Edição Nº 92 - Junho de 2006

       

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 Ganhar Espaço sem Ameaçar os Outros
 

 }} Dicas

 }} Editorial

  Como negociar bem com pessoas difíceis     Os Desafio do hexa!

Existem três categorias de pessoas difíceis: as incompetentes que conhecem pouco, ou mesmo desconhecem o que estão negociando, as com distorções e disfunções do seu estilo comportamental e as que só querem levar vantagem.
José Augusto Wanderley
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Neste Editorial, eu tentarei instigar nossos parceiros a pensarem nesta Copa do Mundo sob a ótica da Gestão e Administração sem, é claro, prejudicar um milímetro da emoção envolvida.


Marco Aurélio Ferreira Vianna
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 }} Mensuração

 }} Pessoal

 Tudo pode ser medido, sempre!    Tempo e qualidade de vida

Um erro usualmente cometido pelas empresas é acreditar que existam coisas que não possam ser medidas. Algumas áreas da organização são “useiras” dessa afirmação. Principalmente na hora em que tentam aumentar seu budget.

J. B. Vilhena

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O que causou a morte de Eduardo não foi jogar bola aos domingos! O que matou Eduardo foi o desequilíbrio entre seus diversos papéis e atividades diárias.



Alexandre Freire

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 }} Atualidade  }} Liderança
 Trade Marketing ou Marketing do Trade?     Se eu fosse o Parreira...

A palavra "Trade", que traduzida literalmente significa comércio, tem sido cada vez mais utilizada entre o pessoal de Marketing e vendas. Não se trata, porém,  do significado tradicionalmente voltado ao comércio exterior. Leia o artigo para entender o porquê dessa diferença.



José Luiz Meinberg

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Da mesma maneira que cada vez mais a Ciência da Administração se utiliza do esporte como fonte de inspiração, quem sabe, uma ousada tentativa do movimento inverso não seria possível. Sinceramente, no meu ponto de vista, a conquista do hexa, por sua importância para o futebol e, mais que tudo, para todo o povo brasileiro. 


Marco Aurélio Ferreira Vianna
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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira; JB Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Leandro Santana; Luciana Vieira, Maria Teresa Ramos

 

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EDITORIAL

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

Autor de 42 livros

 

 

Os desafios do hexa!

 

 

O assunto não podia ser outro. Viveremos, neste próximo período, exatos trinta e um dias de arrebatações de sentimentos, e todos nós, quase duzentos milhões de brasileiros (com algumas desonrosas exceções) estaremos torcendo freneticamente pelo hexacampeonato.

 

Neste Editorial, eu tentarei instigar nossos parceiros a pensarem nesta Copa do Mundo sob a ótica da Gestão e Administração sem, é claro, prejudicar um milímetro da emoção envolvida.

 

O desafio do Parreira e de seus Comandados é absolutamente novo. Acredito que jamais o Brasil entrará em um Campeonato Mundial com tanto favoritismo. Como diz o próprio Parreira a humildade é fundamental para um processo de vitórias. Peter Drucker, nosso guru maior, vai mais longe ainda: “Nada melhor para o fracasso que a má administração do sucesso”. Ser favorito gera duas conseqüências negativas. De um lado a perda da continuidade do “comprometimento absoluto” pode levar a um desvio do foco fatal, com clara diminuição de desempenho. Do outro lado, quando um time é favorito o adversário passa a ter uma motivação extra para ganhar e superar suas fraquezas. Esta é uma primeira armadilha para nosso Parreira.

 

Outro ponto importante! Se o Brasil ganhar a Copa ele será hexacampeão ficando três taças à frente da Itália e da Alemanha que são tricampeãs. Em termos probabilísticos, isto significa uma hegemonia de talvez mais de vinte anos. Somente lá por 2030 outro país poderia nos atingir, além é claro do provável risco de, em cinco/seis Copas, ganharmos mais uma. Eu não tenho dúvida que uma consistente Teoria da Conspiração entrará em campo, por meios lícitos e “menos lícitos” e tudo será feito para a Copa não viajar de volta para o Brasil.

 

Outros fatores ainda podem ser levados em consideração como “constrainsts” de nosso desafio: somente uma vez (Brasil em 1958 na Suécia) um time não europeu ganhou a Copa do mundo na Europa, o Triângulo das Bermudas de nossa defesa pode engolir muita coisa indesejável: a disputa dos quatro jogos finais no mata-mata derruba a competência diferenciada.

 

Assim, de um lado temos o melhor time do mundo, do outro uma série de novos desafios. Eu não tenho dúvida que a capacidade de liderança do Parreira e suas competências de gestão, principalmente no campo humano da motivação para alta performance, serão os verdadeiros atributos do sucesso. Sem ufanismo, nossa Ciência da Administração terá grande responsabilidade no sucesso do Caneco. Em suma, vai Brasil para trazer mais uma!

 

P.S.: Neste número do Insight está incluída extensiva matéria sobre o Hexa – “Se eu fosse o Parreira…”, que trata em maior detalhe das estratégias gerenciais e motivacionais para trazermos a Copa.

 

Visite o novo site do Marco Aurélio:

www.marcoaurelioferreiravianna.com.br

 

Boa leitura

 


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DICAS

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José Augusto Wanderley

Autor do livro Negociação Total: Encontrando Soluções,

Vencendo Resistências, Obtendo Resultados

Ed. Gente (10ª Ed.)

 

 

COMO NEGOCIAR BEM COM PESSOAS DIFÍCEIS

 

 

Negociar com pessoas difíceis costuma ser um grande problema. Para negociar bem nestas situações, é preciso realizar que existem vários tipos de pessoas difíceis e várias razões para que isto aconteça. Assim, é fundamental não colocar todos os gatos no mesmo saco e, portanto, diagnosticar com competência qual a verdadeira situação que se está enfrentando. Devemos ter em vista um princípio básico inerente à boa condução de uma negociação: "cada caso é um caso". Portanto, não acredite que o que deu certo numa negociação fatalmente dará certo em toda e qualquer negociação. Há casos em que pode acontecer justamente o oposto, ou seja, os procedimentos que levaram ao sucesso no passado podem ser a razão do fracasso no presente.

 

CATEGORIAS DE PESSOAS DIFÍCEIS

 

Existem três categorias de pessoas difíceis: (1) as incompetentes que conhecem pouco, ou mesmo desconhecem o que estão negociando, bem como os fundamentos do processo de negociação; (2) as com distorções e disfunções do seu estilo comportamental; e (3) as que só querem levar vantagem, centradas unicamente em seus próprios interesses e que se valem de todos os meios, inclusive os não éticos, para atingir seus propósitos.  Portanto, o ponto de partida é identificar com precisão em que categoria a pessoa difícil com quem você está negociando se encaixa.

 

Pessoas que por conhecerem pouco, ou mesmo desconhecerem, o que estão negociando bem como os fundamentos do processo de negociação, podem ter expectativas irrealistas e estabelecerem objetivos completamente inatingíveis. Algumas vezes são muito rígidas, em suas posições. Noutras tornam-se extremamente desconfiadas, suspeitando de qualquer coisa e de tudo e de todos. Tem dificuldades ou são incapazes de formular novas alternativas ou mesmo de avaliar as alternativas que lhes são propostas.

