Edição Nº 88 - Fevereiro de 2006

       
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 Editorial  Planejamento
Ao grande "Guru dos Gurus" com carinho    Você sabe o que é o foco bode cego?

Quando historiadores avaliarem a mudança do século XX para o século XXI, vão constatar que o movimento mais importante não foi a economia, a globalização, a tecnologia, a informática, nem mesmo a Internet. O fenômeno mais importante foi a Revolução Social, na qual cada um passou a ser responsável pela própria vida.  

Marco Aurélio Ferreira Vianna

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Foco é uma questão essencial   para pessoas e empresas. Para pessoas, vale a Lei da Atenção Concentrada (foco) de Charles Baudouin: "Quando uma pessoa foca a sua atenção numa idéia, esta se concretiza por si mesma". Para empresas vale Al Ries: "Foco, questão de vida e morte para sua empresa".

José Augusto Wanderley

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 Performance  Vendas
Menos tempo, mais intuição!   Endovendas

No passado tínhamos excesso de tempo, mas faltava informação. Hoje a situação se inverteu. Se por um lado temos excesso de informação, por outro lado, experimentamos a escassez de tempo. 

Alexandre Freire

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Colocando os tecnicismos de lado, o objetivo do Endomarketing é garantir que as pessoas da organização se mobilizarão em torno das promessas que são feitas ao mercado. A questão talvez seja como fazer com que isso aconteça.

J. B. Vilhena

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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira  Jornalista Responsável: Cristina Spera
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EDITORIAL  

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

 

 

Ao grande “Guru dos Gurus” com carinho

 

 

O texto deste Editorial já estava pronto, quando tive a notícia do falecimento de Peter Drucker. Não tive dúvida; imediatamente resolvi substituir minha reflexão estratégica por uma sincera homenagem ao grande mestre. Não poderia ser diferente. Em maio de 1965, no terceiro mês da Faculdade de Ciências Econômicas, com dezoito anos, e no primeiro ano do Curso Universitário, comecei minha carreira ininterrupta de Consultoria, que fez, portanto quarenta anos, ano passado. Durante todo este período resistindo a dezenas de convites para a vida executiva, sempre, mas sempre mesmo. Drucker foi meu norte, meu motivador, e mais do que tudo a prova viva bem sucedida desta tão incompreendida e tão criticada atividade. Li todos os seus livros; tive o presente de Deus de conviver com sua fase mais fértil (dos seus 55 aos seus 95 anos). Cada livro novo, lá estava eu devorando cada palavra, cada conceito. Quando em 1988, na Hebraica em São Paulo, ele autografava meu velho exemplar do “A prática da Administração de Empresas”, muito emocionado lhe disse: “Eu sou consultor há 22 anos por sua causa; você é o responsável por esta escolha.” Ele me interrompeu e olhos nos olhos me disse: “Don’t complain me about that”. Um insight historiadores avaliarem a mudança do século XX para o século XXI, vão constatar que o movimento mais importante não foi a economia, a globalização, a tecnologia, a informática, nem mesmo a Internet. O fenômeno mais importante foi a Revolução Social, na qual cada um passou a ser responsável pela própria vida que décadas depois ele colocou como prioridade em uma de suas últimas entrevistas: “quando os”. Por isto ele me disse: “Eu não, você é quem decidiu”.

 

Com ele aprendemos muita coisa: simplesmente um conteúdo “IRRESUMIVEL”. Mas como homenagem vale lembrar que todos os conceitos do Modelo da Competitividade da década de 90 já estavam apontados e caracterizados em importância, na década de 50. O que é o Encantamento do Cliente senão a sua idéia de que o cliente é a primeira linha do orçamento e, portanto o stakeholder mais importante; fortalecendo o conceito ele ainda ensinava que “resultados estão fora da empresa”. O que é a Reengenharia senão um método da evolução da eficiência para a eficácia, definições que ele criou há tanto tempo. O que é o Planejamento Estratégico senão sua obsessão pelo aproveitamento das oportunidades externas. O que é a Administração Participativa senão o empowerment dos colaboradores, por ele proposto há tanto tempo. É por ai vamos, em profundos conceitos antecipados de forma tão inteligente. Jose Salibi Neto, seu grande amigo o define em patamar muito acima do sóbrio: “ele era um iluminado”. Eu acredito que Deus escolhe Seres Humanos fora de serie e os manda a este planeta, para melhorar, para instigar, para desenvolver. Sem dúvida Peter Drucker era um destes. Apenas um consolo. Como iluminado, sua luz não se apagará. Obrigado velho mestre. Seus livros estão na minha estante, suas idéias (o que eu consegui aprender) estão na minha cabeça. Dentro dos meus limites vou tentar repassá-las para os mais jovens.

