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Universidade Corporativa: Mea Culpa
Luiz
Augusto Costacurta Junqueira
CEO
do
Instituto MVC
Há cerca de
quatro anos foi iniciado, de forma sistemática, o processo
de implantação de Universidades Corporativas no Brasil. A
par de projetos extremamente bem sucedidos, com enorme
contribuição para os resultados da organização, inclusive de
forma quantificada, temos observado inúmeras inadequações
estratégicas e operacionais.
Essas
inadequações têm contribuído, de forma negativa, para a
imagem da idéia e sua conseqüente aceitação institucional.
A partir da
tecnologia de "redução de erros", vamos examinar neste
artigo o que aprendemos e constamos ao longo de nossa
experiência na implantação de Universidades Corporativas,
bem como na convivência com empresas brasileiras que
adotaram essa estratégia.
O MEA CULPA
NA ESTRATÉGIA:
-
Deixar de
usar o desenvolvimento para otimizar a cadeia de valor;
cada vez mais todos os atores do processo organizacional
devem ser parte dos programas de desenvolvimento
-
Patrocinador errado ou sem
patrocinador; sem apoio e sem exemplo não se desenvolve pessoas e organizações
-
Não considerar a Universidade
Corporativa uma unidade de negócios, centro de resultados; se o lucro é uma
expectativa em relação a todas áreas da organização, por que RH deve ficar fora?
-
O Marketing é a motivação
principal; aqui os meios não justificam os fins
-
Optar pelo aspecto modismo e não
pela necessidade e comprometimento com a idéia
-
Foco exclusivo no treinamento, em
detrimento da pesquisa, retenção e divulgação do conhecimento
-
Dependência financeira exclusiva
da própria empresa, sem fontes externas alternativas
-
Não proporcionar uma visão
integrada e temporal da vida educacional de cada "aluno", perdendo o benefício
da retenção e da educação permanente
-
Foco exclusivo no desenvolvimento
organizacional, esquecendo o desenvolvimento pessoal
-
Não usar os próprios executivos
como consultores internos; perdendo o foco na dimensão "conhecimento do negócio"
-
Não mudar o paradigma da
metodologia e da forma de "entrega" do treinamento
-
Errar no blend/mix treinamento
presencial treinamento à distância; privilegiando demais uma ou outra abordagem
-
Escolha inadequada do modelo
jurídico (personalidade jurídica própria ou não? Fundação?)
O MEA CULPA NO OPERACIONAL
-
Não
integrar consultores internos / externos à missão,
visão, valores da Universidade (ocasionando divergência
metodológica, desconhecimento do negócio, superposição
de abordagens)
-
Não
utilizar a disseminação das melhores práticas gerenciais
da empresa como forma de desenvolvimento
-
Não
incentivar uma cultura de empreendedorismo (interno e
externo)
-
Repetir os
erros do "velho" departamento de treinamento
-
Não
definir indicadores de resultados / processos,
vinculados às metas institucionais
-
Desvincular a Universidade Corporativa do sistema de
avaliação de competências/potencial/sistema de
participação lucros
-
Número de
parceiros muito grande (+ 10) e alta rotatividade entre
eles; os vínculos não se aprofundam
-
Não reter
o conhecimento adquirido via elaboração de projetos ao
final dos programas, multiplicação dos conteúdos via
participantes etc.
-
Uso
insuficiente de cases studies, dificultando a ponte real
/ ideal
-
Não usar
metodologia que otimize o fluxo multidirecional do
conhecimento (instrutor/alunos, aluno/instrutor,
aluno/aluno, aluno/fornecedor etc
-
Deixar de
utilizar metodologias que contemplem atividades pré e
pós eventos
-
Não
divulgar todos os resultados obtidos (projetos, idéias
etc), inclusive para fornecedores, clientes e outros
públicos da Universidade
-
Não
utilizar os resultados da Universidade como ferramenta
de marketing.
-
Programas
da Universidade Corporativa não válidos como créditos
nas Universidades tradicionais conveniadas
OS
INDICADORES
Costumamos
dizer que não basta fazer um bom trabalho, é necessário que
todos concordem que isso foi feito.
A ausência de
indicadores é um dos fatores que pode nos levar a tal
situação, pois impossibilita avaliações quantitativas e
qualitativas dos resultados da Universidade Corporativa.
A seguir, listamos, alguns dos
indicadores que, embora simples, muitas vezes não são
utilizados pelas Universidades Corporativas ou departamentos
de Treinamento das Organizações:
A ESCOLHA DE ALGUMAS
ESTRATÉGIAS
Não se pode falar que
as estratégias da coluna A sejam as mais corretas em relação às da coluna B e
vice-versa. O que normalmente acontece é a não análise das alternativas de forma
simultânea, com a escolha de uma que mais tarde poderá se revelar um erro.
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TEMA |
ESTRATÉGIA A |
ESTRATÉGIA B |
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Todos
os colaboradores da empresa internos/externos,
clientes, comunidade, família |
Determinados estratos da hierarquia (normalmente os
mais elevados) |
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Ter
portal |
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Áreas
autônomas diretamente ligadas à Presidência ou à
Diretoria |
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Escolha de uma forma jurídica independente, de modo
a facilitar controles econômico-financeiros e a
estimular um sentido maior de autonomia |
Integrada à própria empresa, como seu departamento
ou função |
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Utilização maciça de professores e consultores
externos com terceirização consistente das
atividades |
Uso de
critérios mistos entre professores internos e
externos
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Avaliação de Desempenho |
Realização da avaliação de desempenho dentro da
Universidade em conjunto com as áreas-fim |
Trabalho em equipe, integrando os serviços e
produtos da Universidade à avaliação de desempenho
feita nos critérios tradicionais por RH e pelas
áreas-fim |
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Tamanho da Universidade |
Um
grande número de pessoal fixo |
Um
pequeno número de pessoal fixo (3 a 6 pessoas) |
CONCLUSÃO
De forma mais global o que se vê no mercado é a colocação do
operacional à frente do estratégico; é o como fazer, feito
antes do que "fazer". O foco é na execução em detrimento do
planejamento.
No fundo isto representa fazer as "coisas" sempre da mesma
forma e esperar que os resultados sejam diferentes.
Também poderíamos chamar esta postura de "Efeito Eurico
Miranda"; se eu errar ou se algo não der certo a culpa é dos
outros, do técnico, da TV Globo, da humanidade...
Sempre é importante lembrar que uma Universidade
Corporativa, tanto nos aspectos estratégicos como
operacionais deve se pautar pela quebra permanente dos
paradigmas educacionais. |