 

Certa vez, um gerente de uma grande empresa estava muito interessado em comprar uma casa e já havia feito ofertas acima do que seria razoável. O vendedor, entretanto, continuava a se manter intransigente em seu preço absurdo. O gerente, em vez de prosseguir no jogo de ofertas, resolveu parar para analisar e compreender melhor a situação. Acabou descobrindo que um outro parente do proprietário havia vendido, e muito bem, uma casa semelhante por um valor correspondente à sessenta por cento do valor ora solicitado. O que estava acontecendo é que, por uma questão de vaidade e competição familiar, o vendedor desejava obter um valor bem acima daquele que foi obtido por seu parente. O que fez o comprador? Aceitou o valor solicitado, condicionando esta aceitação ao pagamento à prestação, o que foi aceito pelo vendedor. Este, entretanto, por desconhecer matemática financeira, não soube identificar que o valor presente das prestações negociadas era bem menor que o de outras ofertas feitas anteriormente. Enfim, o que de fato interessava e atraía o vendedor era o valor nominal e a aparência, posto que não sabia como calcular o valor real da venda.

 

DISTORÇÕES DOS 4 ESTILOS

 

Para que possamos compreender a questão das distorções e disfunções do estilo comportamental, mencionadas na segunda categoria de pessoas difíceis, devemos considerar que existem 4 estilos comportamentais, que são controlador, apoiador, catalisador e analítico.

 

Os controladores têm uma grande necessidade de realização. Quando desenvolvem o lado positivo são decididos, objetivos, eficientes, rápidos e assumem riscos. Entretanto, quando desenvolvem o lado negativo, e tornam-se pessoas difíceis, são críticos, superexigentes,  mandões, impacientes e insensíveis. São os chamados "Átila, rei dos Hunos". Por onde passam não nasce mais grama. São super competitivos e pessoas cujas opiniões e pontos de vista devem sempre prevalecer. Como negociar com um controlador difícil? Saiba ser firme sem ser grosseiro. Eles gostam de competir. Mas quem fica intimidado diante de um controlador dá margem a que ele fique cada vez mais agressivo ou então passe a desprezar esta pessoa. Quando você está diante de um destes tratores e ele começar a zangar-se ou gritar com você, pare por um momento, espere que ele diminua ligeiramente o ataque e faça o seu movimento posicionando-se. Caso ele o interrompa, diga em voz firme e alta: "Você está me interrompendo". Se ele não parar diga novamente e continue com a sua argumentação falando do seu ponto de vista e de uma maneira assertiva. Chame-o de uma forma clara e alta pelo nome. Procure mantê-lo sentado e sente-se também. De qualquer forma, tenha cuidado para que seus movimentos não sejam interpretados como um ataque. Estas pessoas quando enfrentadas em seus ataques, mas sem se sentirem derrotadas, podem fazer aproximações amigáveis com você. Neste caso aproveite a deixa e responda de uma forma amigável. Mantenha o contado olho a olho. De forma alguma procure fazer com que ela se sinta por baixo. A não ser que você queira entrar num longo conflito.

 

Os apoiadores, em certo sentido, são o oposto dos controladores. Têm como necessidade principal a aceitação, inclusão e pertencimento. Quando desenvolvem o lado positivo são amáveis, compreensivos, bons ouvintes, prestativos e jogam para o time. Entretanto, quando desenvolvem o lado negativo tornam-se supergentis e superagradáveis e precisam e fazem tudo para serem aceitos por todas as pessoas o tempo todo. Eles procuram fazer com que os outros se sintam amados e gostados. Por não gostarem de ferir as pessoas, evitam conflitos, são extremamente dissimulados, ineficientes e não dão as suas opiniões sinceras. Prometem com o único intuito de agradar. Assim, acabam concordando com coisas que posteriormente não cumprem. Portanto, alguém pode fechar aquilo que considera um ótimo acordo com um apoiador e constatar posteriormente que nada foi cumprido. Ou pode sair de uma entrevista para admissão em um novo emprego crente que obteve a vaga para depois verificar que nunca mais foi contatado. Como negociar com um apoiador difícil? Eles devem se sentir realmente aceitos para emitirem suas verdadeiras opiniões. Caso contrário, você estará tirando conclusões ou tomando decisões baseado em informações falsas. Eles gostam de ser vistos como pessoas em quem você está interessado. Se for possível, fale sobre aspectos pessoais dos supergentis, tal como alguma coisa da família ou da roupa que estão vestindo. Mas isto deve ser autêntico, pois eles são muito perceptivos e estão atentos aos sinais não verbais. Quando começarem a elogiar alguma coisa que você tenha feito, se você quiser a opinião verdadeira, agradeça e pergunte pelo que está bom, mas que pode ser melhorado, não pelo que está mal. Diga que embora esteja bom, sempre existem coisas que podem ser melhoradas. Não permita que se comprometam, irrealisticamente, como prometendo realizar tarefas cujo prazo você sabe de antemão que não podem ser cumpridos. Procure ser específico e amarrar bem as coisas, de modo que fique evidente a impossibilidade do cumprimento da tarefa no prazo previsto. Procure fazer negociações em que fique claro o que cada um está recebendo de modo que deixe a ambos satisfeitos. Finalmente, esteja atento ao humor com que podem dizer as coisas. Como não têm por hábito falar diretamente o que pensam de negativo, freqüentemente usam de um humor de duplo sentido. Assim, esteja muito atento às sutilezas.

 

Os catalisadores são pessoas orientadas para idéias, cuja necessidade principal é reconhecimento. Quando desenvolvem o lado positivo possuem qualidades bastante apreciadas. São criativos, empreendedores, persuasivos, estimulantes e entusiásticos. Porém quando desenvolvem o lado negativo, de forma a se tornarem pessoas difíceis, tornam-se exclusivistas, impulsivos, difíceis de crer e inconstantes. Quando têm necessidade de serem super reconhecidos, estes aspectos negativos se exacerbam e tornam-se pessoas bem difíceis. Tendem a vender demais a si mesmos e não cumprir o que prometem. São os chamados ego-inflados. Ocupam todo o espaço. São capazes de frases como "bendito é o sol que tem a mim para iluminar". Ficam tão entusiasmados com suas idéias, sobretudo quando percebem que estão causando um efeito positivo, que se tornam absolutamente estratosféricos, perdendo vínculo com a realidade. Quanto mais efeito suas idéias causam, mais exageram. Não podem se conter. Costumam pular de galho em galho e estão cheio de projetos maravilhosos, mas totalmente inconclusos. São os tipos que vendem geladeira para esquimós. Quando fazem um trabalho em conjunto querem ter todos os méritos, mesmo que as suas contribuições sejam mínimas.

O que fazer para tratar com um catalisador difícil? Tenha um grande cuidado para não se deixar envolver pelo grande poder de persuasão do catalisador difícil. Procure ser objetivo sem ser detalhista. Seja firme e esteja preparado para enfrentar as reações de explosão que são freqüentes quando ele está sob tensão. Procure dados de realidade e acima de tudo tenha presente o seu foco. É preciso encontrar uma forma de trazê-lo para a realidade. Caso você o perca, poderá embarcar numa viagem às nuvens. Quando ele começar a pular de galho em galho, saiba trazê-lo para o seu foco. Procure encontrar formas efetivas de elogiá-lo. É preciso cuidado para que este elogio não tenha qualquer tom irônico, pois poderá botar tudo a perder. Se você está num trabalho de grupo defina tudo muito bem definido: atribuições e créditos. Como freqüentemente não cumprem os prazos, por estarem envolvidos em mil atividades e com suas idéias maravilhosas, você, para que o trabalho seja concluído no prazo, poderá ter de fazer tudo sozinho e na hora de apresentar o trabalho, acabar numa posição periférica. Assim, seja firme, com pés no chão e não deixe que o seu espaço seja invadido.