 

Te vejo, daqui a algumas décadas. Obrigado por tudo.

 

CONSULTE O SITE WWW.MARCOAURELIOFERREIRAVIANNA.COM.BR

 

Boa leitura

 


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PLANEJAMENTO

 

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JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY

Autor do Livro Negociação Total: Encontrando

Soluções, Vencendo Resistências, Obtendo Resultados

Ed. Gente - 10ª Edição

 

 

VOCÊ SABE O QUE É O FOCO BODE CEGO?

 

 

Foco é uma questão essencial para pessoas e empresas. Para pessoas, vale a Lei da Atenção Concentrada (Foco) de Charles Baudouin: “Quando uma pessoa foca a sua atenção numa idéia, esta  se concretiza por si mesma”. Para empresas  vale Al Ries: “Foco, questão de vida e morte para sua empresa”.

 

 Entretanto, esta questão não é tão simples e existem três grandes erros que são o foco caótico, o foco limitado/equivocado e o foco bode cego.

 

O foco caótico é, em si mesmo, o antifoco. É ficar pulando de galho em galho sem nenhuma consistência e direção e é uma das principais razões de fracassos.

 

O foco limitado/equivocado é aquele que contraria um velho ditado: ”não coloque todos os ovos numa cesta só” ou aponta para uma direção errada. O Magazine Luiza, em nome do foco, foi orientado a abrir mão de uma de suas linhas de produtos. Felizmente não seguiu a orientação, que como os fatos vieram a mostrar posteriormente, se constituía em grave equívoco. E, finalmente, um tipo muito comum de equívoco é o do foco bode cego.

 

FOCO E OS GRUAGRUA

 

Certa vez, um estudante chinês de antropologia , foi fazer seu trabalho de graduação, com os Gruagrua, uma tribo de aborígines das Ilhas Galopalo. Os Gruagrua, eram conhecidos como excelentes caçadores. Nosso estudante chinês, ia participar de uma caçada ao bigú. Na véspera da caçada os Gruagrua realizaram vários rituais, invocando as divindades para que tivessem boas caças. Quando começa a caça, nosso estudante percebeu uma pegada diferente da do bigú. Chamou o líder aborígine e perguntou que tipo de pegada era aquela. O cacique identificou a pegada como sendo do ximú. O ximú, segundo o cacique, era um bicho muito mais raro e valioso do que o bigú. Então vamos caçar o ximú, sugeriu o estudante. Não, respondeu o cacique. Fizemos o ritual do bigú e é isto que vamos caçar. Ou seja, as divindades não só atenderam às orações, mas enviaram um bicho muito mais raro e valioso, mas como os Gruagrua haviam feito o ritual do bigú, não poderiam caçar ximú. Ou seja, os Gruagrua tinham o foco bode cego. Mais tarde, o estudante chinês formou-se e se transformou num ferrenho propagador do foco bode cego. E o que é mais interessante, teve muitos adeptos.

 

Em 1905, um químico alemão desenvolveu a Novocaína como o primeiro anestésico local e, embora tentasse, não conseguiu que os médicos a usassem. Eles preferiram a anestesia geral. Mas sem mais nem menos, os dentistas começaram a usar o medicamento. E o inventor ficou muito irritado com isto, afinal, o seu invento havia sido feito para médicos. Dizem que passou o resto da sua vida, fazendo preleções para dentistas contra o uso da Novocaína para fins odontológicos. Portanto, se a sorte bater na sua porta, não a despreze  e cuidado com o VOA – vaidade, orgulho e arrogância.

 

A Enciclopédia Britânica era líder absoluta no seu setor. Entretanto, não se deu conta de que estavam acontecendo drásticas mudanças no mercado com o advento dos microcomputadores. Outras possibilidades começaram a surgir com a utilização de CDs. Por que comprar uma Brittanica pelo preço de um microcomputador? Quando a Brittanica percebeu isto, uma boa parte do seu mercado já tinha ido. Não fique focado só no seu sucesso. O sucesso de ontem não é garantia do sucesso amanhã. Esteja atento às ameaças.

