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Denize Dutra
Consultora Sênior do MVC, Autora
dos programas E-learning Mudança e Desenvolvimento
Interpessoal
APRENDENDO COM OS PRÓPRIOS
FRACASSOS
È comum ouvirmos a
máxima que “é muito mais fácil apontar os erros dos outros que os
nossos”. Para mim, porém, é muito menos constrangedor falar dos
meus próprios erros do que dos de terceiros e, por isso,
compartilho com os leitores uma experiência pessoal que me mudou
algumas atitudes pessoais e também me fez refletir sobre o papel
do profissional da gestão de pessoas. Essa experiência
fundamentou-se no mito do “Super-Herói” ou da “Mulher-Maravilha”,
e dos seus impactos na minha qualidade de vida.
Nessas últimas
décadas, a sociedade moderna e o mundo corporativo enalteceram a
importância da superação dos desafios como uma condição para o
sucesso profissional. Certamente, não há dúvidas que essa
capacidade seja indispensável porque, afinal, todas as biografias
e histórias de sucesso demonstram o forte desejo, determinação e
dedicação de seu personagem.
Os Super-Heróis
O filme infantil “Os
Incríveis” é uma boa metáfora para analisarmos o quanto precisamos
saber gerir essa capacidade de superação, essa persistência em
relação aos objetivos, enfim, seja lá como for definida, essa
elevada motivação pessoal. A “família Incrível”, por meio dos
poderes de seus personagens, nos mostra as diversas competências
cultuadas, hoje, pelo mundo corporativo: a “força”, a
flexibilidade, a agilidade, a “invisibilidade”, e a
“mutabilidade”, ou seja, a capacidade de transformação que podemos
verificar no “Bebê Incrível”.
Para suportar a alta
competitividade do ambiente corporativo, é preciso ser forte, no
sentido da resistência às pressões, isto significa “esticar” os
próprios limites de tempo, de cansaço, de desafios e tantos
outros. É necessário, também, não “aparecer”, em certos momentos,
para não tirar o brilho dos mais “poderosos”, ou então, fazer de
conta que não está vendo, para não ter de tomar algumas atitudes
mais drásticas que contrariem alguns interesses. A agilidade do
Incrível “Flecha” é fundamental para responder, rapidamente, às
demandas do mercado. É especialmente exigida, ainda, uma grande
capacidade de adaptação às mudanças, ou a capacidade de
transformação!
Percebi que
trouxemos das telas do cinema para a vida real, o mito dos
Super-Heróis, quando, em nome da busca de sucesso e realização, do
comprometimento, do medo de perder status, enfim, de tantas
causas, algumas até nobres, extrapolamos os nossos próprios
limites, afetando a nossa qualidade de vida e das outras pessoas
que estão próximas.
O Desafio de
Sermos os Melhores
Além dos múltiplos
papéis sociais que assumimos, ainda queremos ser os melhores em
cada um desses papéis, e então, criamos as nossas próprias
armadilhas, e pagamos a conta do que fizemos para conquistar
nossos objetivos com nossa saúde física, mental e emocional.
Se não estivermos
atentos, não perceberemos os sinais que o nosso corpo começa a dar
para denunciar que temos limites. Até o elástico o tem: ele
estica, estica, vai, mas chega um momento em que ele se rompe.
Podem ser vários os sintomas físicos, psicológicos e até sociais:
dores de cabeça; problemas na coluna; doenças psicossomáticas;
alergias; doenças sucessivas devido à baixa imunidade decorrente
do estresse; esquecimento de assuntos e fatos importantes; falta
de concentração; irritação; ansiedade e vontade de se isolar.
Num determinado
momento, o impacto desses sinais acaba nos fazendo parar e olhar
para essa situação de forma mais cuidadosa e reaprender,
incorporando novos hábitos de alimentação, trabalho,
relacionamento, estudo e lazer, em busca de mais saúde e qualidade
de vida.
Descobrimos que não
somos Super-Heróis, e que, apesar de sermos “Incríveis” pelos
nossos talentos, somos Humanos, falíveis, e que, mesmo com tantas
possibilidades, precisamos aprender a lidar com os nossos limites,
senão sofreremos perdas irreparáveis.
Felizmente, além do
ilimitado acesso às informações que hoje possuímos, também, vemos
surgir nas organizações mais avançadas, em termos de gestão de
pessoas, uma série de iniciativas e programas voltados para
qualidade de vida. No entanto, nenhum desses programas será
eficaz, se não propiciar uma maior consciência, por parte das
pessoas envolvidas, sobre seus limites e suas necessidades.
Nós, profissionais
da gestão de pessoas, além de aprendermos com os “Super-Heróis” da
tela do cinema devemos também aprender com os Heróis da vida real,
contribuindo, por meio de políticas e práticas de gestão, para
aumentar a auto-estima e fazer com que cada Ser Humano, que
trabalha em nossas organizações, seja a estrela principal do seu
próprio filme!
Para mim ficou o
aprendizado de que o equilíbrio é palavra-chave para o nosso
sucesso pessoal e profissional, e qualquer extremo pode ser
prejudicial, inclusive o excesso de automotivação que nós faz
extrapolar os nossos próprios limites!
Material retirado
do Pocket MBA Gestão de Pessoas e Negócios.
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