 

Os analíticos têm como principal necessidade a segurança. Quando desenvolvem o lado positivo são organizados, sérios, cuidadosos, pacientes e controlados. Entretanto, quando desenvolvem o lado negativo tornam-se meticulosos, teimosos, procrastinadores e perfeccionistas. Sempre querem mais informações e em função disto tornam-se indecisos ou acabam se perdendo em mil detalhes. Um outro ramo de analíticos difíceis é o dos negativistas. Com alguma freqüência, são pessoas competentes, que respondem a qualquer sugestão produtiva com "isto não vai funcionar", "nós já tentamos isto antes" ou "esqueça, eles nunca vão nos deixar fazer". É preciso não confundir o analítico saudável, que diante de uma nova proposta, cuidadosamente considera  as razões para não se seguir um determinado curso de ação, do negativista que, por princípio, é contra. É importante considerar que muitos projetos falharam porque ninguém se perguntou o que poderia sair de errado. Assim, se diante de uma análise negativa você perguntar o que se poderia fazer a respeito, e receber algum tipo de sugestão para superar a situação, você está diante de um analítico saudável. Se como resposta você ouvir um "não há nada que possamos fazer", você está diante de um negativista. Como negociar com um analítico negativista? Primeiramente não se deixe abater e não se torne pessimista. Tenha presente que o negativismo é contagiante. Construa suas defesas emocionais através de um otimismo realista e o manifeste ao negativista, mais de uma vez se for preciso. Procure contar exemplos que mostrem que já houve casos de superação da situação. Na pior das hipóteses, apele para a sua fé ou crença de que há uma solução. Não tente persuadir o negativista, pois isto é praticamente impossível. Vai ser uma perda de tempo. Procure fatos que permitam conhecer melhor a situação. É fundamental as perguntas, o que, quem, como, quando e onde. Cuidado com os porquês precipitados, pois o negativista vai saltar para a sua conclusão negativa. E nisto eles são bons. Não se apresse em conclusões. Quando as alternativas de ação forem finalmente geradas, você pode usar o negativista construtivamente, procurando que digam quais as possíveis conseqüências negativas  e riscos, caso um determinado curso de ação seja implementado. Assim, tenha paciência e saiba que o negativista pode ser utilizado positivamente no processo de solução de problemas.

 

A terceira categoria de pessoas difíceis são as que só querem levar vantagem, centradas unicamente em seus próprios interesses e que se valem de todos os meios, inclusive os não éticos, para atingir seus propósitos.  Neste caso, a primeira coisa a fazer é conhecer as suas alternativas de ação que são: retirada, tornar-se difícil também, na base de responder na mesma moeda ou seja do olho por olho e dente por dente, ou tentar converter a situação, inclusive buscando o desfecho ganha/ganha. Para isto é preciso que você levante as oportunidades existentes, as possibilidades de satisfazer os seus interesses, necessidades e expectativas e o quanto você vai ter de pagar, inclusive em termos de desgaste emocional, ou seja, a relação benefício/custo. Sempre que se dispõe da possibilidade da retirada, ou seja, poder dizer para o outro lado, "até logo, não quero mais participar deste jogo", se está numa situação forte e confortável, pois é possível estabelecer as condições e regras para se voltar a negociar, se isto for do interesse do outro lado. A linha de ação do "olho por olho" acredita que é possível converter uma situação através da sinalização para o outro lado de que se ele for agressivo e intolerante terá uma resposta agressiva e intolerante. E se ele mudar, tratando a situação com respeito e consideração terá a mesma resposta, ou seja, respeito e consideração. Algumas vezes é possível alterar a situação adotando-se esta linha de ação. Outras vezes, entretanto, este procedimento faz aumentar a escalada de conflito, fazendo que se chegue, inclusive, a um resultado perde/perde. A terceira linha de ação, tentar converter a situação, inclusive, buscando o desfecho ganha/ganha, é a mais difícil e a que demanda maior competência. Os lucros de se seguir esta linha de ação, entretanto, podem compensar significativamente os custos e os riscos de adotá-la.

 

ALGUMAS DICAS

 

Eis os principais pontos a serem considerados:

 

  1. Tenha clareza de seus objetivos e procure manter o foco;

  2. Conheça todos os truques e ardis existentes para que você não seja vitimado por algum deles. Estes negociadores têm como padrão obedecer a 1a. Lei de Roger, um consultor europeu, especialista em pirataria e trambiques ingleses, que é: Não pecar contra o 11o. mandamento, isto é, não seja pego. Assim, vale tudo. O importante é não ser flagrado. Existem duas categorias de táticas ganha/perde: as falcatruas e as de fragilização do estado mental. São exemplos de falcatruas os dados falsos, a criação de dependências, as posições iniciais extremadas, os falsos acordos e a surpresa final. Entre as táticas de fragilização do estado mental estão os esquemas de sedução e encantamento, as ameaças, a provocação de situações estressantes, o coitadinho, o menosprezo e o bom sujeito-mau sujeito;

  3. Separe as pessoas dos problemas, isto é, não permita que os comportamentos das pessoas difíceis e as táticas ganha/perde utilizadas, façam com que você se perturbe emocionalmente e perca de vista o seu foco bem como a substância do que está sendo negociado. Existem alguns comportamentos que podem acontecer nestas situações e que são extremamente negativos, tais como agressão, regressão, fixação, racionalização, resignação e compensação;

  4. Siga as etapas do processo de negociação. Estas etapas são: preparação, abertura, exploração, apresentação, clarificação, ação final e controle/avaliação. Tenha presente os seguintes pontos: a maioria das negociações é ganha ou perdida de acordo com a qualidade da preparação. Assim, leve na devida conta os aspectos relacionados à informação, tempo e poder. Procure primeiro compreender depois ser compreendido. Identifique os interesses comuns complementares e opostos. Identifique ou construa alternativas de ganho comum. Apresente sua proposta em função dos interesses e necessidades do outro lado, sobretudo em termos de soluções e benefícios. Tenha sempre em vista que a negociação não acaba quando o acordo foi firmado e sim quando foi cumprido;

  5. Considere a negociação com uma pessoa difícil, inicialmente, como uma oportunidade e não uma ameaça. Procure verificar se ela de fato existe;

  6. Considere que o importante não é o que se faz, mas a resposta que se obtém pelo que se faz. Assim, se o que você está fazendo não está produzindo os resultados que você deseja, mude. Encontre outros caminhos. Tenha flexibilidade.

 

Assim, o fundamental para o êxito é o entendimento total de todos os fatores indispensáveis para o sucesso. E isto não importa com quem se esteja negociando.

 

Para finalizar, um último mas importante aspecto: é preciso que você se pergunte se, de fato, a pessoa difícil é o outro e não você, pois você pode estar projetando no outro as suas dificuldades, padrões comportamentais e maneiras de ser. Pode ser que o outro esteja se dizendo mentalmente: "puxa, mas que sujeitinho difícil e complicado".

 

Material retirado do Pocket MBA Mudando o Comportamento Organizacional nas Negociações (10 Módulos, incluindo Coaching).


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ATUALIDADe

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José Luiz Meinberg

Diretor Comercial e Consultor Sênior  do Instituto MVC

 

 

Trade Marketing ou Marketing do Trade?

 

 

A palavra “Trade”, que traduzida literalmente significa comércio, tem sido cada vez mais utilizada entre o pessoal de marketing e vendas. Não se trata do significado tradicionalmente voltado ao comércio exterior, um termo usado para indicar negócios feitos entre empresas de países diferentes através das Trade Companies.

 

O trade, utilizado aqui no mercado interno, ganhou notoriedade a partir do momento que os intermediários, principalmente o varejo, passaram a ter mais poder no Canal de Distribuição. Na verdade estes sempre foram chamados de “trade” por aquelas empresas nitidamente influenciadas pelas escolas de marketing dos Estados Unidos.

 

No canal de distribuição, de um simples papel de facilitadores dos fabricantes os intermediários passaram a decidir o que seria disponibilizado aos consumidores final, como e quando seria e por quanto seria. Como conseqüência, numa situação totalmente nova, os fabricantes passaram a depender fundamentalmente das decisões do varejo e dos distribuidores.

