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JB Vilhena
VP do Instituto MVC
Autor
do livro "Negociação e Influência em Vendas"
Pensamento Sistêmico
O que é, para que Serve, como
Funciona
Pensar sistemicamente envolve
aceitar que o mundo é composto por sistemas.
O segundo passo é tentar
entender um sistema.
Depois é preciso discutir como
essa abordagem afeta nossas vidas pessoal e profissional.
A importância das influências (O
que é)
Podemos dizer, genericamente, que
um sistema é um conjunto de partes que interagem entre si. A
mais comum das analogias são os sistemas que compõem o corpo
humano (circulatório, respiratório, excretor, etc). Se pararmos
para analisar mais detidamente poderemos verificar que quando um
dos órgãos de um sistema não funciona bem, afeta diretamente
todos os outros órgãos e sistemas. Aqui aparece pela primeira
vez a palavra mágica no estudo dos sistemas: Influência. A raiz
do pensamento sistêmico está na idéia de que cada parte do
sistema influencia o todo (o coração que funciona mal não
prejudica, apenas, o sistema circulatório, mas todos os demais
órgãos).
Dizer que algo é um sistema
significa afirmar que esse algo é constituído por um conjunto
de partes que se influenciam mutuamente. As partes podem ser
pessoas (como um time de futebol), conceitos e idéias (os
valores de uma empresa) e até processos (como a fabricação da
cachaça).
No famoso livro “A Quinta
Disciplina”, Peter Senge define que "Um sistema é um todo
percebido cujos elementos mantêm-se juntos porque afetam
continuamente uns aos outros, ao longo do tempo, e atuam para um
propósito comum" . Em um sistema, todas as partes atuam em
conjunto e harmonia com seu ambiente, que é um sistema maior,
para que o todo funcione adequadamente. Tentar compreender
somente uma parte de um sistema pode não funcionar, porque há
dependências daquela parte com as demais.
As relações de causa e efeito
(para que serve)
Freqüentemente tomamos decisões
baseadas na nossa experiência. Desde o popular “macaco velho não
põe a mão em cumbuca” até o já desgastado “aprendi tudo que sei
na escola da vida” verificamos que o ser humano tem enorme
tendência a utilizar padrões observados anteriormente para
decidir sobre o futuro.
Alguns desses padrões são úteis e
valiosos, permitindo que poupemos tempo, desgaste e sofrimento
(todos nós sabemos que não se deve colocar a mão dentro da água
fervente). É prudente evitar certas coisas porque provocam
reações ou respostas desagradáveis. Até aí, tudo bem. O problema
surge quando alguns desses padrões se transformam em hábitos
arraigados e verdadeiramente imutáveis.
As causas e os efeitos no mundo
podem aparecer de várias maneiras. A mais conhecida e usada por
nós é a causa e efeito simples: por a mão no fogo/queimar, abrir
a torneira/sair água, tomar choque se puser o dedo na tomada.
Quando se lida com um sistema (no caso dos sistemas
organizacionais isso é bastante evidente) dificilmente se tem a
regularidade uma causa/um efeito, pois cada parte está recebendo
influências de várias outras. Ou seja, cada parte é um sistema
aberto a influência de outros sistemas.
Diversos autores listam várias
possibilidades de sistemas complexos de causa e efeito:
Múltiplas causas/um efeito
- Por exemplo, a velocidade do trânsito diminui porque todos
querem dar uma olhada em um acidente do outro lado da pista;
Uma causa/múltiplos efeitos
– Uma epidemia de gripe pode desencadear diversos efeitos
diferentes (embora o virus seja único);
Múltiplas causas/múltiplos efeitos
- Esta estrutura é comum nos sistemas. O que você está fazendo
agora decorre de uma série de eventos passados: Abriu conta em
um banco, registrou sua senha de acesso a internet, visitou o
site do banco e descobriu que podia fazer uma operação
financeira que lhe permitiria adiantar a compra do carro novo,
foi a concessionária, escolheu o carro, comprou o carro, voltou
ao banco e fez o seguro e por aí vai.
