1. Relação
e influência da liderança no empreendedorismo.
Ao buscar não uma definição para
o empreendedorismo, mas para entendê-lo, encontrei uma
afirmativa que me pareceu justa; o empreendedor deve ter como
características (Neff & Citrin, Lições de Sucesso. SP:
Negócio, 2000):
a) Alcance
de sólidos resultados financeiros;
b) Habilidades
relativas à visão e à estratégia;
c) Capacidade
para vencer desafios;
d) Desenvolver
excelentes habilidades organizacionais no trato com pessoas;
e)
Demonstração de constante força de caráter;
f)
Evidências de espírito pioneiro;
g)
Produzir impacto visível sobre negócios, segmentos e a própria
sociedade;
h)
Acumular acervo de inovações;
i)
Atenção exemplar a seus clientes;
j)
Compromisso genuíno com a diversidade e responsabilidade social.
O líder por sua vez, segundo
mestre Drucker, é o indivíduo que influencia as pessoas, de
maneira a que elas queiram atingir os resultados, com
eficiência. O líder, na visão de outro mestre, Bennis (Harvard),
afirma que ele puxa as pessoas para si, trabalha seus talentos
(como um maestro), comunica-se com eficácia (mão dupla na
informação), ouve mais do que fala.
Um líder usa a sinergia de sua
equipe para gerar resultados e criar novas situações para o
aprendizado pessoal (dele) e de sua equipe.
Não há, portanto, como separar o
empreendedorismo da liderança. Você pode imaginar um líder não
empreendedor (conservador, mantenedor de sistemas), mas não há
como se vislumbrar um empreendedor que tenha características
objetivas de liderança.
2.
Existe mais de
um perfil de líder?
Tradicionalmente trabalhamos com
quatro perfis de liderança, segundo Rensis Likert:
a)
O
líder autocrata coercitivo, inflexível, durão, insensível,
voltado para números e pouco preocupado com pessoas;
b)
O
líder autocrata benevolente, paternalista, protetor, mas pouco
flexível, com o foco nas pessoas, mas sem lhes oferecer
autonomia;
c)
O
líder consultivo, capaz de ouvir suas equipes, permitir que elas
se manifestem e tomando decisões de forma compartilhada;
d)
O
líder liberal, que permite às suas equipes agir de forma livre,
de acordo com suas consciências, nem sempre preocupados com
resultados.
Eu diria que hoje, a forma mais
adequada de liderança é aquela que se baseia não no estilo,
conforme mencionado no modelo acima, mas a liderança baseada no
conceito da arquitetura social (Mary Parker Follet), ou seja, o
líder usa uma abordagem adequada ao nível dos resultados que
quer alcançar, e levando em consideração o perfil de sua equipe:
a)
A
abordagem formal, onde o líder procura os resultados
fundamentado na disciplina da equipe, na estrutura
organizacional e com respeito à hierarquia; situações onde os
resultados exigem ação rápida, as equipes são imaturas, o clima
é desfavorável à consulta e a decisão deve ser urgente podem
requer esta abordagem;
b)
A
abordagem colegiada, onde o líder trabalha com a equipe, com o
senso coletivo, com o trabalho compartilhado. Esta abordagem se
faz presente se a equipe é madura, seu pensamento é consistente,
e há espaço para discussões entre os membros da equipe possam
trocar informações sobre o que deve ser feito.
c)
A
abordagem personalística, onde o líder explora os talentos
individuais da equipe, transmitindo autonomia e permitindo
àqueles que mostrem um perfil maduro e consistente, atuarem de
forma mais livre, cobrando deles o resultado.
Este modelo de liderança foi
desenvolvido por dois professores, Warren Bennis e Burt Nanus, e
creio que mostram, para um cenário de competitividade como o
atual, a forma mais sensata de ação pelo líder. Ele escolhe a
abordagem a tomar com a equipe, dependendo o nível de resultados
a alcançar e do perfil de maturidade da própria equipe.
3.
Quais os prós e
os contras de cada um?
Não existe um melhor estilo, ou
uma melhor abordagem. A liderança para ser efetiva (eficiente e
eficaz) deve se equilibrar em três pontos:
a)
O
exercício do poder;
b)
O uso
da autoridade;
c)
A
prática da influência.
Se o líder consegue mostrar
competência (conhecimento + habilidade + atitudes) no desempenho
de suas funções, a sua ação pode ser considerada adequada.