 

O desafio para os fabricantes passou a ser criar as condições necessárias para que seus produtos passem pelos intermediários (varejo), de uma forma rápida e lucrativa para cumprir a promessa de valor para seus consumidores.

 

É uma nova área de competência na gestão mercadológica. Não é só uma decisão de comunicação no ponto-de-venda para uma ação promocional. Abrange decisões financeiras relativas ao preço de venda e de revenda, decisões sobre a logística de entrada no varejo e dentro do varejo, decisões sobre agrupamentos de produtos, embalagens, etc. Obriga um conhecimento mais amplo da relação de cada consumidor, com cada loja de varejo e a que estímulos eles estão mais sensíveis, e em como transformar esta relação e estimulo em negócios para o fabricante.

 

Não é uma competência da área do marketing da empresa porque este tradicionalmente esteve focado no consumidor, o “Consumer Marketing”, e não tem a experiência e vivência do marketing através do varejo, em toda sua amplitude.

 

Não é uma área de competência de vendas porque vendas, por tudo que possamos ter incluído de capacitação e preocupação em sua gestão, ainda não adquiriu através de sua equipe de vendedores, a direção prática da estratégia mercadológica para a tomada de decisão de um processo de vendas. Mesmo que não queiramos, a gestão de vendas ainda está focada no fechamento do mês. Aí ela é mais tática que estratégica. E a atuação de seus profissionais são o reflexo desta situação.

 

Não sendo uma área de competência de marketing ou de vendas foi necessário desenvolver uma nova área da gestão da empresa. Uma área focada no desafio de fazer passar o produto pelos intermediários principalmente o varejo.

 

O Trade Marketing, portanto não é o marketing dos intermediários. É o marketing através dos intermediários. Uma nova área de competência.

 

Mesmo sendo uma nova área de competência, cabe alertar que continuará existindo uma relação íntima entre a preparação e a execução. A preparação, responsável pela arquitetura mercadológica, virá do Trade Marketing enquanto disciplina de retaguarda. A área de execução, a construção do processo mercadológico no mercado será representado pela área de vendas. E esta área, por sua vez, deverá adquirir novas formas de trabalhar, muito mais ampla, muito mais conseqüente com o resultado de seu cliente. É o piloto de um Fórmula 1 (vendas) e sua equipe de engenheiros (a equipe de Trade Marketing).

 

Mas por que tudo isto ocorreu?

 

Até os anos noventa encontrávamos o seguinte cenário:

  • Eram poucos os fabricantes. A qualidade de seus produtos era efetivamente superior a seus concorrentes diretos, suas marcas eram fortes a ponto de serem confundidas com seu segmento de mercado;

  • Em função da inflação reinante até então o melhor argumento de vendas era “compra porque a tabela vai aumentar” e a conseqüência era uma distribuição sob pressão com o fluxo de produtos empurrado em direção ao consumidor;

  • A comunicação era a de massa, o veículo principal era a televisão e a promoção de vendas tinha o objetivo de “baixar” o estoque no ponto-de-venda ou, então, mesmo ajudar a empurrar os estoques dos distribuidores/atacadistas em direção ao varejo;

  • O consumidor fazia grandes compras para proteger seu salário ao final do mês e procurava não arriscar esta compra com marcas que não as tradicionais. Era, portanto fiel a elas. Tinha baixo conhecimento das opções existentes e não se sentia seguro em arriscar trocar as tradicionais porque não se sentia protegido;

  • O varejo procurava ir em direção ao consumidor e à sua fidelidade. Por sinal esta sempre foi a sua missão: interpretar e disponibilizar a demanda desejada por seus clientes. Tinha baixo poder para influenciar qualquer modificação da cesta de compras;

  • Para “provocar” seus clientes autorizava os grandes fabricantes a desenvolver ações de merchandising de grande impacto com grandes áreas de exposição e por ações de promoção de vendas do tipo “leve 3 pague 2” que, em últimas palavras, ajudava a empurrar os estoques para a casa do consumidor. Os espaços de exposição, a gôndola e os produtos que ali eram expostos, eram determinados (gerenciados) com a estreita colaboração dos fabricantes justificado pelas ações de comunicação propaganda realizada pelos fabricantes.

Um marco significativo!

 

Um fato determinante representa o marco desta significativa mudança nas relações e percepções. Um instituto de pesquisa americano (POPAI) veio ao Brasil e fez uma avaliação do grau de planejamento das compras realizadas por consumidores em supermercado. A conclusão foi bombástica: uma grande parcela dos compradores, cerca de 85%, tomava a decisão do que comprar apenas no ponto-de-venda. Alguns decidiam apenas pela categoria de produto. Outros nem categoria nem mesmo o que comprar. E apenas 15% saíam de casa com lista do que comprar com suas respectivas marcas. Em outras palavras um grande número de pessoas não planejava suas compras, muitas vezes, comprando por impulso provocado por algo dentro da loja.

 

O porquê desta mudança:

  • Comparando com a situação anterior vamos encontrar um consumidor mais maduro fruto de sua maior autoridade no processo da compra (o Código de Defesa do Consumidor foi um marco para isto). Com uma moeda mais estável as compras passaram a ser feitas em menor quantidade e mais vezes durante um período. Afinal não é mais necessário “proteger” o salário. Por comprar em menor quantidade passou a arriscar mais, experimentando outras marcas. Por experimentar outras marcas descobriu a pouca diferença entre a qualidade dos produtos existentes nas prateleiras. E, como conseqüência, deixou de lado a fidelidade às marcas tradicionais;

  • Isto foi possível também pelo grande número de novos fabricantes e produtos ofertados ao mercado. A qualidade já não é mais reserva diferencial de alguns produtores: é acessível e não onera o custo de venda. Ao contrário qualidade comoditizada reduz custo e aumenta a competição pelo preço baixo, a forma mais simples de atrair quem compra para revender e quem compra para seu próprio uso;

  • O grande número de fabricantes dividiu o “bolo” dos consumidores em fatias menores. Com potencial de volume menor os investimentos em imagem de marca foram prejudicados pela baixa lucratividade resultante deste baixo volume e pela “guerra de preço baixo”. A solução, na maioria das vezes, para trabalhar a comunicação de marca tem sido a de investir no ponto-de-venda, garantindo de um lado giro de seus produtos, o objetivo maior do varejista e do outro prejudicando a construção de imagem de marca pelo imediatismo das ações pontuais.

O poder agora está do outro lado.

 

O varejo, por sua vez, ficou com a melhor parte desta radical mudança. De simples facilitador do processo de levar o produto ao consumidor final passou a ter o poder de decidir o que deve ser levado ao consumidor. E como deve ser levado: preço, local de exposição, destaque nas suas ações de comunicação e assim por diante.

 

Se as decisões de compra dos clientes do varejo são tomadas no ponto-de-venda frente ao que ali está exposto, se os clientes aceitam experimentar opções do que comprar, se o número de fornecedores do varejo aumentou significativamente, se existem pelo menos três grandes marcas como opção de compra em cada da categoria de produto, por que não exercer este poder dentro desta situação? É uma situação clara e inevitável.

 

Agora, para o fabricante vender ao consumidor terá de passar por este poder. Terá de “pagar pedágio” para chegar ao consumidor final. E é dentro deste cenário que vamos encontrar o desenvolvimento de uma nova área de competência do marketing. O marketing através do intermediário. O Trade Marketing.

 

Área de atuação do Trade Marketing

 

O foco fundamental do Trade Marketing é unir as necessidades dos consumidores com as necessidades do varejo com a oferta de sua marca. Para tanto deverá estar focado no desenvolvimento das relações entre o fabricante e o canal de distribuição para poder chegar ao consumidor. O consumidor continuará sendo estudado e focado pelo Marketing Tradicional. O Trade Marketing deverá ter íntima ligação com o Marketing Tradicional  para dar continuidade à proposta de valor do produto e vice-versa.

