(Prefácio da edição brasileira do livro Corporate
universities - Jeanne Meister)
Luiz
Augusto Costacurta Junqueira
CEO
do
Instituto MVC
Marco Aurélio
Ferreira Vianna
Economista e Consultor de empresas
A implantação
de Universidades Corporativas no Brasil ainda está em fase
embrionária.
Algumas
empresas importaram o conceito de suas matrizes (Motorola,
McDonald’s, Grupo Accor, Coca-Cola), outras tomaram a
iniciativa de fazê-lo a partir da crença que a medida
otimizará o processo de treinamento e desenvolvimento de
seus recursos humanos (Algar, Brahma).
Cerca de 20
outras empresas estão no processo de aprovação do conceito
de Universidade Corporativa; seus nomes não serão citados
aqui pois ainda não existe um posicionamento definido sobre
a questão.
Acreditamos
que existam algumas razões específicas de nosso contexto que
estejam apontando para a necessidade de termos, no Brasil,
um número maior de Universidades Corporativas.
Em primeiro
lugar não se pode dizer que o conceito da atividade de
treinamento e desenvolvimento tenha nota 10 em nosso
contexto; sua transformação em Universidade Corporativa
certamente iria enobrecer a atividade, tornando-a algo mais
respeitado e desejado, no contexto organizacional.
As empresas
brasileiras carecem de uma unidade responsável pela difusão
de sua visão, valores estratégicos, bem como pela acumulação
do conhecimento adquirido, missão que cabe as Universidades
Corporativas.
Os executivos
cobram da área de T&D um foco maior no negócio, a
demonstração do custo/benefício de suas atividades e a
imagem de um centro de lucros; os dois tópicos são
característicos de uma Universidade Corporativa.
As atividades
de T&D deverão cada vez mais focar o futuro, a partir de uma
abordagem proativa, deixando de ser apenas solucionadoras de
problemas que já ocorreram (passado). Aí também está o campo
de ação das Universidades Corporativas.
O reforço da
cadeia de relacionamentos
empresa/clientes/fornecedores/comunidade é algo extremamente
cobrado de T&D; o alargamento de seus horizontes, atuando
não apenas atendendo a clientes internos, é também escopo
das Universidades Corporativas.
O combate a
rápida obsolescência do conhecimento, a aceleração do seu
fluxo dentro da organização, hoje imperativo da sociedade
globalizada, é certamente uma das missões da Universidade
Corporativa.
Entre o foco
na informação e o foco na mudança, há uma predominância cada
vez maior da segunda alternativa. Os programas de
treinamento devem ser desenvolvidos para solução de
problemas específicos, para pessoas que têm em comum esses
problemas. É também o fim do catálogo de treinamento, em que
cada interessado se inscrevia e que o pano de fundo era mais
voltado para as necessidades individuais. A Universidade
Corporativa estará sempre mais centrada no treinamento de
famílias (TRACKS) que possuam problemas comuns e cujo
objetivo seja a solução desses problemas.
Difundir o
conhecimento é cada vez mais uma responsabilidade das
chefias; dar aos executivos a oportunidade de ensinar e
acelerar o fluxo desse conhecimento é um dos objetivos da
Universidade Corporativa.
Treinar para o
inimigo tem sido uma das características do dia a dia de
inúmeras organizações brasileiras. De nada vale o melhor
treinamento do mundo se não houver a preocupação de reter na
empresa as pessoas que passaram por esse treinamento. Aí
entra a Universidade Corporativa, como uma entidade que
acena com perspectivas de desenvolvimento a longo prazo,
atraindo e retendo talentos.
Para aqueles
que estão pensando em ter uma Universidade Corporativa em
sua organização, seguem alguns conselhos:
Opte pela
virtualidade, nada de gastar rios de dinheiro numa
belíssima sede.
Tenha o
presidente da empresa como o principal mentor da idéia;
obtenha dele a dedicação de, no mínimo, 1 dia por mês
para a Universidade;
Procure
subordinar a Universidade Corporativa diretamente ao
Presidente; lembre-se de que o reitor da Universidade
não é, necessariamente, o Diretor de RH.
É
fundamental saber quanto custa hoje o seu Departamento
de Treinamento; isto para, amanhã, poder comparar esse
custo com o da Universidade Corporativa.
Prepare-se
para mudar paradigmas em T&D; Internet, Intranet, Best
Pratices, etc., devem fazer parte do dia a dia da
Universidade Corporativa.
Consultores internos e externos devem ser treinados
antes de "dar aula" na Universidade Corporativa; devem
conhecer a missão, o contexto, os diferenciais etc. É
fundamental exigir dos consultores que saiam do seu
mundo, se flexibilizem e conheçam o mundo da empresa.
Tenha um
foco especial nas atividades de auto desenvolvimento; a
sala de aula deve ir até o participante e não o
contrário. Dê ao participante a possibilidade de se
desenvolver onde, como e em que momento ele desejar.
Obs:
Material retirado seminário / consultoria Treinamento e
Desenvolvimento no Século XXI