Edição Nº 90 - Abril de 2006

       

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 Melhoria de Performance - 20 Prog

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 Negociação - 13 Programas

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 Comunicação Escrita - 5 Programas

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 Gestão de Pessoas - 16 Programas

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 Gestão de Projetos - 20 Programas

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 Novidades do MVC

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 Marco Aurélio F. Vianna - Novo site

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 MVC na ASTD

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 Equipe MVC

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 Portfolio MVC

 
}} Editorial  }} Trade Marketing
  Livros para o novo Presidente     Trade Marketing: O que é isso?

Em interessante e criativa reportagem o Caderno EU& do Jornal Valor perguntou a dezesseis renomados economistas (Gustavo Loyola, Walter Barelli, Plínio de Arruda Sampaio Jr., Gustavo Franco, entre outros) que livros o novo Presidente da República deveria ler. Leia nossos comentários e sugestões.
Marco Aurélio Ferreira Vianna

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Em sua tradução literal, a expressão que dá título a esse artigo significa os esforços de marketing feitos pelos fabricantes para auxiliar seus canais de distribuição a vender produtos. Mais genericamente, significa a otimização da relação entre o produto e o distribuidor.
JB Vilhena e José Luiz Meinberg
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}} Comunicação

}} Decisão
  Decifrando a comunicação não-verbal      Processo decisório em equipe

A comunicação não-verbal é uma parte importante do processo de negociação, uma vez que nos comunicamos não apenas com as palavras, mas com todo o nosso corpo (paralinguagem, gestos, postura, expressão facial, movimento dos olhos, etc). A porcentagem de comunicação não-verbal na transmissão de qualquer mensagem é muito elevada.
Mônica Portella

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A palavra "DECIDIR", em sua origem etimológica, significa "MATAR ALTERNATIVAS". Portanto, se quisermos tomar uma decisão só precisamos escolher uma das opções, abrindo mão de todas as outras disponíveis. Simples não? Nem sempre.
 

Américo Marques Ferreira

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  Publisher: Costacurta Junqueira; JB Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Maria Teresa; Leandro Santana; Luciana Vieira
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EDITORIAL

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Marco Aurélio Ferreira Vianna

Presidente do Instituto MVC

 

 

Livros para o novo Presidente

 

 

Em interessante e criativa reportagem o Caderno Eu& do Jornal Valor de 24, 25 e 26 de março de 2006 perguntou a dezesseis renomados economistas (Gustavo Loyola, Walter Barelli, Plínio de Arruda Sampaio Jr., Gustavo Franco, entre outros) que livros o novo Presidente da República deveria ler.

 

É claro que baseado na excelência das fontes foi construída uma biblioteca de trinta e dois livros do mais alto nível. Apenas um grave erro. Seguindo paradigmas do passado, a grande maioria destes textos concentra-se na visão mecanicista reducionista da economia em si. Pequenas e honrosas exceções recaem sobre as obras de Carlos Matus (“Adeus Senhor Presidente” e “Chipanzé, Maquiavel e Gandhi”) e de Douglas North (“Institutions, Institutional Change and Economic Performance”).

 

