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Universidade Corporativa:
A Experiência do Instituto MVC
Luiz Augusto
Costacurta Junqueira
CEO do Instituo MVC
UNIVERSIDADE CORPORATIVA: A VIABILIDADE
Qualquer dia desses vai bater à sua porta o Diretor
ou Gerente de RH, tentando vender-lhe a idéia de
substituir o velho "departamento’ de treinamento por
uma novíssima "Universidade Corporativa".
Caso o termo não lhe seja familiar, eis a definição
de Universidade Corporativa, segundo JEANNE MEISTER,
da CORPORATE UNIVERSITIES XCHANGE: "É um
guarda-chuva estratégico para desenvolvimento e
educação de funcionários, clientes e fornecedores,
buscando otimizar as estratégias organizacionais".
Você vai ouvir do Diretor ou Gerente de RH
argumentos do tipo: "Só nos EUA já existem quase
3000 Universidades Corporativas". "É preciso
transformar treinamento em uma grife!" "As
universidades tradicionais não têm o foco no
business que nossa empresa necessita".
"Precisamos alargar os horizontes de treinamento
(clientes, fornecedores, comunidade) para gerar
receita!".
Como responder a essas questões? Posicionar-se
contra ou a favor das Universidades Corporativas? No
que a Universidade Corporativa difere do tradicional
de Departamento de Treinamento?
Iniciando pela última das questões, vale mencionar
que o departamento de treinamento tende a ser
reativo, descentralizado, buscando atingir um grande
público, com uma razoável variedade de programas
"abertos", nem sempre voltados para a solução de
problemas do "negócio".
A Universidade Corporativa centraliza as soluções de
aprendizado para cada "família" de cargos e funções
dentro da organização (tracks), utilizando o
treinamento como instrumento de massa crítica,
reduzindo custos pela escala de contratação,
definindo padrões comuns para atuação dos
consultores externos etc. (ver quadro no texto
seguinte).
Seguem algumas perguntas que ajudarão num eventual
estudo de viabilidade da implantação ou não da
Universidade Corporativa em sua empresa.
-
Quem já fez isso no Brasil, qual o modelo, quais
os resultados? Consultar o Grupo ACCOR,
SAINT-GOBAIN, LOJAS RENNER, ALGAR, é
fundamental, pois elas são "benchmarking".
É bom também pesquisar quem já possuiu e
abandonou a idéia.
-
Sua empresa tem porte mínimo para isso? O número
de empregados é superior a 1.000? O faturamento
global é superior a 200 milhões de dólares? Está
disposto a gastar de 5% a 10% da folha de
pagamento na manutenção da universidade? (média
nos EUA de 12 milhões de dólares ano e 2,2% da
folha). Se sua empresa está abaixo desses
limites a alternativa talvez seja criar uma
universidade para 4/5 empresas, na linha de um
consórcio de aprendizado.
-
Você (Presidente) se dispõe, pessoalmente, a ser
o grande mentor da idéia? As pesquisas mostram
que se isto não acontecer, são grandes as
possibilidades da "universidade ir para o
brejo".
-
A idéia de ter também no campo de atuação da
Universidade Corporativa os clientes,
fornecedores e a comunidade, lhe parece
interessante?
-
No seu ramo de negócio, a obsolescência da
tecnologia é mais rápida que na média de
mercado?
-
São cada vez maiores as cobranças da empresa,
como um todo, para que RH/Treinamento deixe de
ser um centro de custos para se transformar em
centro de lucros, focando prioritariamente o
negócio? No contexto americano 25% dos recursos
das Universidades têm origem externa à empresa.
-
Está buscando reduzir os custos com treinamento?
Pesquisas americanas indicam que isso aconteceu
com a maioria das universidades corporativas.
-
Está nos seus planos utilizar a função
treinamento também como instrumento de
marketing, melhoria de imagem de sua empresa?
Ter algo que os concorrentes não têm?
-
A institucionalização do processo de educação
permanente é um dos objetivos vitais para sua
empresa?