Pensamento sistêmico X pensamento
linear
(Como funciona)
Vivemos em um mundo que é uma
combinação de linear (causas e efeitos diretos) e sistêmico
(causas gerando efeitos indiretos ou mesmo imprevisíveis). No
modelo mental adotado pela maior parte dos ocidentais estamos
familiarizados com acontecimentos e padrões lineares.
Quando você pensa no tempo - seja
dias, semanas, estações ou anos - normalmente aplica uma
estrutura de pensamento linear, ou seja, em seqüência, um evento
após o outro. Já quando escreve, precisa estar atento às
relações entre as palavras (aí você pensa sistemicamente).
Efeitos do pensamento linear
Vamos verificar como alguns
autores listam possíveis efeitos do uso inadequado do pensamento
linear no dia-a-dia das pessoas. Se você se identificar com
alguma das situações descritas, a seguir, já sabe que tem uma
possibilidade de aperfeiçoamento.
Foco -
Uma pessoa
pensando linearmente trabalha focada em uma parte, em uma
perspectiva. Ela enxerga a árvore, mas não vê a floresta. A
tendência nesse caso é só notar um aspecto ou uma única
perspectiva de um assunto: só vantagens ou só desvantagens. Um
dos efeitos disto é a motivação só pela necessidade ou só pelo
prazer.
Quando uma pessoa tem um padrão
ou hábito de focar o que está faltando, pode ficar "eternamente"
insatisfeita. Por exemplo, alguém que só acha saborosa um
determinado tipo de cozinha (a asiática, por exemplo), não come
outra comida porque só gosta daquela. Ao se aventurar a
experimentar outro prato só encontra defeitos e volta à cozinha
asiática. Como o padrão de pensamento é o fator essencial da
avaliação, ele continuará a fazer o que sabe, ou seja, se
manterá fiel a cozinha pelo medo de que ocorra uma nova
insatisfação.
Desequilíbrios -
Uma pessoa
pensando linearmente tende a extremos, seja “pensar em si mesmo”
ou “se dedicar a outras pessoas”. É egoísta ou santa, ela pode
não conseguir encontrar alternativas de ação que integrem, por
exemplo, seus interesses, os da outra pessoa e possivelmente
outros, como valores ambientais.
Uma pessoa é fisiculturista e só
pensa na beleza externa. Outra valoriza excessivamente a mente e
só quer saber de aprender. Ambos jamais praticarão a idéia da
“mente sã em corpo são”.
Pensar por julgamentos –
Função da
dificuldade em tratar múltiplas variáveis, a pessoa ao pensar
linearmente tende a fazer resumos ou sínteses na forma de
impressões, que podem virar julgamentos. “Não confio em
advogados” ou “todos os políticos são corruptos representam
generalizações que ilustram essa situação.
Há ainda outros exemplos tais
como: (a) Redução da intensidade do prazer ou intensificação
da dor; (b) Expectativas distorcidas; (c) Busca por solução
única para um problema; (d) Interpretações pobres; (e) Causas e
efeitos distorcidos ou incompletos; (f) Conflitos; e (g)
Decisões de baixa qualidade. Trataremos de cada um deles em
um futuro artigo
Benefícios do
pensamento sistêmico
O
Pensamento Sistêmico permite:
- consideração de múltiplos
focos, aspectos, variáveis, partes e relações;
- usufruto de múltiplas fontes
de prazer, com a intensificação resultante da
multiplicidade. Na dor, permite maior equilíbrio perceptivo.
- busca por várias soluções
combinadas para resolver um problema, inclusive
empilhando-se planejamentos, isto é, atingir vários objetivos
simultaneamente, como também aprender algo com a situação, em um
horizonte de tempo mais realista;
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