O conhecimento e a inteligência do novo Presidente da República precisa muito mais do que o aprofundamento da Teoria Econômica. Cada vez mais se prova que é no mínimo limitado, e certamente socialmente incorreto medir a saúde de um país pelo crescimento do PIB. Hoje já se fala de maneira aberta, e estuda-se de forma séria a construção do indicador de FIB, Felicidade Interna Bruta. Antes e acima de tudo Alckmin/Lula tem que entender o pensamento de Gilberto Freire, Roberto da Matta, Sergio Buarque de Hollanda, Darcy Ribeiro, Manoel Bonfim, Caio Prado Jr., para criar a compreensão completa do Modelo Mental Brasileiro. Depois, e neste ponto há uma drástica lacuna, é preciso compreender as bases e conceitos fundamentais da Ciência de Administração; e principalmente compreendê-la dentro do seu sentido de universalização, de Ciência Base. Cinco experts da Medicina, onze craques de futebol, oito PhD’s de Cibernética  nada farão se não aplicarem processo e organização que estão contidas na Administração. Por isto Drucker, Schein, Hoffstede, Collins, Sull, Toffler, Mintzberg, Morgan são leituras obrigatórias. Dentro da ciencia como um todo especificamente a leitura sobre casos bem sucedidos de mudança poderiam ter como excelentes fontes outros autores como Pettigrew, Kotler, Gardner. Um passeio pela noosfera do homem contemporâneo passaria necessariamente por Chardin, Capra, Fromm, Bobbio, Gramsci, Baumann e Lipowetski. Finalmente inúmeros líderes poderiam servir como fonte de inspiração para especificamente promover as mudanças que o Brasil necessita. De quebra, não necessariamente em livros, mas em relatórios, Alckmin/Lula, ou seja, lá quem for, dentro da Técnica de Benchmarking, devem olhar a experiência de todos os paises que com criatividade, coragem, e principalmente liderança vem ultrapassando este Brasil lento, vítima de quase três décadas perdidas. Emirados Árabes, Chile, México, Nova Zelândia, Irlanda, Butão,  Espanha, para não citar os óbvios China e Índia tem muito a nos ensinar, mostrando que o impossível é impossível até que alguém vai lá torna possível e faz. Mais do que formulas precisamos de um sonho transformado em realidade.

 


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TRADE MARKETING

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JB Vilhena

VP do Instituto MVC

 

e

 

José Luiz Meinberg

Diretor Comercial do Instituto MVC

 

 

 

TRADE MARKETING: O que é isso?

 

Em sua tradução literal, a expressão inglesa que dá título a esse artigo significa os esforços de marketing feitos pelos fabricantes para auxiliar seus canais de distribuição a vender produtos. Mais genericamente, significa a otimização da relação entre o produtor e o distribuidor.

 

O conceito surgiu no início dos anos 90 devido a uma inversão da relação oferta X procura. Saímos de um mercado onde historicamente a procura excedia a oferta. Ingressamos – definitivamente – em um mercado onde a oferta excede, em muito, a procura. Com essa inversão, cresceu muito a importância dos intermediários (atacadistas e varejistas) na distribuição.

 

Se pararmos para analisar, veremos que o papel dos intermediários – atacadistas e varejistas – é minimizar um histórico conflito de interesses. Ao fabricante interessa vender a maior quantidade possível do mesmo produto ou serviço. Assim ele se beneficia das economias de escala. Ao consumidor final interessa poder comprar os menores volumes da maior variedade possível de produtos e serviços. Assim ele maximiza sua satisfação respeitando uma restrição de renda que a todos afeta, indiscriminadamente.

 

No passado os fabricantes “usavam” os intermediários por duas razões básicas:

 

a) conseguir chegar ao consumidor final com um custo de distribuição mais baixo;

 

b) poder “passar adiante” o custo do estoque de produtos acabados.

 

Em outras palavras, os fabricantes serviam-se dos intermediários, sem maiores preocupações ou constrangimentos. No presente já não é mais possível agir assim. Os intermediários sabem que o número de fabricantes cresceu muito. Sabem também que há uma tendência a que suas ofertas fiquem cada vez mais parecidas. Com essa consciência, procuram “apertar” seus fornecedores, endurecendo as negociações e dificultando acordos.

Como afirmam alguns especialistas: as gôndolas dos supermercados escondem uma disputa de poder entre fabricantes e vendedores. A briga está longe de terminar, mas as cartas da negociação já estão marcadas.

 

O objetivo do trade marketing é encontrar formas em que ambos ganhem. A lógica do trade marketing é a da colaboração. É por isso que essa técnica propõe a criação de parcerias de longo prazo. Produtores e distribuidores passam a trocar informações, planejar em conjunto a oferta do produto com a marca do distribuidor e compartilhar esforços de publicidade e promoção.

 

Vejamos algumas premissas básicas do trade marketing:

 

   Vendas são a nova interface do fornecedor com seus canais distributivos.

   O Executivo de Vendas passa a ser um especialista num determinado cliente (ou grupo de clientes).