-
Sua idéia é revolucionar os métodos de
aprendizagem, utilizando Best Practices,
Benchmarking, Just in Time Training,
Treinamentos Vivenciais etc?
-
Há interesse em que os programas de treinamentos
sejam válidos para crédito universitário?
-
A utilização da tecnologia para aceleração do
aprendizado é uma das metas empresariais? (nos
EUA, 50% do treinamento é mediado por
tecnologia.
-
A globalização de sua organização está indicando
a necessidade de unificar a perspectiva global
dos executivos?
-
As políticas de RH da empresa estão orientadas
para estimular o fluxo do capital intelectual, a
rápida difusão do conhecimento?
Voltamos a lembrar que as perguntas anteriores
constituem meros referenciais para o processo
decisório na adoção ou não da idéia de uma
Universidade Corporativa.
Mesmo correndo o risco de sermos repetitivos,
lembramos que se a resposta for positiva, o
Presidente deve "separar", pelo menos, 2/3 dias por
mês para ajudar na corporificação e desenvolvimento
da Universidade. Isso será a principal garantia do
êxito dessa nova abordagem de treinamento e
desenvolvimento.
Tomada a decisão de se criar uma Universidade quais
seriam os principais cuidados para sua implantação?
É o que será abordado a seguir.
UNIVERSIDADE CORPORATIVA: A IMPLANTAÇÃO
Como já foi dito anteriormente, uma série
consistente de tendências estratégicas externas está
tendo um enorme impacto sobre a ciência de
administração, especificamente no campo da função
humana de treinamento e desenvolvimento. A tentativa
de convergência destas idéias nos leva à conclusão
de que as empresas terão, obrigatoriamente, que
reagir quebrando paradigmas tradicionais e trazendo
para si a responsabilidade da coordenação do
aprendizado e da educação de seus Seres Humanos,
procurando suprir as deficiências e o timing
de correção do sistema educacional tradicional, seja
para atrair e reter talentos, seja para atender à
gestão do seu capital intelectual.
Por isto, emerge com força total esse novo conceito
(pelo menos para nós brasileiros) da Universidade
Corporativa (UC), uma forte evolução qualitativa da
tradicional área de treinamento e desenvolvimento a
qual, longe de caracterizar um rótulo, uma embalagem
redesenhada, ou muito menos um modismo, virá
representar um poderoso instrumento viabilizador de
uma base humana que sustente o desenvolvimento
estratégico das empresas. Com base em nossas
experiências na consultoria a clientes,
principalmente na concepção estratégica da
Universidade Algar, nos estudos tradicionais de uma
literatura já extensa e nos contatos mantidos com a
empresa norte americana Corporate University Xchange
(possivelmente a empresa com a maior expertise
mundial na matéria) visando a formação de uma
parceria, podemos também, sem a pretensão da
totalidade, descrever um roteiro para implantação de
uma UC:
-
Unidade de negócio - antes e acima de
tudo, uma universidade corporativa é um centro
de resultados que vai sensibilizar o acionista
pelo aumento do valor agregado do patrimônio
líquido da empresa.
-
Mensuração de resultados – os produtos e
serviços fornecidos pela UC devem ser mensurados
tanto no âmbito dos processos como dos
resultados e, no limite, deve haver planejamento
e controle do impacto de suas atividades sobre
os fatores críticos de sucesso e principais
indicadores de resultados da organização.
-
Compartilhamento – os colaboradores de
uma organização devem ser estimulados e
motivados a dividir entre si o know-how
adquirido criando a rede interna de conhecimento
com ênfase na comunicação permanente das best
practices.
-
Consciência financeira – os investimentos
físicos deverão ser criteriosamente analisados
em consonância com o porte da empresa e suas
necessidades específicas. Não se deve jamais
confundir a UC com a necessidade da posse física
de um campus universitário e uma cultura
corporativa; não se pode esquecer que uma UC se
constitui em um fortíssimo polo de irradiação e
consolidação da cultura empresarial, motivo pelo
qual direta e indiretamente deverão fazer parte
do seu currículo as atividades ligadas aos
princípios, crenças e valores da organização,
que funcionem como forte estímulo à consolidação
da motivação dos seus colaboradores.