 

Para que isto ocorra as áreas de estudo do Trade Marketing deverão ser: como aplicar os 4 Ps (Produto, Preço, Promoção no sentido amplo de comunicação e Praça) na interface do varejo.

 

Bases para o Trade Marketing

 

Como a base do raciocínio em relação aos intermediários, principalmente o varejo, não custa lembrar que:

  • Varejo compra produtos pelo que rendem não pelo que ele faz para o consumidor (giro é palavra-chave);

  • Varejo gerencia categorias de produto e não marcas isoladas. Cada categoria, de cada loja tem um portfólio específico de tipos de produtos para atender necessidades específicas de sua área de influência;

  • Compartilhar/capturar informações através de troca eletrônica de dados ajuda a gerenciar estoques e medir a saída do produto facilitando processo de reposição adequada de estoque evitando ruptura de estoque e fornecimento exagerado de produto por ponto-de-venda;

  • Atender às necessidades da logística do varejo é ponto fundamental para a manutenção de uma relação sadia;

  • Ações de ponto-de-venda podem ser bem aceitas desde que estas não sejam exageradas como benefício exclusivo da marca e pouco do ponto-de-venda;

  • Planos de apoio de comunicação da marca no ponto-de-venda serão bem aceitas e ajudarão a estreitar o relacionamento comercial desde que contenham a importante tarefa de também promover a imagem do local.

Vendas e o Poder do Varejo

 

Dentro deste cenário vendas deve representar uma nova interface com os canais de distribuição principalmente o varejo.

 

O vendedor deve ser um especialista num determinado cliente (ou grupo de clientes) pois é através deste conhecimento e especialidade que serão desenvolvidas as melhores ofertas.

 

Vendedor deve desenvolver conhecimento e habilidades mais que as da negociação em busca do pedido do cliente. Deve ser um gestor do relacionamento do cliente para com a empresa através da área de vendas, logística, comunicação e finanças.

 

Portanto, vendas passa a ter a autoridade para executar não só o processo da venda para o cliente como  também:

  • A negociação dos serviços logísticos da entrega e redistribuição;

  • As ações de comunicação de merchandising para garantir a visibilidade do produto e sua compra;

  • As ações de promoção vendas para provocar giro acelerado incentivando maior lucratividade;

  • As campanhas cooperativas para provocar demanda por seus produtos na lojas;

  • Além de todo processo financeiro para garantir de um lado que o objetivo do varejo seja alcançado (lucro pelo giro).

É um novo vendedor dentro da organização. Tem como tarefa a realização destas áreas da relação com o varejo e ainda gerar lucro para o fabricante.

 

Um desafio para equipes bem preparadas.

 

 

Material retirado do Pocket MBA Desenvolvimento de Gestores e Profissionais de Vendas e publicado na Revista Profissional & Negócios - Abril 2006.

 

 

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PESSOAL

 
 

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Alexandre Freire

Consultor Sênior do Instituto MVC

 

 

  TEMPO E QUALIDADE DE VIDA

 

 

O Eduardo era um cara muito dedicado ao trabalho, para não dizer workaholic. Fumava um pouco, bebia um pouco, mas gostava mesmo era de trabalhar. Começava cedo e terminava tarde. Às vezes, ia até o escritório aos sábados, ou levava para casa algumas pendências da semana. O Eduardo era uma pessoa que não tinha tempo para nada, afinal, o trabalho consumia a maior parte de seu dia, sendo o resto do tempo gasto com necessidades físicas como comer, beber e, às vezes, dormir...

 

Certa vez, decidiu melhorar sua qualidade de vida, e começou a jogar bola aos domingos, pois aos sábados, como disse, tinha de trabalhar. Em um destes domingos de futebol, passaram a bola para o Eduardo, e ele, como se fosse um menino, avançou com ela em direção ao gol, até que subitamente, sentiu uma dor profunda no peito, caiu, e jamais acordou outra vez. Esta é uma história real, e é semelhante também à história de muitos profissionais atualmente.

 

As pessoas, como o Eduardo, acreditam que qualidade de vida significa separar umas horas no fim de semana para fazer exercícios e se divertirem. É o mesmo que encher um balão soprando cinco vezes com muito esforço e dando uma pausa para adquirir novo fôlego. No final, após soprar ininterruptamente, o balão estoura, apesar das pausas para descanso.

 

Qualidade de vida é a busca permanente do equilíbrio entre os diversos papéis e atividades que desempenhamos diariamente. Se você é uma pessoa guiada pela agenda, você é escravo do relógio. O relógio é apenas um indicador de tempo, não um indicador de prioridades. Sugiro que você preste mais atenção à bússola.  Uma bússola é composta por uma agulha magnética na horizontal suspensa pelo centro de gravidade, e aponta sempre para o norte. Por quê então prestar atenção a bússola? Porque ela direciona seu caminho.

 

Quando estabelecemos nossas prioridades, estabelecemos um norte, um caminho, um objetivo. A bússola é isto. Ela aponta o norte e você sabe para onde deve ir guiado pelas prioridades estabelecidas anteriormente. A busca pela qualidade de vida vai exigir de você mais determinação e disciplina que qualquer outra escolha. Quando você se deixa levar pelo relógio, você se condiciona a viver o urgente, que não significa, necessariamente, que seja o importante.

 

Voltemos ao Eduardo. Se o Eduardo tivesse usado a bússola, ele teria descoberto que uma de suas prioridades na vida seria sua saúde. Ele jogaria futebol e faria caminhadas regulares. Outra prioridade seria conviver com sua filha. Se programaria para levá-la a escola pelo menos três vezes por semana e brincaria com ela aos sábados. Uma outra prioridade seria de ordem espiritual, envolvendo-se em alguma atividade beneficente. Enfim, o Eduardo seria conduzido pela bússola, mas através do equilíbrio de seus papéis.

 

O que causou a morte de Eduardo não foi jogar bola aos domingos! O que matou Eduardo foi o desequilíbrio entre seus diversos papéis e atividades diárias. Ele se deixou conduzir pela agenda das tarefas de um papel só: o de profissional. Eduardo soprou o balão com muita força, e apesar de dar uma pausa jogando bola aos domingos, o balão acabou estourando, deixando para trás sua mesa na empresa que foi rapidamente ocupada por outro profissional.

 

Porém, em casa, no clube, e na comunidade onde vivia, deixou um rastro de vazio, vazio este que jamais será preenchido por outra pessoa. O Eduardo é único, como você é único.

 

Responda agora. Se você tivesse seis meses de vida, que atividade você enfatizaria menos hoje?  Sua resposta é um ponto de partida para começar a mudar.

 

 

Material retirado do Pocket MBA Melhoria da Performance Gerencial.

 

 

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MENSURAÇÃO

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J.B. Vilhena

VP do Instituto MVC

 

 

TUDO PODE SER MEDIDO, SEMPRE!

 

 

Um erro comumente cometido pelas empresas é acreditar que existam coisas que não possam ser medidas. Algumas áreas da organização são “useiras” dessa afirmação. Principalmente na hora em que tentam aumentar seu budget.

 

O pessoal de marketing adora dizer que os resultados de determinadas ações – de promoção, por exemplo – não são mensuráveis. A turma de RH tem o hábito de afirmar ser impossível mensurar o resultado de determinadas ações que empreende – treinamento, por exemplo. Acredito que não exista nada que não possa ser medido. É lógico que nem sempre vale a pena medir qualquer coisa. Amor de mãe não tem medida? Tem. Mas para quê tentar estimar o quanto uma mãe ama um filho? A escala teria de ser tão grande que tenderia ao infinito. Mas o que funciona no mundo materno não tem correspondência no mundo empresarial. Só pode ser melhorado o que pode ser medido. Isto deveria ser uma regra para todos, mas não é!