    Ele tem autoridade (e é responsável pelo resultado) para executar todo o processo de vendas, não só de sua negociação em si, como também da sua logística de entrega, passando por promoções de vendas, merchandising e campanhas cooperadas

 

Antigamente se dizia que o bom vendedor conhecia muito bem seus produtos e serviços. Isso já não é mais suficiente. Além de conhecer seu próprio portfolio, o vendedor tem que conhecer o negócio do cliente. No mínimo tão bem quanto ele. De preferência, melhor do que ele. Isto faz com que seja impossível um mesmo vendedor atender a diversas tipologias de cliente. Não dá mais para atender ao pequeno varejo, as lojas de conveniência, aos supermercados, aos hipermercados e ainda as discount stores. É preciso especialização. Tem que haver conhecimento específico das diversas cadeias de valores. Saber as diferenças entre as cadeias de suprimento. Um pequeno varejista não tem o comportamento de compra de um gigantesco home center. Embora isso possa parecer óbvio, há inúmeros fabricantes que usam o mesmo vendedor para atender essas duas tipologias tão diferentes de cliente.

 

Outra coisa que se dizia sobre o vendedor é que ele precisava ser um hábil negociador. Isso continua sendo verdade. A diferença é que ele não negocia mais apenas preços e quantidades. Ele é responsável pela negociação de promoções de vendas (que incluem, por exemplo, participar da oferta gratuita do “enxoval” da nova loja que o cliente vai inaugurar). Negocia apoios mútuos, como a exibição privilegiada de um produto dentro da loja do cliente. Negocia a colaboração do fabricante, que pode colocar uma equipe de promotores dentro do varejo para garantir que seus produtos não faltarão nas gôndolas.

 

Em outras palavras, significa que o vendedor passa a ser o gestor de um orçamento específico para cada cliente. Sua habilidade em gerenciar esse orçamento (garantindo participação de mercado, satisfação do consumidor final, margens de lucro compatíveis e renovação permanente dos laços de parceria com o canal) serão os elementos que farão parte de sua avaliação de desempenho e garantirão sua remuneração no final do mês.

 

Por outro lado, Trade Marketing, como uma disciplina, é o Marketing através dos Intermediários, dos varejos principalmente (aquele que procura estabelecer a forma rápida e lucrativa do produto passar pelos intermediários atendendo objetivos comuns – dos fabricantes e dos intermediários). Tradicionalmente, não podemos esquecer que o marketing tem uma visão mais de consumidor, ou mesmo de usuário (B2B). Não do intermediário.

 

Há quem considere um exagero a afirmação de que o varejo dita as regras. Existem aqueles que não tem dúvidas quanto a isso. Acreditamos que a resposta varie de caso para caso. O fundamental é reconhecer que o comércio ganhou importância e relevância. Por isso, não dá mais para vender como se fazia antigamente.

 

Pense nisso e tenha suce$$o.

 

MATERIAL RETIRADO DO POCKET MBA DESENVOLVIMENTO DE GESTORES E PROFISSIONAIS DE VENDAS


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COMUNICAÇÃO

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Mônica Portella

Parceira do Instituto MVC e Doutora em Psicologia pela UFRJ

 

 

Decifrando a Comunicação Não-Verbal

no Processo de Negociação:

Será que a outra parte está dissimulando?

 

 

A comunicação não-verbal é uma parte importante do processo de negociação, uma vez que nos comunicamos não apenas com as palavras, mas com todo o nosso corpo (paralinguagem, gestos, posturas, expressão facial, movimentos dos olhos, etc). A porcentagem de comunicação não-verbal na transmissão de qualquer mensagem é muito elevada. Os elementos não-verbais da comunicação social são responsáveis por aproximadamente 65% do total das mensagens enviadas e recebidas. Assim, apenas 35% do significado de uma conversa corresponderiam às palavras pronunciadas, sendo que 65% das mensagens seriam comunicados por meio não-verbal.  Logo, o negociador que não sabe decodificar mensagens não-verbais, esta perdendo 65% do que é comunicado, sendo assim, este além de perder grande parte da comunicação, deixa de aproveitar oportunidades importantes para fazer bons negócios, bem como facilitar este processo complexo. Em contrapartida o negociador que sabe decodificar mensagens não-verbais pode negociar de forma mais eficaz, bem como empregar tais estratégias para facilitar o processo de negociação.

