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Seleção por
Competência
Eduardo Gebara
Consultor Sênior do Instituto MVC,
Uma pesquisa
realizada por uma empresa de consultoria
americana mostra que nos processos decisórios
para contratação de novo funcionário, os
gerentes, em 56% dos casos, usam o seu instinto
e que 48% deles receberam um treinamento
informal para a realização da entrevista.
O despreparo para
esta tarefa pode levar o gestor a perguntas
inapropriadas e até mesmo “ilegais” (as que
tratam a religião, a preferência sexual, a
etnia...), mas o pior é que isto leva a
perguntas erradas e, consequentemente, a
escolhas erradas.
Depois que a área
de RH fez o seu trabalho em recrutar (atrair) o
maior número possível de pessoas, começa a fase
de selecionar os candidatos (tirar daquele bolo,
os melhores).
Através de uma
série de técnicas, os profissionais de RH chegam
a um grupo de mais ou menos 8 pessoas que serão
entrevistadas pelo “dono” da vaga (gestor).
Como vimos no
início do texto, aí podem surgir complicações,
pois nem sempre o gestor está preparado para
esta tarefa.
Uma entrevista de
seleção não é uma conversa informal, entre
amigos, num sábado à tarde.
Ela deve ter, e
tem uma estrutura. Um começo, um meio e um fim.
Desta forma, temos:
-
Planejamento
começo
-
Preparação começo
-
Execução meio
-
Avaliação fim
Nas fases de
Planejamento e Preparação (Começo) o gestor deve
se preocupar com:
-
O perfil da
vaga
-
Ler os
currículos dos candidatos
-
Saber quais
informações sobre a vaga e sobre a empresa
serão fornecidas aos candidatos
-
Saber quais
informações ele quer dos candidatos
-
A duração da
conversa
-
O local de
realização da entrevista
-
Providenciar
um ambiente sem interrupções (bilhetes,
celular, outros funcionários entrando na
sala).
A fase da Execução
(Meio) pode ser, para facilitar a vida do
gestor, dividida em 3 momentos:
-
Quebra-gelo
-
A entrevista
em si
-
Encerramento
O momento inicial
da entrevista é de tensão para ambas as partes,
mas especialmente para o candidato. Por isso, o
quebra-gelo prevê receber o candidato com
pontualidade e cordialidade, indicar o local da
entrevista, oferecer café ou água e começar
falando sobre amenidade – o clima, o trânsito,
como ele fez para chegar, etc.
Passada esta fase,
que dura de 3 a 5 minutos, o gestor entra no
passo seguinte: a Entrevista.
Agora é hora de
dizer ao candidato os objetivos da conversa,
avisa-lo que você vai tomar notas (se de fato o
fizer), falar da previsão de duração, fazer
perguntas, dar respostas e informações.
O gestor deve
falar muito menos e ouvir muito mais (a
proporção é falar 20% e ouvir 80% do tempo).
Para isso, é
fundamental que o gestor saiba o que perguntar,
para que possa extrair do candidato as
informações que precisa.
Evite perguntas do
tipo:
-
Você gosta de
desafios?
-
O que
realmente o motiva?
-
Se você fosse
o diretor da empresa o que você faria na
situação...?
Elas são chamadas
de perguntas retóricas e perguntas hipotéticas.
Nenhuma delas ajuda o gestor a obter
informações!
Se qualquer um de
nós estivesse no lugar do candidato que devesse
responder à pergunta Você gosta de desafios? O
que diríamos ao entrevistador?
Eu diria que sou
movido por eles!
No lugar disso,
peça ao candidato que relate uma situação que
foi desafiadora para ele e o que ele fez.
O candidato fará
um relato rico em informações, mas pode ser
também que ele apenas fale, fale, fale e não
diga nada. O gestor tem que estar muito atenta
para a resposta do candidato para garantir que
ela mostre que desafio ele enfrentou, como ele
agiu naquela situação, como era o contexto
daquele momento descrito por ele e quais os
resultados obtidos.
Esta é a técnica
usada na entrevista de seleção por competências.
Depois de levantar
as informações necessárias é hora de partir para
o encerramento.
Este é o momento
de esclarecer eventuais dúvidas do candidato,
informa-lo sobre a continuidade do processo,
agradecer a participação e o interesse e
encerrar a entrevista.
Após a saída do
candidato, vem a fase de Avaliação (Fim).
Está na hora de
comparar o perfil da vaga com as informações
obtidas nas entrevistas e, aí sim, tomar a
decisão, que está baseada num processo lógico,
estruturado e não na intuição, no feeling
ou coisa parecida.
Utilize este
modelo, treine e boas contratações.
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