Edição Nº 94 - Agosto de 2006

       

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  Decisão: Razão ou Intuição?

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 Negociação: A Competência do Século
 

 }} Editorial

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  V(Hexa)me     Cada empresa tem o consultor que merece

A Copa do Mundo de 2006 tem que obrigatoriamente servir como caso de estudo para o mundo Corporativo. As lições gerenciais que podemos extrair do fracasso brasileiro são de enorme importância para qualquer empresa.

Marco Aurélio Ferreira Vianna
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L.A. Costacurta Junqueira

 

   
 }} Negociação

 }} Decisão

  Negociação: O Pecado mora ao lado    Com quantas alternativas se faz uma decisão?

Existem inúmeras razões que podem levar uma negociação ao fracasso. O principal "pecado" não é ter presente que a maioria das negociações se ganha ou se perde de acordo com a qualidade da preparação.

José Augusto Wanderley

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Coloque-se na seguinte situação: Meio-dia você está saindo do trabalho para almoçar. Em qual desses lugares é mais fácil decidir o que comer: Em um restaurante a la carte ou em um restaurante self-service ? Leia o texto e descubra a resposta.


Luís Roberto Mello

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Expediente
  Publisher: Costacurta Junqueira; JB Vilhena Jornalista Responsável: Cristina Spera
  Equipe Insight: Leandro Santana; Luciana Vieira, Maria Teresa Ramos

 

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EDITORIAL

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Marco Aurélio Ferreira Vianna

Presidente do Instituto MVC

Autor de 42 livros

 

 

V(Hexa)me

 

 

A Copa do Mundo de 2006 tem que obrigatoriamente servir como caso de estudo para o mundo corporativo. As lições gerenciais que podemos extrair do fracasso brasileiro são de enorme importância para qualquer empresa, de qualquer tipo ou tamanho.

 

Antes e acima de tudo, o que vimos e ouvimos nos leva a uma profunda reflexão sobre o fator Motivação. Em verdade como podemos gerar “motivos para ação” em pessoas de alto nível? As empresas triunfadoras, também, acostumadas a ganhar, devem repensar de forma séria o conjunto de fatores motivacionais para seus lideres. Ficou claro que mais fama, mais dinheiro, mais uma estrela na camisa não foram suficientes para colocar garra e paixão dentro do campo. Neste tema, cabe uma pergunta crucial: o que é melhor para uma seleção de futebol ou para uma empresa? Um nível técnico excepcional e baixa motivação, ou profissionais com menos capacidade técnica e maior motivação. Esta é uma equação que nenhum modelo matemático vai resolver; a solução encontra-se no campo da intuição, da percepção e, principalmente, na atitude de coragem para enfrentar os “grandes ídolos”. Enfim, o papel do Líder.

 

Em segundo lugar, esta Copa nos deixa a lição da Integração. Mais uma vez ficou provado que o QI grupal tem que ser muito maior do que a soma dos QI’s individuais. O mau humor do Adriano, a posição acintosa do Roberto Carlos deitado na grama em frente ao banco de reservas, a clara disputa entre os novos e os velhos acabaram minando qualquer possibilidade de uma disputa onde o pico de performance seja indispensável a cada segundo do jogo. Bernardinho consegue isto no voleibol; desta maneira ele ganhou treze dos dezesseis campeonatos internacionais disputados. Mauricio, melhor levantador do mundo de 2003, no banco de reservas nas Olimpíadas não parava nenhum momento de apoiar Ricardinho que entrara no seu lugar. Jogando com doze, o desempenho explode para cima. Como lição, as empresas devem priorizar estratégias e táticas que acabem com seus feudos e áreas estanques, e passem a construir uma empresa una e coesa.

 

A seguir o Tema Humildade, deveria entrar, com vigor, na pauta de nossa análise. Em artigo publicado no último Insight, eu cheguei a propor que “se algum jogador não sentisse em estado de pico de performance” deveria propor sua própria substituição. Ao contrário, como em muitas empresas, nós assistimos vários jogadores agarrados à sua posição, mesmo sendo óbvia sua má condição física e técnica. Cabe, então, uma outra pergunta: é melhor um experiente profissional na equipe, ou vale sua substituição, até corajosa, por um jovem cheio de gás.

 

Por estes três pontos, e muitos outros, as empresas deverão se espelhar nos paradoxos e paradigmas que assistimos atônitos. Caso contrário, poderão perder aquilo que já estava ganho, justificando nosso antigo refrão: “as causas da vitória do futuro são diferentes das causas da vitória do passado”. Por isto é preciso coragem e rapidez.

 

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www.marcoaurelioferreiravianna.com.br

 

Boa leitura

 


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NEGOCIAÇÃO

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JOSÉ AUGUSTO WANDERLEY

Autor do Livro Negociação Total

Ed. Gente 10ª Edição

 

 

NEGOCIAÇÃO: O PECADO MORA AO LADO

 

 

Existem inúmeras razões que podem levar uma negociação ao fracasso, Mas o principal “pecado” é não ter presente que a maioria das negociações se ganha ou se perde de acordo com a qualidade da preparação.  Benjamin Franklin costumava dizer: “quem não leva a sério a preparação de algo, está se preparando para o fracasso”. Assim, se  quiser fracassar, você já tem a receita: Pode fazer o que um bocado de gente faz,  inventar uma porção de desculpas para não preparar, tais como  “eu já sei tudo, não é preciso, eu não tenho todos os dados, foi tudo de imprevisto ou eu não tenho tempo”. Esta é apenas uma pequena lista das desculpas daqueles que se preparam para o fracasso.