 

Uma negociação efetiva e bem sucedida exige que sejamos capazes de nos comunicarmos e nos relacionarmos com outras pessoas. Para este intuito, podemos lançar mão de uma série de técnicas, bastante simples que, não são abordadas durante nossa formação. Dentre essas técnicas cabe destacar, estratégias relacionais baseadas na comunicação não-verbal.

 

Será que ao negociar estamos transmitindo sinais não-verbais para que a outra parte possa ler? Conseguimos ler corretamente as mensagens não-verbais transmitidas pela outra parte e empregamos adequadamente tais informações?

 

Interpretar corretamente mensagens não-verbais adiciona força nas nossas habilidades de negociação, uma vez que aprendemos o que o outro lado está comunicando não-verbalmente. Por outro lado, sabemos o que está sendo transmitido à outra parte, por meio da comunicação não-verbal, e assim podemos empregar tal conhecimento de acordo com nossos objetivos.

 

O estudo da comunicação não-verbal pode ser subdividido em uma série de tópicos:

  • gestos, posturas e movimentos do corpo

  • face e movimentos dos olhos

  • paralinguagem (tom de voz, pausas, velocidade da fala, etc)

  • vestuário

  • território (distância que mantemos das pessoas)

  • sinais não-verbais de dissimulação

  • comunicação não-verbal com estrangeiro

Cada um dos itens acima transmite mensagens sobre o que estamos comunicando, bem como sobre a comunicação da outra parte, no entanto, dada a natureza do presente trabalho, não abordaremos aqui técnicas para decifrar o significado dos diversos tipos de mensagens não-verbais, bem como questões relacionadas ao impacto das mensagens não-verbais sobre a outra parte. 

 

Um aspecto importante no que se refere à comunicação não-verbal no processo de negociação, diz respeito à identificação da dissimulação por meio da comunicação não-verbal.

É possível identificar a omissão de informação no processo de negociação? É possível identificar a dissimulação neste processo?

 

De acordo, com as pesquisas na área, podemos identificar sinais não-verbais de dissimulação e a omissão de informação no processo de negociação, com um pouco de treinamento. Serão discutidos a seguir alguns desses indícios não-verbais de dissimulação.

 

Dissimulamos com mais facilidade com as palavras do que com os gestos ou posturas. É verdade, que as pessoas em uma interação podem exibir um rosto enganosamente simpático, construir um sorriso falso ou fingir raiva. Podem também ser falsas em suas ações, bem como com as palavras, mas apenas quando sabem mais ou menos o que fazer.

 

Embora o “bom dissimulador” emita um menor número de sinais com o corpo e a face, suprimindo a maior parte dos sinais não-verbais, restam quase sempre alguns sinais difíceis de serem eliminados. Tais sinais não-verbais de dissimulação podem ser detectados pelo negociador bem treinado.

 

Gestos:  

        

As pistas mais facilmente suprimíveis na dissimulação são os gestos. Apesar disso, tanto as pessoas que estão dissimulando, tanto a vítima da dissimulação, costumam dar pouca atenção a eles, e, sabendo disso, poucas pessoas procuram controlar seus gestos. Por esta razão, o corpo pode se tornar uma fonte valiosa de informações no que se refere à mentira. Existem alguns tipos de gestos que merecem atenção (ver tabela 1)

 

O Corpo Denuncia a Dissimulação:

  • Emblemas sinais gestuais que, dentro de uma cultura, possuem um significado preciso. Aparecem cortados e/ou incompletos quando a pessoa mente, surgindo, geralmente, fora da região de apresentação (entre pescoço e quadris).  Por exemplo, um negociador pode balançar a cabeça, em sinal de não, quando responde que concorda com uma proposta. Aqui verificamos uma contradição entre verbal e não-verbal.

  • Ilustradores gestos diretamente ligados à fala. Servem para enfatizar ou ilustrar o discurso. As pessoas usam menos ilustradores quando falseiam uma informação. Na mentira, os ilustradores aparecem fora de sincronia com o discurso.

