Contratado recentemente por uma grande
multinacional, sua primeira incumbência foi montar
uma Universidade Corporativa. Trata-se de uma missão
desafiadora, tanto pelas suas dimensões técnicas,
como políticas.
Você sabe que
Universidades Corporativas estão na moda; JEANNE MEISTER, a
“musa” do tema, esteve recentemente no Brasil e voltará
neste ano. As áreas de RH estão se sentindo oxigenadas com a
nova oportunidade de se reposicionar organizacionalmente.
Atualmente
todos os consultores e executivos de RH escrevem a favor da
implantação da idéia.
Se todo mundo
está a favor, não estaria na hora de questionar essa
validade incondicional da necessidade de criação de uma
Universidade Corporativa? Poderíamos começar até pelo nome:
Por que não academia, escola de negócios etc.?
Aqui estamos
nós prontos para exercer a posição de “advogado do diabo”,
buscando alinhar algumas razões para sua empresa não ter
uma Universidade Corporativa.
A primeira
razão é: se o seu departamento de treinamento funciona bem,
tem reconhecimento organizacional, por que mudar? Só para
ter um nome diferente? Será que isto é uma boa estratégia de
marketing?
Mais do que o
nome Universidade Corporativa, valem as idéias e processos
utilizados na Universidade Corporativa; por que então não
adotar apenas essas idéias e processos? (tais como melhores
práticas, diretores como consultores internos,
autodesenvolvimento /educação à distância etc).
Outro aspecto
fundamental é o patrocínio, o exemplo, a disponibilidade de
tempo do principal executivo da organização (2 dias por
mês); sem isso é melhor pensar duas vezes. Pesquisas
americanas mostram que esta é uma das pré-condições de
sucesso das Universidades Corporativas.
Há uma
predisposição de mudar a forma de se “entregar” o
treinamento? Por exemplo, da sala de aula para o
e-learning? Do grupo para o autodesenvolvimento? Do
book de treinamento (treinamento por espasmos) para a
educação permanente (programas mais longos com
pré-requisitos para participação?). Não basta ter a intenção
de mudar é preciso ter “vontade política” e condições para
mudar.
Treinamento e
trabalho têm o mesmo status organizacional ou
qualquer urgenciazinha é razão suficiente para se retirar um
executivo da sala de aula? Trabalha-se de segunda a sexta e
no sábado e domingo somos treinados? Se o contexto é esse há
outras ações a desenvolver antes de uma Universidade
Corporativa.
Universidade
Corporativa requer que se conduza o desenvolvimento de
pessoas com “visão de negócio”; se os responsáveis pela
idéia não têm essa visão, não conhecem o negócio, não
viveram as agruras da linha, esqueça o projeto.
Se a sua
estratégia é entrar em conflito com todo o antigo
departamento de treinamento, é melhor desistir da idéia da
Universidade Corporativa. As forças em sentido contrário
serão tão grandes que o “barco” terá grandes chances de
naufragar.
Em sua empresa
o treinamento pode ser estendido a clientes, fornecedores, à
comunidade? Este é um dos principais pressupostos da
existência de uma Universidade Corporativa. Se isso não é
possível a Universidade deixa de ser um instrumento de
fortalecimento e integração do círculo das relações empresa
/ cliente /fornecedor / comunidade e, de forma mais ampla,
da equalização do capital intelectual.
Se a decisão
for “montar” uma Universidade Corporativa é preciso que se
esteja preparado para fazer o marketing do projeto,
bem como pesquisas permanentes das necessidades do cliente
interno, parte integrante desse processo de mudança. Na
Universidade Corporativa o cliente interno precisa ser
tratado como o externo.
Lembre-se de
que se a idéia inicial é apenas mudar o nome do antigo
departamento de treinamento para Universidade Corporativa,
não ceda à tentação, pois não se cria uma “grife” apenas com
uma troca de nomes, não se usa impunemente "um santo nome em
vão”!
A esta altura
o leitor pode estar se questionando sobre a posição do autor
quanto à adoção das Universidades Corporativas pelas
empresas brasileiras. Acreditamos que nenhuma empresa
deveria ter sua Universidade Corporativa, sem antes ter
feito um estudo de viabilidade (JEANNE MEISTER cobra por
esse trabalho, nos EUA, cerca de USD 90.000).
A maioria das
empresas que conhecemos já parte da decisão que a
Universidade Corporativa é um bom negócio. “Aí é que mora o
perigo”! Nenhuma idéia funciona para todas empresas, em
quaisquer contextos. Nossa posição parece coisa de mineiro?
É quase isso, nasci em Sales Oliveira (SP), perto da divisa.