 

Um dos primeiros computadores desenvolvidos para fins científicos foi o Eniac da Universidade da Pensilvânia. Entretanto, o Eniac era muito mais adequado para aplicações empresariais como o processamento de folhas de pagamento, só que seus projetistas não perceberam isto. A IBM criou a sua própria versão do Eniac, que foi lançada em 1953 e se constituiu no padrão para computadores comerciais, multifuncionais e centrais. A Universidade da Pensilvânia teve o foco bode cego. A IBM o foco voltado para oportunidade. Busque proativamente por oportunidades. Não espere apenas que elas venham até você.

 

FOCO E A ÍNDIA

 

Logo após a Segunda Guerra Mundial, uma pequena empresa indiana de engenharia comprou uma licença para produzir uma bicicleta de projeto europeu, que possuía um fraco motor auxiliar. Embora o produto parecesse ideal para a Índia, nunca se saiu muito bem. O fabricante notou, entretanto, que havia um grande número de pedidos apenas para o motor. Foi verificar a razão e descobriu que os fazendeiros estavam tirando os motores das bicicletas e usando-os para acionar bombas de irrigação que até então eram operadas manualmente. Esse fabricante se tornou o maior produtor mundial de bombas de irrigação de pequeno porte. Suas bombas revolucionaram toda a agricultura do sudoeste da Ásia.

 

Esteja atento aos sinais do mercado. Descubra sinais que identificam as necessidades dos consumidores. Pequenos sinais podem levar a grandes sucessos.

 

Esteja atento tambem ao fato de que, queiramos ou não, estamos sempre decidindo. E uma das decisões mais importantes que podemos tomar está a relativa ao foco.

 

Mas é preciso ter cuidado com conceitos simplórios e equivocados que podem redundar em graves prejuízos. Saber o que focar demanda aprendizado e muita competência. Importa em avaliação precisa de cada situação, identificação de oportunidades e flexibilidade. E conhecimento dos muitos erros que são cometidos, para não se deixar envolver por nenhum deles.

 

Portanto, em matéria de foco, sempre tenha presente uma música cantada pelo Paulinho da Viola: “o que dá para rir também dá para chorar”.

 

TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA PROFISSIONAL & NEGÓCIOS E RETIRADO DO POCKET MBA COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL EM NEGOCIAÇÃO

 

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PERFORMANCE

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ALEXANDRE FREIRE

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

Menos tempo, mais intuição!

 

No século XVI, a quantidade gerada de informação no mundo caberia em 200 livros.  Hoje, a quantidade total cabe em 16 bilhões de livros.  Em 1985, 12 dias era o tempo que levava uma carta para sair do Brasil e chegar nos Estados Unidos.  Hoje, esta carta virou e-mail, e chega em até 12 segundos!

 

Resumindo.  No passado, tínhamos excesso de tempo, mas faltava informação.  Hoje a situação se inverteu.  Se por um lado temos excesso de informação, por outro lado, experimentamos a escassez de tempo. 

 

Os executivos estão diante de um dilema.  Ou tomam decisões rápidas, ou tomam decisões apressadas.  Qual a diferença entre as duas?  Decisões rápidas são aquelas decisões que tomamos baseadas em informações consistentes, pertinentes e atualizadas.  Considero as decisões apressadas aquelas que tomamos com base no achismo, ou seja, sem base dos fatos e dados.

 

A saída então seria coletar dados, processar e analisar estes dados, gerando informação e aí sim, tomar as decisões.  Quando tiver todas as informações, então poderei tomar uma decisão rápida.  Que mundo perfeito!

 

Não se esqueçam que temos 16 bilhões de livros em informação disponível.  O processo então, levará muito tempo, e como sabemos, falta tempo disponível para faze-lo 100% na íntegra.

 

Eis aí o dilema real dos executivos!  Como ter as informações pertinentes, no mais curto espaço de tempo?  Você pode optar por um software de CRM, você pode optar por um ERP, você pode buscar estas informações com um software de Data Mining, enfim, existem alternativas que podem ajuda-lo. 

 

ACHISMO VS. INTUIÇÃO

 

Porem, existe uma ferramenta,  dentro de você, que pode estar sendo pouco utilizada, ou mesmo ignorada.  A INTUIÇÃO!  Se existisse uma frase que define melhor a intuição, esta seria: ''Sei o que fazer, mas não sei o por quê''.

