por tudo aquilo que o mundo moderno pode oferecer. Nossa mente busca o prazer e evita a dor, e a não realização do prazer gera frustração e desconforto. Tudo aquilo que a mente não quer. No entanto, a busca por isso gera o impulso para agir de forma muitas vezes pouco inteligente, o que faz gerar mais frustração, ansiedade, depressão, discórdia, etc.

 

A integridade torna a pessoa apta a se relacionar bem consigo mesmo, com o outro e com a natureza, descobrindo e utilizando seu potencial de forma gradativa, e conduzir sua vida com qualidade, responsabilidade, harmonia, transformando-se na peça fundamental de uma sociedade harmonizada e sadia.

 

Para ilustrar isso, vou citar uma interessante metáfora: se compararmos um organismo vivo – por exemplo, nosso corpo – com uma organização – empresa, família, sociedade, planeta – perceberemos que, as semelhanças transcendem o prefixo da palavra. Vejamos o organismo: somos formados por células – o indivíduo do corpo – que, reunidas, formam os tecidos e órgãos especializados. Quando uma célula deixa de interagir com o todo e faz seu trabalho isoladamente, a ordem é perdida e existe uma “contaminação”, iniciando assim a doença (câncer, por exemplo). E o objetivo “instintivo” de cada célula no organismo é manter o corpo sadio, para garantir a sua própria sobrevivência. Agora transfira esse raciocínio para a organização, seja ela qual for, e tire suas conclusões. É fato que, individualmente, consciente ou não, ajudamos a construir a empresa, a sociedade e o mundo em que vivemos e ainda compartilhamos isso com outros trilhões de indivíduos.

 

O Ser integralmente inteligente possui essa visão ampla de sua condição e de seu papel como integrante do mundo. Possui uma capacidade elevada de realização, com menor esforço e desgaste físico e emocional. Sabe que pertence a algo maior que ele próprio. Vive com integridade, cada instante de sua vida e tem consciência de que é falível. Quando se tem esse sentimento (que é uma certeza na vida), somos mais cuidadosos, em todos os sentidos.

 

Inteligência Integral é característica das pessoas altamente espiritualizadas. Não uma espiritualidade vinculada aos dogmas ou religiões, mas uma espiritualidade pautada em valores éticos e morais norteadores da conduta individual como ensinou Mahatma Gandhi. O Ser integralmente inteligente possui uma consciência não-dual, consciente de sua capacidade de realização (com humildade) e um comportamento participativo, solidário e equilibrado.

Inteligência Integral é certamente uma utopia. E, como dizem os filósofos, utopia não é o irrealizável, mas o ainda não realizado – aquilo que não tem espaço no momento. Mas é a busca individual e coletiva de cada um de nós. Para fazer frente às crescentes exigências e crises da vida moderna, necessitamos cada vez mais de uma resposta integral da inteligência humana. Plenitude, integridade, verdade, saúde e consciência fazem parte da Inteligência Integral que é uma das maiores utopias atuais.

E como precisamos dela.

 

Material retirado do Pocket MBA Gestão de Pessoas e Negócios.

 

 

 

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RECONHECIMENTO E REFLEXÃO

 

 

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

 

 

A LENDA DE RH

 

Obrigado, meu Deus!

Eu não tenho

Uma profissão.

Eu tenho

Uma Missão.

Mesmo Assim

Eu me pergunto:

Gente

Cuidando

De Pessoas?

Que papel?

Que causa?

Que valores?

Que princípios?

Como farei

O bem?

Que é meu

Dever!

Sim, porque

Meu caminho

Foi longo.

Evoluímos muito.

Mas é bom lembrar,

Já fui chefe,

Chefe de Pessoal.

Contratava,

Mandava,

Viraram

Talentos,

Seres Humanos,

Punia,

Proibia,

Dominava,

Quase batia.

E pessoas,

Pessoas

Como Eu,

Boicotavam,

Enganavam,

Encenavam.

Mas agora não,

Obrigado meu Deus!

Eu não tenho

Uma profissão.

Eu tenho

Uma missão.

E aí

Evoluímos mais,

Organizamos,

Sistematizamos,

Controlamos,

Mas também

Burocratizamos,

"Matematizamos",

Quase

Atrapalhamos.

Era o Mundo

Ao Humano,

Do Burocrático

Ao Resultado.

Das caixinhas,

Das funções,

Dos fragmentos,

Dos feudos.

E eu tinha

O meu feudo,

Forte,

Poderoso,

Um RH.

Pra valer.

Mas as pessoas,

Pessoas como eu,

Separavam,

Desuniam,

Feudalizavam,

Diminuíram,

Até

Brigavam.

Mas agora não!

Obrigado meu Deus!

Eu não tenho

Uma profissão,

Eu tenho

Uma Missão.

Eu era contra,

E como trabalhei contra,

Mas a relação.

Éticos,

Agregadores,

Comprometidos,

Era Jurídica.

Entendeu?

Barganhar,

Perde/Perde,

"Te dou minhas

Horas,

Você me dá

Um salário."

Aí, ocorria

Um perigoso

"Eu finjo

Que sou feliz."

"Você finge

Que paga bem."

"Eu finjo que