 

Cabem algumas considerações. (1) não tem tempo para preparar, mas acaba tendo que  gastar o tempo em retrabalho; (2) existem duas espécies de preparação., a específica e a não específica. A específica é quando se sabe de antemão com quem se vai negociar. A não específica é para as negociações imprevistas. Esta preparação é do tipo corpo de bombeiros. Os bombeiros se preparam para apagar incêndios, não importa onde e como ocorram, (3) a questão da dinâmica emocional: o ser humano age no sentido de buscar o prazer e evitar a dor. E não existe nada atraente em preparar uma negociação, a menos que você consiga dar um grande significado à preparação, como na história dos três operários que estavam fazendo uma mesma obra e perguntados sobre o que estavam fazendo responderam respectivamente: “Estou assentando pedras”, “Estou fazendo uma escada”, “Estou construindo uma catedral”. Portanto uma mesma obra suscitou três respostas muito diferentes. A maioria das pessoas não prepara porque acha que está assentando pedras. Se  conseguir entender que preparar uma negociação é construir uma catedral, já temos um excelente ponto de partida. Tambem é preciso que domine a tecnologia de preparação. De acordo com Sun Tzu é preciso ver uma situação por duas óticas, a nossa e a do outro. Mas, atualmente, isto só não basta, é preciso uma terceira, que é a de um observador neutro. Por outro lado, podemos seguir com Ilya Prigogine, Prêmio Nobel de Química, que postula o fim das certezas. Isto quer dizer que o enfoque determinístico já era. Assim,também temos que adotar uma abordagem probabilística. 

 

Para tanto considere três possibilidades: Otimista, ou o que de melhor pode acontecer. Esteja preparado para o melhor, caso contrário você poderá não percebê-lo e perder oportunidades. Pense depois no que seria o mais provável. E finalmente no que pode acontecer de pior. Sempre pode acontecer a Lei de Murphy. Sempre pode aparecer um Evo Morales. Assim, baseado nestas perspectivas e possibilidades, desenvolvi a matriz de preparação de uma negociação:

 

 

 

Otimista

Realista

Pessimista

 Eu

 

 

 

Outro

 

 

 

Neutro

 

 

 

 

 

Para se preparar bem uma negociação é fundamental que se leve em conta 9 dimensões. Em geral, as pessoas  levam em conta uma ou no máximo duas dimensões. Quem for otimista, considera a dimensão Eu/Otimista. O pessimista a dimensão Eu/Pessimista.

 

Dominar esta matriz requer um bom aprendizado, mas compensa. Você terá uma visão mais abrangente de suas negociações. A estratégia de aprendizado comporta três passos. Primeiro, aprenda a ver a situação pela sua ótica, considerando as três probabilidades. Depois, pela ótica do observador neutro. E, finalmente, pela ótica do outro. Houve um tempo em que considerei que o segundo passo deveria ser ver a situação pela ótica do outro, mas constatei que para a maioria das pessoas isto é muito difícil.

 

De qualquer forma, tenha presente o que disse Albert Einstein: “A mente que se abre para uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original”. Assim, quando você compreender a Matriz de Preparação de Negociação, você vai se abrir para novas possibilidades.

 

Outras considerações sobre a preparação: 1) prepare-se para todas as etapas. A negociação só acaba quando o acordo foi cumprido e não quando foi fechado; 2) Procure saber se a negociação deve ser conduzida na base da barganha de propostas ou na base da solução de problemas. Isto pode fazer uma grande diferença; 3) tenha cuidado com discursos do tipo ganha/ganha. Só sabe, efetivamente o que é ganha/ganha, quem conhece muito bem o que seja ganha/perde. Caso contrário pode ser ingenuidade, 4) Faça uso do MIN – Modelo Integrado de Negociação.

 

O MIN é um modelo que desenvolvi e que compreende cinco aspectos fundamentais e presentes em toda e qualquer negociação, que são: (a) conhecimento do negócio, pelas óticas técnica, financeira, contábil, jurídica, tributária,etc. (b) os cenários da negociação. Toda negociação ocorre em três cenários: o primeiro é aquele em que se dá a negociação. O segundo é o do eleitorado, ou, seja das pessoas importantes para os negociadores. O terceiro é o do macro-ambiente econômico e social. (c) o processo de negociação e suas etapas; (d) o relacionamento interpessoal e (e) a realidade pessoal do negociador, com suas crenças, valores, determinação e capacidade para superar adversidades.

O que apresentamos é uma abordagem holística .Prepare suas negociações. Construa a sua catedral que você vai começar a ver que existem milagres.