  • Manipuladores: Caracterizam-se como movimentos de auto-manipulação, como coçar o nariz, passar a mão no cabelo, esfregar o queixo, etc. A freqüência de manipuladores aumenta quando a pessoa está tensa (não necessariamente quando está mentindo). Entretanto, como muitas pessoas sentem-se tensas quando estão mentindo, estes gestos podem aumentar.

Paralinguagem:

 

A paralinguagem remete a uma série de ocorrências na linguagem, mas que não fazem parte da Língua. Assim temos:

a) Variações de altura e intensidade da voz;

b) as pausas;

c) sons que não fazem parte da Língua, como os risos e suspiros;

d) a velocidade da fala, etc.

 

Embora tenhamos um grande controle sobre o conteúdo de nossa fala, a paralinguagem pode muitas vezes nos trair, fornecendo pistas de que estamos mentindo. Destacamos a seguir alguns sinais paralinguísticos da mentira:

 

A mentira está na Paralinguagem:

  • A fala torna-se mais alta e menos fluente na dissimulação.

  • Hesitação no início da fala, principalmente antes de responder a uma pergunta pode indicar que a outra parte está dissimulando. Por exemplo, um negociador pode hesitar ao responder questões a respeito de um certo tema, isto pode indicar sonegação de informação verdadeira.

  • As pausas tornam-se mais longas e freqüentes, é como se a outra parte precisasse pensar antes de responder.

  • Pelo nervosismo, o tom de voz pode ficar mais agudo.

Face:

 

As pessoas possuem maior dificuldade de mentir com a face do que com as palavras. Quando falamos, podemos nos monitorar com a audição, o mesmo não acontece com as expressões faciais. Inibir uma expressão facial espontânea pode ser muito difícil, e nem sempre estamos atentos o suficiente para antecipar sua ocorrência e controlá-la a tempo de escondê-la com outra expressão. Enumeramos a seguir algumas pistas faciais indicadoras de que a pessoa está dissimulando:

 

A Dissimulação Está na Cara:

  • Expressões quebradas aparecem para tentar controlar a expressão facial dissimulada. Por exemplo, um sorriso ou outra expressão falsa podem ser criados para encobrir a expressão facial de frustração diante da proposta da outra parte.

  • Timing: Expressões verdadeiras são demonstradas rapidamente. Se a expressão não é verdadeira, esta tende a permanecer por mais tempo no rosto. 

  • Expressões Assimétricas: Expressões voluntárias (não espontâneas) são assimétricas, enquanto que as involuntárias (espontâneas) são simétricas. Por exemplo, um negociador pode dizer que está satisfeito com o acordo proposto, enquanto exibe sinais de raiva em um lado da face e do outro sinais de alegria.

  • Falta de Sincronia: Se a expressão de uma emoção aparece depois das palavras relativas a esta, provavelmente ela é falsa. Normalmente, a expressão de uma emoção genuína aparece junto com as palavras e até alguns segundos antes.

Conclusão:

 

Vimos que a comunicação não-verbal é uma parte importante do processo de negociação, uma vez que nos comunicamos não apenas com as palavras. O negociador que não sabe decodificar mensagens não-verbais, esta perdendo 65% do que é comunicado. Em contrapartida o negociador que sabe decodificar mensagens não-verbais pode negociar de forma mais eficaz, bem como empregar tais estratégias para facilitar o processo de negociação.

 

Em suma, podemos aprender a ler e fazer uso dos sinais não-verbais no processo de negociação, bem como decodificar a dissimulação, alcançando desta forma, melhores resultados. Por outro lado, a falta de tais habilidades pode nos deixar em desvantagem em relação a outra parte.

 

MATERIAL RETIRADO DO POCKET MBA COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL EM NEGOCIAÇÃO 

 

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DECISÃO

 
 

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Américo Marques Ferreira

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

 

PROCESSO DECISÓRIO EM EQUIPE:

ARMADILHAS E PREVENÇÕES

 

 

A palavra “DECIDIR”, em sua origem etimológica, significa “MATAR ALTERNATIVAS”.

 

Portanto, se quisermos tomar uma decisão só precisamos escolher uma das opções, abrindo mão de todas as outras disponíveis.

 

Simples não? Nem sempre.