-
Heterodoxia - para atingir a excelência
uma UC jamais poderá se restringir ao modelo
"sala de aula-professor-aluno". Seu objetivo
maior é expandir o cérebro dos seres humanos
através dos mais diferentes sistemas de
aprendizado: viagens, entrevistas, visitas,
análise de case studies, avaliação de
empresas, funções benchmarking, leituras
complementares etc. Sua função é a criação de
uma mentalidade contínua de aprendizado voltada
para o desenvolvimento da organização. Jamais
meramente contabilizar horas/aulas realizadas.
-
Personalização - no ideal, para todo
quadro de colaboradores; no mínimo, para alguns
estratos selecionados. O planejamento e
desenvolvimento de cada indivíduo deverá ser
criado e monitorado de modo que sejam
construídas as referências dinâmicas
indispensáveis neste ambiente de ambigüidade e
incerteza. Uma UC deve ter como objetivo
precípuo a estruturação da incerteza do futuro
dos colaboradores de sua organização.
-
Mútuo comprometimento - o planejamento e
monitoramento da evolução de cada colaborador
não poderá jamais cair na limitação do
paternalismo unilateral. Caminhos individuais
serão traçados para cada pessoa, assessorados
e/ou apoiados pela central de inteligência na UC
com uma clara visão de direitos,
responsabilidades e até idéias.
-
Responsabilidade social - num ambiente de
mudanças não se pode garantir a segurança (termo
que merece uma análise mais profunda) do emprego
vitalício. A qualquer momento, uma mudança do
mercado, das tecnologias, da gestão ou da
própria concorrência, podem obrigar à
descontinuidade da relação entre um colaborador
e a empresa. Por isto mesmo, qualquer UC que
queira efetivamente cumprir sua missão deverá
desenvolver a capacitação empreendedora em seus
clientes, de modo a prepará-los para a vida como
um exercício de melhoria contínua - jamais
somente na visão mesquinha de um mero objetivo
de maximizar lucros a curto prazo de sua
empresa.
-
Tecnologia - a logística do ensino à
distância propiciado pelo avanço da telemática
deverá ser ferramenta permanente de gestão de
modo a permitir melhor utilização do tempo.
-
Homogeneização - uma das funções
primordiais da UC consiste no preenchimento das
lacunas deixadas pelo sistema tradicional de
ensino; por este motivo devem fazer parte
integrante de seu escopo de atuação programas
que criem um "conteúdo de homogeneização de
conhecimento e inteligência", para cada um dos
estratos e/ou funções das organizações.
-
Pluralismo – levando em consideração que
cada vez mais as empresas trabalharão em
networks e em cadeias de operação, a UC deve
ser um campo aberto a todos os "satélites de
negócios" das empresa (clientes, fornecedores,
terceirizados, parceiros, etc.) sendo
evidentemente estabelecidos critérios de justiça
financeira da cobertura dos custos envolvidos.
No limite, uma UC poderá pertencer à cadeira de
operações e negócios de sua organização.
CONCLUSÃO
Nos próximos anos a área de T&D será certamente um
dos segmentos que mais sofrerá mudanças.
Caberá a ela a gestão do conhecimento, do capital
intelectual, bem como sua mensuração como principal
ativo das organizações.
Haverá grandes mudanças no processo educacional, com
ênfase no ensino à distância e através de meios
eletrônicos (internet, teleconferência etc.).
O principal instrumento para operacionalização dessa
revolução na educação serão as Universidades
Corporativas.
Para efeito de uma compreensão mais rápida, segue
uma quadro comparativo resumido entre a estratégia
tradicional em treinamento e a estratégia
competitiva, principal campo de atuação das
Universidades Corporativas.
Texto escrito em parceria com Marco Aurélio Ferreira
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