|
Cada vez mais
acreditamos que o treinamento é feito de
exemplos e que a ausência das chefias
representa, não só uma falta de
comprometimento com a mudança, mas também e
principalmente, um obstáculo a ela.
"Você deveria
ter convidado meu chefe para este seminário,
vociferou um participante, em conversa com o
Gerente do Departamento de Treinamento!"
Este é o trecho
inicial do artigo escrito por JAMES C.
ROBINSON, para a edição de março de 84, da
revista TRAINING.
Os anos que
separam a publicação do artigo dos dias de
hoje, de forma alguma afetaram seu caráter
de grande atualidade.
Este artigo
explorará dois aspectos importantes: as
conseqüências da ausência das chefias e o
que pode ser feito para garantir a presença
de ambos, superior e subordinado (simultânea
ou não), nos programas de treinamento.
CONSEQÜÊNCIAS
DA AUSÊNCIA
Como dissemos
anteriormente, não existe melhor programa de
treinamento que aquele iniciado pela própria
chefia, através de seu exemplo. Não basta
dizer, é preciso fazer, e fazer sempre ...
Cada vez mais os subordinados descrêem as
chefias tipo "Faça o que eu digo, mas não
faça o que eu faço". Não há confiança que
resista a este tipo de postura.
Os "problemas
de retorno" são outra conseqüência grave;
ocorrem na volta dos subordinados que,
cheios de gás, procuram aplicar o que viram
e encontram chefias que não compreendem bem
o que se está falando ou propondo
demonstrando indiferença ao aprendizado;
consequentemente
rejeita-se o
proposto e desmotiva-se os subordinados, que
se sentem na imagem do "patinho feito".
Como cada vez
mais o processo de desenvolvimento de
subordinados está nas mãos das respectivas
chefias; ausências dessas chefias em
programas com a presença de subordinados
tenderão as ser interpretadas como
desinteresse por este ou aquele elemento,
relegando-o ao limbo. As atividades de
Coaching e de Mentoring precisam
fazer parte do dia-a-dia de um executivo,
não dá para deixar de alocar tempo à sua
execução.
Programas de
treinamento focam, nas mais das vezes "o que
fazer", restando tratar do "como fazer", que
certamente fica muito complicado sem a
presença da respectiva chefia. A mudança
fica para "depois" do evento, quase nunca
acontece.
A presença da
dupla superior/subordinado será sempre um
esforço ao processo de mudança/resultado,
pois a força da dupla é sempre maior;
faltando um dos elos neste processo,
especialmente do superior, a mudança será
prejudicada em qualidade e produtividade.
FACILITADORES
DA PRESENÇA
A seguir
algumas observações que poderão tornar mais
fácil a presença das chefias nos programas
em que também os subordinados participam.
O ambiente
informal de um programa de treinamento, onde
todos ficam menos defensivos, talvez possa
ser o momento ideal para que o superior dê
"aquele" feedback ao subordinado. É
uma grande oportunidade para uma comunicação
mais autêntica a verdadeira. E por que não,
bidirecional?
Mudanças
rápidas serão conseguidas mais facilmente
quando todos os "personagens" do processo
estiverem vivenciando juntos a mesma
situação; as comunicações são mais
uniformes, os obstáculos são analisados pelo
grupo todo, a motivação de um realimenta a
do outro etc.
Treinamento é
um diferencial competitivo aceito por todos;
o executivo que acredita nisso necessita
investir seu tempo neste "tipo de trabalho;"
mais ainda, mostrar que treinamento também é
trabalho e faz parte do crescimento pessoal
e organizacional.
Na era da
administração participativa, dos times de
qualidade etc, os executivos necessitam
mostrar aos subordinados que também fazem
parte do "grupo" e que o conceito de
trabalho em equipe deve prever uma
participação equilibrada de ambas as partes.
Pesquisas
mostram que em outros países os executivos
usam entre 10 a 30% de seu tempo para
desenvolver seus subordinados; no Brasil,
alguém parece estar devendo a alguém nesta
história.
Toda mudança
tem o chamado fator condicionante (o
superior) e o fator condicionado
(subordinado). Como poderá ocorrer qualquer
mudança se os dois não estiverem juntos,
fazendo força na mesma direção?
Subordinados
tendem a se relacionar melhor com superiores
que "descem de seu pedestal", que não usam o
poder da posição para conseguir resultados,
especialmente quando a natureza desses
resultados exige ações grupais.
CONCLUSÃO
Gostaríamos de
encerrar com uma sugestão que talvez pareça
ingênua ou simplista para a maioria das
pessoas.
Nossa
experiência mostra que poucos superiores
resistem ao convite de um subordinado para
participar de um programa juntos. Você,
subordinado, já tentou isto? Quando o fez,
mostrou realmente convicção? Apresentou
argumentos tangíveis/quantificados?
Que tal tentar
mais uma vez?
O leitor poderá
perguntar, e o título do artigo? Não seria o
caso de se fazer com que a unidade de
treinamento fosse a responsável por
solicitar às chefias que dessem o exemplo,
através de sua presença? Acreditamos
piamente que não, pelo menos em primeira
instância.
Querem um
exemplo? Imaginem um programa de treinamento
de um Diretor e respectiva Secretária; quem
deveria fazer o convite ao Diretor?
É isso ai
leitor!!! |