 

Quem já se viu em frente a um buffet de sobremesas, todas igualmente atraentes, por certo se sentiu angustiado, já que angústia é prerrogativa de quem tem opção. E isto ocorre exatamente pelo dilema de precisar escolher uma sobremesa em detrimento das demais. A solução freqüentemente adotada para tais casos é pegar um pouco de cada e, ao final da refeição, pedir um cafezinho sem açúcar, ou quem sabe com três gotinhas de “HIPOCRISIL”. Pelo menos serve para atenuar o sentimento de culpa decorrente do pecado da gula.

 

Se muitas vezes já é difícil tomar individualmente uma decisão, certamente o processo decisório será tão mais complexo quanto maior for o número de pessoas a expressar seus pontos de vista sobre determinado assunto.

 

Como harmonizar as múltiplas preferências, buscando manter o grupo coeso em torno da opção escolhida, sem correr o risco de perder oportunidades frente ao prazo disponível?

 

Imagine por exemplo, a situação de uma família que resolve sair para jantar num sábado à noite: o casal, juntamente com um filho de 7 anos, uma filha de 15, acompanhados pelos avós maternos na faixa dos 70 e ainda por uma tia solteira na faixa dos 30 anos.

 

Que método utilizar para chegar a um acordo sobre onde comer, o que comer, qual o horário e a duração do jantar?

Aqueles que já enfrentaram este dilema acabaram por adotar uma das seguintes soluções:

  • Ir a uma praça de alimentação, permitindo assim que cada um escolha sua opção, marcando um horário e ponto de encontro para o retorno conjunto.

  • Ficar em casa degustando uma culinária doméstica.

  • Ligar para uma pizzaria, confirmando a tendência de “tudo acabar em pizza”.

  • Declarar sua incompetência para negociar e reconhecer como é difícil contemplar preferências tão distintas.

A fim de facilitar o processo decisório em equipe, vamos examinar os seguintes métodos de tomada de decisão e suas respectivas armadilhas e prevenções:

  • Omisso

  • Autocrático

  • Democrático

  • Sociocrático

1. MÉTODO OMISSO

 

1.1. Frases típicas

  • “Deixa como está pra ver como é que fica”.

  • “Mais escuro que meia noite não fica”.

  • “Muito ajuda quem não atrapalha”.

1.2. Modelo mental

  • Qualquer decisão que implique em assumir responsabilidades basta adotar o “PRINCÍPIO DE NOÉ” dizendo: ”ISTO NOÉ COMIGO”.

1.3. Armadilhas

  • Se o grupo for imaturo poderá também ficar aguardando a iniciativa de quem detém o poder, sob a alegação de que “não se deve fazer pelos outros aquilo que os outros são pagos para fazer”.

  • Os participantes podem ainda assumir a posição cômoda de que, se algo der errado, é só botar a culpa no líder.

  • Surgir um líder prepotente e manipulador que assuma o comando do grupo (neste caso, vide o método autocrático).

  • A omissão poderá também levar à fragmentação do grupo em várias facções que passarão a lutar para impor seus ideais uma às outras.

1.4. Prevenções

  • O líder omisso deve tomar consciência de que errar por omissão é mais grave do que errar por ação, até porque “erra-se 100% dos chutes que não se dá”.

  • Conhecer seus pontos fortes e suas limitações, bem como, o perfil dos integrantes de sua equipe. Com base neste conhecimento abrir espaços para as contribuições baseadas no que cada um tem de melhor, de modo a levar a equipe a atuar numa relação de interdependência cooperativa.

  • Estabelecer um clima de reconhecimento pelas contribuições e celebrar as pequenas conquistas, infundindo assim confiança para que os participantes possam tomar decisões que impliquem em correr riscos calculados.

2. MÉTODO AUTOCRÁTICO

 

2.1. Frases típicas

  • “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

  • “Prudência e caldo de galinha não faz mal a ninguém”.

  • “Escreveu não leu, o PALCO É MEU”.

2.2. Modelo mental

  • “Eu sou apenas o máximo, o resto é figuração”.

2.3. Armadilhas

  • Ao se posicionar como única “cabeça pensante” o líder autocrático reduz todo o restante do grupo (ou seria melhor dizer BANDO?) à mera condição de “mão de obra”.