 

TIPOS DE MEDIÇÃO

 

Pensemos juntos sobre alguns aspectos práticos da medição.

 

Existem sistemas de resultado direto. Nesses sistemas, a análise dos resultados da medição nos permite inferências – e decisões – imediatas. São exemplos de sistemas de resultados diretos: o fluxo de caixa, o controle da lucratividade, a participação de mercado, a capacidade nominal de produção de uma máquina ou o número de horas investidas em treinamento de segurança.

 

Outra classificação são os chamados sistemas de resultados indiretos. Vejam um exemplo. Medir o retorno do investimento em publicidade é fundamental para o profissional de marketing (afinal toda a decisão de marketing é, ao fim e ao cabo, uma decisão financeira). Imaginemos termos feito uma campanha de comunicação que consumiu 100 mil reais em investimentos. Durante a campanha vimos nossas vendas subirem de um para dois milhões de reais. Podemos, a priori e precipitadamente, afirmar que tivemos um retorno de um para dez. Afinal, 100 mil geraram vendas adicionais de 1 milhão. Mas será isso verdadeiro? Se formos medir mais criteriosamente podemos descobrir que 200 clientes foram responsáveis pela geração do milhão adicional. Mas, desse total, 40 compraram 800 mil e 160 compraram apenas 200 mil. Se descobrirmos o tipo de mídia que motivou esses 40, podemos reduzir o investimento para 20 mil e obter um retorno de 800. Ou seja, a relação ultrapassaria em muito o 1 para 10. Passaria a ser de 1 para 40 (é claro que essa exata correspondência matemática não se evidencia no dia-a-dia, mas os números nos ajudam a pensar que realmente vale a pena medir para melhorar). Em síntese, o mesmo estímulo gera respostas diferentes em termos de nível de consumo. Temos que analisar mais de uma vez o resultado para poder chegar a algumas conclusões e decidir a partir delas.

 

A terceira e última classificação são os sistemas de resultados incertos. Uma determinada organização contrata um treinamento. Ao final do mesmo aplica um questionário chamado avaliação de reação. O resultado obtido foi excelente. O que isso significa? Simplesmente que as pessoas gostaram do treinamento.

 

Um segundo passo seria investigar o quanto das informações fornecidas foi retido. Isso pode ser feito através de várias sistemáticas: provas presenciais ou à distância, trabalhos, resposta a questionários, entrevistas com superiores, pares e subordinados (buscando identificar o quanto aquele novo conhecimento refletiu no dia-a-dia de trabalho) e outros. Imaginemos que, ao avaliar o conhecido adquirido, também chegamos à conclusão que a taxa de retenção foi elevada. Podemos nos dar por satisfeitos? Não.

 

É preciso, em uma terceira etapa, verificar se o participante está usando o que aprendeu. Muitas vezes, o ambiente de trabalho não permite mudanças (empresas esclerosadas têm muita dificuldade em lidar com o novo). Ou pode ser que o uso daquele novo conhecimento tenha produzido, no primeiro momento, um resultado aquém do esperado e o praticante tenha desistido dele. Mil e uma razões podem estar impedindo o uso daquilo que foi aprendido (e essas razões podem não ter nada a ver com a vontade do participante de usar o que aprendeu).

 

Mas há, ainda, uma quarta medida que precisa ser levada em consideração. Mesmo que o participante tenha gostado, aprendido e esteja usando os conhecimentos adquiridos no treinamento, pode ser que os resultados que esteja obtendo sejam insuficientes. Insuficientes para quê? Para garantir o retorno feito na ação de treinamento, para justificar os custos de mudança, para valer a pena o desgaste sofrido junto àqueles que continuaram a pensar como antes, mesmo de                            pois de terem sido treinados. Em outras palavras, investimento em treinamento não obedece a uma relação direta de causa e efeito. Os resultados são incertos e difusos. É por isso que não se pode deixar de avaliar o retorno desse tipo de investimento.

 

Escolha a régua e o compasso certo e não aceite mais que lhe digam que alguma coisa – qualquer coisa – não pode ser medida. Lembre-se de que o que não pode ser medido não pode ser cobrado. Todo empregado pouco competente adora isso.

 

 

Material retirado dos Projetos de Certificação Comercial (Consultoria E Treinamento). Originalmente publicado na Revista Profissional & Negócios.

 

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LIDERANÇA

 

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MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA

Presidente do Instituto MVC

 

 

Se eu fosse o Parreira...

 

 

Da mesma maneira que cada vez mais a Ciência da Administração se utiliza do esporte como fonte de inspiração, quem sabe, uma ousada tentativa do movimento inverso não seria possível. Sinceramente, no meu ponto de vista, a complexa conquista do hexa, por sua importância para o futebol e, mais que tudo, para todo o povo brasileiro, deve usar todas as ferramentas possíveis.

 

Tais fatos me instigaram a usar, dentro de seus limites, o pensamento de gestão neste esporte que também é negócio e que, acima de tudo, é Arte, mas também, é Ciência.

 

Já faz tempo que analiso, sob esta ótica, os resultados positivos e negativos do futebol e do voleibol. A evolução do esporte e a criação de um estado de alta performance, em níveis quase equivalentes, em inúmeras equipes, faz com que muitas vezes o verdadeiro diferencial não esteja somente no esporte em si, mas sim, em outras Ciências que apóiam o rendimento do Ser Humano Atleta. De maneira mais óbvia, a Medicina (com destaque para a Biomecânica) e a Fisioterapia já têm seu papel definido. A Psicologia e a Neurolingüística começam a ganhar espaço. Em meu ponto de vista, a Ciência de Administração está ainda restrita à atuação de pouquíssimos gestores do esporte.

 

O PASSADO

 

Em 1994, em diversos artigos, apoiado também por inúmeras dinâmicas de grupo em seminários, fiz uma análise dos Fatores de Sucesso Estratégico de nosso tetracampeonato já comandado por Carlos Alberto Parreira cujo “sumo dos sumos” fica indicado no quadro a seguir:

 

Fatores Críticos de Sucesso

Fatos Marcantes

Humildade

Quem não se lembra de Romário, para surpresa de todos, elogiando Bebeto.

Espírito de equipe

Uma bela inovação, proposta por Ricardo Rocha: o time entrando em campo de mãos dadas.

Planejamento

O líder Parreira, com sua alta competência de gestão, usando esta ferramenta da administração para antecipar etapa a etapa o futuro das atividades.

Persistência

Outro dom do Parreira: a partir do planejamento uma força irresistível de cumprir o planejado. Todos se lembram que até o Presidente da República pedia para trocar o ataque.

Tecnologia

Na informática e na preparação física foi usado o estado da arte da tecnologia. Informação completa e preparo total foram atingidos. Na final, o estado físico dos jogadores brasileiros e italianos, durante a cobrança de pênaltis separava o vinho da água.

Liderança

Parreira, Zagallo, Ricardo Rocha, Dunga e Romário formavam uma constelação de líderes, com enorme sinergia e força de integração, alimentados pelo espírito-de-corpo altamente positivo.

Foco no Resultado

Fica até hoje marcado em nossa lembrança o discurso único dos jogadores no qual: “dinheiro seria conseqüência do sucesso”, e fator pequeno diante de desafios da própria Copa.

Disciplina

Característica de alta qualidade do líder Parreira e base para a implantação de todos os outros atributos.

 

Em 2002, escrevi também vários artigos sobre o pentacampeonato, dos quais escolhi um que acho que vale a pena ser relido, nesta análise.