Os prós, portanto referem-se a
capacidade do líder de demonstrar:
a)
Competitividade, sabendo usar adequadamente as fontes de
informação e transformando-as em resultados, para si e para a
equipe;
b)
Complexidade, sabendo trabalhar com a diversidade, com as
dificuldades do mundo contemporâneo, com os conflitos e deles
extrair conhecimento;
c)
Adaptabilidade, identificando as mudanças com antecedência,
flexibilizando a si e a equipe para controlar estas mudanças, e
não reagir a elas;
d)
Incerteza, sendo capaz de trabalhar obstáculos que, a cada
instante trazem diferentes configurações – o problema de ontem é
diferente do problema de hoje, e o problema de amanhã será
diferente de hoje.
e)
Trabalhar em equipe, sendo capaz de administrar as diversas
subculturas individuais em um grupo de trabalho, gerenciando os
conflitos e gerando energia positiva;
f)
Aprendizado permanente, ou seja, ser capaz de aprender sempre, e
facilitar o aprendizado dos outros.
Se ele consegue atender a estas
condições, terá um desempenho pró, se falhar ou se mostrar
inadequado, terá um desempenho contra. Não há bons ou maus
líderes. Há líderes competentes e eficazes e líderes
incompetentes e ineficazes (depende da capacidade deles de agir
conforme estes fatores).
4. Opinião sobre a liderança
mostrada no livro O Executivo e o Monge
O modelo proposto pelo autor sem
dúvida prega a busca da excelência pelo líder. Toda e qualquer
proposta que pregue a ética nas ações, a coerência de
princípios, a visão do negócio associada ao crescimento do homem
deve ser observada com cuidado. Nestes casos tudo o que puder
ser repassado para as pessoas e trazer em seu bojo alguma forma
de crescimento é positivo. E o livro, sem dúvida, embora eu
tenha alguma resistência a textos com esta forma de abordagem,
penso que se ao ser lido, traz uma mensagem positiva, então o
seu conteúdo é importante.
5. Lideranças mais comuns no
Brasil
Nossas lideranças têm cada vez
mais um perfil empreendedor. A competitividade e a inserção do
país nos mercados competitivos fazem de nossos líderes
verdadeiros “tiradores de água de pedra”.
Poderíamos afirmar que, em
determinado momento, os líderes protetores, paternalistas
(autocratas benevolentes) prevaleceram, e ainda existem em
grande escala.
Mas eu afirmaria, sem medo de
errar que o perfil das lideranças brasileiras hoje vem se
tornando cada vez mais pragmáticas, entendendo que o resultado
será alcançado se as pessoas estiverem, por sua vez cada vez
mais comprometidas.
O comprometimento – compromisso
com obrigação só existe se houver conscientização. Não há
comprometimento imposto; o comprometimento imposto é falso, na
verdade é uma obediência.
Os líderes brasileiros
contemporâneos entendem que as pessoas precisam sentir-se
satisfeitas, para que haja motivação. Pessoas satisfeitas não
estão necessariamente motivadas, mas pessoas insatisfeitas
estarão seguramente desmotivadas.
Por isto é importante que as
lideranças entendam que manter metas desafiadoras e alcançáveis,
reconhecimento pelos bons desempenhos e demonstração de que as
pessoas fazem parte de um contexto produtivo (inseri-las nas
equipes, ouvindo-as, compartilhando informações e resultados)
geram produtividade e qualidade.
Eu afirmaria, portanto que as
lideranças mais comuns e que geram sucesso no Brasil hoje são
pragmáticas, voltadas para resultados, são visíveis para seus
liderados (são seus modelos) e sabem que, sem resultados não há
negócio, não há liderança, não há empregabilidade...
6 Líderes Brasileiros –
principais
Para não transformar esta
entrevista em lição de história fiquemos com as lideranças
contemporâneas:
a)
Na
política: Lula, pelo carisma, embora possa se contestar a
abordagem que vem usando para os resultados (o item dois de
nossa resposta);
b)
No
futebol: Parreira, pelo pragmatismo, pelo uso da autoridade,
pela forma objetiva – resultado x desempenho, sem se mostrar
inflexível, mas sem um perfil paternalista;
c)
No
futebol: Felipão, pelo modelo paternalista-pragmático, adotando
tanto a autoridade como a relação de afeto com as equipes;
d)
Nos
negócios: Antonio Ermírio, um líder autocrata que entendeu que
para ter continuidade no negócio, era importante
profissionalizar os herdeiros, e, com isso garantiu a
sobrevivência do negócio;
No âmbito dos negócios há
empresas cujos líderes, embora não conhecidos do grande público
que têm conseguido formar bons e significativos resultados:
Boticário, Natura, Perdigão, Itaú, Bradesco, Pão de Açúcar.
O que se percebe é que estes
líderes têm uma coisa em comum:
a)
Definiram claramente os resultados que pretendem alcançar;
b)
Consideram importante o perfil de suas equipes produtivas;
c)
Não
abrem mão de seus princípios – aquilo em que acreditam;
d)
Deixam clara sua visão do negócio – aonde pretendem chegar;
e)
Conhecem sua missão – qual o papel que pretendem desempenhar.
Dentro desta situação, esta lista
pode aumentar e muito...
MATERIAL RETIRADO DO POCKET MBA
GESTÃO DE PESSOAS E DE NEGÓCIO
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