  • Ao agir assim, adota a estratégia do desperdício, na medida em que obriga os participantes de seu grupo a estacionarem seus cérebros e corações lá fora antes de entrarem para o trabalho.

  • Tal estratégia do desperdício se caracteriza pela sub utilização de competências preciosas (representadas metaforicamente pelos cérebros e  corações) que por sinal, já estão inclusos no salário quando alguém assina um contrato de trabalho.

  • O método autocrático conduz ainda à “PAZ DE CEMITÉRIO”, pelo cerceamento de idéias divergentes e pela censura ao saudável exercício do contraditório, levando a infantilização da equipe pela acomodação ao binômio “DOMINAÇÃO – PASSIVIDADE”.

  • Finalmente, o exercício da autocracia acaba por tornar um líder no gargalo de processo, em função da dependência da equipe à sua centralização.

2.4. Prevenções

  • Abrir mão da síndrome messiânica deixando de considerar-se como o “SALVADOR DA PÁTRIA”.

  • Conscientizar-se de que posturas autocráticas integram o perfil de uma espécie em extinção: ditadores, caudilhos, coronéis, senhores feudais e demais exemplares do “PARQUE JURÁSSICO ORGANIZACIONAL”.

3. MÉTODO DEMOCRÁTICO

 

3.1. Frases Típicas

  • “Vox Popoli Vox Dei” (A voz do povo é a voz de Deus)

  • Não se pode agradar a gregos e a troianos”.

  • “Não se faz omelete sem quebrar os ovos”.

3.2. Modelo mental

  • “A razão está sempre do lado da maioria”.

3.2. Armadilhas

  • Ao precipitar uma votação, antes do assunto estar devidamente debatido, pode-se deixar a minoria com o gosto amargo da derrota.

  • Tal fato poderá levar à formação de subgrupos, desencadeando a perda de sinergia em decorrência, na melhor das hipóteses, do descomprometimento para com a tese adotada ou, em casos extremos, provocar atos de sabotagem em relação à idéia vencedora. .Ao longo do tempo, tal método poderá estimular o surgimento de alianças circunstanciais baseada em agendas ocultas, conluios, troca de favores ou revanchismos.

  • No limite, tal equipe (ou seria melhor dizer AJUNTAMENTO DE PESSOAS?) poderia fragmentar-se em subgrupos estanques, cada qual demarcando seu território, exigindo lealdade de seus correligionários e considerando como inimigos a todos que não fazem parte de sua “PANELINHA”, culminando por instalar uma autêntica “COMPETIÇÃO PREDATÓRIA INTRAGRUPAL”.

3.3. Prevenções

 

Entender que o método democrático é adequado quando:

 

a) O universo a ser pesquisado é muito numeroso para identificar preferências, como numa eleição, por exemplo.

b) Temos limitação de tempo para adotar uma solução, tornando os custos/benefícios compensatórios comparativamente a eventuais desgastes decorrentes de uma votação.

c) Quer-se evitar o risco do “assembleísmo”, pondo fim a táticas protelatórias e evitando-se assim o imobilismo no processo decisório.

 

4. MÉTODO SOCIOCRÁTICO

 

4.1. Frases típicas

  • “Até um relógio parado, duas vezes por dia, está certo”.

  • “Toda unanimidade é burra”.

  • “Saber vencer é tão importante quanto saber perder”.

4.2. Modelos Mentais

  • “Todos nós juntos somos melhores do que qualquer um de nós isoladamente”.

4.3. Armadilhas

  • A ênfase à busca do consenso pode protelar uma decisão a ponto de perder prazos e oportunidades.

  • No afã de obter a adesão de todos, pode-se fazer tais concessões que acabe por gerar uma solução híbrida com perda do foco e a conseqüente fragilização da consistência dos argumentos que sustentam uma tese.

4.4. Prevenções

  • A primeira fase do método sociocrático é igual à do método democrático, ou seja, após o debate de uma matéria, procede-se a uma votação preliminar.

  • Constatada a existência de divergência de opiniões, a palavra é oferecida, em primeiro lugar, a um representante da minoria para expor seus pontos de vista referente à posição defendida.