 

O GRANDE EXEMPLO

 

Passados cerca de dois meses deste magnífico momento da vida brasileira, é hora, mais que nunca, de analisarmos com toda seriedade o que podemos aprender com este grande feito. Particularmente, no meu ponto de vista, como base e fundamento maior do Penta existe um verdadeiro Modelo de Gestão consolidado e complementado por Luiz Felipe Scolari, mas que, a bem da verdade, começa com Carlos Alberto Parreira em 1994. Um verdadeiro, inquestionável, irrefutável “case” de sucesso. Simplesmente em oito anos ganhamos duas Copas, chegamos a um vice-campeonato, escrevendo para muito tempo nossa excelência no campo de futebol. Para os mais céticos, é importante lembrar que isto não é pouco. Estamos não só no esporte, mas em um negócio que envolve centenas de bilhões de dólares. Estima-se que mais de dois bilhões de pessoas assistiram a esta última final. Somos sucesso absoluto em mundo grandioso.

 

Pelo menos, dezesseis Atributos de Sucesso dão embasamento a esse Modelo de Gestão:

 

Clima, Coerência, Comprometimento, Disciplina, Doação, Flexibilidade, Foco em resultados, Humildade, Informação, Liderança, Participação, Persistência, Planejamento, Tecnologia, União / Integração e Valores.

 

Alguns merecem destaque maior porque além de sua eficácia fogem à regra do comportamento de times e empresas. Sem uma necessária ordem de importância a conjugação da Doação e Comprometimento pode representar um bom início de análise. Evandro Motta, já em 1994, utilizou o exercício mental da Doação para criar a energia necessária para o difícil desafio do Tetra. Sua pergunta foi contundente: “Que preço vocês estão dispostos a pagar para ganhar a Copa?” Em todas as minhas palestras junto às Universidades, eu demonstro que é perfeitamente possível alguém se tornar um talento e, portanto, ter seu espaço garantido no difícil mercado profissional. A solução: basta querer pagar o preço. Em outras palavras, basta ter a capacidade de Doação, de entrega. Isto significa ter a postura do Comprometimento onde não só se veste, não só se sua a camisa, mas, indo além coloca-se a tatuagem do escudo do time ou da logomarca da empresa na própria pele. Nisto, a Família Scolari foi perfeita e diferente.

 

Ao contrário do mundo empresarial do organograma feudalizado, nossos jogadores mostraram, na prática, como um grupo é mais importante que cada indivíduo. A Coerência do sistema não pode ser arranhada por ninguém. Até o gesto infantil de Ronaldinho Gaúcho, que gerou sua expulsão contra os ingleses, foi imediatamente compensado por um generalizado “Nós vamos ganhar o jogo para você”. Isto significa uma séria postura de Humildade, (antagônica de arrogância) fundamental premissa no mundo empresarial de hoje. Fechando esse eixo, a União e Integração de nosso time, certamente, foram importantes fatores de diferenciação competitiva.

 

A competência da Flexibilidade, mesmo baseada em um conjunto de valores fixos, pode servir como excelente orientação às empresas brasileiras. Baseado em um vigoroso sistema de Informações, para cada jogo, um esquema específico com novos jogadores, com novas funções era montado. Jamais o entendimento do taylor-made, do segmento focado, foi traduzido com tanta importância. Por isso mesmo, chegou-se a um momento mágico superior: a versatilidade do “pai severo” e “paizão”, escolhendo a hora certa para cada um, a seriedade do campo e a descontração no ônibus, a razão com a emoção criaram uma equipe acima de tudo com alma. Inúmeros “experts” (?) nos colocavam em oitavo lugar na lista de favoritos; muita gente boa (?) afirmava que não passaríamos das quartas-de-final. Isto demonstra que, efetivamente, nosso time não era dos melhores – e a dificuldade da classificação é prova inconteste deste fato. No entanto, o chefe da família teve a capacidade da Motivação e, mais que tudo, colocou autoconfiança, seguida por uma alta capacidade de auto-superação. Por isso, Gilberto Silva foi impecável, o garoto Kléberson não tremeu. Rivaldo barcelonou, Roque Júnior melhorava a cada minuto, Edmilson fez o gol da Copa, o menino Ronaldinho Gaúcho mostrou o gênio que é, São Marcos foi canonizado, Roberto Carlos humildou, Cafu foi um grande capitão e o Fenômeno deixou para o mundo uma história inesquecível de Energia, Comprometimento, Paixão e Capacidade de auto-superação. É, realmente, muito material para as empresas aprenderem.

 

O LÍDER PARREIRA

 

Carlos Alberto Parreira, este brilhante líder, treinador fora de série – o qual fiz questão de incluir na minha pesquisa com cinqüenta grandes líderes brasileiros – está, neste momento, diante não só de uma difícil tarefa. Ele tem pela frente um novo desafio. A Copa de 2006 não é apenas uma árdua caminhada: ela está dotada de novas características. Pela primeira vez o Brasil começa  uma Copa como favorito absoluto. Do lado humano, sabe-se que esta situação leva à uma natural disfunção de energia, com graves conseqüências no resultado final. Esta verdade é facilmente comprovada pela realidade onde, raramente, um favorito ganha a Copa. Brasil em 1950, Hungria em 1954, Inglaterra em 1970, Holanda em 1974 e França em 2002 são apenas alguns exemplos. No basquete, as inúmeras derrotas do imbatível (?) “Dream Team” americano são provas, também, da ingrata situação de favorito.

 

Além do lado pessoal (endógeno), o favoritismo leva à um estado excêntrico no comportamento dos adversários. Ao invés do temor (“o adversário treme quando vê os amarelinhos entrarem em campo”) o grande favoritismo leva os rivais ao clima do “Já que podemos perder seja o que Deus quiser”. Alimentado pela honra de ganhar do favorito, o temor é relegado a um plano inferior e, já que não se tem nada a perder, vamos dar o melhor de nós. Medo e nervosismo ocorrem em partidas onde as forças são semelhantes.

 

Especificamente, a Copa de 2006 será em território europeu o que vai ainda criar uma série de forças complementares adversas à nossa seleção canarinha. É evidente que ingleses, alemães (os donos da casa), mais atrás os italianos, tchecos e sérvios farão de tudo para não deixar a taça atravessar o Atlântico. Este antiturismo pode ser lembrado naquele repugnante 6X1 dos argentinos sobre os peruanos, em 1978, na Copa, claro da Argentina. Somente uma vez (Brasil – 1958) sul-americanos ganharam na Europa. Esta situação fica ainda mais crítica, quando a vitória brasileira representará matematicamente uma hegemonia de doze anos no futebol mundial. Em termos de probabilidade real, este número, no mínimo, dobraria. É mais real pensarmos em hegemonia de trinta anos. Uma vitória italiana ou alemã traria esta diferença para apenas quatro anos. Assim, de um modo geral pode-se concluir que estas novas condições são especificamente contrárias aos nossos propósitos.

 

No lado interno, nosso Parreira, conta possivelmente com o melhor elenco de 23 jogadores da história do futebol brasileiro. Talvez de forma meio emocional, eu daria também, a melhor nota média aos onze titulares, apesar deste ser um conceito obsoleto para o futebol atual, onde, como no voleibol, não há mais time reserva e time titular, mas sim uma equipe única.

 

Nosso elenco é tão superior, que prevalecendo a lógica, dentro do cenário mais provável, sem fatos novos em cima do “novo já conhecido”, teremos apenas um adversário: nossa capacidade de jogar aquilo que sabemos e podemos. Dentro deste quadro, o caneco é nosso de novo, e um novo hexa, igual a nós, só em 2046, homenageando este lindo filme de Wong Kar Wai. Reforçando este caminho, eu também penso que este elenco é tão especial, todos (principalmente os grandes craques) adorando a arte do futebol como um fim em si mesmo, que não haverá perigo da “desmotivação do grande vencedor”. Todos vão entrar em campo e sentar no banco, com enorme alegria, comprometimento e mobilização. Serve como consistente alavancador o espírito cidadão de alguma forma catalizado por Leonardo e Raí, e estes Seres Humanos sabem o bem e a felicidade que podem trazer para quase duzentos milhões de outros Seres Humanos. Mais que a vitória em si, muito mais que o dinheiro, o dever cívico, a responsabilidade social são inerentes às personalidades diferenciadas destes homens notáveis. Eles sabem que uma vitória vai despertar a autoconfiança em centenas de milhares de jovens, pobres como muitos foram um dia, e acender a chama mágica do “eu sou capaz”. O futebol é possivelmente o negócio no mundo com maior fator de mobilidade social. Ganhar a Copa não representa somente a comemoração positiva do domingo 09/07/2006; este fato representa esperança, impulso, oportunidade, empowerment. Ao que é alegria para os ricos, soma-se “alimento da alma” para os pobres. E os notáveis sabem disso.