 

A intuição simplesmente sabe, instantaneamente o que fazer. Enquanto a razão trabalha, a intuição procede em raios.  O megainvestidor americano George Soros sempre sabe o que fazer para se dar bem no mercado financeiro. Quando sente dor nas costas, tem o pressentimento de que sua decisão não é a mais acertada.

 

Os instintos são baseados na experiência.  Um executivo que se baseia em preconceitos e aparências pode intuir mal.  Se ele sabe ouvir a voz interior, aquela construída em cima da experiência, reconhece instantaneamente os bons pressentimentos. Estar atento aos pequenos detalhes faz toda a diferença.

 

Precisamos separar o que é achismo de intuição.  As pesquisas podem dizer muita coisa, mas não comunicam tudo.  As mulheres nunca disseram que gostam de carros altos porque lhes dão uma sensação de poder. 

 

Na encruzilhada de uma decisão, 99% é informação, 1% é intuição.  Mas veja bem, você até pode errar dentro dos 99% da informação e seguir em frente.  Mas errando na intuição, não há segunda chance.

 

MATERIAL RETIRADO DO POCKET MBA MELHORIA DA PERFORMANCE ORGANIZACIONAL

 

 

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VENDAS

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J. B. Vilhena

Vice Presidente do Instituto MVC

 

 

Endovendas

 

 

Na literatura técnica o termo endomarketing – ou marketing interno – já se institucionalizou.

 

Entende-se por endomarketing toda a ação de marketing voltada para o público interno, cujo  objetivo é sintonizar e sincronizar - para implementar ou operacionalizar - a estrutura de funcionamento da organização que visa intervir sobre o mercado.

 

Colocando os tecnicismos de lado, o objetivo do endomarketing é garantir que as pessoas da organização se mobilizarão em torno das promessas que são feitas ao mercado. É um complemento fundamental ao esforço de marketing externo, uma vez que tenta garantir que, se o cliente se deixar convencer pelas promessas que estão sendo feitas, não vai se decepcionar na hora que comprar o produto ou serviço.

 

Até aí nenhuma novidade.

 

Recentemente participei de uma concorrência na qual um grande conglomerado escolheria instituições que pudessem colaborar na implementação de um ousado projeto de criação de uma escola de vendas. Em uma das etapas do processo me foi perguntado que ações sugeriria para garantir o sucesso do projeto.

 

Fui categórico ao responder que achava que, primeiro, o grupo deveria vender a idéia para seus gerentes de venda. Posteriormente os vendedores seriam convidados a participar – por adesão espontânea ou indicação de seus superiores – dos cursos oferecidos.

 

Minha sugestão causou alguma estranheza. Afinal, argumentou o cliente, será que cada gerente não estaria interessado em contar com membros de sua equipe devidamente treinados e preparados para enfrentar o competitivo mercado que vivemos hoje?

 

Respondi-lhes que, infelizmente, não. Na verdade a maioria dos gerentes de área comercial ainda teme a competição de sua própria equipe. Tentei dar forma à minha afirmativa explicando que ainda faz parte da cultura das empresas promover a gerente de vendas os melhores vendedores. Dessa forma é compreensível que passe pela cabeça desses profissionais o seguinte pensamento: Se para chegar aqui tive que ser o melhor vendedor da companhia, qualquer pessoa que no futuro venda mais do que eu é meu potencial concorrente. Isso faz do gerente um verdadeiro serial killer – assassino em série – que busca eliminar todo aquele que, na sua opinião, pode ameaçar sua posição.

 

Complementei minha explicação dizendo que o maior inimigo de qualquer treinamento é o “dia seguinte”. Durante o treinamento todos os participantes são convencidos da importância de utilizar técnicas mais atualizadas para vender os produtos e serviços da empresa. No “dia seguinte” seu gerente lhes diz que tudo aquilo que ouviram é muito bonito, mas não passa de história da carochinha. E completa, em tom ameaçador, dizendo que quem quiser arriscar a fazer o que o instrutor sugeriu, pode ficar à vontade. Mas ele não pode garantir o emprego de ninguém ....

 

 

MATERIAL DO POCKET MBA DESENVOLVIMENTO DE GESTORES E PROFISSIONAIS DE VENDAS

 

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