 

 

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NA REVISTA PROFISSIONAL & NEGÓCIOS E RETIRADO DO POCKET MBA COMPETÊNCIA ORGANIZACIONAL EM NEGOCIAÇÃO

 

 

 

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DECISÃO

 
 

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Luís Roberto Mello

Consultor Sênior do Instituto MVC,

Autor do livro Certificação Comercial, Professor dos MBAs executivos da FGV

 

 

Com quantas alternativas se faz uma decisão?

 

 

Coloque-se na seguinte situação: meio-dia, você está saindo do trabalho para almoçar. Em qual desses lugares é mais fácil decidir o que comer: em um restaurante a la carte ou em um restaurante self-service? Voltaremos a essa pergunta no final do texto.

 

Como processo, a tomada de decisão envolve diversas etapas entre as quais uma etapa crítica é o desenvolvimento de alternativas de decisão. Afinal, sua decisão jamais será melhor do que a melhor alternativa que você tiver conseguido desenvolver. Nesse ponto, levantam-se duas importantes questões: A criatividade no desenvolvimento de alternativas e o próprio número de alternativas geradas. Vejamos um pouco mais sobre esses pontos.

           

Ao longo da vida, nossa capacidade criativa aumenta rapidamente durante a infância e depois passa a diminuir gradualmente. Por que isso ocorre? Basicamente, por que aprendemos para quê, quando e onde as coisas servem ou não servem. Ou seja, aprendemos a utilizar um lápis e tendemos a repetir esse uso continuamente. (uma forma criativa de fazer uso do lápis é como prendedor de cabelo, mas sendo esse já um uso tão comum que deixou de ser criativo).

 

Assim, aprendendo o que serve e o que não serve, limitamos nossa forma de ver as potencialidades de cada objetivo (em seu sentido mais amplo possível). Pensemos no caso descrito por Peter Senge no livro A Quinta Disciplina, onde dois grupos de crianças devem cumprir a mesma tarefa: Cortar as figuras de uma revista e prendê-las em um mural. Os dois grupos recebem revistas e tesouras, mas somente a um deles foi ensinado a como utilizar as tesouras. O resultado é que o grupo que aprendeu a utilizar a tesoura cortou as figuras com grande  precisão, mas não conseguiu prendê-las no mural. O outro grupo cortou as figuras sem precisão, mas as prendeu no mural com as próprias tesouras.

 

No ambiente organizacional, além do aprendizado costumeiro às pessoas e organizações, há outros fatores que limitam o potencial criativo, normalmente expressos em frases habituais: “isso nunca funcionou aqui”, “isso foge às nossas políticas”, “temos de ter a resposta certa”, “precisamos ser práticos”, entre tantas outras.

 

Como, então, podemos melhorar nossa criatividade? Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que aquilo que deu certo no passado pode não mais funcionar hoje, já que todo o contexto pode ter mudado. Pessoas que são avessas ao risco tendem a repetir decisões antigas, limitando a criatividade. Em segundo lugar, é preciso “gerenciar” melhor o pensamento. Isso significa fugir do conforto das situações habituais, fazer novas perguntas e questionamentos, buscar novos significados, interpretações, aplicações e formas de ver, adotando o que Edward de Bono denomina pensamento lateral. Ou seja, buscar alternativas impensáveis para problemas comuns. Conseguimos pensar assim quando saímos da rotina e temos novas experiências – quer seja conhecendo novos lugares, lendo novos livros, vendo novos filmes ou mesmo fazendo simples mudanças em nosso cotidiano, como mudar o caminho que percorremos de casa para o trabalho.

 

Aumentando nossa criatividade, seremos capazes de desenvolver um número maior de alternativas para a decisão. Mas há nisso um paradoxo: quanto menos alternativas, mais chance de uma decisão pior, mas maior facilidade em decidir; quanto mais alternativas, mais chance de uma decisão melhor, mas maior dificuldade em decidir. Enfim, haveria um número ótimo de alternativas para a decisão? Certamente não há um número preciso, mas devemos considerar que temos limitações na quantidade de informações que conseguimos “gerenciar”. Diz-se que Napoleão, por exemplo, acreditava que não conseguíamos lidar com mais de sete informações ao mesmo tempo e organizou seu exército de tal modo que cada superior tinha no máximo sete subordinados diretos. Algo em torno de três a cinco alternativas é um bom objetivo a ter em mente, passando a totalidade das alternativas por várias “peneiras” antes da decisão propriamente dita.

 

Então, voltemos à questão dos restaurantes. Onde é mais fácil decidir? Em um restaurante a la carte, você precisará ter decidido que tipo de prato irá comer, se massa, carne, salada, etc. E, nesse caso, precisaremos lidar com o trade-off, já que ao escolhermos uma opção estaremos abandonando as outras. Em um restaurante self-service, lidamos menos com o trade-off, já que uma opção não exclui a(s) outra(s), nem precisamos ter definido exatamente o que comer. Mas, em compensação, muitas vezes acabamos por fazer uma combinação tão esquisita de pratos que certamente a decisão também pode ser questionada.

 

 

MATERIAL RETIRADO DO PROGRAMA “DECISÃO: RAZÃO OU INTUIÇÃO”

 

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