 

O FUTURO

 

Com competência e motivação é praticamente probabilidade um que estaremos classificados para as oitavas. Em três jogos, com colocação por vantagem de pontos, competência e motivação serão suficientes. Nesta fase, os fatores exógenos ainda não entrarão em campo. É apenas proibido acreditar nisto. A França em 2002, eliminada sem marcar um gol, deve servir como peça de resistência para criar uma “desejada inquietude” e uma “perturbação positiva” que o sobrenatural de Almeida ainda ronda nossas vidas.

 

A partir das oitavas nós vamos viver um assédio indecoroso de forças negativas (talvez forças do mal fosse o termo mais apropriado) sobre nosso time. Neste momento, começarão aflorar estatísticas contrárias, os adversários truculentos, os árbitros claudicantes, a cartolagem temerosa, com evidente força de impacto sobre nosso equilíbrio corpo-mente. E neste momento que acredito, nosso genial Parreira, irá mostrar a forma da superação de sua própria genialidade.

 

Como um estrategista de guerra, ele terá plotado todos os what if´s possíveis em cada momento da partida. Sim, porque o tempo será nosso principal inimigo, com patamar muito superior a todos os outros, inclusive nossos adversários. Teremos trezentos e sessenta minutos, isto mesmo, exíguas seis horas para ganharmos vinte anos de hegemonia, quiçá quarenta.

 

O mais improvável e até o impossível deverão estar antecipados na cabeça de nosso líder, de preferência também no papel. E se tomarmos um gol aos três minutos de jogo? E se a brutalidade de nossos adversários (tendo como cúmplice possíveis árbitros europeus – Brasil e Portugal 1966 é uma boa (?) lembrança) derrotar nosso quarteto mágico? E se um de nossos craques, por motivos que nem Deus sabe, não estiver em um dia de alta performance? E se o adversário aparecer com uma tática surpresa (Brasil e Uruguai em 1970 é um bom exemplo)? E se um trovão cair na nossa cabeça (Ronaldo em 1998 é uma triste lembrança)?

 

Eu não tenho dúvida que se a Copa do Mundo fosse disputada depois das oitavas em turno e returno, a bolsa de apostas de Londres estaria pagando um por um. Literalmente, nenhum ágio seria aceito. No entanto, justo ou injusto, cada jogo é uma final. Mais uma vez o fator tempo será nosso grande inimigo. Como nunca, Parreira terá de usar sua capacidade de sentir o insensível, ver o invisível, ouvir o inaudível. O time deverá estar durante todo o tempo em estado de alta performance (de novo o paradoxo: “a eficácia dos adversários aumenta na razão direta do grau de favoritismo do Brasil” e seu corolário “o temor pelos amarelinhos cai na razão direta deste favoritismo”) e qualquer gap neste estágio deve ser imediatamente reconduzido para a posição máxima. Dez minutos, apenas dez minutos, representam muito tempo na transformação de planejamento em ação.

 

OS FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO

 

Condensando todo o material anteriormente analisado vamos, a seguir, em forma de resumo, indicar os Fatores Críticos de Sucesso para o tão esperado hexa, com um pequeno comentário sobre cada um deles:

 

Fatores Críticos de Sucesso

Orientações Básicas para o Hexa

Coerência

A ligação de todos os participantes da delegação brasileira deve ser sempre realimentada por elos da homogeneidade; o exemplo de cada um é a verdadeira lição. Qualquer gesto incoerente com valores estabelecidos deve ser evitado no seu limite.

Comprometimento

Mais que simples envolvimento, todos devem estar com seu Comportamento e energia comprometidos, no nível da razão e da emoção. Ou seja, com o corpo e alma. Comprometimento deve gerar entusiasmo, que é uma palavra grega que é o Deus dentro de si.

Disciplina

Cabe a Parreira simplesmente continuar sua excepcional qualidade de organização e disciplina.

Doação

O espírito do investimento com alta taxa de retorno deve ser ainda mais aprofundado, sendo trabalhado especificamente para os novos. Evandro Motta deve insistir na sua brilhante reflexão: “Que preço vamos pagar para darmos ao Brasil e a nós o Hexa? Um ponto novo: em meu ponto de vista a “atratividade do retorno” deveria receber, em altas doses, o complemento do “bem social”, tanto na felicidade direta do povo, como desenvolvimento do futebol como negócio que permite a diminuição da injustiça social no mundo.

Planejamento

Atributo inerente ao Líder Parreira, deverá apenas ser complementado com um nível muito maior de detalhes e previsões contingenciais. Com a técnica do what if, diminuindo o risco que a exigüidade do fator tempo traz.

Tecnologia

 

Façam tudo que já sabem.

União / Integração

Continuação do maravilhoso comportamento de amizade que já existe.

Valores

Estes Fatores Críticos de Sucesso, transformados em Valores deverão ser trabalhados de forma efetiva com todos os jogadores permitindo a real incorporação de seus conceitos e seu modelo mental.

Clima

Simplesmente continue tudo como está, ficando atento para qualquer inesperado risco.

Flexibilidade

Atributo inerente às atividades do planejamento contingencial. Como reflexão maior as palavras de Gabriel, o Pensador: “Eu nunca quero deixar de ser eu mesmo; mas eu não quero jamais ser o mesmo”.

Foco em resultado

Este atributo já está impregnado no modelo mental dos jogadores, e para a maioria absoluta já é conceito dominado que “dinheiro é conseqüência” e “lucro é sub-produto de coisas bem feitas”.

Humildade

No conceito etimológico humildade vem do latim humus – terra fértil para receber a semente. Portanto, é o contrário de arrogância. Apesar do baixo risco, qualquer sintoma de prepotência deve ser cortado no início de sua raiz.

Informação

Deverá haver, como no jogo de xadrez, uma verdadeira obsessão pelas informações e conhecimento de todas as alternativas possíveis de comportamento dos adversários, para, de novo, colocarmos o fator tempo a nosso favor.

Liderança

A dupla Parreira – Zagallo representa o “crème de la crème” da excelência na Liderança. No entanto, o novo conceito de Líder de Líderes deverá ser assimilado e colocado em prática. Parte da administração da “urgência do tempo” poderá ser minimizada com forte(s) liderança(s) em campo, as quais serão o posto avançado da implantação dos valores e do elo de comunicação com os líderes fora de campo.

Participação

Deverá ser enobrecida com uma alta dose de sinceridade pessoal, quase despojamento. A exigência de alta performance poderá levar ao momento mágico da abnegação, quando um atleta em busca do todo, reconhecer que “hoje não é meu dia”.

Persistência

Parreira: continue o que você é e faz.

 

A estas humildes idéias, somem apenas a vontade brasileira, patriótica de ganharmos o Hexa. Será bom para o Brasil, para o povo brasileiro, para a Justiça Social, para o futebol, e por que não, para bilhões de pessoas que conseguirão a excelência da estética, da beleza e da arte em pleno século XXI.

 

 

Material retirado dos Programas de Liderança Inspiradora e Planejamento Estratégico.

 

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